Construções Megalíticas
Introdução
Em geral
O termo megalitismo vem das palavras gregas mega (μεγας) 'grande', e lithos (λιθος), 'pedra'. Embora em sentido literal possam ser encontradas construções megalíticas por todo o mundo, desde o Japão até aos gigantes da Ilha de Páscoa, em sentido estrito muitos autores apenas chamam de megalitismo o fenómeno cultural cujo foco se situa no Mediterrâneo Ocidental e na Europa Atlântica, que se inicia no final do Neolítico e se prolonga até à Idade do Bronze e que se caracteriza pela criação de diversas construções feitas com grandes blocos de pedra mal desbastados e denominados megálitos. Assim, segundo estes investigadores, quando se fala em megalitismo não se devem incluir as construções ciclópicas correspondentes a outras dinâmicas culturais como as do Bronze Egeu, das Baleares ou da Sardenha, muito menos as do Egipto ou da Polinésia.[1].
Grandes monumentos megalíticos são encontrados espalhados por grande parte da Europa Ocidental, mas os centros mais importantes estão na Bretanha, no sul da Inglaterra e Irlanda, e no sul da Espanha e Portugal.
Este fenómeno identifica-se essencialmente com a construção de túmulos monumentais do tipo dólmen (em bretão mesa de pedra), no interior dos quais eram sucessivamente sepultados os defuntos de um grupo humano, separando-se cuidadosamente os ossos dos defuntos anteriores (sepulturas colectivas). As antas podem ser simples ou de corredor, de galeria ou de cista, e a maioria era inicialmente coberta por um monte de terra ou pedras, que já desapareceu em grande parte. Além das antas, no contexto megalítico, é possível encontrar outra tipologia de construção não funerária denominada menir, um monólito cravado no solo que pode aparecer isolado ou formando alinhamentos (em Carnac) ou círculos (henges, como em Stonehenge). Existem também muitos cromeleques, círculos de pedras mais ou menos grandes que rodeavam o monte de uma anta, tholoi, falsas antas e grutas artificiais.
Processo de construção
O processo de construção de um megálito começou na pedreira onde foram extraídos os grandes blocos de pedra. De lá foram transportados (1) em troncos e galhos até o local escolhido para a construção do monumento. Aqui, os blocos verticais foram colocados num buraco estreito previamente cavado (2) e depois ajustados até ficarem na posição vertical, após o que o buraco foi preenchido para fixá-los firmemente. No caso dos menires, o processo foi concluído, mas para a construção de uma anta continuou a tarefa mais difícil, que consiste na colocação do bloco ou blocos horizontais. Para isso, foram feitos aterros em ambos os lados dos ortóstatos, até atingirem a mesma altura destes (e muito provavelmente o espaço entre ambas as paredes também foi preenchido com terra, que foi então esvaziada). O bloco horizontal (3) foi transportado ao longo destes aterros até ser colocado corretamente, após o que tudo foi coberto com terra, dando origem ao monte (4). Esta hipótese de construção foi verificada na prática por diversas equipas de investigação, incluindo a de J.P. Mohen, que em 1979 construiu um dólmen em França com a ajuda de duzentos homens e cuja laje superior pesava 32 toneladas.