Ventilação cruzada (Estratégia)
Introdução
Em geral
Ventilação cruzada é um conceito utilizado pela arquitetura bioclimática para definir um modo de ventilação para edifícios.
Para isso e dependendo de cada local e da hora do dia, existem ventos característicos que geram zonas de alta pressão a sotavento "Sotavento (mar)") e de baixa pressão a barlavento. Isto implica promover uma ventilação que, se as janelas e portas interiores das instalações estiverem abertas, varra todas as instalações de um edifício ou casa da forma mais homogénea possível.
Na literatura de referência, especialistas como Givoni, Izard e Guyot") ou Olgyay recomendam-no para zonas de clima úmido quente temperado a tropical úmido como estratégia para resfriamento passivo") de edifícios.
Esta estratégia deve ser utilizada com a combinação de ambientes sombreados e uma envoltória (paredes e tetos) cuja temperatura superficial seja semelhante à temperatura ambiente. Caso contrário, e devido ao isolamento térmico insuficiente, podem estar vários graus acima da temperatura ambiente, implicando uma emissão de calor no infravermelho que reduz o conforto higrotérmico.
Assim, a possibilidade de ventilar as instalações ao longo do dia funcionará desde que a temperatura exterior não ultrapasse os 30 a 34 °C com uma humidade relativa de 70 a 90%. Fora destes intervalos a estratégia de ventilação cruzada perde eficácia.
Zona de conforto
Segundo o climograma de Givoni, a zona de conforto com ventilação cruzada é definida como ambiente sombreado, velocidade do vento próxima a 1,5 m/s, temperatura de bulbo seco entre 20 e 32 °C e umidade relativa entre 20 e 95%. Isto com restrição no triângulo formado por temp: 32 °C, UR: 50%; temperatura: 32 °C, UR: 95% e temperatura: 27 °C, UR: 95%.
O efeito da massa térmica
Em geral, a literatura associa esta estratégia a sistemas construtivos leves e de baixa massa térmica, o que se consegue com paredes e tetos com peso entre 15 e 100 kg/m². Estudos recentes mostram que é possível obter um melhor desempenho em climas quentes e húmidos, com temperaturas exteriores não superiores a 35°C; com uma combinação de massa térmica interior e isolamento térmico exterior leve. A massa térmica com paredes ou telhados com peso entre 200 a 400 kg/m² e transmitância térmica "K" ou "U" (dependendo dos países) entre 0,5 a 0,7 W/m².K.
Nestes casos, a estratégia funciona melhor aproveitando a diferença mínima de entalpia entre o dia e a noite, ventilando preferencialmente quando o sol se põe e acompanhada de uma chaminé solar para promover a ventilação convectiva devido à diferença de temperatura.