Arquitetura do bem-estar urbano
Introdução
Em geral
A cidade do cuidado é a relação entre arquitetura, planejamento urbano e questões de gênero "Gênero (ciências sociais)"), propondo uma visão crítica da cidade a partir de uma perspectiva feminista.
As cidades têm sido historicamente concebidas sem levar em conta as necessidades das mulheres, especialmente no que diz respeito às tarefas de cuidado, que recaem principalmente sobre elas.[1].
A partir desta relação, questiona-se a ideia de uma cidade neutra e propõe-se uma reconfiguração do espaço urbano que contemple de forma mais equitativa as responsabilidades de cuidado, para que se alcance maior inclusão e justiça social.[2].
A cidade como espaço de cuidado
Tradicionalmente, as cidades têm sido concebidas com foco no trabalho produtivo, relegando o trabalho de cuidados a um papel secundário e discreto. Ao olhar a cidade como espaço de cuidado, propõe-se reconfigurar o ambiente urbano para facilitar o acesso a espaços como creches, centros de saúde e habitações adaptadas, integrando estes elementos no desenho urbano. O modelo de cidade solidária reconhece o trabalho de cuidado como essencial para o bem-estar social e busca uma distribuição equitativa dos recursos que o sustentam.[2].
Da mesma forma, esta perspectiva propõe a redefinição das prioridades sociais, colocando o quotidiano das pessoas no centro das decisões urbanas para combater as desigualdades sustentadas pelo sistema capitalista, patriarcal e colonial. Ao centrar-se na vida quotidiana, esta perspectiva reconhece o valor de todas as necessidades decorrentes das atividades quotidianas, dando visibilidade e reconhecimento à relevância “Relevância (Direito)”) do trabalho reprodutivo e de cuidado, que ainda recai em grande parte sobre as mulheres. Além disso, reivindica a necessidade de corresponsabilidade social e coletiva no desenvolvimento destas atividades, promovendo um ambiente urbano mais equitativo e inclusivo “Inclusão (pedagogia)”).[3].
Gênero e espaço urbano
O desenho urbano tem historicamente privilegiado as necessidades dos homens em áreas como transporte, trabalho (sociologia) e lazer, ignorando em grande parte as experiências das mulheres. As mulheres, que tradicionalmente assumem funções de cuidado, vivenciam a cidade como um espaço muitas vezes inacessível e pouco funcional para os seus deslocamentos diários e múltiplas responsabilidades.[2].