Vantagens
A fitorremediação ganhou popularidade nos últimos 10 anos. Isto se baseia em parte no seu custo relativamente baixo. Como os processos biológicos são, em última análise, impulsionados pelo sol, a fitorremediação é, em média, dez vezes mais barata do que os métodos baseados em engenharia (como a escavação do solo). O fato de a fitorremediação ser normalmente realizada in situ contribui para sua relação custo-benefício e pode reduzir a exposição do substrato contaminado aos seres humanos, à vida selvagem e ao meio ambiente. A fitorremediação também é popular entre o público em geral como uma alternativa “verde” às fábricas de produtos químicos e escavadeiras.[23].
Embora a fitorremediação apresente vantagens, ela também apresenta limitações. As plantas que medeiam a limpeza devem estar onde está o contaminante e devem ser capazes de agir sobre ele. Portanto, as propriedades do solo, o nível de toxicidade e o clima devem permitir o crescimento das plantas. A fitorremediação também é limitada pela profundidade das raízes, porque as plantas precisam ser capazes de alcançar o contaminante.[22].
Uma forma de otimizar recursos é a utilização de biomassa já morta e pulverizada para o tratamento de água contaminada com metais pesados.[24].
Métodos utilizados em fitorremediação
A fitoestabilização permite que os poluentes sejam imobilizados no solo através da sua absorção e acumulação nas raízes ou por precipitação na zona da rizosfera. Este processo reduz a mobilidade dos contaminantes e evita a sua migração para as águas subterrâneas ou para o ar. A fitoestabilização é eficaz em solos de textura fina e com alto teor de matéria orgânica. É aplicado principalmente em grandes áreas onde há contaminação superficial. Esta tecnologia tem como vantagens sobre outros métodos de remediação de solo o menor custo, a facilidade de aplicação e a estética agradável. Algumas plantas utilizadas para fins de fitoestabilização são: Hyparrhenia hirta (Pb); Zygophyllum fabago (Zn); Lupinus albus (Cd, As); Anthyllis vulneraria (Zn, Pb, Cd); Deschampsia cespitosa (Pb, Cd, Zn); Cardaminopsis arenosa (Cd, Zn); Horedeum vulgare, Lupinus angustifolius e Secale cereale (As); Lolium italicum e Festuca arundinaceae (Pb, Zn); e Brassica juncea (Cd, Zn, Cu, Mn, Fe, Pb). Eichhornia crassipes é uma planta invasora utilizada em processos de fitoestabilização com resultados viáveis.[25].
A fitoextração ou fitoacumulação consiste na absorção de metais contaminantes pelas raízes das plantas e seu acúmulo em caules e folhas. O primeiro passo na aplicação desta técnica é a seleção das espécies vegetais mais adequadas aos metais presentes e às características do local. Concluído o desenvolvimento vegetativo da planta, o próximo passo é cortá-las e proceder à incineração e transferência das cinzas para um aterro de segurança. A fitoacumulação pode ser repetida ilimitadamente até que a concentração remanescente de metais no solo esteja dentro dos limites considerados aceitáveis (dependendo da legislação vigente naquele local). Algumas plantas utilizadas para esta técnica fitocorretiva são: Thlaspi caerulescens (Cd); Sedum alfredii, Viola baoshanensis e Vertiveria zizanioides (Zn, Cd, Pb); Alyssum murale, Trifolium nigriscens, Psychotria douarrei, Geissois pruinosa, Homalium guillainii, Hybanthus floribundus, Sebertia acuminata, Stackhousia tryonii, Pimelea leptospermoides, Aeollanthus biformifolius e Haumaniastrum robertii (Ni); Brassica juncea, Helianthus annuus, Sesbania drummondii (Pb); Brassica napus (Cu, Pb, Zn); e Pistia stratiotes (Ag, Cd, Cr, Cu, Hg, Ni, Pb, Zn).
A rizofiltração utiliza plantas para remover contaminantes do ambiente aquático através das raízes. Na rizofiltração essas plantas são cultivadas hidroponicamente. Quando o sistema radicular está bem desenvolvido, as plantas são introduzidas em águas contaminadas com metais, onde as raízes os absorvem e acumulam. À medida que as raízes ficam saturadas, as plantas são colhidas e descartadas para uso final. Há um grande número de estudos relacionados à capacidade de acumulação de contaminantes de diversas plantas aquáticas, alguns exemplos deles são: Scirpus lacustris (Cd, Cu, Pb, Mg, Fe, Se, Cr), Lemna gibba (Pb, As, Cu, Cd, Ni, Cr, Al, Fe, Zn, Mn), Azolla caroliniana (Hg, Cr Sr, Cu, Cd, Zn, Ni, Pb, Au, Pt), Elatine trianda (As), Wolffia papulifera (Cd), Polygonum punctatum (Cu, Cd, Pb, Se, As, Hg, Cr, Mn) e Myriophylhum aquaticum, Ludwigina palustris e Mentha aquatica (Cu, Zn, Mn, Fe, Ni).
A fitovolatilização ocorre quando as árvores e outras plantas em crescimento absorvem água junto com contaminantes orgânicos e inorgânicos. Alguns deles podem atingir as folhas e evaporar ou volatilizar na atmosfera. Através deste processo foram eliminados contaminantes como: compostos orgânicos voláteis (benzeno, nitrobenzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno), As, Se e Hg. As plantas Salicornia bigelovii, Brassica juncea, Astragalus bisulcatus e Chara canescens têm sido utilizadas para remediação de locais contaminados com Se e Arabidopsis thaliana para Hg.
Na fitoestimulação, as raízes das plantas estimulam os microrganismos presentes na área a ser tratada, e estes degradam os contaminantes.
Na fitodegradação, as plantas e os microrganismos a elas associados degradam os contaminantes orgânicos em produtos inofensivos ou os mineralizam em CO e HO. Nesse processo, os contaminantes são metabolizados nos tecidos vegetais, e as plantas produzem enzimas como a desalogenase e a oxigenase, que ajudam a catalisar a degradação. A fitodegradação tem sido utilizada para a remoção de explosivos como TNT, hidrocarbonetos halogenados, Bisfenol A, PAHs e pesticidas organoclorados e organofosforados.