Idade Contemporânea
A arquitetura que emerge com a Idade Contemporânea refletirá, em maior ou menor grau, os avanços tecnológicos e os paradoxos socioculturais gerados pelo advento da Revolução Industrial. As cidades começam a crescer de formas até então desconhecidas e novas exigências sociais relacionadas com o controlo do espaço urbano devem ser respondidas pelo Estado, o que acabará por levar ao surgimento do planeamento urbano como uma disciplina académica. O papel da arquitectura (e do arquitecto) será constantemente questionado e novos paradigmas surgirão: alguns críticos alegam que surge uma crise na produção arquitectónica que permeia todo o século e só será resolvida com a chegada da arquitectura moderna.
Todo o século assistirá a uma série de crises estéticas que se traduzem nos chamados movimentos historicistas: quer pelo facto de as inovações tecnológicas não encontrarem naquela contemporaneidade uma manifestação formal adequada, quer por diversas razões culturais e contextos específicos, os arquitectos da época viam na cópia da arquitectura do passado e no estudo dos seus cânones "Cânone (arte)") e tratados uma linguagem estética legítima.
O primeiro destes movimentos foi o já mencionado Neoclássico, mas também se manifestará na arquitetura neogótica inglesa, profundamente associada aos ideais românticos nacionalistas. Os esforços historicistas que ocorreram principalmente na Alemanha, França e Inglaterra por razões ideológicas, tornar-se-iam mais tarde num mero conjunto de repertórios formais e tipológicos diversos, que evoluiriam para o Ecletismo "Ecletismo (arquitetura)"), considerado por muitos como o mais formalista entre todos os estilos historicistas.
A primeira tentativa de responder à questão tradição x industrialização (ou entre artes e ofícios) veio com o pensamento dos românticos John Ruskin e William Morris, proponentes de um movimento estético que ficou conhecido justamente pelo nome de Arts & Crafts (cuja tradução literal é “artes e ofícios”). O movimento propunha pesquisas formais aplicadas às novas possibilidades industriais, vendo no artesão uma figura a destacar: para eles, o artesão não deveria ser extinto por causa da indústria, mas sim tornar-se seu agente transformador, seu principal elemento de produção. Com a dissolução dos seus ideais e a dispersão dos seus defensores, as ideias do movimento evoluíram, no contexto francês, para a estética do Art nouveau, considerado o último estilo do século e o primeiro do século.
• - Arquitetura historicista.
• - Arquitetura em ferro e arquitetura em vidro.
• - Arquitetura eclética.
• - Artes e Ofícios.
• - Modernismo "Modernismo (arte)") ou Art nouveau.
• - Escola de Chicago "Escola de Chicago (arquitetura)").
Após as primeiras décadas do século, tornou-se muito clara uma distinção entre os arquitectos mais próximos das vanguardas artísticas em curso na Europa e os que praticavam uma arquitectura ligada à tradição (geralmente com características historicistas, típicas do ecletismo). Embora estas duas correntes tenham sido, num primeiro momento, repletas de nuances e termos médios, com a atividade “revolucionária” proposta por determinados artistas, e principalmente com a atuação de arquitetos ligados à fundação da Bauhaus na Alemanha, com a vanguarda russa na União Soviética e com o novo pensamento arquitetônico proposto por Frank Lloyd Wright nos EUA, a diferença entre eles permanece clara e o debate arquitetônico se transforma, de fato, num cenário povoado por partidos e movimentos caracterizados.
A renovação estética proposta pelas vanguardas (especialmente o cubismo, o neoplasticismo, o construtivismo "Construtivismo (arte)") e a abstração "Abstração (arte)") no campo das artes plásticas abre caminho para uma aceitação mais natural das propostas de novos pensamentos arquitetônicos. Estas propostas baseavam-se na crença numa sociedade regulada pela indústria, na qual a máquina surge como um elemento absolutamente integrado na vida humana e na qual a natureza não só é dominada, mas também são propostas novas realidades diferentes da natural.
De modo geral, as novas teorias que se discutem sobre a Arte e o papel do artista veem na indústria (e na sociedade industrial como um todo) a manifestação máxima de todo trabalho artístico: artificial, racional, preciso, enfim, o Modernismo (arte) moderno. A ideia de modernidade surge como uma ideologia ligada a uma nova sociedade, composta por indivíduos formados por um novo tipo de educação estética, usufruindo de novas relações sociais, nas quais as desigualdades foram superadas pela neutralidade da razão. Este conjunto de ideias vê a arquitetura como a síntese de todas as artes, pois é a arquitetura que define e dá origem aos acontecimentos da vida quotidiana. Assim, o campo da arquitetura abrange todo o ambiente de vida, desde os utensílios domésticos até toda a cidade: para a arte moderna, a questão artes aplicadas x grandes artes não existe mais (todas integradas no mesmo ambiente de vida).
A chamada arquitetura moderna ou movimento moderno será, portanto, caracterizada por um forte discurso social e estético de renovação do ambiente de vida do homem contemporâneo. Esta ideologia formaliza-se com a fundação e evolução da escola alemã Bauhaus: dela provêm os principais nomes desta arquitetura. A busca por uma nova sociedade, naturalmente moderna, foi entendida como universal: dessa forma, a arquitetura influenciada pela Bauhaus foi caracterizada como algo considerado internacional (daí a corrente de pensamento a ela associada ser chamada de Estilo Internacional, título que vem de uma exposição promovida no MoMA de Nova York).
A arquitetura praticada nas últimas décadas, desde a segunda metade do século, tem-se caracterizado, em geral, como uma reação às propostas do movimento moderno: por vezes os arquitetos atuais releem os valores modernos e propõem novas concepções estéticas (o que acabará por ser caracterizado como uma atitude denominada “neomoderna”); outros propõem projetos mundiais radicalmente novos, procurando apresentar projetos que, em si, são paradigmas antimodernistas, desprezando conscientemente os dogmas criticados do modernismo.
As primeiras reações negativas à excessiva dogmatização da arquitetura moderna proposta no início do século, surgiram, de forma sistêmica e rigorosa, por volta da década de 1970, tendo nomes como Aldo Rossi e Robert Venturi como seus principais expoentes (embora teóricos como Jane Jacobs tenham promovido críticas intensas, embora isoladas, à visão de mundo do Movimento Moderno já na década de 1950, especialmente no campo do Urbanismo).
A crítica antimoderna, que a princípio se restringia às especulações teóricas acadêmicas, ganhou imediatamente experiência prática. Esses primeiros projetos estão geralmente ligados à ideia de revitalização da “referência histórica”, colocando explicitamente em xeque os valores anti-historicistas do Movimento.
Durante a década de 1980, a revisão do espaço moderno evoluiu para a sua desconstrução total, com base em estudos especialmente influenciados por correntes filosóficas como o Desconstrutivismo. Apesar de muito criticada, essa linha de pensamento estético foi mantida nos estudos teóricos e na década de 1990 seduziu o grande público e se tornou sinônimo de arquitetura de vanguarda. Nomes como Rem Koolhaas, Peter Eisenman e Zaha Hadid estão ligados a este movimento. O arquiteto americano Frank Gehry, apesar de ser amplamente classificado como um arquiteto desconstrutivista, foi criticado pelos próprios membros do movimento.
Apesar das tentativas de classificação das diversas correntes da produção contemporânea, não existe de facto um pequeno grupo de “movimentos” ou “escolas” que reúna sistematicamente as diversas opções que têm sido feitas por arquitectos de todo o mundo.
Sinteticamente, pode-se dizer que a arquitetura continuamente apresentada pela mídia especializada como representativa do momento histórico atual (ou, por outro lado, como uma produção de vanguarda) pode ser resumida em quatro ou cinco grandes blocos, mas não seriam a reprodução fiel da verdadeira produção arquitetônica cotidiana, vivenciada em todo o mundo.