Urbanismo como conectividade
Introdução
Em geral
permeabilidade ou conectividade descreve até que ponto as formas urbanas permitem (ou restringem) o movimento de pessoas ou veículos em diferentes direções. Os termos são frequentemente usados de forma intercambiável, embora também existam definições distintas (veja abaixo). A permeabilidade é geralmente considerada um atributo positivo de um desenho urbano, pois permite facilidade de circulação e evita a divisão de bairros. Considera-se que formas urbanas sem permeabilidade, por exemplo aquelas cortadas por estradas arteriais, ou com muitos becos sem saída longos, desencorajam o movimento a pé e incentivam viagens mais longas de carro. Há algumas evidências de pesquisas empíricas que apoiam essa visão.[1].
A permeabilidade é um princípio central do Novo Urbanismo, que favorece projetos urbanos baseados na malha viária tradicional (particularmente no contexto norte-americano).
Reservas
Existem duas reservas principais relacionadas à permeabilidade. A primeira diz respeito aos crimes contra a propriedade. Embora o tema seja controverso, há algumas evidências de pesquisas que sugerem que a permeabilidade pode estar positivamente correlacionada com crimes como roubo. Novas pesquisas ampliaram a discussão sobre esse tema controverso. Um estudo recente conduziu uma extensa análise espacial e correlacionou vários fatores sociais, de planta do local e de construção com frequências de crimes e identificou nuances em posições contrastantes. O estudo analisou, entre outros: a) tipos de habitação, b) densidade unitária (densidade local), c) circulação na rua, d) becos sem saída ou grades e e) a permeabilidade de uma área residencial. Entre as suas conclusões estão, respetivamente, que: a) os apartamentos são sempre mais seguros que as casas e a riqueza dos habitantes é importante; b) a densidade é geralmente benéfica, mas mais ao nível do solo; um efeito maior do que estar em um beco sem saída ou em uma rua de passagem. Também restabeleceu que becos sem saída simples e lineares, com um bom número de habitações ligadas por ruas, tendem a ser seguros. Quanto à permeabilidade, sugere que as áreas residenciais devem ser suficientemente permeáveis para permitir a circulação em todas as direcções, mas não mais.
A segunda reserva diz respeito aos efeitos da permeabilidade para os veículos automóveis particulares. Melia (2012)[5] propôs os termos “permeabilidade não filtrada” e “permeabilidade filtrada” para distinguir entre as duas abordagens.