Planejamento hídrico
Introdução
Em geral
Planejar o uso dos recursos hídricos é uma questão que ganha cada vez mais importância, considerando que a água é, em grande parte do planeta, um recurso escasso. Alguns cientistas sociais chegam a falar sobre possíveis guerras futuras "Guerra da Água (Bolívia)") pelo acesso à água. Portanto, qualquer esforço para melhor utilizá-lo e, se possível, reutilizá-lo, é plenamente justificado.
Ao pensar no planeamento da utilização dos recursos hídricos, tendo em conta que as obras envolvidas, como barragens, perímetros de irrigação, sistemas de abastecimento de água potável, para citar apenas alguns exemplos, têm um período de construção de vários anos, e uma vida útil de algumas décadas, deve considerar-se o planeamento a longo prazo, também denominado planeamento estratégico.
A unidade de planejamento territorial
Há menos de quatro décadas, na década de 1960, os planejadores começaram a pensar na bacia hidrográfica como a unidade natural para estudar o uso adequado dos recursos hídricos. Desde então este conceito foi gradualmente consolidado, e atualmente, cada vez mais países estão criando, através de meios legislativos, as chamadas “Autoridades da Bacia”), que têm autoridade para decidir e outorgar concessões temporárias para o uso da água, estabelecendo: ponto de captação, vazão autorizada, ponto de retorno, qualidade da água no ponto de retorno e custo da água.
Há, no entanto, exceções a esta regra, são as chamadas transferências de bacia, ou seja, a água que é produzida em uma bacia é transferida para uma bacia vizinha. Existem, na América do Sul, duas situações importantes onde isso ocorre: o primeiro caso é na cordilheira dos Andes, onde na encosta do Atlântico as chuvas são significativamente maiores do que na encosta do Pacífico, particularmente ao sul da fronteira Equador-Peru. Nesta área existem várias áreas de irrigação importantes que buscam parte da água nas alturas da serra, no lado atlântico, para irrigar terras na costa peruana. O segundo caso são as grandes metrópoles, particularmente São Paulo no Brasil, que, para consumo humano, utiliza água produzida em bacias vizinhas.