Algumas bases da bioconstrução
Localização adequada
Evitar a proximidade de fontes de radiação eletromagnética, poluição química ou sonora, como fábricas, grandes vias de comunicação, linhas de alta tensão, subestações e centros de transformação. Numa outra ordem de coisas, também deve ser evitado pôr em perigo qualquer ecossistema ou habitat.
Integração no meio ambiente
Tendo em conta a morfologia do terreno, os edifícios adjacentes, os estilos arquitetónicos tradicionais da zona, incluindo a vegetação local e a harmonia das formas de construção, procurando integrar em vez de ocupar. As proporções espaciais, bem como as formas e cores, têm grande importância na harmonização do local.
Design personalizado
De acordo com as necessidades do utilizador, para que a casa se adapte a ele e sirva perfeitamente para desenvolver a sua vida nela. A bioconstrução tenta evitar o excesso de elementos retilíneos e cantos e cantos angulares, bem como materiais excessivamente rígidos ou tensionados. As luzes são salvas com arcos e abóbadas.
Distribuição de espaços e orientação
Serão abordadas a distribuição eficiente de serviços, bem como considerações bioclimáticas, de poupança de energia e funcionais.
Boa orientação será buscada sempre que possível.
Serão projetados vidros apropriados para o máximo aproveitamento térmico e luminoso (com paredes e pisos com alta inércia térmica)
Localização dos quartos com pouco uso a norte: garagens, despensas, escadas e zonas de dia a sul.
Nos locais de descanso serão envidados esforços para evitar a passagem de electricidade, água ou qualquer outro tipo de conduta.
Uso de materiais saudáveis, biocompatíveis e higroscópicos
Estes devem facilitar as trocas de umidade entre a casa e a atmosfera. A casa deve “respirar”.
Os materiais devem ser feitos a partir de matérias-primas tão não processadas quanto possível e, se possível, devem ser utilizados recursos locais.
Devem estar totalmente isentos de elementos nocivos como amianto, poliuretano ou PVC.
Os tubos sanitários de grande diâmetro podem ser feitos de cerâmica com conexões de borracha e os tubos de pequeno diâmetro podem ser feitos de PP (polipropileno), PB (polibutileno) e/ou PE (polietileno) em vez de PVC. Com estes materiais, os tubos são mais estáveis, flexíveis, duráveis e menos ruidosos.
Para eletrodutos, já existem no mercado cabos sem halogênio e sem PVC, além de tubos enrolados de polipropileno.
Evitaremos isolamentos e tintas com poros fechados, revestimentos plásticos, elementos que retêm poeira eletrostática (tapetes, pisos plásticos...) e todos aqueles materiais que emitem gases tóxicos durante a combustão. Devemos utilizar tintas de silicato, tintas à base de água, óleo de linhaça, breu, ceras naturais, etc., bem como, para elementos decorativos, tratamentos de madeira ou polidos e rebocados.
Nos elementos estruturais utilizaremos cimentos naturais ou cal hidráulica. O uso do aço deve ser restrito ao essencial e deve estar devidamente conectado ao terra.
Hoje em dia, os elementos estruturais de concreto armado são muito abusados, como vigas, pilares e lajes, especialmente vigotas de concreto armado protendido, que contêm aço com tensão-torção permanente, quando em muitos casos podem ser substituídos por paredes autoportantes, treliças, arcos e abóbadas.
Por outro lado, o cimento Portland é composto por cinzas voláteis e escórias siderúrgicas que afetam a sustentabilidade e a saúde de diversas maneiras:
Otimização de recursos naturais
É altamente recomendável realizar um estudo dos recursos do local, para que possamos determinar os elementos naturais que podem nos proporcionar algum tipo de “obra” sem limitar a sua durabilidade, tendo em mente:
Climatologia.
• - Insolação (radiação solar incidente e tempo).
• - Geologia e hidrologia.
• - Pluviometria.
• - Ventos dominantes (força, tempo e direção).
• - Biomassa "Biomassa (ecologia)") (massa florestal).
• - Ecossistemas.
Ao longo da história, o primeiro elemento de análise para a escolha de um local como assentamento humano tem sido a água. Este é o elemento principal que determina a sustentabilidade de um assentamento. Hoje devemos considerá-lo um recurso escasso.
Serão tomados cuidados especiais com o tratamento da água, a sua captação, a sua acumulação, a sua utilização, a sua purificação, a sua reutilização e a sua devolução ao ambiente natural.
É aconselhável coletá-lo em mina horizontal (se possível), caso contrário teremos que procurar o lençol freático ou um veio d'água. Ou ainda canalizar e acumular água da chuva. As caixas d'água devem ser protegidas da luz e do calor, bem como construídas com materiais naturais. A sua utilização deve ser responsável e austera. É aconselhável separar as águas cinzentas (lavatórios, pias, chuveiros) das águas negras (sanitários) para serem tratadas de forma eficiente e purificadas biologicamente para posterior reutilização.
Tentar-se-á aproveitar a luz solar (insolação) como elemento primário de iluminação e como fonte de energia para aquecimento de paredes e colectores solares. Da mesma forma, a eletricidade pode ser produzida com painéis fotovoltaicos.
Serão levados em consideração os ventos predominantes, sua intensidade, direção e tempo. Com isto poderemos adotar sistemas de ar condicionado baseados no princípio de “pressão diferencial em condutas de ventilação e/ou refrigeração”, bem como adotar medidas para evitar possíveis condições através da colocação de telas biológicas.
Implementar elementos para climatização natural, como maciços florestais, lagoas, solares térmicos, estufas, telhados verdes, etc.
Também a implementação de energias renováveis que possam ser utilizadas naquele local específico (como turbinas eólicas, turbinas hidráulicas, painéis solares, biomassa, etc.), bem como a utilização dos materiais de construção do local.
Implementação de sistemas e equipamentos para poupança
Utilização da Bioclimática, através de sistemas de recolha solar passiva, galerias de ventilação controlada, sistemas de água vegetal que regulam a temperatura e a humidade. Ventilação por solar térmico. Beirais devidamente projetados. Preferencialmente paredes autoportantes que proporcionem inércia térmica, com isolamento para o exterior. Telas ventiladas podem ser incorporadas em fachadas com forte insolação.
Vegetação perene a norte e vegetação caducifólia a Sul, Nascente e Poente.
Sempre que o tempo o permita, é aconselhável incorporar coberturas vegetais inundáveis.
Pulverizadores para economizar água nas torneiras. Os utilizados para o banho devem ser termostáticos.
Equipamentos móveis de baixo impacto e configuração ergonômica, aparelhos de baixo consumo e baixa emissividade eletromagnética e iônica, zero emissão de micro-ondas e ondas gama, etc., com aterramento adequado, que não emitam gases nocivos e que seus elementos circundantes sejam naturais.
Deve-se levar em consideração não só a disposição ideal do móvel, mas também sua própria forma e contorno geométrico.
Incorporação de sistemas e equipamentos de produção limpos
Após um estudo dos recursos naturais do local e das necessidades a cobrir, podemos determinar os sistemas mais adequados para obter a energia que necessitamos, tais como:
O planeamento de sistemas que considerem poupanças não se baseia apenas nas poupanças per se do mecanismo instalado, mas também no tipo de utilização do mesmo. É assim que um sistema de captação solar passivo, mas sem regulação individual por divisão, resulta num mau aproveitamento do sistema. Para incorporar o sistema de forma eficiente, levantaremos as necessidades do sistema separadamente dos sistemas de consumo, para que possamos otimizar a energia de forma eficiente.[3].
Programa de recuperação de resíduos e purificação de descargas
Separação dos resíduos na fonte, com programa de reciclagem e, se possível, reaproveitamento de sólidos inorgânicos e compostagem de orgânicos.
Devemos prestar especial atenção à purificação de águas residuais para a sua posterior utilização, por ex. na irrigação. Em locais com grande escassez de água, devem ser incorporados sistemas de desidratação orgânica ou “banheiros secos” com seu posterior programa de compostagem.
Manual do usuário para uso e manutenção
Onde são detalhadas as ações que o usuário deve realizar e as que o mantenedor profissional deve realizar.