Risco de sílica
Introdução
Em geral
Silicose é a pneumoconiose causada pela inalação de partículas de sílica, sendo entendida como pneumoconiose a doença causada pelo depósito de poeira nos pulmões com reação patológica a ela, principalmente do tipo fibroso. Está no topo das listas de doenças respiratórias de origem ocupacional nos países em desenvolvimento, onde continuam a ser observadas formas graves. O termo silicose foi cunhado pelo pneumologista Achille Visconti (1836-1911) em 1870, embora o efeito nocivo do ar contaminado na respiração fosse conhecido desde a antiguidade.[1] A silicose é uma doença fibrótico-pulmonar irreversível e considerada uma doença ocupacional incapacitante em muitos países. É uma doença muito comum em mineiros.
Fisiopatologia
Partículas de sílica respiráveis (menos de 5 mícrons) que atingem o parênquima pulmonar e ficam retidas são fagocitadas pelos macrófagos, passando para seus lisossomos, mas os mecanismos destrutivos de que dispõem (enzimas, radicais oxidativos) são inúteis contra a sílica; O macrófago acaba destruído e libera enzimas e radicais no ambiente que potencializam a inflamação e geram mais radicais oxidantes e enzimas que não são capazes de destruir a sílica, mas são capazes de danificar o próprio tecido pulmonar, levando à fibrose.[2] Assim, uma hipótese inflamatória foi proposta como base da patogênese da silicose. Indivíduos que não controlam bem a resposta inflamatória podem estar em desvantagem.[3] Fatores imunológicos[4] e infecciosos (tuberculose) podem ser incorporados ao processo patogênico. A silicose geralmente ocorre após 10 a 20 anos de exposição à sílica, às vezes muito depois de ter cessado, mas no caso de exposição muito intensa pode aparecer precocemente. Nem todos os trabalhadores expostos desenvolvem a doença, o que sugere a existência de fatores de predisposição individuais, atualmente pouco conhecidos.
A lesão elementar é o nódulo de silicose de aspecto arredondado, com parte central fibrosa, às vezes hialinizada, circundada por camadas concêntricas de colágeno e área periférica com macrófagos carregados de sílica e outras células. A presença de sílica quando examinada com luz polarizada é característica. A silicose simples produz alterações funcionais leves sem repercussões clínicas significativas.
A silicose complicada é caracterizada pela presença nos pulmões de massas com diâmetro superior a 1 centímetro denominadas "Fibrose Maciça Progressiva" (PMF) que, quando retraídas, geram bolhas em sua periferia e distorcem os brônquios, causando obstrução e limitação do fluxo aéreo, além de outras complicações (pneumotórax, cavitação asséptica, cavitação por tuberculose, etc.). Se as massas atingirem um determinado tamanho, alteram significativamente os parâmetros da função pulmonar, tanto da ventilação quanto das trocas gasosas.