Espaço Negativo
Introdução
Em geral
Ma (間) é um termo japonês que pode ser traduzido como pausa, espaço, abertura ou intervalo. Não é simplesmente um vazio ou ausência de conteúdo, mas é um espaço consciente, uma respiração que permite valorizar as outras partes da obra ou mesmo criar novos significados. Segundo a filosofia japonesa, este espaço seria cheio de energia e poderia induzir um estado contemplativo no qual é possível apreciar a expansão do espaço e do tempo.[1].
O Ma nas artes
O Ma não pode ser compreendido por si só, mas em relação ao seu contexto: os elementos presentes delimitam o espaço vazio. Nesse sentido, a compreensão de Ma permite a consciência simultânea da forma e da contraforma de um motivo artístico, por exemplo.[2] Exemplos de Ma podem ser encontrados em muitas artes, desde os espaços em branco das pinturas japonesas até as pausas dramáticas dos atores do teatro nō e os momentos silenciosos nos filmes do diretor Yasujirō Ozu. Na música, Ma são os silêncios ou intervalos entre as notas. Na dança, o Ma está presente nos contornos dos bailarinos parados em pose e na assimetria das formas negativas que os contornos produzem.[1].
Como parte da estética japonesa, Ma está ligado a outros conceitos de composição como a ideia de desequilíbrio ou assimetria e a ausência de centro. Este tipo de composição é conseguido graças à atenção à disposição e espaçamento de alguns objetos em relação a outros (por exemplo, numa bandeja de sushi), bem como à criação de espaços vazios delimitados por uma disposição assimétrica (por exemplo, num buquê de flores dispostos de acordo com ikebana). Também importante é a relação que os detalhes têm em relação ao espaço negativo, e as partes em relação ao todo.[4].
Referências
- [1] ↑ a b Hahn, Tomie (2007). Sensational Knowledge: Embodying Culture Through Japanese Dance (en inglés). Wesleyan University Press. p. 53. Consultado el 3 de noviembre de 2014.: http://books.google.fr/books?id=FsWwLJ5grzwC
- [2] ↑ Prusinski, Lauren (2012). «Wabi-Sabi, Mono no Aware, and Ma: Tracing Traditional Japanese Aesthetics Through Japanese History». Studies on Asia. 4 (Department of Politics and Government at Illinois State University) 2 (1): 25. Archivado desde el original el 4 de noviembre de 2014. Consultado el 3 de noviembre de 2014.: https://web.archive.org/web/20141104031023/http://studiesonasia.illinoisstate.edu/seriesIV/documents/2-Prusinkski_000.pdf
- [3] ↑ Wei-hsun Fu, Steven; Heine (1995). Japan in Traditional and Postmodern Perspectives (en inglés). SUNY Press. p. 12. Consultado el 3 de noviembre de 2014.: http://books.google.fr/books?id=FsWwLJ5grzwC
- [4] ↑ Verghese, George. «The Way of the Detail in Japanese Design». 2003 IDEA Journal: 168. Consultado el 3 de noviembre de 2014.: http://idea-edu.com/wp-content/uploads/2013/01/2003_IDEA_Journal.pdf