A comunicação organizacional não tem uma referência histórica específica, mas conseguiu evoluir a partir da participação de múltiplas disciplinas que fizeram da comunicação empresarial um campo fortemente relacionado com as mudanças que a globalização e os desafios da administração no século XXI trouxeram.
Alguns autores afirmam que a comunicação organizacional começou na década de 1920 com o surgimento de eventos políticos radicais em que as relações públicas começaram a ser geridas; porém, deve-se levar em conta que a comunicação organizacional vai além da simples gestão corporativa referindo-se ao macroambiente das organizações. Pelo contrário, há quem confirme que a comunicação organizacional tem a sua origem na Europa sob o fenómeno da revolução industrial em que começaram a ser realizados estudos ligados ao comportamento organizacional, dados a partir de informações unidirecionais onde a alta direção atribuía tarefas e os colaboradores as atendiam sem controvérsia.
As tendências surgidas da especialização do trabalho e da sua consequente organização formal (Henri Fayol, 1900) deram origem à moderna organização da administração (Frederick Winslow Taylor, 1914) onde a estrutura funcional por departamentos derivava dos postulados da organização burocrática, (Maxwel, 1919) permitindo à comunicação encontrar novos cenários para o fluxo de informação oficial da chamada gestão, dando origem ao que conhecemos como downward comunicação.
Mais tarde, nos Estados Unidos, a partir da década de 1920, a sociologia, com o apoio dos métodos qualitativos utilizados pela psicologia social, ampliou os horizontes do estudo da comunicação nas empresas. As contribuições feitas por
Elton Mayo (1972) e o Efeito Hawthorne (1927) neste cenário deram origem à concepção moderna de comunicação nas organizações, onde através dos postulados da Escola de Relações Humanas foi abordada a comunicação entre colaboradores e chefes, dando origem à chamada comunicação ascendente.
Durante a década de 1940, Abraham Maslow (1943) mergulhou na relação motivação-produtividade através de métodos experimentais com grupos de controle, onde apesar das críticas dos empiristas sobre os métodos utilizados em suas pesquisas, fez contribuições significativas para a comunicação nas empresas, abrindo caminho para a relação comunicação-motivação, que mais tarde seria um dos pilares da comunicação atual nas organizações (Pirâmide de Maslow).
Outro dos pilares atuais da comunicação nas organizações advém das contribuições de Chester Barnard (1935), que através dos seus estudos dimensionais da organização como um sistema de cooperação entre membros participantes, identificou que cada membro tem por natureza a necessidade de se relacionar com os seus colegas de trabalho, abrindo caminho para o que hoje chamamos de comunicação horizontal.
Posteriormente, seus postulados deram origem ao que se conhece como Escola Sistêmica, que ampliou os limites da comunicação com vistas aos públicos externos da organização.
Nesta nova concepção da organização como sistema, Douglas McGregor (1960, Morin 1977, Elías 2003, Rogers 1976, Agarwala1976) através de suas teses sobre teoria
Vinte anos depois William Ouchi") (1981), como complemento aos postulados de MacGregor, através do que ele chamou de teoria evidenciada como um sistema que produz tensões entre seus membros de acordo com os propósitos, benefícios e controle sobre os resultados da organização, que dependem fundamentalmente das forças do ambiente sobre os sistemas e subsistemas da organização.
Este cenário permite à comunicação explorar os fenómenos da comunicação externa da organização, dando origem à atual
Relações públicas americanas. Contudo, seriam Lawrence e Lorsch (1967) que ampliaram o espectro do ambiente da organização, com as múltiplas mudanças cíclicas e ocasionais que ocorriam no dia-a-dia da empresa, dando lugar à consolidação da teoria da contingência, desmistificando a estrutura do planeamento de longo prazo, para impor o planeamento estratégico de curto prazo, (Schulz 1996, Tannenbaum 1997) onde a comunicação encontrou um novo cenário de resolução. de conflitos, para negociação e resposta prática às crises diárias no ambiente da organização.
Atualmente são muitas as tendências que buscam explicar o fenômeno comunicativo na organização, porém, as contribuições de Manuel Castells a partir da estrutura social da informação e do conhecimento são de vital importância para a projeção desta linha de pesquisa, onde fica evidente a necessidade de estudar em profundidade os impactos gerados na organização com a implantação das chamadas novas tecnologias de comunicação e informação, principalmente na produtividade da empresa, no trabalho, nas relações humanas e na formação de uma ciência da comunicação que possa explicar, a partir de seus próprios métodos e com suas próprias teorias, o fenômeno comunicativo na organização (Castells 2002, Carnoy 2002 Help 2001, Mcgrew 2001, Golblatt 2000, Perraton 2001).[6].