Governança financeira é entendida como o conjunto de processos, regras, normas, valores e instituições por meio dos quais os diferentes atores (organizações públicas locais, estaduais e internacionais, bem como empresas, movimentos sociais e cidadãos, entre outros) administram as finanças, ou seja, os sistemas e mercados financeiros, em qualquer território, desde a escala local até a escala global. Como somatório de diversos elementos, a governança financeira apresenta uma “arquitetura” ou “cartografia”, ou seja, um modelo formal mais ou menos estruturado no qual se localizam esses elementos e as relações estabelecidas entre eles.
A progressiva globalização dos mercados financeiros e a influência determinante da economia mundial nas economias nacionais, ocorrida nas últimas décadas, fazem com que os problemas, desafios e atividades relacionadas com as finanças, ou seja, a governação financeira à escala global, ocupem hoje uma situação predominante, comparativamente à governação das finanças que ocorre em escalas inferiores e especialmente em detrimento dos sistemas financeiros nacionais. Por esta razão será também objecto de especial interesse nesta nota.
A missão fundamental de todo sistema financeiro é a disponibilização, autorização e valorização de crédito para a sociedade da qual faz parte. Segundo Dembinski[1] finanças é um subsistema econômico que cumpre três funções específicas: a) garantir o tráfego de pagamentos; b) arrecadar poupanças e colocá-las ao serviço de projetos de investimento; e c) avaliar o risco, atribuir-lhe um valor e permitir que seja atribuído de forma eficiente. Segundo Germain[2], à missão principal de qualquer sistema financeiro contemporâneo de garantir a contribuição de fundos para o desenvolvimento da sociedade, acrescenta-se a busca de um certo grau de equidade social e autonomia política.
Atualmente, o sistema financeiro caracteriza-se por dominar o mercado económico devido ao maior valor e maior imediatismo das suas transações, num contexto em que os dois competem no mesmo terreno (utilização dos mesmos meios de troca, especificamente do mesmo sistema monetário).
De uma perspectiva geopolítica, o sistema financeiro global contemporâneo é caracterizado por uma crescente transferência de influência para os países emergentes devido à expansão económica dos seus mercados. Por último, a crise financeira de 2008 trouxe à mesa o debate sobre a necessidade de uma governação que responda às expectativas de todos os intervenientes no sistema financeiro. Segundo Germain, trata-se de determinar quais organizações estão envolvidas na governança e como interagem, por meio de regras e acordos, com o objetivo de produzir sistemas transparentes, legítimos, eficientes e justos.
Arquitetura financeira
Introdução
Em geral
Governança financeira é entendida como o conjunto de processos, regras, normas, valores e instituições por meio dos quais os diferentes atores (organizações públicas locais, estaduais e internacionais, bem como empresas, movimentos sociais e cidadãos, entre outros) administram as finanças, ou seja, os sistemas e mercados financeiros, em qualquer território, desde a escala local até a escala global. Como somatório de diversos elementos, a governança financeira apresenta uma “arquitetura” ou “cartografia”, ou seja, um modelo formal mais ou menos estruturado no qual se localizam esses elementos e as relações estabelecidas entre eles.
A progressiva globalização dos mercados financeiros e a influência determinante da economia mundial nas economias nacionais, ocorrida nas últimas décadas, fazem com que os problemas, desafios e atividades relacionadas com as finanças, ou seja, a governação financeira à escala global, ocupem hoje uma situação predominante, comparativamente à governação das finanças que ocorre em escalas inferiores e especialmente em detrimento dos sistemas financeiros nacionais. Por esta razão será também objecto de especial interesse nesta nota.
A missão fundamental de todo sistema financeiro é a disponibilização, autorização e valorização de crédito para a sociedade da qual faz parte. Segundo Dembinski[1] finanças é um subsistema econômico que cumpre três funções específicas: a) garantir o tráfego de pagamentos; b) arrecadar poupanças e colocá-las ao serviço de projetos de investimento; e c) avaliar o risco, atribuir-lhe um valor e permitir que seja atribuído de forma eficiente. Segundo Germain[2], à missão principal de qualquer sistema financeiro contemporâneo de garantir a contribuição de fundos para o desenvolvimento da sociedade, acrescenta-se a busca de um certo grau de equidade social e autonomia política.
Atualmente, o sistema financeiro caracteriza-se por dominar o mercado económico devido ao maior valor e maior imediatismo das suas transações, num contexto em que os dois competem no mesmo terreno (utilização dos mesmos meios de troca, especificamente do mesmo sistema monetário).
De uma perspectiva geopolítica, o sistema financeiro global contemporâneo é caracterizado por uma crescente transferência de influência para os países emergentes devido à expansão económica dos seus mercados. Por último, a crise financeira de 2008 trouxe à mesa o debate sobre a necessidade de uma governação que responda às expectativas de todos os intervenientes no sistema financeiro. Segundo Germain, trata-se de determinar quais organizações estão envolvidas na governança e como interagem, por meio de regras e acordos, com o objetivo de produzir sistemas transparentes, legítimos, eficientes e justos.
Como resultado desta crise, um número crescente de autores (ver a secção de propostas) concordam com a necessidade de deixar para trás um modelo financeiro orientado para a maximização e a especulação de curto prazo, e entrar noutro que recupere a sua função original de apoiar a eficácia da economia produtiva como um dos factores geradores de bem-estar social.
O papel das finanças na economia (global, nacional e local)
Globalização das finanças
De acordo com Dembinski,[3] a globalização financeira envolve a fusão progressiva dos sistemas financeiros nacionais num sistema global emergente. Este sistema consiste em dois níveis: um mercado financeiro global que fornece financiamento às maiores empresas à escala global, e a soma de fundos em todo o mundo que constituem o nível local, e que canalizam cada vez mais poupanças e dinheiro para o primeiro nível. O autor salienta que não é certo, por um lado, que esta estratificação seja eficiente do ponto de vista económico, enquanto, por outro, limita a capacidade de acesso ao financiamento das pequenas e médias empresas.
Dembinski salienta também que o sistema financeiro se tornou a osatura da economia e da sociedade contemporânea, e cada vez mais é o grau de solvência que determina quais são ou podem ser os direitos das pessoas, comunidades ou países.
Crise financeira e agenda global
Este carácter central das finanças no que diz respeito à economia, e da economia no que diz respeito à organização social, faz com que alguns autores[4] situem a crise do sistema financeiro no quadro de uma crise sistémica generalizada que afecta toda a economia, a sociedade e o planeta, e que se manifesta por sinais como a pobreza e a desigualdade (entre países e dentro de cada país), o comércio internacional regido por regras injustas que beneficiam apenas alguns, um modelo energético predatório que esgota as fontes devido ao excesso de procura, e as alterações climáticas como consequência do desenvolvimento insustentável. e modelos de consumo. Perante tudo isto, aponta-se que uma refundação do sistema financeiro é necessária mas insuficiente: o que é necessário é uma agenda global à escala mundial que conduza a uma mudança de paradigma, e da qual faça parte a refundação do sistema financeiro global juntamente com outras transformações que conduzam a “[um modelo] de globalização diferente que não seja apenas guiada por princípios de rentabilidade, mas também por justiça, solidariedade e responsabilidade para com os cidadãos”. (veja a seção de propostas).
Liberalização financeira
Contenido
El sistema financiero de la primera década del siglo es el fruto de cuatro décadas de liberalización financiera, iniciado en los primeros años 1970, y que se aceleró como consecuencia indirecta de algunos acontecimientos históricos, especialmente con el desmantelamiento del bloque comunista a partir de 1989. Según Ibase[5] se trata de un proceso doble que tiene lugar paralelamente en las escalas nacional e internacional.
"Por un lado, la liberalización financiera nacional está centrada en la desregulación de mercados financieros nacionales y en la consiguiente modificación de los instrumentos de política económica para adaptarse a las nuevas reglas. (...) La idea que los mercados financieros totalmente libres podrían ser una amenaza fue substituida por la ideología de que los mercados no se equivocan".[6] (...)"Cuando un país permite la libre entrada y salida del capital financiero está enviando señales a los dueños de las riquezas locales que ahora tienen una opción entre someterse a las leyes nacionales o trasladar sus operaciones a un ambiente más amistoso. Esto significa que si el gobierno de un país decide reducir la tasa de interés para estimular el crecimiento y el empleo en su economía, los dueños del capital financiero pueden optar por llevarse su riqueza a otro país más atractivo, forzando al gobierno a revertir su política económica. (...) De hecho, no es solo la libre elección de una política monetaria lo que se ve afectado. La decisión de imponer impuestos progresivos, por ejemplo, tendrá que enfrentar la reacción hostil de los inversores con respecto a dicha política. Si la política les parece inaceptable pueden simplemente huir con su capital a otro país. Esto puede ocurrir con cualquier política que no sea del agrado de inversores y rentistas. (...) La mayor parte del tiempo no es necesario que la fuga de capitales ocurra realmente. La mera amenaza de iniciar un episodio de fuga de capitales intimida lo suficiente a los gobiernos nacionales como para hacerlos reconsiderar su posición."[6].
"Por otro lado, la liberalización financiera internacional (...) consiste en desmantelar los controles de capital para aumentar la libertad con la cual el capital financiero puede moverse a través de las fronteras nacionales". Durante la segunda década de los años 1990, "El desmantelamiento de los controles de capital expuso a aquellos países que los habían implementado a una creciente volatilidad y a crisis financieras recurrentes, entre otros efectos devastadores, sin un aumento perceptible en términos de desarrollo económico. (...) La liberalización, por lo tanto, le abrió las puertas al capital financiero, pero no al capital productivo. El capital financiero no busca oportunidades de convertirse en capital productivo sino que especula con las diferencias entre valores productivos. (...) Cuando la liquidez es abundante en los mercados financieros internacionales, como actualmente, hay un exceso de capital financiero en busca de oportunidades en todo el mundo, sobrevaluando el tipo de cambio en los países en vías de desarrollo, dificultando sus exportaciones e incluso amenazando sus niveles internos de producción frente a la competencia de las importaciones baratas".[6].
A escala nacional e a governação financeira
De acordo com Germain,[7] existem dois elementos de resistência a nível nacional contra o domínio da natureza global da governação financeira: em primeiro lugar, um "interesse próprio orientado para o exterior", segundo o qual os governos favorecem o estabelecimento de regras internacionais que favorecem os seus próprios interesses e os das principais instituições financeiras do seu país. O segundo elemento é um “interesse próprio orientado para dentro”, segundo o qual os governos e as instituições financeiras de um país resistem à imposição de normas e regras internacionais que entram em conflito com as práticas nacionais existentes. A estes dois elementos soma-se a prerrogativa de emissão de moeda, base material do sistema financeiro.
Governança financeira local
A nível local, ainda não existem de forma generalizada verdadeiros sistemas de governação financeira em que intervenham diferentes atores. Assim, pelo menos em África, e segundo Yatta[8], as comunidades locais evoluem num contexto difícil caracterizado pelo fosso entre os novos poderes transferidos pela descentralização e os montantes alocados nos orçamentos locais. Orçamentos participativos") são experiências desenvolvidas especialmente a nível local em todo o mundo, nas quais a democracia participativa foi desenvolvida como um sistema de preparação dos orçamentos das entidades envolvidas.
Características do sistema financeiro
• - Financialização (económica): Segundo Calame.[9] As causas da crise financeira devem ser procuradas na financeirização"), isto é, no processo de domínio, à escala internacional, do mercado de fluxos financeiros, sobre o mercado de trocas de produtos reais, em resultado de um peso económico muito maior do primeiro sobre o segundo no contexto de um mercado indissociável. A financeirização beneficia assim das inovações tecnológicas dos últimos anos (especialmente a Internet) que levaram a uma aceleração da volume de transações.
• - Financialização das mentalidades: segundo Dembinski[10] o crescimento ininterrupto da economia na segunda metade do século e no início do século tornou-a um elemento constituinte fundamental das sociedades, bem como o financiamento o aspecto central da economia. Assim, por um lado, a posse de bens e o poder de compra determinam o poder e o risco de exclusão social e regem os destinos das pessoas. Por outro lado, numa sociedade aberta e móvel, as finanças transformam a confiança interpessoal em pseudoconfiança nas instituições garantidas pela liquidez dos mercados.
• - Externalização do risco: Segundo Chomsky[11] o sistema não assume de forma satisfatória os custos que uma troca entre dois agentes pode causar a um terceiro, incluindo a sociedade como um todo ou o meio ambiente. Esta desresponsabilidade resulta numa maior probabilidade do aparecimento de crises financeiras graves e periódicas. Ignorar as externalidades das transações implica, segundo o autor, que “o setor público assume custos e riscos enquanto o benefício é privatizado”[12].
• - Extraterritorialidade: o aumento exponencial do volume de reservas cambiais é uma inovação financeira após a Segunda Guerra Mundial e uma das características da interdependência económica e social que leva à intensificação da globalização.
• - Fluxos de capitais e explosão de transações financeiras: a dívida internacional, os investimentos diretos, bem como as transferências de todos os tipos, em geral, excedem o volume das transações comerciais. A explosão das transacções financeiras deu origem à dependência das sociedades ocidentais das finanças. Isto significa que são especialmente sensíveis às variações do sistema financeiro. Duas outras inovações financeiras acompanharam esta transformação: a) o aumento proporcional dos serviços no sistema produtivo nas últimas décadas, correspondendo ao aumento da utilização de produtos intangíveis paralelos (marketing, publicidade, transporte). b) a explosão dos fundos de pensões alimenta uma procura significativa e contribui para aumentar o volume de operações financeiras.
• - Confusão e fusão entre moeda e finanças: entre o ativo líquido, cujo melhor exemplo é a nota, e a obrigação emitida por um governo, há uma gradação de produtos que torna impossível estabelecer uma demarcação clara entre moeda e finanças. Como consequência, as fronteiras entre os sectores público e privado também são confusas.
• - Papel crescente da regulamentação bancária: dada a complexidade da actividade financeira, os bancos centrais adquiriram um papel excepcional como supervisores da regulação financeira.
• - Mercados e governos: O estabelecimento de taxas de câmbio flexíveis após a década que se seguiu à suspensão da convertibilidade do dólar em ouro foi acompanhado por um desenvolvimento progressivo do mercado cambial. Como consequência, as opções e decisões dos governos em relação à política económica foram diretamente expostas ao veredicto dos operadores privados.,[13].
• - Invenção de mecanismos de lucro de curto prazo: Esses mecanismos favorecem os agentes especulativos e deixam o valor da produção real, e o mercado de trabalho que a acompanha, bem como indiretamente a economia pública, ao capricho das flutuações do mercado, que na ausência de mecanismos regulatórios suficientes sofrem enormemente como consequência das crises financeiras.[14].
A crise financeira de 2008
“A crise financeira de 2008 foi desencadeada diretamente devido ao colapso da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2006, que causou aproximadamente em outubro de 2007 a chamada crise das hipotecas subprime. As repercussões da crise hipotecária começaram a se manifestar de forma extremamente grave desde o início de 2008, infectando primeiro o sistema financeiro americano, e depois o internacional, resultando em uma profunda crise de liquidez, e indiretamente causando outros fenômenos econômicos, como uma crise alimentar global "Crise alimentar mundial (2007-2008)"), diferentes quebras do mercado bolsista (como a crise bolsista de Janeiro de 2008 e a crise global do mercado bolsista de Outubro de 2008) e, em geral, uma crise económica à escala internacional".[15]
Entre as causas fundamentais da crise vale destacar, segundo Rozo,[16] uma “dissociação” entre a economia real e a economia monetária. O autor afirma que os mercados financeiros tornaram-se “campos de investimento autônomos ou “contêineres financeiros”, nos quais fica estacionado o excesso de liquidez que existe na economia real. Esses contêineres tornam-se especulação em moedas, obras de arte, metais preciosos, imóveis, ações de empresas e mais recentemente até petróleo e alimentos.
A acumulação destes activos tem sido facilitada pela globalização neoliberal, por uma elevada interdependência e por uma regulação global fraca[17] e permissiva (ver Basileia II) que promoveu o aumento do risco e não conseguiu travar a multiplicação, na última década, de produtos financeiros complexos, que sobrepõem dívidas e empréstimos e que, seguindo uma lógica gananciosa de aumentar os lucros sem limites, concedem confiança a actores de credibilidade financeira duvidosa, além de privilegiarem o curto prazo. A explosão da bolha imobiliária global (crise das hipotecas subprime), resultado de anos de frenesim especulativo neste sector, foi o gatilho para a crise financeira.
As consequências complexas e catastróficas desta crise parecem concordar com autores que, como Delors,[18] consideram que a autorregulação dos mercados é impossível ou imperfeita e que com a globalização as distorções financeiras acabam por afetar todas as economias e sociedades à escala global. Outra corrente vai mais longe e considera que todo o modelo capitalista já é invencível. Por exemplo, D'Escoto[19] afirma que estamos perante uma “crise sistemática” produzida por um sistema “sem ética” que “já não aguenta mais”. Segundo o presidente da Assembleia Geral da ONU, “o capitalismo carrega dentro de si o gene da autodestruição”.
A crise financeira de 2008 ocorreu em países historicamente industrializados, mas foi precedida, na década de 1990, por crises financeiras em países emergentes, especialmente na Ásia e na América Latina. Tal como a crise de 2008, foi uma crise de liquidez, resultado de uma alteração nas condições dos mercados financeiros sem qualquer ligação causal com a economia real.
Como saída para a crise, os longos biliões de dólares acordados para o estímulo financeiro da economia internacional são mais do que o que foi gerido nos debates anteriores e são, sem dúvida, o maior plano fiscal concertado da história.[20] Many analysts foresee a recovery in economic growth and therefore an exit from the crisis, in the majority of affected countries, around 2010.
Governança de instituições financeiras
Las instituciones internacionales con peso mayor en las finanzas mundiales son el Fondo Monetario Internacional, el Banco Mundial, la Organización Mundial del Comercio y el G7, reconvertido recientemente en G20.
En otro lugar, no por ello menos importante, se sitúan los organismos reguladores, es decir aquellos cuya función exclusiva es la producción de normas sobre la organización de la finanza y la vigilancia sobre su cumplimiento, sin intervenir directamente en el mercado financiero.
Según sus críticos, la gobernanza de todas estas instituciones se caracteriza por su poco nivel de democracia[21] y por ser "símbolos de una gobernanza mundial considerada ilegítima".[22] Concretamente, el mundo en vías de desarrollo está subrepresentado, a pesar de la importante reforma que tuvo lugar con posterioridad a la crisis financiera de 2008 y que consistió en la inclusión de varios países emergentes en el G7, reconvertido en G20. Este flagrante "déficit democrático", en palabras de Ibase[6] "no impide que [estas instituciones] tomen decisiones que afectan profundamente la vida y el bienestar de las sociedades excluidas de las negociaciones". Por otro lado sus acciones han sido consideradas ineficaces, contraproducentes y catastróficas, especialmente desde la perspectiva de las políticas sociales de los países en desarrollo."[23].
Es importante constatar también la jerarquía que se establece entre estas instituciones en el marco de la gobernanza mundial. Concretamente, la independencia del FMI, el BM y la OMC respecto de la tutela de las Naciones Unidas resulta en un equilibrio de poder favorable a aquellos primeros[24] y a sus políticas neoliberales, y convierte a la ONU en un actor con influencia secundaria o simplemente testimonial, en la promoción del desarrollo internacional.
Instituições financeiras internacionais (IFI)
• - Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Fundo Monetário Internacional foi definido pela Conferência de Bretton Woods no final da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de regular o sistema monetário de câmbio fixo. No entanto, o abandono deste sistema na década de 1970 levou à evolução da missão desta instituição. Hoje, continua a regular o sistema financeiro, ao mesmo tempo que ajuda os países em desenvolvimento, fornecendo fundos para superar eventuais crises devido a défices na sua balança de pagamentos.
Estes créditos, muitas vezes essenciais para os países em questão, foram oferecidos em troca de certas condicionalidades (no âmbito das chamadas políticas de ajustamento estrutural) cujo objectivo era equilibrar a balança de pagamentos, embora o seu elevado custo social tenha muitas vezes impedido estes países de escapar à espiral do subdesenvolvimento, ou mesmo tenha ajudado a agravá-la.
O sistema de votação do FMI baseia-se na dimensão dos investimentos de capital dos países membros. Assim, os membros do G7 controlam 45% do poder de voto, dos quais os Estados Unidos controlam 17%, o que lhes confere poder de veto de facto. Assim, o FMI tem sido criticado pela sua postura em defesa dos interesses dos países ocidentais e, especificamente, dos Estados Unidos. Segundo Bello, foi esse o caso quando o Japão, para evitar a crise financeira de 1997, propôs a criação de um Fundo Monetário Asiático, que outros países da região consideraram uma boa iniciativa. No entanto, o FMI e os Estados Unidos opuseram-se veementemente a isto.[25].
Segundo Gonçalves[26] “a experiência histórica mostra que os programas dirigidos pelo FMI tendem a conduzir os países em desenvolvimento para um caminho de instabilidade e crise. Tomadas em conjunto, [estas] crises vão além da dimensão económica, produzindo problemas sociais e rupturas políticas e institucionais nos países em desenvolvimento”.
Após a Cimeira do G-20 em Londres, em Abril de 2009, foi acordado fortalecer o FMI, injectando uma enorme quantidade de fundos para actuar como credor de último recurso, e foi-lhe também atribuído um papel central na supervisão do sistema financeiro, juntamente com o novo Conselho de Estabilidade Financeira. Ao mesmo tempo, o FMI foi incumbido de aumentar a sua eficácia e transparência, representando melhor os países em desenvolvimento e acabando com as condicionalidades leoninas que acompanhavam os seus créditos.[27].
• - Banco Mundial (BM).
O Banco Mundial é a instituição “gémea” do FMI, também nascida na Conferência de Bretton Woods, com o objectivo de reduzir a pobreza através de empréstimos a juros baixos, crédito sem juros a nível bancário e apoio económico aos países em desenvolvimento. Foi inicialmente criado para apoiar a reconstrução europeia no pós-guerra, expandindo posteriormente as suas funções no domínio do desenvolvimento e evoluindo a sua organização para o que hoje é conhecido como Grupo Banco Mundial, composto pelas seguintes agências: Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento; Associação Internacional de Desenvolvimento; Corporação Financeira Internacional; Agência Multilateral de Garantia de Investimentos; Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos.
O valor do voto no Banco Mundial também é organizado através de subscrições de capital proporcionais à riqueza de cada país representado. Assim, os Estados Unidos controlam 16,39% do poder de voto, o Japão 7,86%, a Alemanha 4,49%, a França, o Reino Unido e a Itália 4,30%, etc.
A autonomia das instituições de Bretton Woods foi-lhes concedida desde a sua fundação. Estas são consideradas “agências especializadas” de acordo com a Carta das Nações Unidas (ONU) de 1945 e a natureza da sua relação com a ONU, estipulada nos respectivos acordos de relacionamento, afirma a autonomia das IFIs nos assuntos da sua competência. Esta independência organizacional destas instituições e a sua governação favorável aos países mais industrializados teve enormes consequências para a política económica e para o desenvolvimento social e económico do planeta, especialmente nos países em desenvolvimento.[28] Da mesma forma, também impediu em grande parte que as instituições assumissem as tarefas para as quais foram criadas no início: garantir a estabilidade das principais moedas e facilitar a reconstrução do pós-guerra. O seu mandato foi limitado desde o início pelos Estados Unidos, que não aceitaram as propostas de Keynes para estabelecer um sistema monetário mundial.[23] Especificamente, o FMI perdeu a função de estabilizar o sistema cambial depois de 1971[29].
• - Outras instituições financeiras internacionais.
Entre as instituições financeiras que operam a nível internacional, os bancos de desenvolvimento regional (Banco Interamericano de Desenvolvimento; Banco Asiático de Desenvolvimento; Banco Africano de Desenvolvimento; Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento; etc.), bancos de desenvolvimento bilaterais, como a Companhia Holandesa de Financiamento do Desenvolvimento, e outras instituições financeiras regionais, como o Banco Europeu de Investimento; Banco de Desenvolvimento do Mar Negro; Banco Islâmico de Desenvolvimento; etc.).
Outras instituições com influência no sistema financeiro
• - A Organização Mundial do Comércio (OMC).
A OMC supervisiona os acordos comerciais internacionais, definindo as regras de comércio entre os estados membros. A OMC sucedeu ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) em 1995, que por sua vez foi fundado em 1947. O objectivo fundamental da OMC, na prática, tem sido reduzir ou eliminar completamente as barreiras internacionais ao comércio (processo de liberalização financeira).
Outros objetivos da OMC, como fórum para negociações comerciais multilaterais, são:
• - Gerenciar procedimentos de solução de disputas comerciais (disputas entre países).
• - Supervisionar as políticas comerciais.
• - Coordenar políticas económicas para desenvolver a procura e o emprego, especialmente nos países de rendimento mais baixo.[30].
• - Cooperar com o Banco Mundial e o FMI com o objectivo de alcançar uma maior coerência entre a política económica e comercial à escala global.
Dois acordos recentemente criados e de fundamental importância, desenvolvidos e administrados pela OMC são: o Acordo Geral sobre Comércio e Serviços (GATS); e o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). A primeira abre ao capital privado, em escala global, serviços até então considerados públicos em muitos países, como educação e saúde. A segunda envolve a intervenção da OMC no domínio da definição de propriedade.
O sistema formal de votação na OMC é o sufrágio universal por país membro (um país, um voto). No entanto, uma prática comum (e por outro lado um dos aspectos da OMC mais criticados pelos países em desenvolvimento e pelos movimentos sociais) é a tomada de decisão antecipada entre os países mais poderosos (as chamadas negociações da "sala verde")[31]
[32] e indiretamente imposta a outros países.
• - O G20.
O Grupo dos 20, ou G-20, é um grupo de países formado em 1999 pelos oito países mais industrializados (G-8), onze países recentemente industrializados de todas as regiões do mundo e a União Europeia como um bloco.
Por um lado, argumenta-se que o G20 é mais representativo que o G8, pois representa 70% da população mundial. Assim, “a Cimeira do G-20 foi a primeira em que grandes economias emergentes como a China, o Brasil, a Índia ou o México se sentam à mesa em igualdade de condições com os mais poderosos”[27].
Mas, por outro lado, os críticos argumentam que o G20 não tem o direito de tomar decisões que dizem respeito a todos porque representa um grupo de Estados escolhidos aleatoriamente. Especificamente, os países ou regiões mais pobres não estão representados nele. O G20 não tem uma Carta e as suas discussões não são tornadas públicas, o que o torna uma instituição não democrática."[33][34].
Órgãos reguladores
Os órgãos reguladores (...) são associações de autoridades administrativas do setor financeiro. Têm em comum a natureza técnica: são agências especializadas na regulação e supervisão do mercado financeiro.
O trabalho destes órgãos reguladores visa, mais do que criar uma Lei uniforme, estabelecer princípios básicos, critérios profissionais, que promovam a reforma das diferentes regulamentações nacionais.
As resoluções e relatórios técnicos das organizações internacionais de regulação e controle financeiro são transferidos através dos supervisores financeiros para os fóruns regionais. Nestes fóruns são adotados acordos e aprovadas decisões que visam a aplicação de critérios internacionais em seus territórios. Dentre esses fóruns regionais, destaca-se aquele que forma a União Europeia. Muitas das suas directivas e regulamentos em matéria financeira são um reflexo fiel dos acordos adoptados internacionalmente. A falta de legitimidade democrática destas organizações para ditar as normas internacionais aplicáveis no direito interno tem sido criticada. É um facto que os parlamentos nacionais se tornam meros destinatários das decisões adoptadas por estas organizações, reconhecendo assim a sua incapacidade técnica para organizar o mercado financeiro.
Estas associações contribuem com o seu trabalho para a uniformização dos contratos financeiros, reduzindo o custo das transações e aumentando a liquidez nos mercados. Muitos dos produtos utilizados na crise do subprime não tinham esta padronização, tornando os seus riscos difíceis de medir e, em última análise, esta falta de clareza prejudicou a sua liquidez."[35]
O Fórum de Estabilidade Financeira foi criado em 1999 para promover a estabilidade financeira internacional através de um maior intercâmbio de informações e cooperação na supervisão financeira e na fiscalização do mercado. São também objectivos desta instituição a melhoria do funcionamento dos mercados e a redução do risco sistémico.
É composto por representantes seniores de instituições financeiras internacionais, grupos internacionais de reguladores e supervisores, comités de peritos de bancos centrais e autoridades nacionais responsáveis pela estabilidade financeira. Os membros originais eram o G-7, além de outros cinco países que representam importantes centros financeiros.
A FEF é uma instituição criada em consequência das crises financeiras da década de 1990, com a missão especial de evitar ou mitigar os efeitos de crises futuras. Os seus relatórios de recomendações ao G-7 foram considerados excelentes, embora as dificuldades na sua implementação tenham sido criticadas.[36].
Na Cimeira do G-20 em Londres, em Abril de 2009, foi decidido criar um sucessor do FEF, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB). O CEF inclui os anteriores membros da FEF e admite os restantes países do G20, a Espanha e a Comissão Europeia como novos membros.
Regulamentação financeira
"La regulación internacional de los mercados financieros está en proceso de construcción. La globalización y financialización de la vida económica no han venido acompañadas de un régimen internacional de las finanzas. Han sido los técnicos y los profesionales quienes han reaccionado, creando comités y asociaciones para adoptar acuerdos tendentes a dar seguridad a las transacciones.
La reciente crisis subprime ha puesto de relieve las debilidades del sistema, como la falta de control de los productos financieros más complejos, los conflictos de interés que plantean algunos sistemas de remuneración de los intermediarios o la necesidad de regular a las agencias de rating y a otros guardianes del mercado. Las primeras respuestas vienen de nuevo de los comités profesionales. Optan por la prudencia, evitando una sobrerreacción ante los efectos de la crisis."[39].
• - Características de la regulación.
"La perfección de los contratos, sus sistemas de garantías y la ejecución de los mismos tienen lugar a través de sistemas centralizados y encadenados, cuya naturaleza jurídica está todavía por determinar. En esta forma de regular el mercado financiero, el poder se desplaza de los Tribunales que aplican el Derecho privado a los organismos profesionales y firmas globales de abogados, y sistemas de arbitraje internacional, que aplican los complejos acuerdos y desarrollos técnicos elaborados por los supervisores y la industria financiera.".
La principal debilidad de esta forma de regular y aplicar las normas es su déficit democrático. Las normas se adoptan y aplican por sujetos privados en defensa de sus propios intereses corporativos. Para evitar este problema de falta de legitimación, se asumen compromisos protectores de los intereses generales, como el de consulta pública de todas las iniciativas relativas a la regulación del mercado financiero. Es el caso en la Unión Europea con el llamado sistema Lamfalussy.[39].
• - Naturaleza de la regulación.
"Los acuerdos de los organismos internacionales de regulación financiera no son fuente del Derecho. Ni sus firmantes actúan en representación de los Estados. No parece necesario insistir en que los bancos centrales, las comisiones de valores, los supervisores de seguros o las asociaciones de bancos de inversión, carecen de poder para concluir verdaderos acuerdos internacionales. Este tipo de acuerdos constituye una de las expresiones más relevantes de soft law, es decir, de estándares y normas de conducta profesionales creados al margen de los parlamentos de los Estados nacionales. Son reglas técnicas que sin tener la naturaleza de ley tienen sin embargo el efecto de regular las finanzas internacionales. Forman parte de la nueva lex mercatoria de las finanzas internacionales, surgida de los operadores globales. Dan respuesta uniforme a las necesidades que plantea el mercado financiero en una economía globalizada. Los estándares proliferan y tienen éxito por su pragmatismo. Al fin y al cabo, dan solución a los problemas que plantean las finanzas internacionales.
Son acuerdos que gozan de un elevado rigor técnico. El detalle de la regulación es en gran medida el resultado del asesoramiento que prestan las grandes firmas abogados anglosajonas a los bancos de inversión y demás operadores globales. Ninguna operación financiera internacional de cierto volumen se realiza sin su participación. Han colonizado el Derecho financiero global Ofertas públicas en sus diversas modalidades, fusiones y adquisiciones, y tantas otras operaciones financieras son diseñadas con la participación de estas firmas globales. Su crecimiento ha sido paralelo al desarrollo de los mercados financieros. Los Estados nacionales no han sabido regular y ordenar los nuevos mercados e instrumentos financieros, y ocupando su lugar las firmas globales han pasado a actuar de hecho como verdaderos reguladores de los mercados financieros internacionales. Representan la cultura de la élite legal. Del mismo modo que Napoleón colonizó Europa con sus códigos, las grandes firmas de abogados pueden estar llevando a cabo una nueva forma de neo-colonialismo."[39].
• - Papel de la autoregulación.
"Los Estados y los organismos internacionales asumen como propios los estándares y las mejores prácticas de la industria financiera. De este modo, mediante una autorregulación regulada se transforma la regla privada en norma pública.
La autorregulación adopta diversas modalidades. Comprende desde los códigos de conducta de la industria, a reglas técnicas o de mejores prácticas profesionales. Un ejemplo de autorregulación regulada es el que se da en la Unión Europea. En la Unión Europea son frecuentes las remisiones a las “prácticas de mercado aceptadas”, para delimitar la conducta que deben mantener en el mercado los intermediarios y operadores.
Desde el punto de vista de la eficiencia de la regulación y de su adaptación a las cambiantes condiciones del mercado, resulta inadecuado fijar en la norma legal la conducta que los operadores deben mantener en el mercado. Se opta por reconocer las prácticas aceptadas en el mercado como criterio delimitador de la actuación que se debe mantener. Dichas prácticas deben ser aceptadas por el regulador atendiendo al mejor funcionamiento del mercado. Para determinar las prácticas que van a resultar exceptuadas del abuso de mercado, hay que tener en cuenta el punto de vista de todos los participantes en el mercado, incluidos los consumidores.20 No puede admitirse que la industria, una de las partes de la relación, imponga su conducta a la otra, es decir, a los consumidores, como parte más vulnerable."[39].
Os Acordos de Basileia
• - Acordo Basileia I.
Este conjunto de recomendações publicado em 1988 “era uma medida estritamente direcionada, destinada a um pequeno grupo de bancos internacionalmente ativos que competem nos mesmos mercados, para eliminar vantagens competitivas injustas resultantes de discrepâncias relacionadas com regimes regulatórios”. Este acordo “era simples e estabelecia que os supervisores nacionais deveriam exigir aos bancos com actividade internacional a manutenção de um património líquido (capital próprio) na proporção de 8% dos seus activos considerados de alto risco (o risco era determinado pela própria comissão, e acrescentado ao anexo do acordo)”.
"Embora Basileia I tenha sido criado para ser aplicado aos países mais ricos, tornou-se o padrão para todos os bancos em (quase) todos os países (...) Em meados da década de 1990, mais de 120 países tinham aderido a Basileia I ou pretendiam fazê-lo após um determinado período de transição. (...) No entanto, foi reconhecida a necessidade de uma modificação profunda de Basileia I para criar regulamentos apropriados a serem adotados por um grande número de países"[6].
• - Acordo Basileia II.
O objetivo deste acordo, publicado inicialmente em 2004, é “a criação de uma norma internacional que sirva de referência aos reguladores bancários, a fim de estabelecer os requisitos de capital necessários, para garantir a proteção das entidades contra riscos financeiros e operacionais”.
"O acordo de Basileia II é muito complexo. Além de determinar requisitos de capital diferenciados para diferentes classes de bancos, também orienta a ação dos supervisores e define requisitos de acesso à informação. Basileia II depende de três pilares: índices de capital baseados em risco, supervisão e disciplina de mercado. A seção mais importante do novo texto refere-se aos requisitos de capital. (...) [Os] supervisores desempenham mais funções. Eles avaliam a classificação de risco, os sistemas de gestão e a estrutura administrativa do banco para implementar a estratégia do banco. risco e para gerenciar os riscos que têm não foram explicitamente abordados no novo acordo, como os riscos de liquidez."[6].
Dentre as críticas a Basileia II, segundo o Ibase,[6][41] vale destacar:
• - O Acordo inclui o que são consideradas melhores práticas desenvolvidas por bancos privados para medir e gerenciar riscos. Estas práticas estão no cerne dos métodos falhados utilizados para preparar as bases para a crise financeira de 2008, o que mostra a estratégia errada e o fracasso do acordo mesmo antes de ter sido adoptado a nível mundial.
• - Apesar de tudo, as possíveis consequências de longo alcance vão além da busca pela estabilidade financeira: Espera-se que os países aceitem e coloquem em prática estas regras, mesmo quando a sua contribuição para a elaboração do acordo não foi exigida. A participação foi restrita aos membros mais ricos dos países ricos.
Críticas à atual governança das instituições financeiras
Incapacidade de adaptação às mudanças históricas
"Durante 50 anos, as Instituições Financeiras Internacionais passaram por uma longa história económica e política. O contexto em que trabalham e o seu verdadeiro papel evoluíram radicalmente sem que o seu mandato e modo de operação tivessem evoluído em paralelo. As IFI mantiveram uma estrutura basicamente inalterada, apesar da evolução radical do seu ambiente."[23].
Remédios ineficazes, contraproducentes e seletivos
As IFI promoveram soluções contraproducentes: a receita mais difundida para combater tanto a pobreza (Banco Mundial) como as crises financeiras (FMI) tem sido a liberalização dos mercados e, na prática, isto tem favorecido, na maioria dos casos, investimentos financeiros especulativos em vez de investimentos produtivos. Como exemplo, podemos citar a Malásia, país que sofreu em muito menor grau as consequências da crise financeira asiática em 1997, por não ter seguido a receita da liberalização e aplicado uma política intervencionista.[34].
Controle da economia mundial em benefício de poucos
“Os críticos argumentam que o FMI e o Banco Mundial têm desempenhado um papel fundamental na formação e consolidação da ordem neoliberal. Através da imposição de programas de ajustamento estrutural, têm sido os iniciadores de políticas sociais catastróficas para a população: privatização dos cuidados de saúde, privatização da educação, privatização dos serviços públicos, liberalização forçada do comércio, tudo em perfeita conformidade com a política comercial e as regras liberais da OMC.”
“O FMI e o BM são instituições que têm obedecido aos interesses dos países mais desenvolvidos e cujo principal objectivo tem sido, entre outros, a cobertura dos juros da dívida, a submissão de todos os países às regras legais da desregulamentação, garantindo ao mesmo tempo a liberalização dos movimentos de capitais, a renúncia dos poderes públicos a qualquer forma de controlo democrático da economia nacional. colonialismo: a dominação dos poderosos manifestou-se e escondeu-se sob a tomada de decisões dentro de organizações multilaterais económicas, financeiras e comerciais».[31]
Déficit democrático e de transparência
Entre as instituições financeiras, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional são os mais poderosos do mundo. A liberalização dos mercados reduziu progressivamente a capacidade dos Estados de manobrar na sua própria política económica. Em compensação, esta autoridade decrescente não foi substituída pelo poder democrático à escala multilateral. As Instituições Financeiras Internacionais (IFI) apresentam um “défice democrático” das instituições que exercem a governação global que afecta cada vez mais a população planetária que supostamente representam.[6].
Por outro lado, os mecanismos de responsabilização das IFI são inexistentes ou inadequados. A nível estadual são os governos que respondem perante os poderes legislativos e, a nível internacional, são as organizações intergovernamentais que reportam aos conselhos intergovernamentais compostos por representantes dos governos.
Embora a autoridade e as práticas legislativas variem em cada país, o grau de supervisão democrática por parte dos poderes legislativos nacionais sobre o Banco Mundial e o FMI é fraco, de acordo com um inquérito realizado por vários intervenientes internacionais da sociedade civil.[42] Os legisladores, bem como os cidadãos que representam, têm pouca influência e quase não são consultados sobre questões relacionadas com o Banco Mundial e o FMI. Aqui estão algumas das principais conclusões da pesquisa:.
• - Na maioria dos casos, os representantes legislativos não participam na selecção dos altos funcionários nacionais das instituições de Bretton Woods.
• - As prioridades e a tomada de decisões a nível nacional são, na prática, da responsabilidade do poder executivo. Assim, o administrador do Banco Mundial e do FMI correspondente podem participar em diferentes graus na tomada de decisões.
• - O estabelecimento de prioridades e a tomada de decisões ao nível dos círculos eleitorais de vários países ocorrem de forma pontual e pouco transparente.
• - Os relatórios anuais sobre as actividades governamentais nas instituições de Bretton Woods não estão sujeitos a qualquer análise por parte dos legisladores.
• - A participação da sociedade civil nas actividades das IBW limita-se essencialmente a consultas especiais por ocasião das reuniões de Primavera ou Outono destas instituições.
• - Os governos não realizam auditorias independentes das suas obrigações financeiras para com as IBW.
• - Os parlamentares têm acesso limitado ao IBW, devido às suas políticas restritivas em relação ao acesso à informação.[42].
A transparência e a democracia também devem chegar aos órgãos reguladores como o Comité de Basileia, entre outros. Isto requer, segundo o IBase, um primeiro esforço da sociedade civil para se capacitar, disseminar informações e pressionar os governos nesse sentido para que assumam uma postura mais eficiente e responsável.[6].
Complexidade
Em vez de uma regulamentação centralizada e coerente resultante de uma acção coordenada entre instituições financeiras, existe uma multiplicidade de leis, normas, tratados, instituições e acordos que são muitas vezes mal coordenados entre elas. “A subdivisão do sistema em três sectores: banca, valores mobiliários e seguros, já não corresponde à realidade complexa dos mercados financeiros internacionais. O resultado deste acordo tripartido, combinado com a existência de organizações internacionais com responsabilidades sobrepostas, é uma rede enormemente complicada de instituições e comités sem lógica ou estrutura óbvia”[43].
Limitações institucionais
“Não existe um Banco Central nem uma entidade de supervisão financeira com poderes globais (...). O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem enfrentado a sua própria crise de identidade e legitimidade; e o Banco de Compensações Internacionais (BIS) é uma mera associação de Bancos Centrais nacionais com funções importantes mas muito limitadas. (...)[44].
Por outro lado, face à crise financeira de 2008, foi destacada a gravidade do facto da falta de capacidade de reacção das Nações Unidas.
Incumprimento do direito internacional
As Instituições Financeiras Internacionais (IFI) também foram criticadas pelo não cumprimento do direito internacional, durante o tempo em que apoiaram abertamente, entre outros, o regime criminoso racista do apartheid na África do Sul,[31] e as ditaduras argentina, chilena e indonésia... todas com um pesado fardo de crimes contra a humanidade: tortura em massa, violações, execuções, desaparecimentos...
Governança corporativa
“A governança corporativa é o conjunto de processos, hábitos, políticas, leis e instituições que determinam a forma como uma corporação ou empresa é dirigida, administrada ou controlada. A governança corporativa também inclui as relações entre os diversos atores envolvidos e os objetivos pelos quais a empresa é governada.
A governança corporativa é multifacetada. Alguns aspectos são: a responsabilização dos indivíduos relacionados com a empresa, a eficiência económica na perspectiva dos accionistas, bem como as diferentes culturas accionistas em todo o mundo.
Desde 2001, tem havido um interesse renovado nas práticas de governança corporativa das corporações modernas, especialmente devido ao colapso de uma série de grandes empresas dos EUA, como a Enron e a MCI Inc."[46]
• - Governança corporativa de entidades bancárias.
O processo de governação financeira das entidades bancárias conta com quatro atores fundamentais:
• - O conselho de administração.
• - O comitê de verificação.
• - O verificador externo.
• - A administração (incluindo gestores financeiros e não financeiros da empresa).
Estes intervenientes devem considerar os seus papéis e responsabilidades, bem como a sua interação e a forma como trabalham em conjunto. A qualidade da informação financeira e empresarial é determinada pela eficácia da colaboração entre estes intervenientes.[47].
Governança financeira alternativa e favorável
Algumas práticas de financiamento solidário foram desenvolvidas durante décadas como ferramentas para combater a pobreza, a exclusão e o desemprego. Embora nem todas as iniciativas definidas como financiamento solidário tenham estes objetivos sociais como prioridade na prática. "A missão do financiamento solidário é utilizar ferramentas financeiras para um desenvolvimento equitativo e sustentável. A sua visão de longo prazo é aumentar o capital social. Os seus actores são múltiplos e têm técnicas, comportamentos e modos de acção diferentes, mas juntos dão origem ao surgimento de uma identidade específica de financiamento solidário. As suas competências são a capacidade de pensar globalmente, de unir indivíduos e actores em torno de uma actividade financeira, de conhecer as necessidades dos actores económicos individuais e das comunidades, quaisquer que sejam as suas condições económicas e sociais. A função do financiador solidário consiste de financiar atividades e pessoas no âmbito de um interesse geral, garantindo o cumprimento do capital social. O financiamento solidário atua num ambiente de pobreza, exclusão ou dificuldade de acesso aos serviços financeiros."[48].
Como não existem práticas de financiamento solidário generalizadas à escala global, ainda não é possível falar sobre como seria a governação global do financiamento solidário. Se a nível local são os laços sociais e o capital social que garantem um financiamento social eficaz, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi lançada a ideia de criar um "Banco Mundial solidário": não era uma cópia alternativa do Banco Mundial, mas sim "ligar as experiências existentes, confrontá-las e fazer alianças entre elas para aumentar a escala. Mas para criar uma rede entre os actores de um financiamento solidário, é necessário um quadro que articule quatro componentes: a recolha de poupanças solidárias juntamente com a mobilização de fundos públicos e privados (especialmente no Norte). países), a transferência de crédito através de "ferramentas" financeiras (fundos de investimento, fundos de garantia), a intermediação bancária nos países em desenvolvimento e, finalmente, a implementação de poupanças locais e/ou experiências de crédito"[49].
Posições oficiais
Las posturas oficiales ante la crisis financiera de 2008 determinan en gran medida la visión de las instituciones internacionales, de los estados y de otros actores sobre el tipo de gobernanza financiera necesaria en el futuro. IBase[41] considera que según la visión oficial "el sistema es bueno y puede mejorarse con el ajuste de algunas tuercas y tornillos (...) Así el Foro de Estabilidad Financiera propone normas más estrictas para conducir a las agencias de calificación crediticia, pero no su inhabilitación. El Comité de Basilea considera elevar los coeficientes de capital además de perfeccionar las fórmulas usadas para calcular esos coeficientes de modo que se contemplen los problemas de liquidez, etc."[41].
"En círculos oficiales funcionarán dos procesos paralelos a lo largo de los próximos meses o años. Uno procurará medidas y programas para mitigar los efectos de la crisis financiera y de la recesión en la economía real. Esto tendrá lugar a nivel nacional y en algunos casos sobre una base regional. (...) El otro procurará diseñar una nueva arquitectura financiera. Este proceso multilateral se inició el 15 de noviembre en Washington y continuará durante meses, si no años."[41].
De instituições financeiras internacionais
Os participantes da Cúpula do G20 em Washington, em novembro de 2008, preveem os ajustes que estão incluídos nos seguintes temas: 1. Fortalecer a transparência e a responsabilidade nos mercados financeiros; 2. Melhorar a regulamentação; 3. Avaliar de forma transparente os sistemas regulatórios nacionais; 4. Promover a integridade nos mercados financeiros; 5. Intensificar a cooperação internacional; e 6. Reformar as instituições financeiras internacionais, aumentando o número de membros de países emergentes.
Segundo o IBase, com isto o G20 tenta perpetuar o processo de liberalização, demonstrando confiança nos instrumentos até então utilizados, como a gestão de risco privada ou as agências de notação de crédito. Assim, a mudança de rumo geopolítico que implica a abertura de algumas das instituições, como o Fórum de Estabilidade Financeira e o próprio G20, aos países emergentes, não foi acompanhada por uma mudança de rumo nas estratégias regulatórias ou na democratização da tomada de decisões, mas serviu antes para legitimar as instituições que produziram a crise, bem como para reafirmar o seu “compromisso com uma economia global aberta (...)”.
Segundo outra fonte, o melhor progresso a longo prazo nesta cimeira é “o acordo sobre a regulação coordenada do sector financeiro com base numa maior transparência”. Embora “o acontecimento histórico da cimeira seja o aumento dos créditos concedidos ao FMI. (...) Mas “ainda não é possível saber se isso terá impacto na economia real, e além disso a cimeira não fornece soluções sobre a solvabilidade das instituições financeiras, sobre o relançamento económico, a homogeneização das normas fiscais e contabilísticas, etc.”[50].
No que diz respeito à regulação das entidades bancárias, estão em estudo algumas propostas para evitar mais uma vez o desvio que levou à crise de 2008, entre elas:[51].
• - recomprar os activos tóxicos (embora o mecanismo seja difícil de aplicar).
• - proporcionar-lhes uma garantia que os proteja contra perdas geradas por esses activos, como foi feito com o Citi ou o Bank of America.
• - criar um banco público que recupere activos podres e liberte os balanços das entidades financeiras.
• - introduzir um modelo alternativo à intervenção pública massiva.
• - promover uma revisão da regulação financeira, com melhor protecção dos consumidores e investidores.
Dos estados e organizações continentais
A posição europeia consiste em expandir à escala global os princípios de regulação, coordenação e solidariedade que têm sido os pilares da construção europeia:
• - Regulamentação: "A atual regulação financeira internacional é uma espécie de colcha de retalhos, maluca e por vezes desgastada: a supervisão de certos atores importantes (agências de rating, fundos de investimento) é incompleta; a coerência entre as regras (contábeis, prudenciais) e as instituições que as definem é insuficiente, tão insuficiente quanto a luta contra os paraísos fiscais não cooperativos."
• - Coordenação: “O mesmo acontece em termos de análise de risco: as inúmeras sentinelas internacionais não se comunicam ou comunicam pouco entre si, dificultando a identificação dos riscos globais.
No domínio do fortalecimento institucional, o FMI tem de desempenhar um papel essencial. “Tal como a União Europeia foi dotada de um Ecofin e de um Eurogrupo, o Comité Monetário e Financeiro Internacional do FMI deveria tornar-se um verdadeiro conselho ministerial com poderes estatutários. Os países emergentes deveriam estar muito mais envolvidos” seguindo os primeiros passos dados no âmbito do próprio G20 (...) “O FMI, relegitimado, deve também ter instrumentos adaptados à sua nova missão, medidas de garantia, até um novo instrumento de liquidez.”
• - Solidariedade: “um dos perigos da crise actual é a sua ligação com as alterações climáticas e o subdesenvolvimento. A Europa é o primeiro contribuinte da ajuda ao desenvolvimento;
A União Europeia pode contribuir com a sua experiência em matéria de regulamentação financeira. Assim, o roteiro do Conselho para os Assuntos Económicos e Financeiros (Ecofin) articula-se em torno de quatro eixos de trabalho: melhorar a transparência, avaliar os produtos financeiros, reforçar os requisitos prudenciais e melhorar o funcionamento dos mercados graças a uma linha de conduta mais adequada em termos de notação de crédito.[53].
Em particular, Gordon Brown propôs converter o FMI num banco central global independente com os seus próprios meios financeiros,[54] enquanto Sarkozy propôs que o FMI coordenasse a regulação global com um plano de governação global e estratégia de recuperação, e que a OIT desempenhasse um papel mais importante na saída da crise financeira.[55].
A orientação americana, apoiada pela Grã-Bretanha e pelo Japão, consiste em reavivar o motor da economia mundial com maior estímulo económico para as instituições e actores financeiros. Isto contrasta com a visão europeia que dá mais importância à regulação. Na prática, o G20 concordou com um pacote de 1,1 biliões de dólares para o FMI que deve ser dedicado à emissão de Direitos de Saque Especiais (DSE), embora muitos comentários tenham realçado a natureza limitada da medida.[56].
Propostas
No sistema regulatório
A melhoria da governação financeira necessita geralmente de reforçar as normas internacionais que regulam a actividade do mercado financeiro.
• - Reintegração regulamentada dos mercados.
Uma ideia central é o desenvolvimento de uma reintegração das economias financeira e produtiva, regulada por regulamentações específicas que coloquem as primeiras ao serviço das segundas. Trata-se de romper com as taxas de câmbio determinadas pelos movimentos de capitais e regressar às taxas determinadas pelas trocas comerciais reais. Assim, "os bancos centrais [devem] ter mais controlo sobre os canais de transmissão da política monetária para que as tarefas regulatórias sejam eficazes. Só dispensando a exuberância irracional no sistema financeiro do futuro será possível livrar-se dos comportamentos de bolha que forçaram a reedição do sistema de Bretton Woods." Além de reintroduzir medidas de separação estrutural entre atividades financeiras incompatíveis entre si, cuja mistura é um dos fatores causadores da crise de 2008[58].
Por outro lado, deve ser estabelecido um papel regulador específico e forte, que atravesse e integre os vários sectores altamente interdependentes, mas com regulação separada (mercado bolsista, banca, seguros). Esta função deveria corresponder ao FMI ou ao Fundo de Estabilidade Financeira[59].
Finalmente, as normas de Basileia II, bem como as Normas Internacionais de Relato Financeiro, devem ser revistas para evitar o risco sistémico colocado pela sua natureza pró-cíclica de acentuar choques económicos.[60].
• - Transparência.
Maior transparência dos bancos, estabelecimentos financeiros, instituições internacionais, organizações estatais (contas dos bancos centrais, orçamentos nacionais, contas externas, contratos de empréstimo, modalidades de títulos, indicadores de desempenho) é necessária e deve ser uma diretriz básica dos sistemas financeiros e monetários internacionais [29] e nacionais. Especificamente, o sigilo bancário deve ser eliminado.[61] Segundo o Ibase, é necessário “remover o véu que cobre o funcionamento dos mercados e instituições financeiras para torná-lo acessível aos cidadãos comuns e aos activistas da sociedade civil. Não há absolutamente nada de importante nos sistemas financeiros que não possa ser compreendido e avaliado por cidadãos comuns adequadamente informados.”
Especificamente, “deve ser estabelecida uma verdadeira auditoria pública às regras internas de funcionamento das IFI, (...) redefinir as relações entre as instituições e entre estas instituições e as suas “autoridades de fiscalização”, estabelecer um sistema de controlo por parte dos parlamentos e da população (...) [e] estabelecer um sistema de análise comparativa de longo prazo baseado na capitalização permanente da experiência.[23].
• - Modelos financeiros.
Em primeiro lugar, é necessário introduzir limites à capacidade de endividamento para que os bancos não dependam excessivamente da dívida, colocando em risco toda a economia.[62].
Por outro lado, também é necessário:
• - Estabelecer um modelo de finanças éticas que proíba investimentos financeiros distorcidos em matérias-primas, para evitar bolhas nos preços dos alimentos ou do petróleo, que tiveram tantos custos sociais para os cidadãos. Além disso, devem ser introduzidos novos critérios e classificações de investimento socialmente responsáveis que dêem prioridade aos investimentos e às empresas que realizam atividades benéficas para a sociedade.
• - Eliminar os paraísos fiscais e redireccionar os seus fundos para cumprir os objectivos do milénio. Para conseguir isso, é necessário lançar uma bateria de iniciativas nacionais e internacionais que exigem um forte impulso político, mas cujos retornos globais seriam muito positivos. Neste sentido, deve ser considerada a introdução de um processo progressivo e coordenado de regularização fiscal até 2015."[62].
Segundo o Ibase, existem três modelos alternativos básicos que poderiam substituir os formatos atuais e atenderiam aos requisitos expressos.
"1. Um sistema financeiro drasticamente reduzido, no qual os serviços de crédito e transacções seriam fornecidos por bancos públicos e os mercados de riqueza privados seriam fechados. A especulação no sistema bancário seria evitada através de uma especificação estrita das suas funções.
Um sistema financeiro misto, em que o sector bancário foi absorvido pelo Estado, mas os mercados de valores mobiliários e de intermediação financeira não bancária permaneceram em mãos privadas, embora estreitamente regulados e supervisionados.
O terceiro modelo preservaria a propriedade privada dos bancos e das instituições financeiras não bancárias, bem como dos mercados de valores mobiliários, mas renovaria drasticamente o sistema de regulação e supervisão. Em particular, a actual estratégia de Basileia de levar a cabo uma regulamentação prudencial baseada em padrões microeconómicos seria abandonada em favor de um critério sistémico e macroeconómico de estabilidade.
Todas estas propostas, no entanto, partilham uma característica fundamental que é restaurar o papel proeminente das entidades públicas no controlo do sistema financeiro que garante que este desempenha um papel construtivo no financiamento das actividades produtivas e do consumo, preservando ao mesmo tempo um grau aceitável de estabilidade do sistema."[41].
Outra possibilidade é a recuperação de tradições económicas não-ocidentais para a sua generalização a nível internacional. Por exemplo, a proibição da riba (juros usurários) no Alcorão e outros documentos religiosos islâmicos e a sua aplicação no contexto moderno em que o crescimento do comércio internacional, especialmente nos países do sul, implica também o crescimento das trocas entre os países islâmicos, levaram Greco[63] a pensar na possibilidade de criar uma organização internacional capaz de gerir essas trocas. A generalização do comércio inter-islâmico e, porque não, entre países não-islâmicos, seguindo estes princípios, ajudaria, entre outros, a reduzir grandemente o peso da dívida dos países subdesenvolvidos.[64].
• - Atores, agentes e produtos financeiros.
Seguem outras propostas de revisão do sistema económico e financeiro:
• - beneficiar os mercados financeiros centralizados e mais transparentes em detrimento dos mercados de transações individualizadas, como os mercados de opções ou de futuros.
• - normalizar e regular os diferentes tipos de securitização[65].
• - eliminar esquemas de remuneração dos agentes intermediários, com base no número total de transações, que incentivem a sua maximização em benefício exclusivo dos mesmos.
• - avaliação regular da acção dos intermediários.
• - proibição de opções financeiras (opções de ações) que perturbem os sistemas de solidariedade para com os trabalhadores.
• - reduzir os direitos de voto dos acionistas àqueles que são acionistas permanentes após alguns anos.
• - Novas regras sobre capital próprio entre acionistas bancários.
• - Limites legais à fragmentação dos riscos financeiros.
• - Limites de conflitos de interesse.
• - Reorientar as poupanças para investimentos sustentáveis a longo prazo[66].
• - Governança corporativa.
• - Em primeiro lugar, os sistemas de avaliação de empresas devem ser melhorados através de mudanças contabilísticas e de novas agências de rating: a avaliação de mercado dos activos deve ser complementada para evitar o desaparecimento de empresas solventes em tempos de pânico financeiro.[62].
• - É também necessário corrigir “as deficiências de governo societário que deram origem a esquemas de remuneração que beneficiam os gestores das empresas em detrimento de outras partes interessadas, incluindo os acionistas”.
• - A responsabilidade criminal dos executivos das empresas também deve ser aumentada[66] e por outro lado, como medida anti-especulativa e para limitar a irresponsabilidade entre os acionistas, os direitos de voto desses acionistas devem ser reduzidos para aqueles que são acionistas permanentes após alguns anos.[66] bem como respostas à falta de independência dos analistas financeiros.[23].
• - Uma proposta que diz respeito à estrutura de governança corporativa é desenvolver uma obrigação de transparência da empresa para com as partes interessadas além do pequeno círculo de acionistas, e de sua participação. No caso de bancos em risco de falência, isso pode envolver não apenas o seu resgate público, mas também o exercício de controlo através da inspeção das responsabilidades privadas e da forma como o dinheiro privado é investido.[68].
No sistema monetário internacional
O aumento da coordenação global entre os bancos centrais é necessário, segundo alguns, “para controlar a liquidez, expandir a sua vigilância da inflação dos activos e promover a estabilidade financeira”.
• - Liquidez.
Gonçalves propõe a criação de uma instituição monetária mundial com poder de emitir dinheiro e crédito e assim controlar o nível de liquidez internacional. Para evitar a dominação do mercado financeiro pelos Estados Unidos, seria necessário pelo menos, segundo o mesmo autor, que o Tesouro americano contribuísse para um fundo de compensação global, destinado ao desenvolvimento dos países do Sul.[29].
Outra medida é a criação pelo FMI de uma linha de liquidez de curto prazo para economias emergentes que sofrem crises de liquidez causadas por crises financeiras sistêmicas externas à política econômica desses países.[69] Por outro lado, o surgimento de fundos monetários regionais tornaria possível ter maior liquidez para facilitar o desenvolvimento sustentável em escala regional.[34].
• - Estabilização.
Existem diversas propostas para estabilizar o excesso de aleatoriedade na evolução do valor das moedas, bem como ataques especulativos a algumas moedas:
Em primeiro lugar, pode ser criado um sistema de câmbio fixo (acordo a priori sobre o valor das moedas)[70] ou um sistema de câmbio flexível (acordo a posteriori) de paridade exata ou com um limite de flutuação entre as principais moedas (euro, iene, dólar, yuan). Outra possibilidade é iniciar a estabilização à escala regional através da criação de moedas regionais com um valor estável entre elas, através da criação de uma unidade de conta comum para substituir a actual dominância do dólar. Em seguida, o resto das moedas do mundo deveriam ser alinhadas com uma das moedas fortes.[23][71] Outra possibilidade é multiplicar a emissão dos Direitos Especiais de Saque (SDR) já existentes e dar-lhes um papel maior no sistema monetário mundial, embora de acordo com Taddei isso por si só não garantiria a estabilização[71].
Por outro lado, poderia ser introduzida uma cláusula monetária que permitiria estabelecer impostos compensatórios para países que praticam desvalorização excessiva das suas moedas.[72].
A estabilização das principais moedas deverá implicar também a estabilização do custo da energia. O que implica a participação, juntamente com os países com moedas mais fortes, da Rússia e dos países do Médio Oriente. Seguindo esta mesma linha, quotas individuais negociáveis em energia fóssil poderiam ser criadas como uma moeda de pleno direito[66].
• - Ajuste do balanço de pagamentos.
Uma instituição ad hoc, financiada pelo sector público e por um sector privado capaz de assumir um maior compromisso com a responsabilidade social, poderia apoiar países com dificuldades no seu equilíbrio de capital. Isto também implicaria uma modificação do sistema cambial e um reajuste da dívida.[73].
No financiamento do desenvolvimento
O principal objetivo da regulação financeira deve ser promover o pleno emprego e o desenvolvimento, de acordo com o IBase:[41] "Os mercados e instituições financeiras devem ser funcionais às necessidades de desenvolvimento e produção, promovendo a inclusão e o acesso aberto a produtos de serviços e poupanças da população em geral. Mas isto não é suficiente. É também crucial que estas funções sejam desempenhadas sem colocar a sociedade em risco de graves turbulências e crises. Isto significa que a regulação e a supervisão devem ser reconhecidas pelo que são: o trabalho da polícia para controlar tendências destrutivas incubadas no normal funcionamento dos mercados financeiros. regulação macroprudencial."[41]
Numa perspectiva reformista, o sistema financeiro deve servir a evolução do desenvolvimento sem questionar o mecanismo de condicionalidade. Algumas medidas são:
• - Garantir o acesso ao financiamento comercial, especialmente aos países mais pobres, para sectores e actividades interrompidas pela crise de crédito.
• - Resolver problemas de liquidez através de sistemas de pagamento que incluam diferentes moedas (ver liquidez).
• - Estabelecer um mecanismo financeiro anti-crise para fornecer fundos de desembolso rápido em grande escala, sob condicionalidade, para reduzir o impacto do declínio nas exportações de países menos desenvolvidos[78].
A dívida externa tornou-se uma limitação importante para o desenvolvimento dos países do Sul. A dívida aumenta a vulnerabilidade externa destes países, que muitas vezes orientam as suas políticas económicas para a estabilização da sua balança de pagamentos, devido à dívida. É necessário criar mecanismos de alívio da dívida, ou aprofundar os que já existem.[29] Para combater a exclusão, existem, segundo Dembinski, diferentes propostas que vão desde a retirada periódica de dívidas não pagas até procedimentos de arbitragem para alívio da dívida mais insuportável. O mesmo autor afirma a necessidade de estabelecer uma relação entre a dívida externa dos países pobres e a corrupção dos seus líderes, de forma a incluir o direito de perseguição como uma das condições para a renegociação da dívida.[73] Outro tipo de condições para a negociação da dívida pode ser o respeito pelos direitos económicos, sociais e culturais (DESC), o valor acrescentado das exportações e o reforço do mercado interno para evitar novos sobre-endividamentos.[79].
Deve-se também prestar atenção ao que Ugarteche[80] chama de Países Ricos Altamente Endividados (PRAE). Os empréstimos destinados a estes países, que geram volumes significativos de dívida, também deveriam estar condicionados à reorganização das suas economias e à concretização da ordem financeira.
O financiamento do desenvolvimento não deverá implicar quaisquer condicionalidades, com exceção das relacionadas com a viabilidade económica e financeira dos projetos, bem como com o seu impacto ambiental. O ajuste estrutural dos empréstimos, relacionado às reformas liberais, deveria ser abolido dos projetos de trabalho das instituições[81][82].
A nível local
“Existem várias experiências e inovações à escala microeconómica ou local que tentam aumentar a autonomia dos vários atores, especialmente em relação ao sistema financeiro, que dificilmente conseguem influenciar: moedas complementares e microfinanças, o princípio da partilha de lucros e perdas entre empresas e financiadores”[101].
A participação de todos os actores envolvidos nos processos de inclusão económica que resultam do desenvolvimento de alguns projectos de fundos financeiros provoca efeitos benéficos individuais e colectivos na comunidade em causa. Um exemplo é o Fundo Regional para a Inovação Social (Fonds régional pour l'innovation sociale) de Nord Pas-de-Calais, em França[103].
A estruturação em rede de instituições financeiras a nível local pode constituir mais uma porta de entrada para a generalização de modelos financeiros alternativos a toda a sociedade. Assim, no caso específico do Brasil, segundo Grosso[104] seria possível estruturar instituições pequenas e financeiramente sustentáveis, contando com os escassos recursos da comunidade, desde que essas entidades não atuassem isoladamente, mas sim em consórcios de entidades de microfinanças. Outro autor[105] afirma que é necessário desenvolver e compartilhar experiências financeiras descentralizadas existentes, como cooperativas ou sociedades mútuas, cooperativas de crédito, caixas econômicas rurais e sistemas de crédito autogeridos e solidários, para extrair lições comuns e facilitar a estruturação de modelos financeiros alternativos ao modelo liberal. Este tipo de ações poderia ser complementado do ponto de vista político com a implementação de mecanismos regulatórios democráticos e solidários que estabeleçam vigilância contra os riscos de instrumentalização de iniciativas de economia solidária por governos locais e estaduais, e instituições internacionais.[106].
Outra iniciativa no domínio das finanças descentralizadas é a criação de “clubes nativos” entre os migrantes mexicanos que emigram para os Estados Unidos. Trata-se de “canalizar a utilização das remessas para projectos de bem-estar comum que melhorem as condições de vida da comunidade. No curto e médio prazo os objectivos são satisfazer as necessidades básicas de infra-estruturas, serviços de saúde e educação; e no longo prazo, lançar projectos produtivos que gerem emprego e capitalizem as comunidades”. Estes clubes são ao mesmo tempo geradores de redes sociais de cooperação e trabalho comunitário, tanto nas comunidades de origem como entre as comunidades migrantes no país de destino.[107].
Finalmente, é também necessário pressionar as instituições internacionais e continentais (Nações Unidas, OMC, FMI, Banco Mundial, OIT) para que revejam as suas políticas e integrem a economia solidária como uma componente essencial do desenvolvimento sustentável, bem como estabeleçam um lobby internacional junto do PNUD para que a metodologia e os indicadores de desenvolvimento humano incorporem as questões da economia solidária.[108].
• - Repensando as Finanças. Vozes alternativas para uma nova arquitetura financeira.
• - Projeto Bretton Woods.
• - Fórum para uma Nova Governança Mundial.
• - Rumo a finanças sustentáveis. Uma oficina do Pólo de Economia Sócio-Solidária (PSES - ALOE).
• - Instituto de pesquisa e debate sobre o governo Arquivado em 25 de dezembro de 2009 na Wayback Machine.
[16] ↑ Rozo, Carlos A.; La globalización financiera; en 'El Universal'; 26.12.2008 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.mexiconews.com.mx/editoriales/42477.html
[30] ↑ Groupe ONU d'ATTAC; Ruiz Díaz Balbuena, Hugo; Fanon-Mendes France, Mireille; Les Institutions financières internationales : réforme ou restructuration ?; Documento de trabajo, 2005 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article1752
[31] ↑ a b c Groupe ONU d'ATTAC; Ruiz Díaz Balbuena, Hugo; Fanon-Mendes France, Mireille; Íd.; 2005 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article1752
[32] ↑ Wikipedia - Organización Mundial del Comercio.
[43] ↑ Davies, Howard; Comment peut-on réguler le capitalisme; en 'Ideas. Diplomacy and Strategy at LSE'; marzo 2009; pp. 6-12.
[44] ↑ Schiappa-Pietra, Oscar; Reflexiones al pie de la crisis; 2004 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://palestra.pucp.edu.pe/index.php?id=404
[45] ↑ Schiappa-Pietra, Oscar; Íd.; 2004 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://palestra.pucp.edu.pe/index.php?id=404
[46] ↑ Wikipedia en inglés - Corporate Governance.
[48] ↑ Beroff, Réné Chao; Prébois, Antonin; Une finance solidaire pour retisser les liens sociaux; Cahiers de Propositions pour le XXIe siècle; 2001 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.eclm.fr/fileadmin/administration/pdf_livre/297.pdf
[52] ↑ Deleye, Bruno; Crisis internacional y la necesidad de Europa; en 'La Vanguardia'; 1.11.2008.
[53] ↑ Unión Europea; Informe general sobre la actividad de la Unión Europea 2008: Sección 4. Crisis financiera internacional; 2008 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://europa.eu/generalreport/es/208/rg15.htm
[63] ↑ Greco, Thomas H. Jr.; The Development of Islamic Banking; documento de trabajo; 2002 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://infotek.fph.ch/d/f/577/577_ENG.rtf?public=ENG&t=.rtf
[64] ↑ Wikipedia en inglés - riba - finanza internacional.
[71] ↑ a b c Taddei; Après le G20 de Londres une sortie de crise par le haut nécessite des nouvelles règles dans bien d'autres domaines; 2009 Archivado el 6 de abril de 2012 en Wayback Machine.: http://www.reseau-ipam.org/spip.php?article1662
[74] ↑ [Landerretche, Oscar; "Three Progressive Ideas for the Recession"; en Policy Network; Responses to the Global Crisis: Charting a Progressive Path. Handbook of Ideas; Chile, 2009].
[75] ↑ [Internacional Socialista; Declaración de la Comisión de la Internacional Socialista sobre Cuestiones Financieras Globales, reunión en Viena, Austria; 2008].
[76] ↑ Eloy, David; Quelles responsabilités de l'Union européenne dans le financement du développement ?'; síntesis de los debates del seminario del mismo título; Foro Social Europeo; 2003 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article548
[77] ↑ Taddei, Dominique; Après le G20 de Londres une sortie de crise par le haut nécessite des nouvelles règles dans bien d'autres domaines; 2009 Archivado el 6 de abril de 2012 en Wayback Machine.: http://www.reseau-ipam.org/spip.php?article1662
[78] ↑ «Deere Birkbeck, Carolyn; Meléndez-Ortiz, Ricardo; Rebuilding Global Trade: Proposals for a Fairer, More Sustainable Future; International Center for Trade and Sustainable Development; The Global Economic Governance Program; 2009». Archivado desde el original el 14 de noviembre de 2009. Consultado el 28 de marzo de 2010.: https://web.archive.org/web/20091114031800/http://ictsd.net/downloads/2009/03/g20-web.pdf
[79] ↑ Eloy, David; Quelles responsabilités de l'Union européenne dans le financement du développement ?; síntesis de los debates del seminario del mismo título; Foro Social Europeo; 2003 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article548
[83] ↑ Atkinson, A.B. 2004 (Ed); New Sources of Development Finance; UNU-WIDER Studies in Development Economics, Oxford University Press, Oxford; p. 27.
[89] ↑ «Calame, Pierre; Oeconomie et gouvernance mondiale : qelles sont les idées majeures qui peuvent fonder les nouvelles régulations et sur quels acters internationaux s'appuyer pour les promouvoir ?; 2009». Archivado desde el original el 23 de marzo de 2016. Consultado el 28 de marzo de 2010.: https://web.archive.org/web/20160323033422/http://www.world-governance.org//spip.php?article550
[106] ↑ Boulianne et al.; Économie solidaire. Propositions pour un autre modèle de développement; 2001 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.eclm.fr/fileadmin/administration/pdf_livre/296.pdf
Como resultado desta crise, um número crescente de autores (ver a secção de propostas) concordam com a necessidade de deixar para trás um modelo financeiro orientado para a maximização e a especulação de curto prazo, e entrar noutro que recupere a sua função original de apoiar a eficácia da economia produtiva como um dos factores geradores de bem-estar social.
O papel das finanças na economia (global, nacional e local)
Globalização das finanças
De acordo com Dembinski,[3] a globalização financeira envolve a fusão progressiva dos sistemas financeiros nacionais num sistema global emergente. Este sistema consiste em dois níveis: um mercado financeiro global que fornece financiamento às maiores empresas à escala global, e a soma de fundos em todo o mundo que constituem o nível local, e que canalizam cada vez mais poupanças e dinheiro para o primeiro nível. O autor salienta que não é certo, por um lado, que esta estratificação seja eficiente do ponto de vista económico, enquanto, por outro, limita a capacidade de acesso ao financiamento das pequenas e médias empresas.
Dembinski salienta também que o sistema financeiro se tornou a osatura da economia e da sociedade contemporânea, e cada vez mais é o grau de solvência que determina quais são ou podem ser os direitos das pessoas, comunidades ou países.
Crise financeira e agenda global
Este carácter central das finanças no que diz respeito à economia, e da economia no que diz respeito à organização social, faz com que alguns autores[4] situem a crise do sistema financeiro no quadro de uma crise sistémica generalizada que afecta toda a economia, a sociedade e o planeta, e que se manifesta por sinais como a pobreza e a desigualdade (entre países e dentro de cada país), o comércio internacional regido por regras injustas que beneficiam apenas alguns, um modelo energético predatório que esgota as fontes devido ao excesso de procura, e as alterações climáticas como consequência do desenvolvimento insustentável. e modelos de consumo. Perante tudo isto, aponta-se que uma refundação do sistema financeiro é necessária mas insuficiente: o que é necessário é uma agenda global à escala mundial que conduza a uma mudança de paradigma, e da qual faça parte a refundação do sistema financeiro global juntamente com outras transformações que conduzam a “[um modelo] de globalização diferente que não seja apenas guiada por princípios de rentabilidade, mas também por justiça, solidariedade e responsabilidade para com os cidadãos”. (veja a seção de propostas).
Liberalização financeira
Contenido
El sistema financiero de la primera década del siglo es el fruto de cuatro décadas de liberalización financiera, iniciado en los primeros años 1970, y que se aceleró como consecuencia indirecta de algunos acontecimientos históricos, especialmente con el desmantelamiento del bloque comunista a partir de 1989. Según Ibase[5] se trata de un proceso doble que tiene lugar paralelamente en las escalas nacional e internacional.
"Por un lado, la liberalización financiera nacional está centrada en la desregulación de mercados financieros nacionales y en la consiguiente modificación de los instrumentos de política económica para adaptarse a las nuevas reglas. (...) La idea que los mercados financieros totalmente libres podrían ser una amenaza fue substituida por la ideología de que los mercados no se equivocan".[6] (...)"Cuando un país permite la libre entrada y salida del capital financiero está enviando señales a los dueños de las riquezas locales que ahora tienen una opción entre someterse a las leyes nacionales o trasladar sus operaciones a un ambiente más amistoso. Esto significa que si el gobierno de un país decide reducir la tasa de interés para estimular el crecimiento y el empleo en su economía, los dueños del capital financiero pueden optar por llevarse su riqueza a otro país más atractivo, forzando al gobierno a revertir su política económica. (...) De hecho, no es solo la libre elección de una política monetaria lo que se ve afectado. La decisión de imponer impuestos progresivos, por ejemplo, tendrá que enfrentar la reacción hostil de los inversores con respecto a dicha política. Si la política les parece inaceptable pueden simplemente huir con su capital a otro país. Esto puede ocurrir con cualquier política que no sea del agrado de inversores y rentistas. (...) La mayor parte del tiempo no es necesario que la fuga de capitales ocurra realmente. La mera amenaza de iniciar un episodio de fuga de capitales intimida lo suficiente a los gobiernos nacionales como para hacerlos reconsiderar su posición."[6].
"Por otro lado, la liberalización financiera internacional (...) consiste en desmantelar los controles de capital para aumentar la libertad con la cual el capital financiero puede moverse a través de las fronteras nacionales". Durante la segunda década de los años 1990, "El desmantelamiento de los controles de capital expuso a aquellos países que los habían implementado a una creciente volatilidad y a crisis financieras recurrentes, entre otros efectos devastadores, sin un aumento perceptible en términos de desarrollo económico. (...) La liberalización, por lo tanto, le abrió las puertas al capital financiero, pero no al capital productivo. El capital financiero no busca oportunidades de convertirse en capital productivo sino que especula con las diferencias entre valores productivos. (...) Cuando la liquidez es abundante en los mercados financieros internacionales, como actualmente, hay un exceso de capital financiero en busca de oportunidades en todo el mundo, sobrevaluando el tipo de cambio en los países en vías de desarrollo, dificultando sus exportaciones e incluso amenazando sus niveles internos de producción frente a la competencia de las importaciones baratas".[6].
A escala nacional e a governação financeira
De acordo com Germain,[7] existem dois elementos de resistência a nível nacional contra o domínio da natureza global da governação financeira: em primeiro lugar, um "interesse próprio orientado para o exterior", segundo o qual os governos favorecem o estabelecimento de regras internacionais que favorecem os seus próprios interesses e os das principais instituições financeiras do seu país. O segundo elemento é um “interesse próprio orientado para dentro”, segundo o qual os governos e as instituições financeiras de um país resistem à imposição de normas e regras internacionais que entram em conflito com as práticas nacionais existentes. A estes dois elementos soma-se a prerrogativa de emissão de moeda, base material do sistema financeiro.
Governança financeira local
A nível local, ainda não existem de forma generalizada verdadeiros sistemas de governação financeira em que intervenham diferentes atores. Assim, pelo menos em África, e segundo Yatta[8], as comunidades locais evoluem num contexto difícil caracterizado pelo fosso entre os novos poderes transferidos pela descentralização e os montantes alocados nos orçamentos locais. Orçamentos participativos") são experiências desenvolvidas especialmente a nível local em todo o mundo, nas quais a democracia participativa foi desenvolvida como um sistema de preparação dos orçamentos das entidades envolvidas.
Características do sistema financeiro
• - Financialização (económica): Segundo Calame.[9] As causas da crise financeira devem ser procuradas na financeirização"), isto é, no processo de domínio, à escala internacional, do mercado de fluxos financeiros, sobre o mercado de trocas de produtos reais, em resultado de um peso económico muito maior do primeiro sobre o segundo no contexto de um mercado indissociável. A financeirização beneficia assim das inovações tecnológicas dos últimos anos (especialmente a Internet) que levaram a uma aceleração da volume de transações.
• - Financialização das mentalidades: segundo Dembinski[10] o crescimento ininterrupto da economia na segunda metade do século e no início do século tornou-a um elemento constituinte fundamental das sociedades, bem como o financiamento o aspecto central da economia. Assim, por um lado, a posse de bens e o poder de compra determinam o poder e o risco de exclusão social e regem os destinos das pessoas. Por outro lado, numa sociedade aberta e móvel, as finanças transformam a confiança interpessoal em pseudoconfiança nas instituições garantidas pela liquidez dos mercados.
• - Externalização do risco: Segundo Chomsky[11] o sistema não assume de forma satisfatória os custos que uma troca entre dois agentes pode causar a um terceiro, incluindo a sociedade como um todo ou o meio ambiente. Esta desresponsabilidade resulta numa maior probabilidade do aparecimento de crises financeiras graves e periódicas. Ignorar as externalidades das transações implica, segundo o autor, que “o setor público assume custos e riscos enquanto o benefício é privatizado”[12].
• - Extraterritorialidade: o aumento exponencial do volume de reservas cambiais é uma inovação financeira após a Segunda Guerra Mundial e uma das características da interdependência económica e social que leva à intensificação da globalização.
• - Fluxos de capitais e explosão de transações financeiras: a dívida internacional, os investimentos diretos, bem como as transferências de todos os tipos, em geral, excedem o volume das transações comerciais. A explosão das transacções financeiras deu origem à dependência das sociedades ocidentais das finanças. Isto significa que são especialmente sensíveis às variações do sistema financeiro. Duas outras inovações financeiras acompanharam esta transformação: a) o aumento proporcional dos serviços no sistema produtivo nas últimas décadas, correspondendo ao aumento da utilização de produtos intangíveis paralelos (marketing, publicidade, transporte). b) a explosão dos fundos de pensões alimenta uma procura significativa e contribui para aumentar o volume de operações financeiras.
• - Confusão e fusão entre moeda e finanças: entre o ativo líquido, cujo melhor exemplo é a nota, e a obrigação emitida por um governo, há uma gradação de produtos que torna impossível estabelecer uma demarcação clara entre moeda e finanças. Como consequência, as fronteiras entre os sectores público e privado também são confusas.
• - Papel crescente da regulamentação bancária: dada a complexidade da actividade financeira, os bancos centrais adquiriram um papel excepcional como supervisores da regulação financeira.
• - Mercados e governos: O estabelecimento de taxas de câmbio flexíveis após a década que se seguiu à suspensão da convertibilidade do dólar em ouro foi acompanhado por um desenvolvimento progressivo do mercado cambial. Como consequência, as opções e decisões dos governos em relação à política económica foram diretamente expostas ao veredicto dos operadores privados.,[13].
• - Invenção de mecanismos de lucro de curto prazo: Esses mecanismos favorecem os agentes especulativos e deixam o valor da produção real, e o mercado de trabalho que a acompanha, bem como indiretamente a economia pública, ao capricho das flutuações do mercado, que na ausência de mecanismos regulatórios suficientes sofrem enormemente como consequência das crises financeiras.[14].
A crise financeira de 2008
“A crise financeira de 2008 foi desencadeada diretamente devido ao colapso da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2006, que causou aproximadamente em outubro de 2007 a chamada crise das hipotecas subprime. As repercussões da crise hipotecária começaram a se manifestar de forma extremamente grave desde o início de 2008, infectando primeiro o sistema financeiro americano, e depois o internacional, resultando em uma profunda crise de liquidez, e indiretamente causando outros fenômenos econômicos, como uma crise alimentar global "Crise alimentar mundial (2007-2008)"), diferentes quebras do mercado bolsista (como a crise bolsista de Janeiro de 2008 e a crise global do mercado bolsista de Outubro de 2008) e, em geral, uma crise económica à escala internacional".[15]
Entre as causas fundamentais da crise vale destacar, segundo Rozo,[16] uma “dissociação” entre a economia real e a economia monetária. O autor afirma que os mercados financeiros tornaram-se “campos de investimento autônomos ou “contêineres financeiros”, nos quais fica estacionado o excesso de liquidez que existe na economia real. Esses contêineres tornam-se especulação em moedas, obras de arte, metais preciosos, imóveis, ações de empresas e mais recentemente até petróleo e alimentos.
A acumulação destes activos tem sido facilitada pela globalização neoliberal, por uma elevada interdependência e por uma regulação global fraca[17] e permissiva (ver Basileia II) que promoveu o aumento do risco e não conseguiu travar a multiplicação, na última década, de produtos financeiros complexos, que sobrepõem dívidas e empréstimos e que, seguindo uma lógica gananciosa de aumentar os lucros sem limites, concedem confiança a actores de credibilidade financeira duvidosa, além de privilegiarem o curto prazo. A explosão da bolha imobiliária global (crise das hipotecas subprime), resultado de anos de frenesim especulativo neste sector, foi o gatilho para a crise financeira.
As consequências complexas e catastróficas desta crise parecem concordar com autores que, como Delors,[18] consideram que a autorregulação dos mercados é impossível ou imperfeita e que com a globalização as distorções financeiras acabam por afetar todas as economias e sociedades à escala global. Outra corrente vai mais longe e considera que todo o modelo capitalista já é invencível. Por exemplo, D'Escoto[19] afirma que estamos perante uma “crise sistemática” produzida por um sistema “sem ética” que “já não aguenta mais”. Segundo o presidente da Assembleia Geral da ONU, “o capitalismo carrega dentro de si o gene da autodestruição”.
A crise financeira de 2008 ocorreu em países historicamente industrializados, mas foi precedida, na década de 1990, por crises financeiras em países emergentes, especialmente na Ásia e na América Latina. Tal como a crise de 2008, foi uma crise de liquidez, resultado de uma alteração nas condições dos mercados financeiros sem qualquer ligação causal com a economia real.
Como saída para a crise, os longos biliões de dólares acordados para o estímulo financeiro da economia internacional são mais do que o que foi gerido nos debates anteriores e são, sem dúvida, o maior plano fiscal concertado da história.[20] Many analysts foresee a recovery in economic growth and therefore an exit from the crisis, in the majority of affected countries, around 2010.
Governança de instituições financeiras
Las instituciones internacionales con peso mayor en las finanzas mundiales son el Fondo Monetario Internacional, el Banco Mundial, la Organización Mundial del Comercio y el G7, reconvertido recientemente en G20.
En otro lugar, no por ello menos importante, se sitúan los organismos reguladores, es decir aquellos cuya función exclusiva es la producción de normas sobre la organización de la finanza y la vigilancia sobre su cumplimiento, sin intervenir directamente en el mercado financiero.
Según sus críticos, la gobernanza de todas estas instituciones se caracteriza por su poco nivel de democracia[21] y por ser "símbolos de una gobernanza mundial considerada ilegítima".[22] Concretamente, el mundo en vías de desarrollo está subrepresentado, a pesar de la importante reforma que tuvo lugar con posterioridad a la crisis financiera de 2008 y que consistió en la inclusión de varios países emergentes en el G7, reconvertido en G20. Este flagrante "déficit democrático", en palabras de Ibase[6] "no impide que [estas instituciones] tomen decisiones que afectan profundamente la vida y el bienestar de las sociedades excluidas de las negociaciones". Por otro lado sus acciones han sido consideradas ineficaces, contraproducentes y catastróficas, especialmente desde la perspectiva de las políticas sociales de los países en desarrollo."[23].
Es importante constatar también la jerarquía que se establece entre estas instituciones en el marco de la gobernanza mundial. Concretamente, la independencia del FMI, el BM y la OMC respecto de la tutela de las Naciones Unidas resulta en un equilibrio de poder favorable a aquellos primeros[24] y a sus políticas neoliberales, y convierte a la ONU en un actor con influencia secundaria o simplemente testimonial, en la promoción del desarrollo internacional.
Instituições financeiras internacionais (IFI)
• - Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Fundo Monetário Internacional foi definido pela Conferência de Bretton Woods no final da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de regular o sistema monetário de câmbio fixo. No entanto, o abandono deste sistema na década de 1970 levou à evolução da missão desta instituição. Hoje, continua a regular o sistema financeiro, ao mesmo tempo que ajuda os países em desenvolvimento, fornecendo fundos para superar eventuais crises devido a défices na sua balança de pagamentos.
Estes créditos, muitas vezes essenciais para os países em questão, foram oferecidos em troca de certas condicionalidades (no âmbito das chamadas políticas de ajustamento estrutural) cujo objectivo era equilibrar a balança de pagamentos, embora o seu elevado custo social tenha muitas vezes impedido estes países de escapar à espiral do subdesenvolvimento, ou mesmo tenha ajudado a agravá-la.
O sistema de votação do FMI baseia-se na dimensão dos investimentos de capital dos países membros. Assim, os membros do G7 controlam 45% do poder de voto, dos quais os Estados Unidos controlam 17%, o que lhes confere poder de veto de facto. Assim, o FMI tem sido criticado pela sua postura em defesa dos interesses dos países ocidentais e, especificamente, dos Estados Unidos. Segundo Bello, foi esse o caso quando o Japão, para evitar a crise financeira de 1997, propôs a criação de um Fundo Monetário Asiático, que outros países da região consideraram uma boa iniciativa. No entanto, o FMI e os Estados Unidos opuseram-se veementemente a isto.[25].
Segundo Gonçalves[26] “a experiência histórica mostra que os programas dirigidos pelo FMI tendem a conduzir os países em desenvolvimento para um caminho de instabilidade e crise. Tomadas em conjunto, [estas] crises vão além da dimensão económica, produzindo problemas sociais e rupturas políticas e institucionais nos países em desenvolvimento”.
Após a Cimeira do G-20 em Londres, em Abril de 2009, foi acordado fortalecer o FMI, injectando uma enorme quantidade de fundos para actuar como credor de último recurso, e foi-lhe também atribuído um papel central na supervisão do sistema financeiro, juntamente com o novo Conselho de Estabilidade Financeira. Ao mesmo tempo, o FMI foi incumbido de aumentar a sua eficácia e transparência, representando melhor os países em desenvolvimento e acabando com as condicionalidades leoninas que acompanhavam os seus créditos.[27].
• - Banco Mundial (BM).
O Banco Mundial é a instituição “gémea” do FMI, também nascida na Conferência de Bretton Woods, com o objectivo de reduzir a pobreza através de empréstimos a juros baixos, crédito sem juros a nível bancário e apoio económico aos países em desenvolvimento. Foi inicialmente criado para apoiar a reconstrução europeia no pós-guerra, expandindo posteriormente as suas funções no domínio do desenvolvimento e evoluindo a sua organização para o que hoje é conhecido como Grupo Banco Mundial, composto pelas seguintes agências: Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento; Associação Internacional de Desenvolvimento; Corporação Financeira Internacional; Agência Multilateral de Garantia de Investimentos; Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos.
O valor do voto no Banco Mundial também é organizado através de subscrições de capital proporcionais à riqueza de cada país representado. Assim, os Estados Unidos controlam 16,39% do poder de voto, o Japão 7,86%, a Alemanha 4,49%, a França, o Reino Unido e a Itália 4,30%, etc.
A autonomia das instituições de Bretton Woods foi-lhes concedida desde a sua fundação. Estas são consideradas “agências especializadas” de acordo com a Carta das Nações Unidas (ONU) de 1945 e a natureza da sua relação com a ONU, estipulada nos respectivos acordos de relacionamento, afirma a autonomia das IFIs nos assuntos da sua competência. Esta independência organizacional destas instituições e a sua governação favorável aos países mais industrializados teve enormes consequências para a política económica e para o desenvolvimento social e económico do planeta, especialmente nos países em desenvolvimento.[28] Da mesma forma, também impediu em grande parte que as instituições assumissem as tarefas para as quais foram criadas no início: garantir a estabilidade das principais moedas e facilitar a reconstrução do pós-guerra. O seu mandato foi limitado desde o início pelos Estados Unidos, que não aceitaram as propostas de Keynes para estabelecer um sistema monetário mundial.[23] Especificamente, o FMI perdeu a função de estabilizar o sistema cambial depois de 1971[29].
• - Outras instituições financeiras internacionais.
Entre as instituições financeiras que operam a nível internacional, os bancos de desenvolvimento regional (Banco Interamericano de Desenvolvimento; Banco Asiático de Desenvolvimento; Banco Africano de Desenvolvimento; Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento; etc.), bancos de desenvolvimento bilaterais, como a Companhia Holandesa de Financiamento do Desenvolvimento, e outras instituições financeiras regionais, como o Banco Europeu de Investimento; Banco de Desenvolvimento do Mar Negro; Banco Islâmico de Desenvolvimento; etc.).
Outras instituições com influência no sistema financeiro
• - A Organização Mundial do Comércio (OMC).
A OMC supervisiona os acordos comerciais internacionais, definindo as regras de comércio entre os estados membros. A OMC sucedeu ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) em 1995, que por sua vez foi fundado em 1947. O objectivo fundamental da OMC, na prática, tem sido reduzir ou eliminar completamente as barreiras internacionais ao comércio (processo de liberalização financeira).
Outros objetivos da OMC, como fórum para negociações comerciais multilaterais, são:
• - Gerenciar procedimentos de solução de disputas comerciais (disputas entre países).
• - Supervisionar as políticas comerciais.
• - Coordenar políticas económicas para desenvolver a procura e o emprego, especialmente nos países de rendimento mais baixo.[30].
• - Cooperar com o Banco Mundial e o FMI com o objectivo de alcançar uma maior coerência entre a política económica e comercial à escala global.
Dois acordos recentemente criados e de fundamental importância, desenvolvidos e administrados pela OMC são: o Acordo Geral sobre Comércio e Serviços (GATS); e o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). A primeira abre ao capital privado, em escala global, serviços até então considerados públicos em muitos países, como educação e saúde. A segunda envolve a intervenção da OMC no domínio da definição de propriedade.
O sistema formal de votação na OMC é o sufrágio universal por país membro (um país, um voto). No entanto, uma prática comum (e por outro lado um dos aspectos da OMC mais criticados pelos países em desenvolvimento e pelos movimentos sociais) é a tomada de decisão antecipada entre os países mais poderosos (as chamadas negociações da "sala verde")[31]
[32] e indiretamente imposta a outros países.
• - O G20.
O Grupo dos 20, ou G-20, é um grupo de países formado em 1999 pelos oito países mais industrializados (G-8), onze países recentemente industrializados de todas as regiões do mundo e a União Europeia como um bloco.
Por um lado, argumenta-se que o G20 é mais representativo que o G8, pois representa 70% da população mundial. Assim, “a Cimeira do G-20 foi a primeira em que grandes economias emergentes como a China, o Brasil, a Índia ou o México se sentam à mesa em igualdade de condições com os mais poderosos”[27].
Mas, por outro lado, os críticos argumentam que o G20 não tem o direito de tomar decisões que dizem respeito a todos porque representa um grupo de Estados escolhidos aleatoriamente. Especificamente, os países ou regiões mais pobres não estão representados nele. O G20 não tem uma Carta e as suas discussões não são tornadas públicas, o que o torna uma instituição não democrática."[33][34].
Órgãos reguladores
Os órgãos reguladores (...) são associações de autoridades administrativas do setor financeiro. Têm em comum a natureza técnica: são agências especializadas na regulação e supervisão do mercado financeiro.
O trabalho destes órgãos reguladores visa, mais do que criar uma Lei uniforme, estabelecer princípios básicos, critérios profissionais, que promovam a reforma das diferentes regulamentações nacionais.
As resoluções e relatórios técnicos das organizações internacionais de regulação e controle financeiro são transferidos através dos supervisores financeiros para os fóruns regionais. Nestes fóruns são adotados acordos e aprovadas decisões que visam a aplicação de critérios internacionais em seus territórios. Dentre esses fóruns regionais, destaca-se aquele que forma a União Europeia. Muitas das suas directivas e regulamentos em matéria financeira são um reflexo fiel dos acordos adoptados internacionalmente. A falta de legitimidade democrática destas organizações para ditar as normas internacionais aplicáveis no direito interno tem sido criticada. É um facto que os parlamentos nacionais se tornam meros destinatários das decisões adoptadas por estas organizações, reconhecendo assim a sua incapacidade técnica para organizar o mercado financeiro.
Estas associações contribuem com o seu trabalho para a uniformização dos contratos financeiros, reduzindo o custo das transações e aumentando a liquidez nos mercados. Muitos dos produtos utilizados na crise do subprime não tinham esta padronização, tornando os seus riscos difíceis de medir e, em última análise, esta falta de clareza prejudicou a sua liquidez."[35]
O Fórum de Estabilidade Financeira foi criado em 1999 para promover a estabilidade financeira internacional através de um maior intercâmbio de informações e cooperação na supervisão financeira e na fiscalização do mercado. São também objectivos desta instituição a melhoria do funcionamento dos mercados e a redução do risco sistémico.
É composto por representantes seniores de instituições financeiras internacionais, grupos internacionais de reguladores e supervisores, comités de peritos de bancos centrais e autoridades nacionais responsáveis pela estabilidade financeira. Os membros originais eram o G-7, além de outros cinco países que representam importantes centros financeiros.
A FEF é uma instituição criada em consequência das crises financeiras da década de 1990, com a missão especial de evitar ou mitigar os efeitos de crises futuras. Os seus relatórios de recomendações ao G-7 foram considerados excelentes, embora as dificuldades na sua implementação tenham sido criticadas.[36].
Na Cimeira do G-20 em Londres, em Abril de 2009, foi decidido criar um sucessor do FEF, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB). O CEF inclui os anteriores membros da FEF e admite os restantes países do G20, a Espanha e a Comissão Europeia como novos membros.
Regulamentação financeira
"La regulación internacional de los mercados financieros está en proceso de construcción. La globalización y financialización de la vida económica no han venido acompañadas de un régimen internacional de las finanzas. Han sido los técnicos y los profesionales quienes han reaccionado, creando comités y asociaciones para adoptar acuerdos tendentes a dar seguridad a las transacciones.
La reciente crisis subprime ha puesto de relieve las debilidades del sistema, como la falta de control de los productos financieros más complejos, los conflictos de interés que plantean algunos sistemas de remuneración de los intermediarios o la necesidad de regular a las agencias de rating y a otros guardianes del mercado. Las primeras respuestas vienen de nuevo de los comités profesionales. Optan por la prudencia, evitando una sobrerreacción ante los efectos de la crisis."[39].
• - Características de la regulación.
"La perfección de los contratos, sus sistemas de garantías y la ejecución de los mismos tienen lugar a través de sistemas centralizados y encadenados, cuya naturaleza jurídica está todavía por determinar. En esta forma de regular el mercado financiero, el poder se desplaza de los Tribunales que aplican el Derecho privado a los organismos profesionales y firmas globales de abogados, y sistemas de arbitraje internacional, que aplican los complejos acuerdos y desarrollos técnicos elaborados por los supervisores y la industria financiera.".
La principal debilidad de esta forma de regular y aplicar las normas es su déficit democrático. Las normas se adoptan y aplican por sujetos privados en defensa de sus propios intereses corporativos. Para evitar este problema de falta de legitimación, se asumen compromisos protectores de los intereses generales, como el de consulta pública de todas las iniciativas relativas a la regulación del mercado financiero. Es el caso en la Unión Europea con el llamado sistema Lamfalussy.[39].
• - Naturaleza de la regulación.
"Los acuerdos de los organismos internacionales de regulación financiera no son fuente del Derecho. Ni sus firmantes actúan en representación de los Estados. No parece necesario insistir en que los bancos centrales, las comisiones de valores, los supervisores de seguros o las asociaciones de bancos de inversión, carecen de poder para concluir verdaderos acuerdos internacionales. Este tipo de acuerdos constituye una de las expresiones más relevantes de soft law, es decir, de estándares y normas de conducta profesionales creados al margen de los parlamentos de los Estados nacionales. Son reglas técnicas que sin tener la naturaleza de ley tienen sin embargo el efecto de regular las finanzas internacionales. Forman parte de la nueva lex mercatoria de las finanzas internacionales, surgida de los operadores globales. Dan respuesta uniforme a las necesidades que plantea el mercado financiero en una economía globalizada. Los estándares proliferan y tienen éxito por su pragmatismo. Al fin y al cabo, dan solución a los problemas que plantean las finanzas internacionales.
Son acuerdos que gozan de un elevado rigor técnico. El detalle de la regulación es en gran medida el resultado del asesoramiento que prestan las grandes firmas abogados anglosajonas a los bancos de inversión y demás operadores globales. Ninguna operación financiera internacional de cierto volumen se realiza sin su participación. Han colonizado el Derecho financiero global Ofertas públicas en sus diversas modalidades, fusiones y adquisiciones, y tantas otras operaciones financieras son diseñadas con la participación de estas firmas globales. Su crecimiento ha sido paralelo al desarrollo de los mercados financieros. Los Estados nacionales no han sabido regular y ordenar los nuevos mercados e instrumentos financieros, y ocupando su lugar las firmas globales han pasado a actuar de hecho como verdaderos reguladores de los mercados financieros internacionales. Representan la cultura de la élite legal. Del mismo modo que Napoleón colonizó Europa con sus códigos, las grandes firmas de abogados pueden estar llevando a cabo una nueva forma de neo-colonialismo."[39].
• - Papel de la autoregulación.
"Los Estados y los organismos internacionales asumen como propios los estándares y las mejores prácticas de la industria financiera. De este modo, mediante una autorregulación regulada se transforma la regla privada en norma pública.
La autorregulación adopta diversas modalidades. Comprende desde los códigos de conducta de la industria, a reglas técnicas o de mejores prácticas profesionales. Un ejemplo de autorregulación regulada es el que se da en la Unión Europea. En la Unión Europea son frecuentes las remisiones a las “prácticas de mercado aceptadas”, para delimitar la conducta que deben mantener en el mercado los intermediarios y operadores.
Desde el punto de vista de la eficiencia de la regulación y de su adaptación a las cambiantes condiciones del mercado, resulta inadecuado fijar en la norma legal la conducta que los operadores deben mantener en el mercado. Se opta por reconocer las prácticas aceptadas en el mercado como criterio delimitador de la actuación que se debe mantener. Dichas prácticas deben ser aceptadas por el regulador atendiendo al mejor funcionamiento del mercado. Para determinar las prácticas que van a resultar exceptuadas del abuso de mercado, hay que tener en cuenta el punto de vista de todos los participantes en el mercado, incluidos los consumidores.20 No puede admitirse que la industria, una de las partes de la relación, imponga su conducta a la otra, es decir, a los consumidores, como parte más vulnerable."[39].
Os Acordos de Basileia
• - Acordo Basileia I.
Este conjunto de recomendações publicado em 1988 “era uma medida estritamente direcionada, destinada a um pequeno grupo de bancos internacionalmente ativos que competem nos mesmos mercados, para eliminar vantagens competitivas injustas resultantes de discrepâncias relacionadas com regimes regulatórios”. Este acordo “era simples e estabelecia que os supervisores nacionais deveriam exigir aos bancos com actividade internacional a manutenção de um património líquido (capital próprio) na proporção de 8% dos seus activos considerados de alto risco (o risco era determinado pela própria comissão, e acrescentado ao anexo do acordo)”.
"Embora Basileia I tenha sido criado para ser aplicado aos países mais ricos, tornou-se o padrão para todos os bancos em (quase) todos os países (...) Em meados da década de 1990, mais de 120 países tinham aderido a Basileia I ou pretendiam fazê-lo após um determinado período de transição. (...) No entanto, foi reconhecida a necessidade de uma modificação profunda de Basileia I para criar regulamentos apropriados a serem adotados por um grande número de países"[6].
• - Acordo Basileia II.
O objetivo deste acordo, publicado inicialmente em 2004, é “a criação de uma norma internacional que sirva de referência aos reguladores bancários, a fim de estabelecer os requisitos de capital necessários, para garantir a proteção das entidades contra riscos financeiros e operacionais”.
"O acordo de Basileia II é muito complexo. Além de determinar requisitos de capital diferenciados para diferentes classes de bancos, também orienta a ação dos supervisores e define requisitos de acesso à informação. Basileia II depende de três pilares: índices de capital baseados em risco, supervisão e disciplina de mercado. A seção mais importante do novo texto refere-se aos requisitos de capital. (...) [Os] supervisores desempenham mais funções. Eles avaliam a classificação de risco, os sistemas de gestão e a estrutura administrativa do banco para implementar a estratégia do banco. risco e para gerenciar os riscos que têm não foram explicitamente abordados no novo acordo, como os riscos de liquidez."[6].
Dentre as críticas a Basileia II, segundo o Ibase,[6][41] vale destacar:
• - O Acordo inclui o que são consideradas melhores práticas desenvolvidas por bancos privados para medir e gerenciar riscos. Estas práticas estão no cerne dos métodos falhados utilizados para preparar as bases para a crise financeira de 2008, o que mostra a estratégia errada e o fracasso do acordo mesmo antes de ter sido adoptado a nível mundial.
• - Apesar de tudo, as possíveis consequências de longo alcance vão além da busca pela estabilidade financeira: Espera-se que os países aceitem e coloquem em prática estas regras, mesmo quando a sua contribuição para a elaboração do acordo não foi exigida. A participação foi restrita aos membros mais ricos dos países ricos.
Críticas à atual governança das instituições financeiras
Incapacidade de adaptação às mudanças históricas
"Durante 50 anos, as Instituições Financeiras Internacionais passaram por uma longa história económica e política. O contexto em que trabalham e o seu verdadeiro papel evoluíram radicalmente sem que o seu mandato e modo de operação tivessem evoluído em paralelo. As IFI mantiveram uma estrutura basicamente inalterada, apesar da evolução radical do seu ambiente."[23].
Remédios ineficazes, contraproducentes e seletivos
As IFI promoveram soluções contraproducentes: a receita mais difundida para combater tanto a pobreza (Banco Mundial) como as crises financeiras (FMI) tem sido a liberalização dos mercados e, na prática, isto tem favorecido, na maioria dos casos, investimentos financeiros especulativos em vez de investimentos produtivos. Como exemplo, podemos citar a Malásia, país que sofreu em muito menor grau as consequências da crise financeira asiática em 1997, por não ter seguido a receita da liberalização e aplicado uma política intervencionista.[34].
Controle da economia mundial em benefício de poucos
“Os críticos argumentam que o FMI e o Banco Mundial têm desempenhado um papel fundamental na formação e consolidação da ordem neoliberal. Através da imposição de programas de ajustamento estrutural, têm sido os iniciadores de políticas sociais catastróficas para a população: privatização dos cuidados de saúde, privatização da educação, privatização dos serviços públicos, liberalização forçada do comércio, tudo em perfeita conformidade com a política comercial e as regras liberais da OMC.”
“O FMI e o BM são instituições que têm obedecido aos interesses dos países mais desenvolvidos e cujo principal objectivo tem sido, entre outros, a cobertura dos juros da dívida, a submissão de todos os países às regras legais da desregulamentação, garantindo ao mesmo tempo a liberalização dos movimentos de capitais, a renúncia dos poderes públicos a qualquer forma de controlo democrático da economia nacional. colonialismo: a dominação dos poderosos manifestou-se e escondeu-se sob a tomada de decisões dentro de organizações multilaterais económicas, financeiras e comerciais».[31]
Déficit democrático e de transparência
Entre as instituições financeiras, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional são os mais poderosos do mundo. A liberalização dos mercados reduziu progressivamente a capacidade dos Estados de manobrar na sua própria política económica. Em compensação, esta autoridade decrescente não foi substituída pelo poder democrático à escala multilateral. As Instituições Financeiras Internacionais (IFI) apresentam um “défice democrático” das instituições que exercem a governação global que afecta cada vez mais a população planetária que supostamente representam.[6].
Por outro lado, os mecanismos de responsabilização das IFI são inexistentes ou inadequados. A nível estadual são os governos que respondem perante os poderes legislativos e, a nível internacional, são as organizações intergovernamentais que reportam aos conselhos intergovernamentais compostos por representantes dos governos.
Embora a autoridade e as práticas legislativas variem em cada país, o grau de supervisão democrática por parte dos poderes legislativos nacionais sobre o Banco Mundial e o FMI é fraco, de acordo com um inquérito realizado por vários intervenientes internacionais da sociedade civil.[42] Os legisladores, bem como os cidadãos que representam, têm pouca influência e quase não são consultados sobre questões relacionadas com o Banco Mundial e o FMI. Aqui estão algumas das principais conclusões da pesquisa:.
• - Na maioria dos casos, os representantes legislativos não participam na selecção dos altos funcionários nacionais das instituições de Bretton Woods.
• - As prioridades e a tomada de decisões a nível nacional são, na prática, da responsabilidade do poder executivo. Assim, o administrador do Banco Mundial e do FMI correspondente podem participar em diferentes graus na tomada de decisões.
• - O estabelecimento de prioridades e a tomada de decisões ao nível dos círculos eleitorais de vários países ocorrem de forma pontual e pouco transparente.
• - Os relatórios anuais sobre as actividades governamentais nas instituições de Bretton Woods não estão sujeitos a qualquer análise por parte dos legisladores.
• - A participação da sociedade civil nas actividades das IBW limita-se essencialmente a consultas especiais por ocasião das reuniões de Primavera ou Outono destas instituições.
• - Os governos não realizam auditorias independentes das suas obrigações financeiras para com as IBW.
• - Os parlamentares têm acesso limitado ao IBW, devido às suas políticas restritivas em relação ao acesso à informação.[42].
A transparência e a democracia também devem chegar aos órgãos reguladores como o Comité de Basileia, entre outros. Isto requer, segundo o IBase, um primeiro esforço da sociedade civil para se capacitar, disseminar informações e pressionar os governos nesse sentido para que assumam uma postura mais eficiente e responsável.[6].
Complexidade
Em vez de uma regulamentação centralizada e coerente resultante de uma acção coordenada entre instituições financeiras, existe uma multiplicidade de leis, normas, tratados, instituições e acordos que são muitas vezes mal coordenados entre elas. “A subdivisão do sistema em três sectores: banca, valores mobiliários e seguros, já não corresponde à realidade complexa dos mercados financeiros internacionais. O resultado deste acordo tripartido, combinado com a existência de organizações internacionais com responsabilidades sobrepostas, é uma rede enormemente complicada de instituições e comités sem lógica ou estrutura óbvia”[43].
Limitações institucionais
“Não existe um Banco Central nem uma entidade de supervisão financeira com poderes globais (...). O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem enfrentado a sua própria crise de identidade e legitimidade; e o Banco de Compensações Internacionais (BIS) é uma mera associação de Bancos Centrais nacionais com funções importantes mas muito limitadas. (...)[44].
Por outro lado, face à crise financeira de 2008, foi destacada a gravidade do facto da falta de capacidade de reacção das Nações Unidas.
Incumprimento do direito internacional
As Instituições Financeiras Internacionais (IFI) também foram criticadas pelo não cumprimento do direito internacional, durante o tempo em que apoiaram abertamente, entre outros, o regime criminoso racista do apartheid na África do Sul,[31] e as ditaduras argentina, chilena e indonésia... todas com um pesado fardo de crimes contra a humanidade: tortura em massa, violações, execuções, desaparecimentos...
Governança corporativa
“A governança corporativa é o conjunto de processos, hábitos, políticas, leis e instituições que determinam a forma como uma corporação ou empresa é dirigida, administrada ou controlada. A governança corporativa também inclui as relações entre os diversos atores envolvidos e os objetivos pelos quais a empresa é governada.
A governança corporativa é multifacetada. Alguns aspectos são: a responsabilização dos indivíduos relacionados com a empresa, a eficiência económica na perspectiva dos accionistas, bem como as diferentes culturas accionistas em todo o mundo.
Desde 2001, tem havido um interesse renovado nas práticas de governança corporativa das corporações modernas, especialmente devido ao colapso de uma série de grandes empresas dos EUA, como a Enron e a MCI Inc."[46]
• - Governança corporativa de entidades bancárias.
O processo de governação financeira das entidades bancárias conta com quatro atores fundamentais:
• - O conselho de administração.
• - O comitê de verificação.
• - O verificador externo.
• - A administração (incluindo gestores financeiros e não financeiros da empresa).
Estes intervenientes devem considerar os seus papéis e responsabilidades, bem como a sua interação e a forma como trabalham em conjunto. A qualidade da informação financeira e empresarial é determinada pela eficácia da colaboração entre estes intervenientes.[47].
Governança financeira alternativa e favorável
Algumas práticas de financiamento solidário foram desenvolvidas durante décadas como ferramentas para combater a pobreza, a exclusão e o desemprego. Embora nem todas as iniciativas definidas como financiamento solidário tenham estes objetivos sociais como prioridade na prática. "A missão do financiamento solidário é utilizar ferramentas financeiras para um desenvolvimento equitativo e sustentável. A sua visão de longo prazo é aumentar o capital social. Os seus actores são múltiplos e têm técnicas, comportamentos e modos de acção diferentes, mas juntos dão origem ao surgimento de uma identidade específica de financiamento solidário. As suas competências são a capacidade de pensar globalmente, de unir indivíduos e actores em torno de uma actividade financeira, de conhecer as necessidades dos actores económicos individuais e das comunidades, quaisquer que sejam as suas condições económicas e sociais. A função do financiador solidário consiste de financiar atividades e pessoas no âmbito de um interesse geral, garantindo o cumprimento do capital social. O financiamento solidário atua num ambiente de pobreza, exclusão ou dificuldade de acesso aos serviços financeiros."[48].
Como não existem práticas de financiamento solidário generalizadas à escala global, ainda não é possível falar sobre como seria a governação global do financiamento solidário. Se a nível local são os laços sociais e o capital social que garantem um financiamento social eficaz, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi lançada a ideia de criar um "Banco Mundial solidário": não era uma cópia alternativa do Banco Mundial, mas sim "ligar as experiências existentes, confrontá-las e fazer alianças entre elas para aumentar a escala. Mas para criar uma rede entre os actores de um financiamento solidário, é necessário um quadro que articule quatro componentes: a recolha de poupanças solidárias juntamente com a mobilização de fundos públicos e privados (especialmente no Norte). países), a transferência de crédito através de "ferramentas" financeiras (fundos de investimento, fundos de garantia), a intermediação bancária nos países em desenvolvimento e, finalmente, a implementação de poupanças locais e/ou experiências de crédito"[49].
Posições oficiais
Las posturas oficiales ante la crisis financiera de 2008 determinan en gran medida la visión de las instituciones internacionales, de los estados y de otros actores sobre el tipo de gobernanza financiera necesaria en el futuro. IBase[41] considera que según la visión oficial "el sistema es bueno y puede mejorarse con el ajuste de algunas tuercas y tornillos (...) Así el Foro de Estabilidad Financiera propone normas más estrictas para conducir a las agencias de calificación crediticia, pero no su inhabilitación. El Comité de Basilea considera elevar los coeficientes de capital además de perfeccionar las fórmulas usadas para calcular esos coeficientes de modo que se contemplen los problemas de liquidez, etc."[41].
"En círculos oficiales funcionarán dos procesos paralelos a lo largo de los próximos meses o años. Uno procurará medidas y programas para mitigar los efectos de la crisis financiera y de la recesión en la economía real. Esto tendrá lugar a nivel nacional y en algunos casos sobre una base regional. (...) El otro procurará diseñar una nueva arquitectura financiera. Este proceso multilateral se inició el 15 de noviembre en Washington y continuará durante meses, si no años."[41].
De instituições financeiras internacionais
Os participantes da Cúpula do G20 em Washington, em novembro de 2008, preveem os ajustes que estão incluídos nos seguintes temas: 1. Fortalecer a transparência e a responsabilidade nos mercados financeiros; 2. Melhorar a regulamentação; 3. Avaliar de forma transparente os sistemas regulatórios nacionais; 4. Promover a integridade nos mercados financeiros; 5. Intensificar a cooperação internacional; e 6. Reformar as instituições financeiras internacionais, aumentando o número de membros de países emergentes.
Segundo o IBase, com isto o G20 tenta perpetuar o processo de liberalização, demonstrando confiança nos instrumentos até então utilizados, como a gestão de risco privada ou as agências de notação de crédito. Assim, a mudança de rumo geopolítico que implica a abertura de algumas das instituições, como o Fórum de Estabilidade Financeira e o próprio G20, aos países emergentes, não foi acompanhada por uma mudança de rumo nas estratégias regulatórias ou na democratização da tomada de decisões, mas serviu antes para legitimar as instituições que produziram a crise, bem como para reafirmar o seu “compromisso com uma economia global aberta (...)”.
Segundo outra fonte, o melhor progresso a longo prazo nesta cimeira é “o acordo sobre a regulação coordenada do sector financeiro com base numa maior transparência”. Embora “o acontecimento histórico da cimeira seja o aumento dos créditos concedidos ao FMI. (...) Mas “ainda não é possível saber se isso terá impacto na economia real, e além disso a cimeira não fornece soluções sobre a solvabilidade das instituições financeiras, sobre o relançamento económico, a homogeneização das normas fiscais e contabilísticas, etc.”[50].
No que diz respeito à regulação das entidades bancárias, estão em estudo algumas propostas para evitar mais uma vez o desvio que levou à crise de 2008, entre elas:[51].
• - recomprar os activos tóxicos (embora o mecanismo seja difícil de aplicar).
• - proporcionar-lhes uma garantia que os proteja contra perdas geradas por esses activos, como foi feito com o Citi ou o Bank of America.
• - criar um banco público que recupere activos podres e liberte os balanços das entidades financeiras.
• - introduzir um modelo alternativo à intervenção pública massiva.
• - promover uma revisão da regulação financeira, com melhor protecção dos consumidores e investidores.
Dos estados e organizações continentais
A posição europeia consiste em expandir à escala global os princípios de regulação, coordenação e solidariedade que têm sido os pilares da construção europeia:
• - Regulamentação: "A atual regulação financeira internacional é uma espécie de colcha de retalhos, maluca e por vezes desgastada: a supervisão de certos atores importantes (agências de rating, fundos de investimento) é incompleta; a coerência entre as regras (contábeis, prudenciais) e as instituições que as definem é insuficiente, tão insuficiente quanto a luta contra os paraísos fiscais não cooperativos."
• - Coordenação: “O mesmo acontece em termos de análise de risco: as inúmeras sentinelas internacionais não se comunicam ou comunicam pouco entre si, dificultando a identificação dos riscos globais.
No domínio do fortalecimento institucional, o FMI tem de desempenhar um papel essencial. “Tal como a União Europeia foi dotada de um Ecofin e de um Eurogrupo, o Comité Monetário e Financeiro Internacional do FMI deveria tornar-se um verdadeiro conselho ministerial com poderes estatutários. Os países emergentes deveriam estar muito mais envolvidos” seguindo os primeiros passos dados no âmbito do próprio G20 (...) “O FMI, relegitimado, deve também ter instrumentos adaptados à sua nova missão, medidas de garantia, até um novo instrumento de liquidez.”
• - Solidariedade: “um dos perigos da crise actual é a sua ligação com as alterações climáticas e o subdesenvolvimento. A Europa é o primeiro contribuinte da ajuda ao desenvolvimento;
A União Europeia pode contribuir com a sua experiência em matéria de regulamentação financeira. Assim, o roteiro do Conselho para os Assuntos Económicos e Financeiros (Ecofin) articula-se em torno de quatro eixos de trabalho: melhorar a transparência, avaliar os produtos financeiros, reforçar os requisitos prudenciais e melhorar o funcionamento dos mercados graças a uma linha de conduta mais adequada em termos de notação de crédito.[53].
Em particular, Gordon Brown propôs converter o FMI num banco central global independente com os seus próprios meios financeiros,[54] enquanto Sarkozy propôs que o FMI coordenasse a regulação global com um plano de governação global e estratégia de recuperação, e que a OIT desempenhasse um papel mais importante na saída da crise financeira.[55].
A orientação americana, apoiada pela Grã-Bretanha e pelo Japão, consiste em reavivar o motor da economia mundial com maior estímulo económico para as instituições e actores financeiros. Isto contrasta com a visão europeia que dá mais importância à regulação. Na prática, o G20 concordou com um pacote de 1,1 biliões de dólares para o FMI que deve ser dedicado à emissão de Direitos de Saque Especiais (DSE), embora muitos comentários tenham realçado a natureza limitada da medida.[56].
Propostas
No sistema regulatório
A melhoria da governação financeira necessita geralmente de reforçar as normas internacionais que regulam a actividade do mercado financeiro.
• - Reintegração regulamentada dos mercados.
Uma ideia central é o desenvolvimento de uma reintegração das economias financeira e produtiva, regulada por regulamentações específicas que coloquem as primeiras ao serviço das segundas. Trata-se de romper com as taxas de câmbio determinadas pelos movimentos de capitais e regressar às taxas determinadas pelas trocas comerciais reais. Assim, "os bancos centrais [devem] ter mais controlo sobre os canais de transmissão da política monetária para que as tarefas regulatórias sejam eficazes. Só dispensando a exuberância irracional no sistema financeiro do futuro será possível livrar-se dos comportamentos de bolha que forçaram a reedição do sistema de Bretton Woods." Além de reintroduzir medidas de separação estrutural entre atividades financeiras incompatíveis entre si, cuja mistura é um dos fatores causadores da crise de 2008[58].
Por outro lado, deve ser estabelecido um papel regulador específico e forte, que atravesse e integre os vários sectores altamente interdependentes, mas com regulação separada (mercado bolsista, banca, seguros). Esta função deveria corresponder ao FMI ou ao Fundo de Estabilidade Financeira[59].
Finalmente, as normas de Basileia II, bem como as Normas Internacionais de Relato Financeiro, devem ser revistas para evitar o risco sistémico colocado pela sua natureza pró-cíclica de acentuar choques económicos.[60].
• - Transparência.
Maior transparência dos bancos, estabelecimentos financeiros, instituições internacionais, organizações estatais (contas dos bancos centrais, orçamentos nacionais, contas externas, contratos de empréstimo, modalidades de títulos, indicadores de desempenho) é necessária e deve ser uma diretriz básica dos sistemas financeiros e monetários internacionais [29] e nacionais. Especificamente, o sigilo bancário deve ser eliminado.[61] Segundo o Ibase, é necessário “remover o véu que cobre o funcionamento dos mercados e instituições financeiras para torná-lo acessível aos cidadãos comuns e aos activistas da sociedade civil. Não há absolutamente nada de importante nos sistemas financeiros que não possa ser compreendido e avaliado por cidadãos comuns adequadamente informados.”
Especificamente, “deve ser estabelecida uma verdadeira auditoria pública às regras internas de funcionamento das IFI, (...) redefinir as relações entre as instituições e entre estas instituições e as suas “autoridades de fiscalização”, estabelecer um sistema de controlo por parte dos parlamentos e da população (...) [e] estabelecer um sistema de análise comparativa de longo prazo baseado na capitalização permanente da experiência.[23].
• - Modelos financeiros.
Em primeiro lugar, é necessário introduzir limites à capacidade de endividamento para que os bancos não dependam excessivamente da dívida, colocando em risco toda a economia.[62].
Por outro lado, também é necessário:
• - Estabelecer um modelo de finanças éticas que proíba investimentos financeiros distorcidos em matérias-primas, para evitar bolhas nos preços dos alimentos ou do petróleo, que tiveram tantos custos sociais para os cidadãos. Além disso, devem ser introduzidos novos critérios e classificações de investimento socialmente responsáveis que dêem prioridade aos investimentos e às empresas que realizam atividades benéficas para a sociedade.
• - Eliminar os paraísos fiscais e redireccionar os seus fundos para cumprir os objectivos do milénio. Para conseguir isso, é necessário lançar uma bateria de iniciativas nacionais e internacionais que exigem um forte impulso político, mas cujos retornos globais seriam muito positivos. Neste sentido, deve ser considerada a introdução de um processo progressivo e coordenado de regularização fiscal até 2015."[62].
Segundo o Ibase, existem três modelos alternativos básicos que poderiam substituir os formatos atuais e atenderiam aos requisitos expressos.
"1. Um sistema financeiro drasticamente reduzido, no qual os serviços de crédito e transacções seriam fornecidos por bancos públicos e os mercados de riqueza privados seriam fechados. A especulação no sistema bancário seria evitada através de uma especificação estrita das suas funções.
Um sistema financeiro misto, em que o sector bancário foi absorvido pelo Estado, mas os mercados de valores mobiliários e de intermediação financeira não bancária permaneceram em mãos privadas, embora estreitamente regulados e supervisionados.
O terceiro modelo preservaria a propriedade privada dos bancos e das instituições financeiras não bancárias, bem como dos mercados de valores mobiliários, mas renovaria drasticamente o sistema de regulação e supervisão. Em particular, a actual estratégia de Basileia de levar a cabo uma regulamentação prudencial baseada em padrões microeconómicos seria abandonada em favor de um critério sistémico e macroeconómico de estabilidade.
Todas estas propostas, no entanto, partilham uma característica fundamental que é restaurar o papel proeminente das entidades públicas no controlo do sistema financeiro que garante que este desempenha um papel construtivo no financiamento das actividades produtivas e do consumo, preservando ao mesmo tempo um grau aceitável de estabilidade do sistema."[41].
Outra possibilidade é a recuperação de tradições económicas não-ocidentais para a sua generalização a nível internacional. Por exemplo, a proibição da riba (juros usurários) no Alcorão e outros documentos religiosos islâmicos e a sua aplicação no contexto moderno em que o crescimento do comércio internacional, especialmente nos países do sul, implica também o crescimento das trocas entre os países islâmicos, levaram Greco[63] a pensar na possibilidade de criar uma organização internacional capaz de gerir essas trocas. A generalização do comércio inter-islâmico e, porque não, entre países não-islâmicos, seguindo estes princípios, ajudaria, entre outros, a reduzir grandemente o peso da dívida dos países subdesenvolvidos.[64].
• - Atores, agentes e produtos financeiros.
Seguem outras propostas de revisão do sistema económico e financeiro:
• - beneficiar os mercados financeiros centralizados e mais transparentes em detrimento dos mercados de transações individualizadas, como os mercados de opções ou de futuros.
• - normalizar e regular os diferentes tipos de securitização[65].
• - eliminar esquemas de remuneração dos agentes intermediários, com base no número total de transações, que incentivem a sua maximização em benefício exclusivo dos mesmos.
• - avaliação regular da acção dos intermediários.
• - proibição de opções financeiras (opções de ações) que perturbem os sistemas de solidariedade para com os trabalhadores.
• - reduzir os direitos de voto dos acionistas àqueles que são acionistas permanentes após alguns anos.
• - Novas regras sobre capital próprio entre acionistas bancários.
• - Limites legais à fragmentação dos riscos financeiros.
• - Limites de conflitos de interesse.
• - Reorientar as poupanças para investimentos sustentáveis a longo prazo[66].
• - Governança corporativa.
• - Em primeiro lugar, os sistemas de avaliação de empresas devem ser melhorados através de mudanças contabilísticas e de novas agências de rating: a avaliação de mercado dos activos deve ser complementada para evitar o desaparecimento de empresas solventes em tempos de pânico financeiro.[62].
• - É também necessário corrigir “as deficiências de governo societário que deram origem a esquemas de remuneração que beneficiam os gestores das empresas em detrimento de outras partes interessadas, incluindo os acionistas”.
• - A responsabilidade criminal dos executivos das empresas também deve ser aumentada[66] e por outro lado, como medida anti-especulativa e para limitar a irresponsabilidade entre os acionistas, os direitos de voto desses acionistas devem ser reduzidos para aqueles que são acionistas permanentes após alguns anos.[66] bem como respostas à falta de independência dos analistas financeiros.[23].
• - Uma proposta que diz respeito à estrutura de governança corporativa é desenvolver uma obrigação de transparência da empresa para com as partes interessadas além do pequeno círculo de acionistas, e de sua participação. No caso de bancos em risco de falência, isso pode envolver não apenas o seu resgate público, mas também o exercício de controlo através da inspeção das responsabilidades privadas e da forma como o dinheiro privado é investido.[68].
No sistema monetário internacional
O aumento da coordenação global entre os bancos centrais é necessário, segundo alguns, “para controlar a liquidez, expandir a sua vigilância da inflação dos activos e promover a estabilidade financeira”.
• - Liquidez.
Gonçalves propõe a criação de uma instituição monetária mundial com poder de emitir dinheiro e crédito e assim controlar o nível de liquidez internacional. Para evitar a dominação do mercado financeiro pelos Estados Unidos, seria necessário pelo menos, segundo o mesmo autor, que o Tesouro americano contribuísse para um fundo de compensação global, destinado ao desenvolvimento dos países do Sul.[29].
Outra medida é a criação pelo FMI de uma linha de liquidez de curto prazo para economias emergentes que sofrem crises de liquidez causadas por crises financeiras sistêmicas externas à política econômica desses países.[69] Por outro lado, o surgimento de fundos monetários regionais tornaria possível ter maior liquidez para facilitar o desenvolvimento sustentável em escala regional.[34].
• - Estabilização.
Existem diversas propostas para estabilizar o excesso de aleatoriedade na evolução do valor das moedas, bem como ataques especulativos a algumas moedas:
Em primeiro lugar, pode ser criado um sistema de câmbio fixo (acordo a priori sobre o valor das moedas)[70] ou um sistema de câmbio flexível (acordo a posteriori) de paridade exata ou com um limite de flutuação entre as principais moedas (euro, iene, dólar, yuan). Outra possibilidade é iniciar a estabilização à escala regional através da criação de moedas regionais com um valor estável entre elas, através da criação de uma unidade de conta comum para substituir a actual dominância do dólar. Em seguida, o resto das moedas do mundo deveriam ser alinhadas com uma das moedas fortes.[23][71] Outra possibilidade é multiplicar a emissão dos Direitos Especiais de Saque (SDR) já existentes e dar-lhes um papel maior no sistema monetário mundial, embora de acordo com Taddei isso por si só não garantiria a estabilização[71].
Por outro lado, poderia ser introduzida uma cláusula monetária que permitiria estabelecer impostos compensatórios para países que praticam desvalorização excessiva das suas moedas.[72].
A estabilização das principais moedas deverá implicar também a estabilização do custo da energia. O que implica a participação, juntamente com os países com moedas mais fortes, da Rússia e dos países do Médio Oriente. Seguindo esta mesma linha, quotas individuais negociáveis em energia fóssil poderiam ser criadas como uma moeda de pleno direito[66].
• - Ajuste do balanço de pagamentos.
Uma instituição ad hoc, financiada pelo sector público e por um sector privado capaz de assumir um maior compromisso com a responsabilidade social, poderia apoiar países com dificuldades no seu equilíbrio de capital. Isto também implicaria uma modificação do sistema cambial e um reajuste da dívida.[73].
No financiamento do desenvolvimento
O principal objetivo da regulação financeira deve ser promover o pleno emprego e o desenvolvimento, de acordo com o IBase:[41] "Os mercados e instituições financeiras devem ser funcionais às necessidades de desenvolvimento e produção, promovendo a inclusão e o acesso aberto a produtos de serviços e poupanças da população em geral. Mas isto não é suficiente. É também crucial que estas funções sejam desempenhadas sem colocar a sociedade em risco de graves turbulências e crises. Isto significa que a regulação e a supervisão devem ser reconhecidas pelo que são: o trabalho da polícia para controlar tendências destrutivas incubadas no normal funcionamento dos mercados financeiros. regulação macroprudencial."[41]
Numa perspectiva reformista, o sistema financeiro deve servir a evolução do desenvolvimento sem questionar o mecanismo de condicionalidade. Algumas medidas são:
• - Garantir o acesso ao financiamento comercial, especialmente aos países mais pobres, para sectores e actividades interrompidas pela crise de crédito.
• - Resolver problemas de liquidez através de sistemas de pagamento que incluam diferentes moedas (ver liquidez).
• - Estabelecer um mecanismo financeiro anti-crise para fornecer fundos de desembolso rápido em grande escala, sob condicionalidade, para reduzir o impacto do declínio nas exportações de países menos desenvolvidos[78].
A dívida externa tornou-se uma limitação importante para o desenvolvimento dos países do Sul. A dívida aumenta a vulnerabilidade externa destes países, que muitas vezes orientam as suas políticas económicas para a estabilização da sua balança de pagamentos, devido à dívida. É necessário criar mecanismos de alívio da dívida, ou aprofundar os que já existem.[29] Para combater a exclusão, existem, segundo Dembinski, diferentes propostas que vão desde a retirada periódica de dívidas não pagas até procedimentos de arbitragem para alívio da dívida mais insuportável. O mesmo autor afirma a necessidade de estabelecer uma relação entre a dívida externa dos países pobres e a corrupção dos seus líderes, de forma a incluir o direito de perseguição como uma das condições para a renegociação da dívida.[73] Outro tipo de condições para a negociação da dívida pode ser o respeito pelos direitos económicos, sociais e culturais (DESC), o valor acrescentado das exportações e o reforço do mercado interno para evitar novos sobre-endividamentos.[79].
Deve-se também prestar atenção ao que Ugarteche[80] chama de Países Ricos Altamente Endividados (PRAE). Os empréstimos destinados a estes países, que geram volumes significativos de dívida, também deveriam estar condicionados à reorganização das suas economias e à concretização da ordem financeira.
O financiamento do desenvolvimento não deverá implicar quaisquer condicionalidades, com exceção das relacionadas com a viabilidade económica e financeira dos projetos, bem como com o seu impacto ambiental. O ajuste estrutural dos empréstimos, relacionado às reformas liberais, deveria ser abolido dos projetos de trabalho das instituições[81][82].
A nível local
“Existem várias experiências e inovações à escala microeconómica ou local que tentam aumentar a autonomia dos vários atores, especialmente em relação ao sistema financeiro, que dificilmente conseguem influenciar: moedas complementares e microfinanças, o princípio da partilha de lucros e perdas entre empresas e financiadores”[101].
A participação de todos os actores envolvidos nos processos de inclusão económica que resultam do desenvolvimento de alguns projectos de fundos financeiros provoca efeitos benéficos individuais e colectivos na comunidade em causa. Um exemplo é o Fundo Regional para a Inovação Social (Fonds régional pour l'innovation sociale) de Nord Pas-de-Calais, em França[103].
A estruturação em rede de instituições financeiras a nível local pode constituir mais uma porta de entrada para a generalização de modelos financeiros alternativos a toda a sociedade. Assim, no caso específico do Brasil, segundo Grosso[104] seria possível estruturar instituições pequenas e financeiramente sustentáveis, contando com os escassos recursos da comunidade, desde que essas entidades não atuassem isoladamente, mas sim em consórcios de entidades de microfinanças. Outro autor[105] afirma que é necessário desenvolver e compartilhar experiências financeiras descentralizadas existentes, como cooperativas ou sociedades mútuas, cooperativas de crédito, caixas econômicas rurais e sistemas de crédito autogeridos e solidários, para extrair lições comuns e facilitar a estruturação de modelos financeiros alternativos ao modelo liberal. Este tipo de ações poderia ser complementado do ponto de vista político com a implementação de mecanismos regulatórios democráticos e solidários que estabeleçam vigilância contra os riscos de instrumentalização de iniciativas de economia solidária por governos locais e estaduais, e instituições internacionais.[106].
Outra iniciativa no domínio das finanças descentralizadas é a criação de “clubes nativos” entre os migrantes mexicanos que emigram para os Estados Unidos. Trata-se de “canalizar a utilização das remessas para projectos de bem-estar comum que melhorem as condições de vida da comunidade. No curto e médio prazo os objectivos são satisfazer as necessidades básicas de infra-estruturas, serviços de saúde e educação; e no longo prazo, lançar projectos produtivos que gerem emprego e capitalizem as comunidades”. Estes clubes são ao mesmo tempo geradores de redes sociais de cooperação e trabalho comunitário, tanto nas comunidades de origem como entre as comunidades migrantes no país de destino.[107].
Finalmente, é também necessário pressionar as instituições internacionais e continentais (Nações Unidas, OMC, FMI, Banco Mundial, OIT) para que revejam as suas políticas e integrem a economia solidária como uma componente essencial do desenvolvimento sustentável, bem como estabeleçam um lobby internacional junto do PNUD para que a metodologia e os indicadores de desenvolvimento humano incorporem as questões da economia solidária.[108].
• - Repensando as Finanças. Vozes alternativas para uma nova arquitetura financeira.
• - Projeto Bretton Woods.
• - Fórum para uma Nova Governança Mundial.
• - Rumo a finanças sustentáveis. Uma oficina do Pólo de Economia Sócio-Solidária (PSES - ALOE).
• - Instituto de pesquisa e debate sobre o governo Arquivado em 25 de dezembro de 2009 na Wayback Machine.
[16] ↑ Rozo, Carlos A.; La globalización financiera; en 'El Universal'; 26.12.2008 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.mexiconews.com.mx/editoriales/42477.html
[30] ↑ Groupe ONU d'ATTAC; Ruiz Díaz Balbuena, Hugo; Fanon-Mendes France, Mireille; Les Institutions financières internationales : réforme ou restructuration ?; Documento de trabajo, 2005 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article1752
[31] ↑ a b c Groupe ONU d'ATTAC; Ruiz Díaz Balbuena, Hugo; Fanon-Mendes France, Mireille; Íd.; 2005 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article1752
[32] ↑ Wikipedia - Organización Mundial del Comercio.
[43] ↑ Davies, Howard; Comment peut-on réguler le capitalisme; en 'Ideas. Diplomacy and Strategy at LSE'; marzo 2009; pp. 6-12.
[44] ↑ Schiappa-Pietra, Oscar; Reflexiones al pie de la crisis; 2004 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://palestra.pucp.edu.pe/index.php?id=404
[45] ↑ Schiappa-Pietra, Oscar; Íd.; 2004 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://palestra.pucp.edu.pe/index.php?id=404
[46] ↑ Wikipedia en inglés - Corporate Governance.
[48] ↑ Beroff, Réné Chao; Prébois, Antonin; Une finance solidaire pour retisser les liens sociaux; Cahiers de Propositions pour le XXIe siècle; 2001 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.eclm.fr/fileadmin/administration/pdf_livre/297.pdf
[52] ↑ Deleye, Bruno; Crisis internacional y la necesidad de Europa; en 'La Vanguardia'; 1.11.2008.
[53] ↑ Unión Europea; Informe general sobre la actividad de la Unión Europea 2008: Sección 4. Crisis financiera internacional; 2008 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://europa.eu/generalreport/es/208/rg15.htm
[63] ↑ Greco, Thomas H. Jr.; The Development of Islamic Banking; documento de trabajo; 2002 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://infotek.fph.ch/d/f/577/577_ENG.rtf?public=ENG&t=.rtf
[64] ↑ Wikipedia en inglés - riba - finanza internacional.
[71] ↑ a b c Taddei; Après le G20 de Londres une sortie de crise par le haut nécessite des nouvelles règles dans bien d'autres domaines; 2009 Archivado el 6 de abril de 2012 en Wayback Machine.: http://www.reseau-ipam.org/spip.php?article1662
[74] ↑ [Landerretche, Oscar; "Three Progressive Ideas for the Recession"; en Policy Network; Responses to the Global Crisis: Charting a Progressive Path. Handbook of Ideas; Chile, 2009].
[75] ↑ [Internacional Socialista; Declaración de la Comisión de la Internacional Socialista sobre Cuestiones Financieras Globales, reunión en Viena, Austria; 2008].
[76] ↑ Eloy, David; Quelles responsabilités de l'Union européenne dans le financement du développement ?'; síntesis de los debates del seminario del mismo título; Foro Social Europeo; 2003 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article548
[77] ↑ Taddei, Dominique; Après le G20 de Londres une sortie de crise par le haut nécessite des nouvelles règles dans bien d'autres domaines; 2009 Archivado el 6 de abril de 2012 en Wayback Machine.: http://www.reseau-ipam.org/spip.php?article1662
[78] ↑ «Deere Birkbeck, Carolyn; Meléndez-Ortiz, Ricardo; Rebuilding Global Trade: Proposals for a Fairer, More Sustainable Future; International Center for Trade and Sustainable Development; The Global Economic Governance Program; 2009». Archivado desde el original el 14 de noviembre de 2009. Consultado el 28 de marzo de 2010.: https://web.archive.org/web/20091114031800/http://ictsd.net/downloads/2009/03/g20-web.pdf
[79] ↑ Eloy, David; Quelles responsabilités de l'Union européenne dans le financement du développement ?; síntesis de los debates del seminario del mismo título; Foro Social Europeo; 2003 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.rinoceros.org/spip.php?article548
[83] ↑ Atkinson, A.B. 2004 (Ed); New Sources of Development Finance; UNU-WIDER Studies in Development Economics, Oxford University Press, Oxford; p. 27.
[89] ↑ «Calame, Pierre; Oeconomie et gouvernance mondiale : qelles sont les idées majeures qui peuvent fonder les nouvelles régulations et sur quels acters internationaux s'appuyer pour les promouvoir ?; 2009». Archivado desde el original el 23 de marzo de 2016. Consultado el 28 de marzo de 2010.: https://web.archive.org/web/20160323033422/http://www.world-governance.org//spip.php?article550
[106] ↑ Boulianne et al.; Économie solidaire. Propositions pour un autre modèle de développement; 2001 (enlace roto disponible en Internet Archive; véase el historial, la primera versión y la última).: http://www.eclm.fr/fileadmin/administration/pdf_livre/296.pdf
Espera-se que o CEF cumpra, em cooperação com o Banco de Compensações Internacionais e o Fundo Monetário Internacional, as seguintes tarefas:
• - Vigilância de riscos macroeconómicos e financeiros, remodelação de sistemas regulatórios.
• - Garantir que as instituições, ferramentas e mercados financeiros sejam sistematicamente supervisionados. Isto inclui, entre outros, fundos de retorno absoluto, mercados de derivados e paraísos fiscais[37].
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) é uma organização que promove a cooperação financeira e monetária internacional e atua como um banco para os bancos centrais. Não é responsável perante nenhum governo. O BIS cumpre o seu mandato funcionando como:
• - fórum de discussão e análise de políticas entre bancos centrais e dentro da comunidade financeira internacional;.
• - centro de investigação económica e monetária;.
• - importante garantia dos bancos centrais nas suas transações financeiras;
• - agente ou gestor de operações financeiras internacionais.
“O BIS foi criado em 1930 para tratar do pagamento que a Alemanha deveria fazer aos aliados, relativo às reparações de guerra. Estas reparações nunca foram realmente pagas, e o BIS tornou-se o ponto de encontro das autoridades monetárias dos países desenvolvidos, onde problemas e estratégias comuns poderiam ser discutidos”[6].
O BIS acolhe alguns comités, como o Comité de Basileia.
Comitê de Basileia, nome usual do Comitê de Basileia de Supervisão Bancária (BCBS). É a organização global que reúne as autoridades de supervisão bancária, cujo papel é fortalecer a solidez dos sistemas financeiros. "O Comité de Basileia mantém contactos com supervisores não membros do Comité através de consultas, formação técnica e cooperação implementada através de comités regionais. Por exemplo, o seu trabalho é realizado em estreita colaboração com o Grupo de Contacto das Autoridades de Supervisão Bancária da União Europeia, e inspira muitas das reformas da legislação bancária comunitária."[38].
Juntamente com o BIS, o CBSB tem formulado, desde a década de 1980, as estratégias fundamentais que têm sido utilizadas na regulação de bancos e conglomerados financeiros que incluem bancos. Apesar de existir desde a década de 1970, foi apenas no final da década de 1980 que o CBSB se tornou o principal regulador bancário do mundo.
O Comité de Basileia é composto por representantes das autoridades de supervisão bancária dos bancos centrais dos países do G7 e de 6 outros países da Europa Ocidental. Este carácter restrito e não representativo deve-se ao facto de ser um grupo de consulta informal sem poder real de decisão ou aplicação embora, segundo os seus críticos, sirva para permitir que alguns países poderosos mantenham a participação em importantes fóruns exclusivos.[6] A sua influência fundamental nas finanças foi revelada com a publicação de dois acordos que serviram de guia internacional para a regulação financeira internacional dos 2 últimos, os chamados Basileia I e Basileia II.
• - A Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO-IOSCO).
• - A Associação Internacional de Supervisores de Seguros (AISS-IAIS).
• - A Associação Internacional de Swaps e Derivativos.
• - A Associação Internacional do Mercado de Capitais, (ICMA)".
• - A Associação da Indústria de Valores Mobiliários e dos Mercados Financeiros (SIFMA).
O surgimento de conglomerados financeiros, ou seja, empresas financeiras transnacionais complexas que operam em vários subsetores do mercado, juntamente com o crescente desaparecimento das barreiras que separavam o exercício das diferentes atividades financeiras, reforça a necessidade de coordenação das ações dos órgãos de supervisão setoriais. Por esta razão, o Fórum Conjunto de Conglomerados Financeiros, criado em 1996, reúne o CBSB, a IOSCO e a IAIS. Este fórum conjunto recebeu o mandato específico de identificar os princípios básicos comuns à supervisão dos três setores financeiros mais importantes (banca, seguros e investimento), com base na comparação de princípios setoriais recentemente publicados. Tem também a missão de analisar questões de interesse comum aos três setores, como as relacionadas à gestão de riscos, aos controles internos, à governança corporativa, à terceirização de atividades e à noção de atividades financeiras diferenciadas.
A crise do subprime pôs em evidência as insuficiências do sistema estabelecido por estes comités para proteger a estabilidade financeira internacional. Estas insuficiências foram analisadas a fim de propor um novo quadro de proteção para a estabilidade financeira.[39].
• - A aplicação pode levar a uma maior instabilidade financeira, uma vez que os requisitos de capital regulamentar estão expostos a maiores riscos.
• - Tributação.
Existem diversas propostas fiscais que visam impedir a multiplicidade e o encadeamento de produtos financeiros. Por exemplo, um autor propõe um Imposto sobre a Frugalidade Financeira, que pode beneficiar empresas e indivíduos.[74] Uma proposta na mesma linha é a criação de um imposto sobre transações de curto prazo[75], bem como o conhecido Imposto sobre transações financeiras (Imposto Tobin) e outras medidas semelhantes.
Outras propostas mantêm o duplo objectivo de tentar limitar os mercados desenfreados e, ao mesmo tempo, ajudar a construir uma economia ecológica à escala global. Assim, o estabelecimento de ecotaxas internacionais, por exemplo, um imposto sobre o consumo de recursos naturais limitados e lentamente renováveis,[23] ou impostos sobre carbono e emissões poluentes[76].
Por outro lado, conforme observado acima, o tratamento da evasão fiscal envolve a eliminação do estatuto de paraíso fiscal de alguns microestados e territórios ao redor do planeta. Existe uma diretriz desde 2005 para acabar com os paraísos fiscais, então tudo depende da "vontade real de implementar os acordos", segundo De La Rocha.[27] Por outro lado, o comércio com os evasores fiscais deve ser proibido e sanções criminais estabelecidas contra aqueles que tomam decisões, bem como contra os subtraficantes.[77] Um tratamento coordenado que fosse além de penalizar os piores alunos sem eliminar a raiz do problema, consistiria em um esforço de coordenação fiscal em escala global. que consiste no estabelecimento de “pisos fiscais” sobre o capital.[62].
Dentre as propostas, destaca-se a criação de fundos:
• - Um Fundo de Protecção Social que ajuda os países em desenvolvimento a criar sistemas de segurança que proporcionem um mínimo de protecção, incluindo provisões para os desempregados, saúde e reformados.
• - Um Fundo de Desenvolvimento de Pequenas Empresas que facilita fluxos e capital para estas pequenas empresas[69].
• - Um Fundo de Infraestruturas Financeiras para estimular a economia: ajudar a superar os desafios do aquecimento global, apoiar a economia informal, etc.[69].
No caso de África, o continente mais marginalizado pela globalização económica, Atkinson[83] propõe os seguintes impostos e mecanismos para financiar o desenvolvimento a nível continental: Imposto sobre transacções financeiras (Imposto Tobin); impostos ambientais globais; criação de novas modalidades de Direitos Especiais de Saque (DSE); facilitar o aumento das doações para o desenvolvimento através das agências das Nações Unidas, bem como um fundo garantido para os países mais pobres dos países doadores e as remessas dos emigrantes. Outro autor propõe o estabelecimento de novos SDRs em escala global[84].
Existem diferentes propostas para alterar a arquitetura institucional da governação financeira, a maioria das quais orientadas para o fortalecimento, transformação ou refundação das instituições financeiras:
• - Eliminar a função reguladora das instituições de Bretton Woods e submetê-las ao escrutínio da ONU.[85][86] No caso do FMI, a sua missão inicial de ajuda aos países em desenvolvimento deve ser substituída por uma de coordenação de políticas monetárias e fiscais.[65] O Banco Mundial pode tornar-se, em vez disso, uma organização que promove o desenvolvimento responsável, plural e solidário[23].
• - Uma proposta mais avançada consiste na transformação do FMI num Fundo Monetário Global (FGM), com capacidade financeira, segundo alguns,[62] multiplicada por quatro. Embora, de acordo com outros, o FMI deva reforçar a sua capacidade para um bilião de dólares.[87] A nova instituição precisaria de um sistema de votação reformado e de um mandato reforçado para supervisão e vigilância das finanças globais.[62].
• - Na mesma linha, outro autor propõe uma Organização Financeira Mundial, construída através de tentativas progressivas e através da acumulação de regras e acordos bilaterais sobre fluxos financeiros que permitem estabelecer padrões regulatórios e compartilhar informações.[88].
• - Uma proposta ainda mais radical é a abolição do FMI e do Banco Mundial e a utilização do seu capital para a criação de um Fundo de Desenvolvimento Internacional para financiar projectos sociais, económicos e ambientais nos países em desenvolvimento. Este fundo seria composto por representantes da sociedade civil sem representação dos governos.[29] Outra possibilidade semelhante é a implementação de um Conselho Económico Mundial (GEC) encarregado de forjar um novo consenso global em torno de uma bateria de políticas de desenvolvimento sustentável.[82].
• - Na mesma linha de transformações estruturais, poderá ser criado um novo modelo de Bretton Woods, diferente do anterior pela abrangência das suas competências bem como dos atores envolvidos. A sua missão seria a regulação dos sistemas monetário, financeiro e energético, e deveria envolver as diferentes regiões do mundo, ao mesmo tempo detentoras de moedas regionais fortes relacionadas entre si por valores de câmbio estáveis que são revistos periodicamente.[66].
• - A Organização Mundial do Comércio deve ser capaz de criar periodicamente balanços ambientais e sociais comuns que abram caminho à consolidação e internacionalização do direito económico. Para tal, a OMC deve evoluir de um espaço de resolução de litígios entre Estados para um espaço de resolução entre diferentes partes (empresas, estados, consumidores)[89].
• - Assim, a alternativa não passa necessariamente pela criação de novas instituições mas sobretudo pelo fortalecimento e precisão das regras do jogo. Segundo Bello,[90] os países do Sul e a sociedade civil internacional devem defender um novo sistema de governação económica "mais fluido, menos estruturado, mais plural, com maior equilíbrio de poderes (...)". Este autor defende também uma redução do poder do FMI, convertendo-o num centro de investigação, integrando uma rede mais descentralizada de instituições e organizações que interagem entre si segundo uma série de acordos e negociações amplas e flexíveis. Neste quadro, o FMI seria outro actor, avaliado por outras organizações e acordos. Tendo em conta a natureza regional de grande parte das crises financeiras. Bello também apoia o surgimento de fundos monetários regionais que participem na regulação da governança financeira global. Segundo o autor, estes fundos teriam maior liquidez para apoiar países em crise do que o FMI tem atualmente, e a sua alocação não seria condicionada pelo próprio FMI ou pelo próprio Banco Mundial. Sua função seria facilitar as condições para o desenvolvimento sustentável na região, distanciando-a da desestabilização dos fluxos de capitais.[91].
• - É necessário estabelecer uma divisão de trabalho entre as instituições existentes que seja precisa e evite a sobreposição e a fusão de funções, mandatos e objetivos.[92].
• - Por outro lado, o papel das agências de desenvolvimento económico e social da ONU pode ser revitalizado.[85] Estas instituições, especialmente o PNUD ou a OIT, deveriam estar mais activamente envolvidas na governação económica e financeira global.[69].
• - O desenvolvimento de organizações regionais também pode ser enfatizado, especialmente nas regiões do Sul, para aliviar a dependência de organizações mundiais em que "apenas alguns decidem e todos pagam as consequências."[93].
• - A cooperação inter-regional também é um aspecto a ter em conta.[94] Também é necessário recuperar o chamado "princípio de equivalência" segundo o qual o âmbito dos custos e benefícios relacionados com a produção de um bem deve estar de acordo com o âmbito da jurisdição em que são tomadas as principais decisões relacionadas com este bem.[95] Finalmente, é necessário estabelecer um novo diretório, semelhante ao G7 e ao G20, que seja representativo das regiões mais importantes do mundo. planeta.[96].
• - Outro autor propõe a criação de Redes de Governança Financeira (FGNs) compostas por países sem a continuidade geográfica necessária, mas que desejam estabelecer critérios semelhantes em termos de risco financeiro, como controle de capitais, serviços e ferramentas financeiras. Estas redes deveriam ter tribunais de arbitragem.[97].
A resposta à crise do sistema financeiro deve fazer parte de uma mudança de paradigma face a uma crise sistémica, segundo alguns analistas[62] que afecta todo o modelo de desenvolvimento económico. O que é necessário é “uma globalização diferente que não seja apenas guiada por princípios de rentabilidade, mas também por justiça, solidariedade e responsabilidade para com os cidadãos”.
Assim, segundo esta mesma fonte, as soluções para a crise financeira devem fazer parte de uma agenda mais ampla que englobe mudanças face a deficiências insustentáveis como a pobreza, a crise energética ou as alterações climáticas. Por exemplo, a curto prazo, é necessário o apoio dos Estados para completar o ambicioso acordo que pode surgir no âmbito da Convenção sobre Alterações Climáticas em Copenhaga, em Dezembro de 2009.[82] Embora o dumping social possa ser enfrentado com a regra clássica segundo a qual os salários devem aumentar à mesma taxa que o aumento dos lucros.[71].
O novo quadro financeiro deve garantir a estabilidade macroeconómica que permita um comércio internacional justo, a sustentabilidade ambiental e uma governação eficaz da migração, por exemplo através de uma Organização Mundial das Migrações.[62].
No que diz respeito à arquitectura de governação, Dembinski salienta que é necessário transformar as “anárquicas” relações monetárias e financeiras internacionais num sistema. Para isso, é necessário «emergir uma finalidade que os ultrapasse e os envolva», que permita às instituições em causa «assumir a sua responsabilidade» e estabelecer-se ou restabelecer-se em conformidade[73].
Na mesma linha do autor anterior, Landerretche propõe a implementação de uma iniciativa que chama de Era da Riqueza Humana (HWE), semelhante em estilo ao Consenso de Washington. Trata-se de estabelecer uma série de recomendações políticas, adaptáveis a diferentes contextos económicos, culturais e políticos, que incluem pactos para políticas de desenvolvimento, promoção do trabalho, educação (especialmente formação profissional) para que os subsídios governamentais e as regras laborais sejam utilizadas para encorajar acordos comerciais de acordo com os princípios da HWE.[88].
O direito internacional deve basear-se em certas regras fundamentais, bem como no desenvolvimento de uma matriz de valores comuns, todos subjacentes à governação financeira global. Por exemplo:.
Deve-se introduzir a regra segundo a qual "um ator internacional, a legislação internacional": "para garantir a legitimidade dos líderes econômicos, eles devem responder perante órgãos situados na mesma escala do seu âmbito de atuação, o que não é o caso atualmente: as empresas, mesmo as maiores, estão sujeitas a direitos estatais ou mesmo infra-estatais." lei."[98].
Os valores económicos que fundamentam o sistema de representatividade de uma parte fundamental das instituições financeiras até à data, devem ser substituídos pelo princípio de uma "comunidade de destino partilhado" que gere os bens comuns globais)[99] Um princípio organizador desta comunidade, que deve ser introduzido como uma norma peremptória do direito internacional, é o equilíbrio entre a humanidade e a biosfera.[98].
Segundo Lamy, o reconhecimento deste bem comum e a aspiração a uma comunidade à escala global conduzem ao compromisso com uma definição mínima de democracia que pode basear-se na eficácia, na legitimidade e no espaço público. Esta democracia à escala global não implica a constituição de um estado ou governo planetário, mas sim a comunidade mundial deve manter a estrutura política actual, fazendo das Nações Unidas o seu elemento central[100].
Segundo Dembinski, o sistema monetário e financeiro deve ser reconhecido como de utilidade pública universal com finalidade de bem-estar geral, superior àquele resultante dos interesses individuais de países ou empresas, ampliado à regulação, vigilância e sanção dos sistemas monetário e financeiro. Este propósito deve ser reconhecido como global e não intergovernamental, e fruto da colaboração entre os setores público e privado, devendo este último adquirir a responsabilidade fundamental pelo funcionamento desta arquitetura.
Este propósito deve ir além do meramente jurídico e pode ser definido sob o princípio da responsabilidade do outro, o que implica a implementação de mecanismos de reintegração económica ao nível dos indivíduos e dos países, e que pode ser definido em três domínios: a) endividamento responsável, b) investimento responsável, c) estabilização de remunerações[101].
Um dos quadros propositivos que emerge com força é o desenvolvimento de um “New Deal Verde”: é um projecto de um vasto programa internacional que visa travar as alterações climáticas e sair da crise, consistindo num investimento massivo na utilização de energias renováveis, na criação de empregos nos sectores ambientais da economia e na generalização dos impostos ecológicos, entre outras medidas. Os fundos económicos para realizá-lo só podem ser obtidos, de acordo com o British Green New Deal Group,[102] através da colaboração entre o sector público e o sector privado, e a participação privada é possível se os preços dos combustíveis fósseis aumentarem e os investimentos ecológicos diminuirem, tudo através de políticas públicas e regulamentos determinados para o controlo de capitais e o desenvolvimento da economia verde.
• - Guerra financeira.
• - Governança global.
• - Comitê para o Cancelamento da Dívida do Terceiro Mundo.
Espera-se que o CEF cumpra, em cooperação com o Banco de Compensações Internacionais e o Fundo Monetário Internacional, as seguintes tarefas:
• - Vigilância de riscos macroeconómicos e financeiros, remodelação de sistemas regulatórios.
• - Garantir que as instituições, ferramentas e mercados financeiros sejam sistematicamente supervisionados. Isto inclui, entre outros, fundos de retorno absoluto, mercados de derivados e paraísos fiscais[37].
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) é uma organização que promove a cooperação financeira e monetária internacional e atua como um banco para os bancos centrais. Não é responsável perante nenhum governo. O BIS cumpre o seu mandato funcionando como:
• - fórum de discussão e análise de políticas entre bancos centrais e dentro da comunidade financeira internacional;.
• - centro de investigação económica e monetária;.
• - importante garantia dos bancos centrais nas suas transações financeiras;
• - agente ou gestor de operações financeiras internacionais.
“O BIS foi criado em 1930 para tratar do pagamento que a Alemanha deveria fazer aos aliados, relativo às reparações de guerra. Estas reparações nunca foram realmente pagas, e o BIS tornou-se o ponto de encontro das autoridades monetárias dos países desenvolvidos, onde problemas e estratégias comuns poderiam ser discutidos”[6].
O BIS acolhe alguns comités, como o Comité de Basileia.
Comitê de Basileia, nome usual do Comitê de Basileia de Supervisão Bancária (BCBS). É a organização global que reúne as autoridades de supervisão bancária, cujo papel é fortalecer a solidez dos sistemas financeiros. "O Comité de Basileia mantém contactos com supervisores não membros do Comité através de consultas, formação técnica e cooperação implementada através de comités regionais. Por exemplo, o seu trabalho é realizado em estreita colaboração com o Grupo de Contacto das Autoridades de Supervisão Bancária da União Europeia, e inspira muitas das reformas da legislação bancária comunitária."[38].
Juntamente com o BIS, o CBSB tem formulado, desde a década de 1980, as estratégias fundamentais que têm sido utilizadas na regulação de bancos e conglomerados financeiros que incluem bancos. Apesar de existir desde a década de 1970, foi apenas no final da década de 1980 que o CBSB se tornou o principal regulador bancário do mundo.
O Comité de Basileia é composto por representantes das autoridades de supervisão bancária dos bancos centrais dos países do G7 e de 6 outros países da Europa Ocidental. Este carácter restrito e não representativo deve-se ao facto de ser um grupo de consulta informal sem poder real de decisão ou aplicação embora, segundo os seus críticos, sirva para permitir que alguns países poderosos mantenham a participação em importantes fóruns exclusivos.[6] A sua influência fundamental nas finanças foi revelada com a publicação de dois acordos que serviram de guia internacional para a regulação financeira internacional dos 2 últimos, os chamados Basileia I e Basileia II.
• - A Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO-IOSCO).
• - A Associação Internacional de Supervisores de Seguros (AISS-IAIS).
• - A Associação Internacional de Swaps e Derivativos.
• - A Associação Internacional do Mercado de Capitais, (ICMA)".
• - A Associação da Indústria de Valores Mobiliários e dos Mercados Financeiros (SIFMA).
O surgimento de conglomerados financeiros, ou seja, empresas financeiras transnacionais complexas que operam em vários subsetores do mercado, juntamente com o crescente desaparecimento das barreiras que separavam o exercício das diferentes atividades financeiras, reforça a necessidade de coordenação das ações dos órgãos de supervisão setoriais. Por esta razão, o Fórum Conjunto de Conglomerados Financeiros, criado em 1996, reúne o CBSB, a IOSCO e a IAIS. Este fórum conjunto recebeu o mandato específico de identificar os princípios básicos comuns à supervisão dos três setores financeiros mais importantes (banca, seguros e investimento), com base na comparação de princípios setoriais recentemente publicados. Tem também a missão de analisar questões de interesse comum aos três setores, como as relacionadas à gestão de riscos, aos controles internos, à governança corporativa, à terceirização de atividades e à noção de atividades financeiras diferenciadas.
A crise do subprime pôs em evidência as insuficiências do sistema estabelecido por estes comités para proteger a estabilidade financeira internacional. Estas insuficiências foram analisadas a fim de propor um novo quadro de proteção para a estabilidade financeira.[39].
• - A aplicação pode levar a uma maior instabilidade financeira, uma vez que os requisitos de capital regulamentar estão expostos a maiores riscos.
• - Tributação.
Existem diversas propostas fiscais que visam impedir a multiplicidade e o encadeamento de produtos financeiros. Por exemplo, um autor propõe um Imposto sobre a Frugalidade Financeira, que pode beneficiar empresas e indivíduos.[74] Uma proposta na mesma linha é a criação de um imposto sobre transações de curto prazo[75], bem como o conhecido Imposto sobre transações financeiras (Imposto Tobin) e outras medidas semelhantes.
Outras propostas mantêm o duplo objectivo de tentar limitar os mercados desenfreados e, ao mesmo tempo, ajudar a construir uma economia ecológica à escala global. Assim, o estabelecimento de ecotaxas internacionais, por exemplo, um imposto sobre o consumo de recursos naturais limitados e lentamente renováveis,[23] ou impostos sobre carbono e emissões poluentes[76].
Por outro lado, conforme observado acima, o tratamento da evasão fiscal envolve a eliminação do estatuto de paraíso fiscal de alguns microestados e territórios ao redor do planeta. Existe uma diretriz desde 2005 para acabar com os paraísos fiscais, então tudo depende da "vontade real de implementar os acordos", segundo De La Rocha.[27] Por outro lado, o comércio com os evasores fiscais deve ser proibido e sanções criminais estabelecidas contra aqueles que tomam decisões, bem como contra os subtraficantes.[77] Um tratamento coordenado que fosse além de penalizar os piores alunos sem eliminar a raiz do problema, consistiria em um esforço de coordenação fiscal em escala global. que consiste no estabelecimento de “pisos fiscais” sobre o capital.[62].
Dentre as propostas, destaca-se a criação de fundos:
• - Um Fundo de Protecção Social que ajuda os países em desenvolvimento a criar sistemas de segurança que proporcionem um mínimo de protecção, incluindo provisões para os desempregados, saúde e reformados.
• - Um Fundo de Desenvolvimento de Pequenas Empresas que facilita fluxos e capital para estas pequenas empresas[69].
• - Um Fundo de Infraestruturas Financeiras para estimular a economia: ajudar a superar os desafios do aquecimento global, apoiar a economia informal, etc.[69].
No caso de África, o continente mais marginalizado pela globalização económica, Atkinson[83] propõe os seguintes impostos e mecanismos para financiar o desenvolvimento a nível continental: Imposto sobre transacções financeiras (Imposto Tobin); impostos ambientais globais; criação de novas modalidades de Direitos Especiais de Saque (DSE); facilitar o aumento das doações para o desenvolvimento através das agências das Nações Unidas, bem como um fundo garantido para os países mais pobres dos países doadores e as remessas dos emigrantes. Outro autor propõe o estabelecimento de novos SDRs em escala global[84].
Existem diferentes propostas para alterar a arquitetura institucional da governação financeira, a maioria das quais orientadas para o fortalecimento, transformação ou refundação das instituições financeiras:
• - Eliminar a função reguladora das instituições de Bretton Woods e submetê-las ao escrutínio da ONU.[85][86] No caso do FMI, a sua missão inicial de ajuda aos países em desenvolvimento deve ser substituída por uma de coordenação de políticas monetárias e fiscais.[65] O Banco Mundial pode tornar-se, em vez disso, uma organização que promove o desenvolvimento responsável, plural e solidário[23].
• - Uma proposta mais avançada consiste na transformação do FMI num Fundo Monetário Global (FGM), com capacidade financeira, segundo alguns,[62] multiplicada por quatro. Embora, de acordo com outros, o FMI deva reforçar a sua capacidade para um bilião de dólares.[87] A nova instituição precisaria de um sistema de votação reformado e de um mandato reforçado para supervisão e vigilância das finanças globais.[62].
• - Na mesma linha, outro autor propõe uma Organização Financeira Mundial, construída através de tentativas progressivas e através da acumulação de regras e acordos bilaterais sobre fluxos financeiros que permitem estabelecer padrões regulatórios e compartilhar informações.[88].
• - Uma proposta ainda mais radical é a abolição do FMI e do Banco Mundial e a utilização do seu capital para a criação de um Fundo de Desenvolvimento Internacional para financiar projectos sociais, económicos e ambientais nos países em desenvolvimento. Este fundo seria composto por representantes da sociedade civil sem representação dos governos.[29] Outra possibilidade semelhante é a implementação de um Conselho Económico Mundial (GEC) encarregado de forjar um novo consenso global em torno de uma bateria de políticas de desenvolvimento sustentável.[82].
• - Na mesma linha de transformações estruturais, poderá ser criado um novo modelo de Bretton Woods, diferente do anterior pela abrangência das suas competências bem como dos atores envolvidos. A sua missão seria a regulação dos sistemas monetário, financeiro e energético, e deveria envolver as diferentes regiões do mundo, ao mesmo tempo detentoras de moedas regionais fortes relacionadas entre si por valores de câmbio estáveis que são revistos periodicamente.[66].
• - A Organização Mundial do Comércio deve ser capaz de criar periodicamente balanços ambientais e sociais comuns que abram caminho à consolidação e internacionalização do direito económico. Para tal, a OMC deve evoluir de um espaço de resolução de litígios entre Estados para um espaço de resolução entre diferentes partes (empresas, estados, consumidores)[89].
• - Assim, a alternativa não passa necessariamente pela criação de novas instituições mas sobretudo pelo fortalecimento e precisão das regras do jogo. Segundo Bello,[90] os países do Sul e a sociedade civil internacional devem defender um novo sistema de governação económica "mais fluido, menos estruturado, mais plural, com maior equilíbrio de poderes (...)". Este autor defende também uma redução do poder do FMI, convertendo-o num centro de investigação, integrando uma rede mais descentralizada de instituições e organizações que interagem entre si segundo uma série de acordos e negociações amplas e flexíveis. Neste quadro, o FMI seria outro actor, avaliado por outras organizações e acordos. Tendo em conta a natureza regional de grande parte das crises financeiras. Bello também apoia o surgimento de fundos monetários regionais que participem na regulação da governança financeira global. Segundo o autor, estes fundos teriam maior liquidez para apoiar países em crise do que o FMI tem atualmente, e a sua alocação não seria condicionada pelo próprio FMI ou pelo próprio Banco Mundial. Sua função seria facilitar as condições para o desenvolvimento sustentável na região, distanciando-a da desestabilização dos fluxos de capitais.[91].
• - É necessário estabelecer uma divisão de trabalho entre as instituições existentes que seja precisa e evite a sobreposição e a fusão de funções, mandatos e objetivos.[92].
• - Por outro lado, o papel das agências de desenvolvimento económico e social da ONU pode ser revitalizado.[85] Estas instituições, especialmente o PNUD ou a OIT, deveriam estar mais activamente envolvidas na governação económica e financeira global.[69].
• - O desenvolvimento de organizações regionais também pode ser enfatizado, especialmente nas regiões do Sul, para aliviar a dependência de organizações mundiais em que "apenas alguns decidem e todos pagam as consequências."[93].
• - A cooperação inter-regional também é um aspecto a ter em conta.[94] Também é necessário recuperar o chamado "princípio de equivalência" segundo o qual o âmbito dos custos e benefícios relacionados com a produção de um bem deve estar de acordo com o âmbito da jurisdição em que são tomadas as principais decisões relacionadas com este bem.[95] Finalmente, é necessário estabelecer um novo diretório, semelhante ao G7 e ao G20, que seja representativo das regiões mais importantes do mundo. planeta.[96].
• - Outro autor propõe a criação de Redes de Governança Financeira (FGNs) compostas por países sem a continuidade geográfica necessária, mas que desejam estabelecer critérios semelhantes em termos de risco financeiro, como controle de capitais, serviços e ferramentas financeiras. Estas redes deveriam ter tribunais de arbitragem.[97].
A resposta à crise do sistema financeiro deve fazer parte de uma mudança de paradigma face a uma crise sistémica, segundo alguns analistas[62] que afecta todo o modelo de desenvolvimento económico. O que é necessário é “uma globalização diferente que não seja apenas guiada por princípios de rentabilidade, mas também por justiça, solidariedade e responsabilidade para com os cidadãos”.
Assim, segundo esta mesma fonte, as soluções para a crise financeira devem fazer parte de uma agenda mais ampla que englobe mudanças face a deficiências insustentáveis como a pobreza, a crise energética ou as alterações climáticas. Por exemplo, a curto prazo, é necessário o apoio dos Estados para completar o ambicioso acordo que pode surgir no âmbito da Convenção sobre Alterações Climáticas em Copenhaga, em Dezembro de 2009.[82] Embora o dumping social possa ser enfrentado com a regra clássica segundo a qual os salários devem aumentar à mesma taxa que o aumento dos lucros.[71].
O novo quadro financeiro deve garantir a estabilidade macroeconómica que permita um comércio internacional justo, a sustentabilidade ambiental e uma governação eficaz da migração, por exemplo através de uma Organização Mundial das Migrações.[62].
No que diz respeito à arquitectura de governação, Dembinski salienta que é necessário transformar as “anárquicas” relações monetárias e financeiras internacionais num sistema. Para isso, é necessário «emergir uma finalidade que os ultrapasse e os envolva», que permita às instituições em causa «assumir a sua responsabilidade» e estabelecer-se ou restabelecer-se em conformidade[73].
Na mesma linha do autor anterior, Landerretche propõe a implementação de uma iniciativa que chama de Era da Riqueza Humana (HWE), semelhante em estilo ao Consenso de Washington. Trata-se de estabelecer uma série de recomendações políticas, adaptáveis a diferentes contextos económicos, culturais e políticos, que incluem pactos para políticas de desenvolvimento, promoção do trabalho, educação (especialmente formação profissional) para que os subsídios governamentais e as regras laborais sejam utilizadas para encorajar acordos comerciais de acordo com os princípios da HWE.[88].
O direito internacional deve basear-se em certas regras fundamentais, bem como no desenvolvimento de uma matriz de valores comuns, todos subjacentes à governação financeira global. Por exemplo:.
Deve-se introduzir a regra segundo a qual "um ator internacional, a legislação internacional": "para garantir a legitimidade dos líderes econômicos, eles devem responder perante órgãos situados na mesma escala do seu âmbito de atuação, o que não é o caso atualmente: as empresas, mesmo as maiores, estão sujeitas a direitos estatais ou mesmo infra-estatais." lei."[98].
Os valores económicos que fundamentam o sistema de representatividade de uma parte fundamental das instituições financeiras até à data, devem ser substituídos pelo princípio de uma "comunidade de destino partilhado" que gere os bens comuns globais)[99] Um princípio organizador desta comunidade, que deve ser introduzido como uma norma peremptória do direito internacional, é o equilíbrio entre a humanidade e a biosfera.[98].
Segundo Lamy, o reconhecimento deste bem comum e a aspiração a uma comunidade à escala global conduzem ao compromisso com uma definição mínima de democracia que pode basear-se na eficácia, na legitimidade e no espaço público. Esta democracia à escala global não implica a constituição de um estado ou governo planetário, mas sim a comunidade mundial deve manter a estrutura política actual, fazendo das Nações Unidas o seu elemento central[100].
Segundo Dembinski, o sistema monetário e financeiro deve ser reconhecido como de utilidade pública universal com finalidade de bem-estar geral, superior àquele resultante dos interesses individuais de países ou empresas, ampliado à regulação, vigilância e sanção dos sistemas monetário e financeiro. Este propósito deve ser reconhecido como global e não intergovernamental, e fruto da colaboração entre os setores público e privado, devendo este último adquirir a responsabilidade fundamental pelo funcionamento desta arquitetura.
Este propósito deve ir além do meramente jurídico e pode ser definido sob o princípio da responsabilidade do outro, o que implica a implementação de mecanismos de reintegração económica ao nível dos indivíduos e dos países, e que pode ser definido em três domínios: a) endividamento responsável, b) investimento responsável, c) estabilização de remunerações[101].
Um dos quadros propositivos que emerge com força é o desenvolvimento de um “New Deal Verde”: é um projecto de um vasto programa internacional que visa travar as alterações climáticas e sair da crise, consistindo num investimento massivo na utilização de energias renováveis, na criação de empregos nos sectores ambientais da economia e na generalização dos impostos ecológicos, entre outras medidas. Os fundos económicos para realizá-lo só podem ser obtidos, de acordo com o British Green New Deal Group,[102] através da colaboração entre o sector público e o sector privado, e a participação privada é possível se os preços dos combustíveis fósseis aumentarem e os investimentos ecológicos diminuirem, tudo através de políticas públicas e regulamentos determinados para o controlo de capitais e o desenvolvimento da economia verde.
• - Guerra financeira.
• - Governança global.
• - Comitê para o Cancelamento da Dívida do Terceiro Mundo.