Arquitetura de gestão de água urbana
Introdução
Em geral
O uso racional da água diz respeito ao controle e gestão do seu consumo. É um conceito inserido na política de gestão dos recursos naturais renováveis e associado ao desenvolvimento sustentável que deve permitir a utilização dos recursos. No caso da água, a sua qualidade deve ser garantida evitando a sua degradação, de forma a não comprometer ou colocar em risco a sua disponibilidade futura. Estes princípios são aplicados em projetos de engenharia, arquitetura, urbanismo e agricultura que são concebidos no âmbito da proteção, cuidado e conservação dos recursos naturais.
Água doce, um recurso escasso
A água é essencial para toda a humanidade, bem como para todos os seres vivos que habitam o planeta Terra. Não dependemos apenas dele para viver, mas é essencial para o desenvolvimento alimentar, bem como para o desenvolvimento económico sustentável. Torna-se especialmente relevante pelo facto de sem água ser completamente impossível a existência de vida, e é também a primeira coisa que se leva em consideração na procura de vida fora do nosso planeta. Na Terra, onde a água é um verdadeiro bem, o seu uso adequado e sustentável permite o desenvolvimento económico; pelo contrário, o difícil acesso à água potável causa doenças e dizima as populações.
Porém, grande parte dessa água é salgada, consequência do processo de salinização sofrido ao se infiltrar entre os minerais da crosta terrestre. Em termos gerais, dos 1,4 mil milhões de km³ de água no mundo, apenas 33 milhões são de água doce. Desse valor teríamos que deduzir 87,3% que está na forma de gelo nas calotas polares e geleiras e 12,3% que constitui água subterrânea. Restam apenas 0,4% de água utilizável, num volume de 140 mil km³. Essa quantidade, por sua vez, está em incessante movimento de evaporação – escoamento, no fenômeno denominado ciclo hidrológico ou ciclo da água. Portanto, a quantidade de água que realmente pode ser utilizada é muito pequena, e também está sujeita a inúmeras fontes de poluição, por isso deve ser utilizada de forma racional.
Por outro lado estão as redes de esgoto. O facto de os esgotos ou simplesmente as águas residuais circularem no mesmo local onde as pessoas circulam representa um elevado risco para a sua saúde, aumentando o nível de doenças e dificultando o desenvolvimento da população afectada.
O investimento em infraestrutura, seja no esgoto para canalizar águas residuais, seja na facilitação do acesso à água potável para toda a população do planeta, são aspectos que devem ser influenciados para que a água se torne um direito e deixe de ser um privilégio.