Arquitetura Mudéjar
Introdução
Em geral
Arquitetura mudéjar aragonesa é uma corrente estética dentro da arte mudéjar que tem seu centro em Aragão (Espanha) e que foi reconhecida em alguns edifícios representativos como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).
A cronologia do mudéjar aragonês estende-se de século em século e inclui mais de uma centena de monumentos arquitectónicos localizados, predominantemente, nos vales do Ebro, Jalón e Jiloca, onde era numerosa a população de mudéjares e mouros, que mantinham as suas oficinas e tradições artesanais, e a pedra era escassa como material de construção.
As primeiras manifestações do mudéjar aragonês têm duas origens: uma arquitectura palaciana ligada à monarquia, que reformou e ampliou o Palácio Aljafería mantendo a tradição ornamental islâmica e os construtores muçulmanos, e uma arquitectura popular que se ligou ao românico que deixou de construir em alvenaria de silhar e passou a fazer as suas construções em tijolo muitas vezes dispostas em rendilhados ornamentais de raiz hispano-muçulmana, o que pode ser observado nas igrejas de Daroca que, sendo iniciadas em pedra, foram acabadas no século com painéis de tijolo mudéjar.
A arquitetura mudéjar em Aragão adota esquemas funcionais preferencialmente do gótico cisterciense, embora com algumas diferenças. Os contrafortes desaparecem muitas vezes, sobretudo nas absides, que adoptam assim uma característica planta octogonal, com paredes largas que permitem apoiar os impulsos e dão espaço às decorações em tijolo destacadas. Nas laterais das naves os contrafortes – muitas vezes encimados por torreões, como acontece no Pilar Mudéjar – acabam por gerar capelas e não são visíveis do exterior. É comum a existência de igrejas de bairro (como a de San Pablo de Zaragoza "Iglesia de San Pablo (Zaragoza)") ou pequenos centros urbanos de nave única, sendo as capelas situadas entre os contrafortes que proporcionam ao templo um maior número de espaços de culto. Por outro lado, é comum encontrar-se acima destas capelas laterais uma galeria fechada ou andito, com janelas para o exterior e interior do templo. Esta constituição é chamada de igrejas-fortalezas, e seu protótipo poderia ser a igreja de Montalbán.
Característico é o extraordinário desenvolvimento ornamental evidenciado pelas torres sineiras, cuja estrutura é herdada do minarete islâmico: planta quadrangular com pilar central entre cujos espaços as escadas são cobertas por abóbadas de acesso, como acontece nos minaretes almóadas. Neste corpo localiza-se a torre sineira, normalmente poligonal. Existem também exemplos de torres octogonais.