Arquitetura de participação digital
Introdução
Em geral
O desenvolvimento da web 2.0 possibilitou um modelo de interação entre as pessoas que permite a participação em igualdade de condições e o trabalho colaborativo. Segundo Aparici, R. e Osuna Acedo, S. (2014) “a cultura da participação é aquela que não tem barreiras à expressão cidadã, que apoia a criatividade e o compartilhamento de criações próprias e coletivas.”[1].
Definição
A cultura da participação baseia-se na comunicação horizontal “Horizontalidade (educação)”) na qual todos os indivíduos têm o mesmo poder e a possibilidade de trocar ideias, sugestões, comentários e experiências, e trabalhar de forma colaborativa. Portanto esta comunicação deve superar as teorias funcionalistas “Funcionalismo (psicologia)”).
Por outro lado, segundo García (2012), o processo de construção da cultura de participação é o resultado de qualquer processo de engenharia social “Engenharia social (ciência política)”). Além do mais, é necessário aplicá-lo nas primeiras fases de qualquer processo de engenharia social.[2].
Como cenários de participação, temos atualmente a Web 2.0 e as redes sociais, ecossistemas infocomunicativos que dão origem ao desenvolvimento da inteligência coletiva, da interatividade e da arquitetura da participação.
“Cidadania, para Manuel Castells (1998)[3] é uma grande mente interagente ou um webator nos termos de Pisani e Piotet") (2009)[4] com capacidade de criar sua própria informação e seu próprio estilo comunicativo dentro do espaço digital.”
As pessoas participam digitalmente de cenários virtuais, deixando um caminho e rastros que compõem sua identidade digital. As relações que se criam graças à cultura da participação permitem-nos realizar tarefas, partilhar e resolver problemas, adquirir conhecimentos de forma sócio-construtiva e desenvolver canais de comunicação dinâmicos.
No campo educacional, a cultura da participação dá origem a oportunidades de aprendizagem e maior poder para os cidadãos como utilizadores digitais nas redes sociais.
Na esfera social, como indica Geilfus (2002), “a experiência sugere que a maioria dos esforços colaborativos bem-sucedidos se basearam em processos participativos e procedimentos democráticos”. Além disso, verifica-se que a participação num projeto é dinâmica, não é um estado fixo, uma vez que os membros participantes tornam-se mais ou menos envolvidos em diferentes momentos do processo de desenvolvimento. Porém, o que sempre acaba determinando o grau de participação é o grau de decisão no processo.[5].
Referências
- [1] ↑ Aparici, R. y Osuna Acedo, S. (2009). La Cultura de la Participación. Revista Mediterránea de Comunicación, vol. 4, nº 2, 137-148.
- [2] ↑ García López, E. J. (2012). El lugar de la construcción de cultura de participación en la ingeniería social. Apuntes para reflexionar la práctica. Revista Alter, Enfoques Críticos, Núm. 5, 128-132.: http://repiica.iica.int/docs/B0850e/B0850e.pdf
- [3] ↑ Castells, M. (1998). La era de la información: Economía, sociedad y cultura. Vol. 1. La sociedad red. Madrid: Alianza Editorial.
- [4] ↑ Pisani, F. y Piotet, D. (2009). La alquimia de las Multitudes. Cómo la Web está Cambiando el Mundo. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica S.A.
- [5] ↑ Geilfus, F. (2002). 80 herramientas para el desarrollo participativo: diagnóstico, planificación, monitoreo, evaluación..