Planejamento estatal no Brasil
No Brasil, como em outros países latino-americanos, o “planejamento econômico” adquiriu relevância como ferramenta de intervenção estatal voltada à promoção do desenvolvimento nacional. Seu principal objetivo era modificar a posição do país na divisão internacional do trabalho, através de estratégias de substituição de importações, proteção do mercado interno e fortalecimento da indústria local. Além disso, o planejamento estatal consolidou-se como requisito para acesso ao financiamento de organismos multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outras instituições de crédito internacionais.
No Brasil, o planejamento estatal foi efetivamente utilizado desde 1956, com o Plano de Objetivos"), no governo de Juscelino Kubitschek, “fruto” do trabalho da Comissão Mista do Brasil e dos Estados Unidos. Considerando cinco setores da economia, esse trabalho, segundo Dias (2003), produziu “um plano setorial, tal como apenas 25% do PIB brasileiro foi incorporado”. Este plano teve grande importância pelo sucesso obtido e seu valor está na percepção econômica, sendo o planejamento brasileiro o mais bem estruturado de sua época segundo Dias (2003) em 1987, “o Plano de Objetivos foi um caso bastante correto na formulação e execução do planejamento”.
A segunda contribuição está relacionada ao Plano Trienal, de 1963 a 1965, que, segundo Días (2003), “embora mal alcançado [...] tem um conceito de desenvolvimento” como uma contribuição significativa para a ideia de divisão de renda e distribuição de renda entre diferentes regiões, para sua maior contribuição. Segundo Días (2003) “A experiência adquirida no Plano Trimestral foi fundamental para o desenvolvimento dos planos subsequentes” tendo portanto a sua importância no aporte teórico.
No ano de 1964, surgiu o Programa de Ação Econômica do Governo, de 1964 a 1966. Depois de ter contribuído apenas para o desenvolvimento do planejamento, pois segundo Días (2003) sua construção ocorreu na cúpula do governo, refletindo a pressa, a centralização e a ação dos tecnocratas. Outra experiência ocorreu entre 1968 e 1970 com a elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento. Um plano fragmentado, que propunha a aceleração do desenvolvimento económico, a moderação inflacionária, o progresso social e a expansão dos empregos, estimulando o sector privado e expandindo as responsabilidades do governo. O programa de metas e Bases de Ação do governo surgiu entre 1970 e 1973, tendo sido o mais ambicioso segundo Mendes (1978), pois pretendia “transformar a nação brasileira em uma importante potência mundial”. Embora não tivesse a estrutura de um plano e, portanto, sendo um programa parcial dependente de planos posteriores, contribuiu com um guia para os planos que lhe sucederiam.
Outra importante contribuição para a cultura de planejamento no Brasil ocorreu em 1972, com o Plano Nacional de Desenvolvimento, pois foi construído a partir de uma visão mais ampla, tendo maior integração das indústrias. Estão incluídos os setores produtivos da economia, os indicadores econômicos e o investimento social, que tem maior reconhecimento e tem gerado melhores resultados. No Segundo Plano de Desenvolvimento Nacional implementado entre 1975 e 1979, as visões de crescimento e equilíbrio da balança comercial no plano evolutivo do governo Geisel"), propondo a continuação dos indicadores positivos. Dada a sua maior contribuição na questão ambiental, este plano é, portanto, a inclusão desta questão de grande importância, uma contribuição para princípios do pensamento sustentável na política no Brasil, embora devido à pressão internacional devido às repercussões da industrialização acelerada ocorrida no período acima, e que influenciou a elaboração do terceiro Plano Nacional de Desenvolvimento para os anos de 1980 a 1985. Este novo trabalho tem a maior contribuição para a percepção de que o problema ambiental se constitui como uma tarefa intersetorial, surgindo “junto com a Ciência e a Tecnologia”.
O Plano Real, idealizado pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e implementado durante a presidência de Itamar Franco, foi articulado em duas etapas: a criação da URV (fevereiro de 1994) como unidade de conta para “desindexar” a economia e, em 1º de julho de 1994, a introdução da moeda real “Real”. Nos doze meses anteriores, a inflação acumulada atingiu 4.922% em relação ao ano anterior, com picos mensais superiores a 40%.[3] Após a reforma monetária, a variação anual caiu para 22% em 1995 e ficou abaixo de 2% em 1998,[4] enquanto o PIB acumulou um crescimento de 12,4% entre 1994 e 1997.[5] A estabilidade de preços facilitou a entrada de investimento estrangeiro direto, a expansão do crédito e, consequentemente, a modernização da planta turística - novos hotéis urbanos, programas de turismo interno") e projetos de ecoturismo promovidos pelo BNDES e PRODETUR") -, enquanto a valorização cambial e os ajustes fiscais levantaram críticas ao aumento do desemprego urbano. e competitividade internacional.