Zoneamento climático urbano
Introdução
Em geral
Clima urbano é entendido como as condições climáticas que as áreas urbanas apresentam, em contraste com aquelas que poderiam ocorrer em uma área rural. A urbanização, além de outras causas, exerce enormes modificações irreversíveis (pelo menos do ponto de vista económico) na paisagem rural anterior, e é por isso que se desenvolvem mudanças na atmosfera circundante.[1][2].
A população mundial em constante aumento concentra-se cada vez mais em megalópoles como: Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México, Lima, Los Angeles, Nova York, Pequim, Xangai, São Paulo, Rio de Janeiro, Tóquio. As áreas urbanas, que também apresentam forte industrialização, experimentam fortes mudanças nas propriedades da superfície do solo. Superfícies naturais como prados, florestas, campos, tornam-se superfícies de pedra, concreto, asfalto, metal, tijolos, o que causa principalmente mudanças nas temperaturas atmosféricas, chuvas e nebulosidade.[3].
Temperatura
Uma área urbana desenvolve um aquecimento significativo em comparação com o seu ambiente rural (e possivelmente suburbano), especialmente à noite e em locais calmos. À medida que a população cresce, ocorre um aumento mais ou menos proporcional das temperaturas (que são mais bem-vindas no inverno do que no verão). A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos afirma que: “nos dias quentes de verão, o ar urbano pode ser 1 a 6°C mais quente do que nas áreas suburbanas e rurais”. É assim que ocorre o fenômeno do efeito “ilha de calor urbana”.[4].
Quando a população ultrapassa um determinado número de habitantes (embora isto varie consoante o tipo de cidade e o seu nível de desenvolvimento) o processo expande-se, especialmente nos países desenvolvidos, pelo que devem ser tomadas mais medidas para mitigar o efeito ilha de calor, tais como: arborização e reflorestação nos centros dos quarteirões, nas ruas, praças e parques, tanto em grandes como em pequenos espaços; ampliar a relação “espaço verde/habitante”, relação que se deteriora rapidamente devido ao aumento da densidade e à diminuição do espaço para habitação e usos urbanos; criação de “pavimentos articulados” de forma a criar microespaços verdes entre as suas juntas; a promoção da “construção inteligente” de edifícios (maior isolamento exterior-interior, cores brancas para reflectir a luz solar, telas anti-solares), etc. No entanto, há que ter em conta que todas estas medidas dependem da localização das cidades em termos do clima geral da região: o que é bom na zona intertropical pode ser inconveniente numa região de clima muito frio. E o contrário ocorre com a arquitetura holandesa, com janelas estreitas e telhados muito inclinados para drenar a chuva e evitar o acúmulo de neve, o que não é apropriado num lugar como Curaçao, apesar de a referida arquitetura ter sido transferida para lá, por razões histórico-culturais, quase sem se adaptar ao clima mais quente. Precisamente, este exotismo arquitetónico tornou-se uma atração turística para as Antilhas Holandesas.