Aspectos culturais
Educação
A educação universal para crianças era obrigatória até os quatorze anos. Ela estava nas mãos de seus pais, mas era supervisionada pelas autoridades de seu calpulli. Parte dessa educação envolveu o aprendizado de uma coleção de ditos, chamada “Huēhuetlàtolli” (“Ditos dos Velhos”), que representavam os ideais astecas.
Existiam dois tipos de escolas: telpochcalli, para estudos práticos e militares, e calmécac, para aprendizagem especializada em escrita, astronomia, teologia e liderança.
A religião mexicana foi a síntese das antigas crenças e tradições dos antigos povos mesoamericanos, de uma complexidade que implicava a própria existência, a criação do universo e a situação do ser humano em relação ao divino, intimamente ligada à agricultura e à chuva. O concerto humano tinha a sua razão de ser de natureza divina e implicava vários conceitos, dos quais os mexicas eram herdeiros de um núcleo religioso mesoamericano construído ao longo de muitos séculos.
Segundo afirmou o estudioso Alfredo López Austin, na concepção mesoamericana, a matéria era integrada a uma parte animada - visível, tangível - e outra com carga interna com duas forças, uma luminosa, quente e seca e outra escura, fria e úmida, semelhante à noção de cosmos (que sintetizava uma crença cosmogônica em que a parte luminosa era a abóbada celeste até o local onde vivia o sol - com característica masculina/paterna, produtor de chuva fértil - e a parte escura com o submundo – recipiente feminino/maternal da chuva fertilizante e local da concepção humana e natural). Os deuses eram compostos de diversas maneiras por esses dois materiais e mantinham comunicação constante com os humanos, os quais podiam “alojar” em corpos mundanos de forma intensa (transformando o ser habitado no próprio deus, como nas festas em que sacrificavam um fidalgo que era habitado por Xipe Tótec) ou de forma leve, provocando perversões ou virtudes.
Essas forças permeavam tudo o que era habitado na Terra e seu equilíbrio caracterizava a ordem micro e macrocósmica, que precisava ser mantida. No caso mexicano, uma elite sacerdotal sólida detinha o poder de comunicação e equilíbrio como forma de submissão ideológica com a maior parte da população, neófita nas explicações cosmogónicas. As festas religiosas pretendiam equilibrar a vontade criativa com a vontade destrutiva ou prejudicial e assim garantir a continuidade dos ciclos, do vital ao agrícola. Foi somente no povo pós-clássico que a combinação dessas crenças com a da necessária renovação vital e reciclagem das forças vitais teve no sangue humano a expressão viva do ritual de continuidade. Por isso, os sacrifícios eram feitos tanto aos humanos invadidos pelas forças divinas e que eram imolados para renovar os poderes dos deuses “humanizados” ou na busca de alimento vital (sangue, ou água preciosa) para garantir o trânsito celestial. A partir da reforma de Tlacaélel, concretizou-se para os mexicas a crença de que o sangue era o alimento de Tonatiuh, que era transportado pelo céu em duas enormes cobras. Essa crença está representada na Pedra do Sol. Em relação a isso, vale ressaltar que as elites políticas, religiosas e militares praticavam o canibalismo ritual com vítimas sacrificiais.
Quetzalcóatl era um deus antigo, anterior aos mexicas, do qual existem diferentes versões: para alguns foi o criador do homem, enquanto para outros foi um deus civilizador. Ele também é conhecido como o deus do vento pelo nome de Ehécatl, que é uma de suas formas, e outra de suas formas é a do deus da água e do deus da fertilidade. Quetzalcóatl é considerado filho da deusa virgem Coatlicue e irmão gêmeo do deus Xólotl "Xólotl (divindade)"). Como introdutor da cultura, trouxe a agricultura e o calendário ao homem, e é o patrono das artes e ofícios. Num mito mexicano, o deus Quetzalcoatl deixou-se seduzir por Tezcatlipoca, mas atirou-se numa pira funerária cheio de arrependimento. Após sua morte, seu coração tornou-se a estrela da manhã e, como tal, está ligado à divindade Tlahuizcalpantecuhtli. Em todo o caso, este deus, descrito como um ser de rosto branco e barbudo, era um deus pacífico e civilizador, contrário aos sacrifícios humanos, que tentou impedir esta prática ritual. Fracassando em seu propósito, emigrou para o leste, prometendo que um dia retornaria em determinado ano da contagem mexica. O mito de Quetzalcóatl é muito interessante para entender a reação dos mexicas à chegada dos espanhóis (Hernán Cortés).
Templo Principal
No centro da cidade ficava o Templo Principal, um recinto murado (com parede em forma de cobra, coatepantli) onde ficavam os templos principais e a Casa dos Jovens (telpuchcalli). Perto dali ficava o palácio Axayácatl, que contava com cem quartos com banheiro próprio para visitantes e embaixadores. Foi lá onde ficaram os homens de Cortés, juntamente com seus aliados Tlaxcalan.
O palácio de Moctezuma Xocoyotzin possuía vários anexos. Um deles era o zoológico: dois recintos onde eram cuidados animais de grande parte da Mesoamérica. Um recinto era dedicado às aves de rapina e outro a uma grande variedade de animais, incluindo aves, répteis e mamíferos. Cerca de trezentas pessoas ficaram encarregadas de cuidar dos animais. Existia também um jardim botânico dedicado especialmente às plantas medicinais. Outra seção era uma espécie de aquário "Aquário (contêiner)"), que continha dez lagoas de água salgada e dez lagoas de água doce para peixes e aves aquáticas.
Os canais eram atravessados por pontes de madeira que eram removidas à noite. Foi ao tentar atravessar estes canais à noite que os invasores perderam a maior parte do ouro que roubaram do palácio de Montezuma. O traçado dos canais ainda está preservado no traçado de algumas avenidas da atual Cidade do México, como México-Tacuba, Calzada del Tepeyac ou Calzada de Tlalpan.
Artes
Os mexicanos eram bons escultores, pois podiam fazer esculturas de todos os tamanhos nas quais capturavam temas religiosos ou da natureza. Eles capturaram a essência do que queriam representar e então criaram suas obras detalhadamente.
Nas esculturas maiores geralmente representavam deuses e reis. Os menores eram utilizados para representações de animais e objetos comuns.
Os mexicas usavam pedra e madeira e às vezes decoravam as esculturas com tintas coloridas ou incrustadas com pedras preciosas.
A música, o canto e a dança acompanhavam todas as cerimónias como os casamentos, os funerais, as de carácter político como a ascensão de um novo líder, as de carácter guerreiro e ainda as festividades relacionadas com os ciclos do calendário. As danças religiosas eram realizadas nos pátios dos templos.
Alguns instrumentos musicais utilizados são Teponaztli, Tecomapiloa, Omichicahuaztli, Huéhuetl, Coyolli"), Chililitli, Chicahuaztli, Cacalachtli, Ayotl, Ayacahtli"), Tetzilacatl, Ayoyotes. O tlapitzalli, uma flauta de barro, era usado para sinalizar o início de uma batalha. Conchas de caracóis também eram usadas como trombetas.
Astronomia e astrologia mexicana: a relação das estrelas e do céu
Sem dúvida, as três estrelas que mais chamaram a atenção dos mexicas são: o sol, a lua e o planeta Vênus, por isso essas estrelas têm causado grandes crenças e mitos. Pela forma como ele “desapareceu” e “reapareceu”.
A Lua representava a feminilidade, a fertilidade, a vegetação e também a embriaguez, tendo como símbolo o tecciztlì (o caracol marinho), que por sua vez é o símbolo do aparelho reprodutor feminino. Em certos aspectos a Lua está relacionada com a água; nos manuscritos é representado num recipiente em forma de meia-lua cheio de água, sobressaindo-se a silhueta do coelho.
As deusas (como a deusa da água) têm muitos atributos em comum, principalmente nas roupas.
Os deuses da embriaguez (existem vários, pois existem diversas formas de se embriagar), como o “pulque”, eram considerados divindades lunares, pois eram considerados causadores de colheitas abundantes, transformando os deuses da embriaguez em deuses das colheitas abundantes e da proteção dos banquetes, verdadeiras festas de bebida para celebrar a abundância.
Eles eram chamados de Centzon Totochtin, os “quatrocentos coelhos”, porém ao analisar seus nomes percebemos que se referiam ao nome de uma cidade (por exemplo Tepoztlán, uma cidade Nahua no vale de Cuernavaca). Isto se explica porque pequenos deuses locais eram agrupados para cada colheita e celebração. Sem dúvida o mais importante dos quatrocentos coelhos foi Ometochtli “Dois Coelhos”. Esses deuses eram tão importantes que vários hinos religiosos foram dedicados a eles.
Ao comparar o que foi dito anteriormente sobre o sol e a lua, percebe-se sob ambas as estrelas as características do casal primordial, fogo (sol) e Terra (lua); a dualidade muito antiga representada no céu.
O planeta Vênus "Vênus (planeta)") era chamado de Hueycitlalin (a grande estrela). Em seu aspecto de deus ele era Tlahuizcalpantecuhtli. Vários manuscritos representam o referido deus como um arqueiro. Era temido como causador de doenças e para evitá-las, tomava-se o cuidado de reparar as rachaduras nas casas e fechar quaisquer aberturas nas mesmas quando Vênus estava a caminho de ascender no horizonte ocidental.
Em outro aspecto (Códice Borgia, placa 54, canto superior direito) o deus Tlahuizcalpantecuhtli aparece no traje fúnebre do deus da morte, Mictlantecuhtli, com o rosto coberto por uma máscara em forma de cabeça de morto. Com esse traje, além de receber as características de um deus que dá doenças e maus presságios, ele lembra que Vênus nasceu da morte de Quetzalcoatl. Após o sacrifício, Quetzalcóatl, convertido em Tlahuizcalpantecuhtli, passou quatro dias no inferno do norte, domínio de Mictlantecuhtli. Aqui encontramos o tema da morte e do renascimento, da viagem ao país da morte que une as três personalidades de Quetzalcóatl-Xólotl-Tlahuizcalpantecuhtli.
Pesquisadores e estudiosos da cultura mexicana
• - Arte mexicana.
• - Sistema métrico mexicano.
• - Metalurgia pré-colombiana na América.
• - Império Asteca.
• - Gastronomia mexicana.
• - história mexicana.
• - Militarismo mexicano.
• - Origem do México.
• - Religião mexicana.
• - Xoloitzcuintle.
• - Drogas enteogênicas e registro arqueológico.