Ativismo ambiental
Ativismo é a ação que se realiza para efetuar uma mudança social ou política, normalmente posicionada a favor de uma posição específica num conflito, ou seja, se se fala em ativismo ambiental, estaria se referindo a uma tendência que se baseia na proteção da natureza e no respeito pelos seus direitos.[1].
Essa tendência surgiu quando a população começou a notar indícios de deterioração ambiental. Com isso, os ativistas acreditaram que era necessário divulgar o problema através dos meios de comunicação que tinham em mãos, inclusive o ciberespaço, e destacar o impacto que suas próprias ações, que têm como finalidade a conservação da natureza, estavam causando na sociedade.
Atualmente, as formas de realizar o ativismo ambiental têm se diversificado, um dos grupos que atualmente tem conseguido se fortalecer com mais sucesso são os ciberativistas, com a ajuda de redes sociais, memes ou campanhas com coleta de assinaturas pedindo:.
Dentre os ciberativismos ambientais destacam-se:.
Mineração e Ecologia Florestal:.
Este tipo de ativismo busca estratégias para implementar a segurança das pessoas contra as grandes explorações minerais que não respeitam as comunidades, a fauna, a flora, a água ou as áreas de reserva, defende os espaços verdes e busca promover que as áreas florestais não sejam reduzidas apenas para fins econômicos, principalmente mineração e extensão pecuária em países latinos como a Colômbia, local onde este tipo de ciberativismo tem conseguido obter grandes resultados como a defesa de charnecas e reservas florestais na Amazônia colombiana e nas planícies orientais como a revogação de licenças ambientais para empresas petrolíferas e aquíferas em Caño Cristales, Amazônia e Guainía.
Este tipo de ativismo denuncia, e como tal, não tem medo de denunciar tanto as multinacionais ostentosas como os grupos de pessoas que prejudicam a ecologia local em seu próprio benefício, e isso tem levado à prisão de pessoas que realizam mineração ilegal, o que faz com que este tipo de ativismo na Colômbia se torne perigoso para a integridade dos ciberativistas.
Espaço, Legislação e Urbanidade.
O ciberativismo, segundo Peláez, (2012) é uma estratégia que busca uma mudança na agenda pública por meio da mídia eletrônica. Uma das questões que mais se aproxima de incentivar estas mudanças reside no domínio do ambiente, entendido como ciberativismo ambiental, onde diversos movimentos garantem a sua proteção.
Esta defesa, criada a partir de grupos sociais, culturais e políticos, tem como foco focar sua atenção e interesse em um aspecto específico do meio ambiente, entre os quais está o ciberativismo urbano-ambiental que busca defender todos os tipos de manifestações que vão contra a preservação dos ambientes naturais no ambiente urbano. Este tipo de ciberativismo destaca-se como um movimento emergente em torno da proteção do meio ambiente, que busca, segundo Suárez, Hernández & Hessla (2002), a conquista do controle comunitário da gestão do espaço, assumindo que as condições ambientais são ilegítimas em termos sociais e econômicos.
Orgânico.
O ciberativismo orgânico tenta, por meio da comunicação pelas redes sociais, conscientizar as pessoas sobre uma alimentação adequada, propondo o consumo de alimentos orgânicos em detrimento do consumo de alimentos geneticamente modificados. Os ciberativistas orgânicos lidam com informações sobre iniciativas que visam o consumo de alimentos orgânicos, a soberania alimentar e diversas questões que comprometem a nutrição de uma comunidade ou de toda a humanidade. Um dos exemplos claros é a publicação constante de notícias, atividades e iniciativas realizadas por grupos de ativistas na esfera pública, como é o caso da revolução da colher ou da cidade das frutas.
Por outro lado, os ciberativistas orgânicos preocupam-se em conscientizar o mundo através das redes sociais sobre as ações das multinacionais que violam ou vão contra as ideias que têm sobre o consumo de alimentos orgânicos e a soberania alimentar, como é o exemplo da multinacional Monsanto, da qual notícias contra as suas ações são constantemente reproduzidas nas redes.
Em resumo, o que os ciberativistas orgânicos pretendem é sensibilizar as pessoas para esta questão específica, para que as diferentes pessoas que podem ver as publicações constantes tomem medidas sobre esta questão e possam contribuir para a solução deste problema.[3].
Animalista.
Fazendo parte dos movimentos sociais contemporâneos, o movimento animal se consolidou como uma posição que faz parte dessa tentativa de melhorar as relações e interações entre o ser humano e seu meio ambiente. Especificamente, trata-se de uma busca para configurar, estabelecer e reivindicar os direitos dos animais, utilizando, entre outras, as novas tecnologias e a Internet para realizar campanhas de denúncia e aumentar a conscientização sobre o abuso e maus-tratos aos animais.
Desta forma, estabeleceu-se a ideia de que independente da espécie, a natureza animal proporciona a condição imediata de ser sujeito de direito, é uma luta que visa abolir todas as formas de exploração animal e que se baseia nas conquistas históricas alcançadas por movimentos que conseguiram inserir novas ideias na sociedade.
Entre os movimentos ciberativistas destacam-se os “petistas” como aqueles donos de um animal que serve de companhia, donos que buscam até defesa política para cães e gatos, esquecendo-se de outras espécies animais. São justamente os chamados “petistas” que têm revelado novas tendências nas redes sociais por se mostrarem como sujeitos em defesa dos direitos dos animais, mas são definitivamente ciberativistas que não revelam uma posição baseada numa ideologia clara.
Protestos cibernéticos
Torres (…) propõe a sua própria definição de ciberprotesto combinando a de outros autores. Afirma que são “atos-rotinas ou performances produzidas pelos meios digitais e difundidas ou ativadas no ciberespaço”, que se dirigem aos atores políticos, às elites de referência e à sociedade em geral. Ele acrescenta que podem ter sido previamente concebidos ou improvisados. Também podem ser realizadas através de e-mail, sites, chats e blogs, mas também wikis e redes sociais.
O autor faz a sua própria classificação dos protestos cibernéticos, com base nos trabalhos anteriores de Constanza Chock e Weimann. É assim que distingue os protestos cibernéticos convencionais, perturbadores e violentos.
Para Torres, os protestos cibernéticos convencionais têm como objetivo “divulgação, orientação e mobilização”. Assim consistem em mobilizações, palavras de ordem, petições, correntes, avaliação de resultados...
Os disruptivos são aqueles que procuram confrontar os atores políticos ou as elites. Para fazer isso, usam boicotes; a saturação de emails ou contas em redes sociais; e teatralização por meio de zombaria ou sátira, por exemplo.
Por fim, Torres menciona violentos protestos cibernéticos. Consistem em “atacar e assustar atores políticos e elites”.
Para isso, os hackers destroem, roubam e sequestram dados pessoais ou institucionais; atacam com vírus de computador; alterar sites; ou perpetram “ameaças, insultos” e até “espalham ataques”. (Sáenz, 2014, p. 39-41).
O ciberativismo também é utilizado através do “ativismo hashtag”, que permite que grupos marginalizados partilhem as suas perspetivas. Os exemplos incluem os movimentos #BlackLivesMatter e #MeToo, que dão voz a grupos que têm um histórico de exclusão da grande mídia.[4].
Flashmobs ou ciberculturas
Um flashmob ou mobilização instantânea é uma manifestação articulada graças às tecnologias de comunicação. É simplesmente um grupo de pessoas que se reúne “simultaneamente, temporária e voluntariamente, sem que seja necessário que se conheçam previamente”. As reuniões são realizadas em local público e geralmente têm como objetivo a realização de algum tipo de ato simbólico.
Flashmobes são um novo tipo de expressão social coletiva, espontânea, breve, simples, enérgica e lúdica, possibilitada pela instantaneidade e fluidez da Internet. Ocorre de forma simples: um internauta liga pela Internet, e utilizando uma ou mais das ferramentas que ela oferece, uma manifestação em local público em data e horário determinados. Portanto, a comunicação é horizontal para que a mídia tradicional não intervenha. Assim, são simplesmente pessoas que, graças à tecnologia, divulgam um pedido de encontro entre amigos e conhecidos. Estes fazem o mesmo, o que dá origem a uma grande cadeia de comunicação, capaz de mobilizar milhares de pessoas. (Sáenz, 2014, p. 42-43).