Consumismo
O consumo é um processo econômico associado à satisfação das necessidades dos agentes. Nem todo consumo provém da satisfação de necessidades, pois os desejos também produzem consumo. Do ponto de vista económico, é comum não distinguir estritamente entre necessidades e desejos. O consumo como tal ocorre em todos os sistemas económicos.
Já o consumismo é uma característica de determinados sistemas económicos, em que as decisões de produção estão associadas ao pressuposto de que os agentes económicos trabalharão para obter os seus rendimentos, acima das suas necessidades estritas de consumo, e portanto tomarão decisões para poderem ter um maior rendimento disponível e aumentar os seus níveis de satisfação pessoal através do consumo associado à satisfação de desejos. Considera-se que o termo sociedade de consumo foi cunhado para designar sociedades onde uma das principais atividades de lazer da população é a aquisição de bens materiais ou serviços adicionais, com os quais satisfazem os seus desejos de estatuto social ou satisfação material.
Nas chamadas sociedades de consumo, um certo número de indivíduos pode desenvolver transtorno de compra compulsiva. Para os indivíduos que desenvolvem esse transtorno, o ato de adquirir produtos e serviços que estão ao alcance dos consumidores e usuários torna-se um ato de abuso. Às vezes, o consumismo é entendido como aquisição ou compra excessiva, que associa a compra à obtenção de satisfação pessoal e até de felicidade pessoal. Nas sociedades de consumo, certos indivíduos estão dispostos a trabalhar mais horas e a reduzir o número total de horas de lazer, em troca de salários e rendimentos mais elevados, que lhes permitem adquirir uma maior quantidade de produtos e bens em menos tempo de lazer.
consumo compulsivo
O transtorno de compra compulsiva (TCB) é um distúrbio psicológico de controle de impulsos, caracterizado por preocupações excessivas relacionadas às compras e pela vontade irresistível de adquirir massivamente objetos supérfluos, acompanhada de sentimentos de ansiedade, irritabilidade ou desconforto, e consequências adversas como dívidas. Após o alívio momentâneo do comportamento viciante, a pessoa experimenta sentimentos de culpa. A maioria das pessoas com TCC atende aos critérios do Eixo II ou transtornos de personalidade. Nos Estados Unidos, estima-se que a TCC tenha uma prevalência de 5,8% da população e aproximadamente 80% das pessoas afetadas são mulheres e idosos.
O termo consumismo, utilizado pelos agentes sociais que estão em contacto com a defesa dos interesses dos consumidores e utilizadores, como as organizações de consumidores, engloba o consumo responsável, ético e solidário, que consiste em consumir com critérios responsáveis, tendo em conta a história dos produtos que compramos e as repercussões ambientais e sociais desse consumo.
Consumo sustentável
A definição mais aceita de Consumo Sustentável é a proposta no Simpósio de Oslo em 1994 e adotada pela terceira sessão da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CSD III) em 1995: “A utilização de bens e serviços que respondam às necessidades básicas e proporcionem uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo que minimizam a utilização de recursos naturais, materiais tóxicos e emissões de resíduos e poluentes ao longo do ciclo de vida, de forma a que as necessidades das gerações futuras não sejam postas em risco”.
Entre as diferentes interpretações e significados do conceito, há uma série de elementos comuns a todos eles, que caracterizam o Consumo Sustentável por:
Os produtos e serviços utilizados neste tipo de consumo caracterizam-se pelo respeito ao meio ambiente em todo o processo, ou seja, nos componentes, fabricação, embalagem e transporte. Assim, Consumo Sustentável refere-se a um tipo de consumo que não agride o meio ambiente nem a sociedade. Da mesma forma, a definição de Consumo Sustentável aproxima-se da de Comércio Justo, ou seja, deve respeitar os direitos humanos, os direitos das crianças e as culturas indígenas.
As influências culturais, sociais e económicas provocaram mudanças nos estilos de vida e nos hábitos de consumo. Neste sentido, é importante educar os consumidores através do consumo responsável, ou seja, educar para colaborar através do uso razoável dos serviços e da boa gestão dos resíduos para a reciclagem. A educação para o consumo responsável visa proporcionar aos consumidores os conhecimentos, competências e habilidades necessárias para agir de forma responsável.
O termo Consumo Sustentável tem origem no Desenvolvimento Sustentável. O Princípio 8 do Relatório da Conferência das Nações Unidas, resultado da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro (1992), reflecte a ligação entre o desenvolvimento e o consumo sustentável: “Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma maior qualidade de vida para os seus povos, os estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas apropriadas.” Daí a definição de Consumo Sustentável como “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades” (uma definição que tem origem no Relatório Brundlant).
Em Espanha, organizações como a Facua-Consumidores en Acción e a Organização de Consumidores e Utilizadores (OCU) têm realizado campanhas para sensibilizar os cidadãos para as consequências que os seus hábitos podem ter no futuro. Essas campanhas têm como objetivo promover mudanças em nossos hábitos, bem como propor critérios éticos e de sustentabilidade em nossas compras e atitudes.
Da mesma forma, acontecem cada vez mais conferências agroecológicas cujo objetivo é fornecer informações sobre agroecologia e questões de consumo responsável. Dão também a conhecer as diferentes entidades que operam no âmbito da economia solidária e do respeito pelo ambiente.