Planejamento urbano centralizado
Introdução
Em geral
A teoria dos lugares centrais é uma teoria geográfica dedutiva desenvolvida pelo geógrafo alemão Walter Christaller (1893–1969), apresentada pela primeira vez em sua obra Os lugares centrais no sul da Alemanha de 1933 e que se tornaria uma das teorias essenciais da nova geografia quantitativa.[1].
Análise de mercado
Christaller inicialmente aplicou esta suposição apenas para a análise de mercados, razão pela qual excluiu do modelo cidades altamente especializadas, como assentamentos mineiros.
Partindo de um espaço isotrópico com distribuição homogênea da população e do poder de compra, o custo do produto aumentará dependendo da distância e do preço dos fatores de transporte. Da mesma forma, o poder de compra de um produto pela população diminuirá em função do seu custo e, portanto, da distância. Seguindo este raciocínio, conclui-se que existirá um limite além do qual deixará de ser rentável adquirir um produto ou serviço por existir outra localização mais próxima.
Teoria
Esta teoria de sistemas tenta explicar, com base em certos princípios gerais, a distribuição e hierarquia dos espaços urbanos que prestam determinados serviços à população de uma área envolvente num espaço isotrópico.
Para tanto, estabelece o conceito de “locais centrais” aos pontos onde são prestados determinados serviços à população de um entorno.
Baseia-se na premissa de que a centralização é um princípio natural de ordem e que os assentamentos humanos o seguem. A teoria sugere que existem leis que determinam o número, o tamanho e a distribuição das cidades.
A teoria de Christaller cria uma rede de “áreas de influência” circulares em torno dos centros de serviços ou locais centrais que no modelo acabam se transformando em ladrilhos hexagonais por ser esta a figura geométrica mais próxima do círculo, que não deixa espaços intersticiais descobertos ao gravitar em direção a um ou outro núcleo.
A existência de locais centrais que oferecem uma maior e mais variada gama de serviços permite-nos deduzir uma hierarquia de núcleos, criando áreas de influência e relações entre eles.
Seguindo o modelo geométrico") vemos como sempre que o número de lugares centrais deve ser múltiplo de 3. Se nos atermos à rede de transportes administramos outras variáveis: acesso e custo da viagem, então o número de lugares passa a ser múltiplo de 4. Mas se a região for uma fronteira, o número pode ser até um múltiplo de 7.
Christaller, W. 1966. Lugares Centrais no Sul da Alemanha. Prentice Hall, Englewood Cliffs, Nova Jersey. (Traduzido por Carlisle W. Baskin).
Referências
- [1] ↑ Álvarez, Juan Ramón (25 de mayo de 2016). «De santo patrón a réprobo: el caso Christaller». NATURAETCULTURA. Consultado el 10 de marzo de 2024.: https://naturaetcultura.wordpress.com/2016/05/25/de-santo-patron-a-reprobo-el-caso-christaller/