A história da arte é a história da evolução da arte ao longo do tempo, entendida como qualquer atividade ou produto realizado pelo ser humano com fins estéticos ou comunicativos, através do qual se expressam ideias, emoções ou, em geral, uma visão do mundo, utilizando recursos diversos como plásticos, linguísticos, sonoros ou mistos.
A historiografia da arte, enquanto disciplina académica e ambiente institucional (museus, mercado de arte, departamentos universitários, produções editoriais) costuma restringir-se às chamadas artes visuais ou plásticas (essencialmente pintura, escultura e arquitectura), enquanto outras artes são mais especificamente objecto de estudo de outras disciplinas claramente delimitadas, como a história da literatura ou a história da música, todas elas objecto de atenção pela chamada história da cultura ou história cultural, a par de histórias sectoriais centradas noutras manifestações do pensamento, como a história da ciência, a história da filosofia ou a história das religiões. Alguns campos do conhecimento intimamente relacionados à história da arte são a estética e a teoria da arte.
Ao longo do tempo, a arte foi classificada de formas muito diversas, desde a distinção medieval entre artes liberais e artes vulgares (ou "mecânicas"), passando pela distinção moderna entre artes plásticas e artes menores ou aplicadas, até à multiplicidade contemporânea, que entende como arte quase qualquer manifestação da criatividade humana.
A sucessiva ampliação do rol das “principais artes” atingiu o número de nove no século: arquitetura, dança, escultura, música, pintura, poesia - entendida em sentido lato como literatura com intenção estética, que inclui os diferentes géneros do teatro e da narrativa -, a cinematografia, a fotografia e a banda desenhada (ou banda desenhada).
À sobreposição conceptual de termos entre artes plásticas e artes visuais, juntaram-se os de design e artes gráficas. Além de formas antigas de expressão artística, como moda e gastronomia, novos veículos expressivos, como publicidade, animação, televisão e videogames, são atualmente considerados artes.
A historiografia da arte é uma ciência multidisciplinar, que busca um exame objetivo da arte ao longo da história, classificando as culturas, estabelecendo periodizações e observando suas características e influências distintivas. O estudo da História da Arte desenvolveu-se inicialmente no Renascimento, tendo como objeto limitado a produção artística da civilização ocidental. No entanto, ao longo do tempo tem prevalecido uma visão mais ampla da história artística, tentando uma descrição global da arte de todas as civilizações e a análise das suas produções artísticas em termos dos seus próprios valores culturais (relativismo cultural), e não apenas os da história da arte ocidental.
Arquitetura autorreferencial
Introdução
Em geral
A história da arte é a história da evolução da arte ao longo do tempo, entendida como qualquer atividade ou produto realizado pelo ser humano com fins estéticos ou comunicativos, através do qual se expressam ideias, emoções ou, em geral, uma visão do mundo, utilizando recursos diversos como plásticos, linguísticos, sonoros ou mistos.
A historiografia da arte, enquanto disciplina académica e ambiente institucional (museus, mercado de arte, departamentos universitários, produções editoriais) costuma restringir-se às chamadas artes visuais ou plásticas (essencialmente pintura, escultura e arquitectura), enquanto outras artes são mais especificamente objecto de estudo de outras disciplinas claramente delimitadas, como a história da literatura ou a história da música, todas elas objecto de atenção pela chamada história da cultura ou história cultural, a par de histórias sectoriais centradas noutras manifestações do pensamento, como a história da ciência, a história da filosofia ou a história das religiões. Alguns campos do conhecimento intimamente relacionados à história da arte são a estética e a teoria da arte.
Ao longo do tempo, a arte foi classificada de formas muito diversas, desde a distinção medieval entre artes liberais e artes vulgares (ou "mecânicas"), passando pela distinção moderna entre artes plásticas e artes menores ou aplicadas, até à multiplicidade contemporânea, que entende como arte quase qualquer manifestação da criatividade humana.
A sucessiva ampliação do rol das “principais artes” atingiu o número de nove no século: arquitetura, dança, escultura, música, pintura, poesia - entendida em sentido lato como literatura com intenção estética, que inclui os diferentes géneros do teatro e da narrativa -, a cinematografia, a fotografia e a banda desenhada (ou banda desenhada).
À sobreposição conceptual de termos entre artes plásticas e artes visuais, juntaram-se os de design e artes gráficas. Além de formas antigas de expressão artística, como moda e gastronomia, novos veículos expressivos, como publicidade, animação, televisão e videogames, são atualmente considerados artes.
A arte hoje desfruta de uma ampla rede de estudo, divulgação e conservação de todo o legado artístico produzido pela humanidade ao longo de sua história. Ao longo do século, proliferaram instituições, fundações, museus e galerias, nas esferas pública e privada, dedicadas à análise e catalogação de obras de arte, bem como à sua exposição a um público maioritário. A ascensão da mídia tem sido fundamental para o melhor estudo e divulgação da arte.
Eventos e exposições internacionais, como as bienais de Veneza e São Paulo ou a Documenta de Kassel, têm ajudado a promover novos estilos e tendências. Prémios como o Prémio Turner da Tate Gallery, o Prémio Wolf Foundation para as Artes, a Medalha Picasso da UNESCO, o Prémio Velázquez para as Artes Plásticas, o Prémio Pritzker para a arquitectura, o Prémio Nobel da Literatura, a Medalha UNESCO Mozart para a música clássica, o Pulitzer para a fotografia e os Óscares para o cinema também promovem o trabalho dos melhores criadores a nível internacional. Instituições como a UNESCO, com a criação de um Patrimônio Mundial, também auxiliam na conservação dos principais monumentos do planeta.[1].
Pré-história
Contenido
El arte prehistórico es el desarrollado por el ser humano primitivo desde la Edad de Piedra (Paleolítico superior, Mesolítico y Neolítico) hasta la Edad de los Metales, periodos donde surgieron las primeras manifestaciones que se pueden considerar como artísticas por parte del Homo sapiens. Durante el Paleolítico (25 000-8000 a. C.), los seres humanos se mantenían principalmente gracias a la caza y a la recolección y habitaban en cuevas, en algunas de las cuales desarrollaron la llamada pintura rupestre. Tras un periodo de transición (Mesolítico, 8000-6000 a. C.), en el Neolítico (6000-3000 a. C.) el ser humano se volvió sedentario y se dedicó a la agricultura, con sociedades cada vez más complejas donde fue cobrando importancia la religión, y comenzó la producción de piezas de artesanía. Por último, en la llamada Edad de los Metales (3000-1000 a. C.), surgieron las primeras civilizaciones protohistóricas.
Paleolítico
As primeiras manifestações artísticas provêm do Homo neanderthalensis, há cerca de 65.000 anos, como confirmam os vestígios encontrados nas grutas de Maltravieso (Cáceres), Ardales (Málaga) e La Pasiega (Cantábria).[2] Mesmo assim, a maior parte dos primeiros achados artísticos são do Paleolítico Superior e já pertencem ao Homo sapiens, por volta de 25.000 a.C. C., tendo seu auge no período Magdaleniano (±15.000-8.000 a.C.). Os primeiros vestígios de objetos feitos pelo homem aparecem no sul da África, no Mediterrâneo ocidental, na Europa central e oriental (Mar Adriático), na Sibéria (Lago Baikal), na Índia e na Austrália. Esses primeiros vestígios são geralmente utensílios feitos de pedra trabalhada (pederneira, obsidiana), ou osso ou madeira. Para a pintura utilizaram óxido de ferro vermelho, preto "Preto (cor)") óxido de manganês "Óxido de manganês (IV)") e argila ocre. Seu principal meio expressivo foi a pintura rupestre, desenvolvida principalmente na região franco-cantábrica: são pinturas de cunho mágico-religioso, em cavernas, com sentido naturalista "Naturalismo (arte)"), com representação de animais, destacando-se as cavernas de Altamira, Tito Bustillo, Trois Frères, Chauvet e Lascaux. Na escultura destacam-se as chamadas Vênus, representações femininas que certamente serviam como culto à fertilidade, destacando-se a Vênus de Willendorf. Outras obras representativas deste período são o chamado Homem de Brno, o Mamute de Vogelherd e a Senhora de Brassempouy.[3].
Na pré-história surgiram as primeiras formas rudimentares de música e dança: vários fenômenos naturais e a própria modulação da voz humana fizeram o homem primitivo ver que existiam sons harmoniosos e melodiosos, e que afetavam as emoções e o humor das pessoas. Ao mesmo tempo, a dança, movimento rítmico, era uma forma de comunicação corporal que servia para expressar sentimentos, ou para ritualizar acontecimentos importantes (nascimentos, mortes, casamentos). Em princípio, a música e a dança tinham uma componente ritual, celebrada em cerimónias de fertilidade, de caça ou de guerra, ou de natureza religiosa diversa. Logo o ser humano aprendeu a usar objetos rudimentares (ossos, juncos "Cana (vegetal)"), troncos "Tronco (botânica)"), conchas) para produzir sons, enquanto sua própria respiração e batimentos cardíacos serviam para dar uma primeira cadência "Cadência (música)") à dança.[4].
Neolítico
Este período - começando por volta de 8.000 AC. C. no Oriente Próximo - significou uma profunda transformação para o ser humano antigo, que se tornou sedentário e se dedicou à agricultura e à pecuária, surgiram novas formas de convivência social e desenvolveu-se a religião. Na pintura levantina – datada entre o Mesolítico e o Neolítico – a figura humana apareceu, muito esquematizada, com exemplos notáveis em El Cogul, Valltorta, Alpera e Minateda. Este tipo de pintura também ocorreu no Norte de África (Atlas "Atlas (cordilheira)"), Sahara) e na zona do actual Zimbabué. A pintura neolítica era esquemática, reduzida a traços básicos (o homem em forma de cruz, a mulher em forma triangular). Destacam-se também as pinturas rupestres do rio Pinturas, na Argentina, especialmente a Cueva de las Manos. Na arte moveleira foram produzidas as chamadas cerâmicas cardais, decoradas com impressões de conchas (cardium), e surgiu a arte têxtil. Novos materiais foram fabricados como âmbar, cristal de rocha, quartzo, jaspe, etc. Nesta época surgiram os primeiros vestígios de cidades com uma planimetria urbana, destacando-se os vestígios encontrados em Tell as-Sultan#Tell_es-Sultán "Jericho (Cisjordania)") (Jericho "Jericho (Cisjordania)"), Jarmo (Iraque) e Çatalhöyük (Anatólia).[5].
Idade dos Metais
A última fase pré-histórica é a chamada Era dos Metais, uma vez que a utilização de elementos como o cobre, o bronze e o ferro representou uma grande transformação material para estas sociedades antigas. No final do Neolítico e durante o chamado Calcolítico surgiu o megalitismo, monumentos funerários em pedra, destacando-se o dólmen e o menir, ou o cromeleque inglês, como no magnífico complexo de Stonehenge. Na Espanha, formou-se a cultura Los Millares, caracterizada pela cerâmica em forma de sino e pelas representações humanas de figuras esquemáticas com olhos grandes. Em Malta destacou-se o conjunto de templos de Mudajdra, Tarxien e Ggantija. Nas Ilhas Baleares desenvolveu-se uma notável cultura megalítica, com vários tipos de monumentos: a naveta, túmulo truncado em forma de pirâmide "Pirâmide (arquitetura)"), com câmara funerária alongada; a taula "Taula (construção talaiótica)"), duas grandes pedras colocadas uma na vertical e outra na horizontal no topo; e o talayot, uma torre com uma câmara coberta por uma cúpula falsa.[6].
Na Idade do Ferro destacaram-se as culturas de Hallstatt (Áustria) e La Tène (Suíça). A primeira ocorreu entre os séculos AC. C. e um. C., caracterizada por necrópoles com tumulus, com câmara mortuária de madeira em forma de casa, muitas vezes acompanhada por carroça de quatro rodas. As cerâmicas eram policromadas, com decorações geométricas e aplicações de ornamentos metálicos. La Tène se desenvolveu entre os séculos AC. C. e um. C., ligada à cultura celta. Destacou-se pelos seus objetos de ferro (espadas, lanças, escudos, fíbulas), com diversas fases de evolução (La Tène I, II e III), que no final desta época receberam influências gregas, etruscas e da arte das estepes.[7].
arte antiga
Se denomina así a las creaciones artísticas de la primera etapa de la historia, iniciadas con la invención de la escritura, destacando las grandes civilizaciones del Próximo Oriente: Egipto y Mesopotamia. También englobaría las primeras manifestaciones artísticas de la mayoría de pueblos y civilizaciones de todos los continentes. En esta época aparecieron las primeras grandes ciudades, principalmente en cuatro zonas delimitadas por grandes ríos: el Nilo, el Tigris y el Éufrates, el Indo y el río Amarillo.
Uno de los grandes avances en esta época fue la invención de la escritura, generada en primer lugar por la necesidad de llevar registros de índole económica y comercial. El primer código escrito fue la escritura cuneiforme, surgida en Mesopotamia alrededor del 3500 a. C., practicada en tablillas de arcilla. Estaba basada en elementos pictográficos e ideográficos, mientras que más adelante los sumerios desarrollaron un anexo silábico para su escritura, reflejando la fonología y la sintaxis del idioma sumerio hablado. En Egipto se desarrolló la escritura jeroglífica, con una primera muestra en la Paleta de Narmer (3100 a. C.). La lengua hebrea fue una de las primeras que utilizó como método de escritura el alfabeto (abyad, alrededor del 1800 a. C.), que relaciona un único símbolo a cada fonema; de aquí derivan los alfabetos griego y latino.[8].
Mesopotâmia
A arte mesopotâmica desenvolveu-se na área entre os rios Tigre e Eufrates (atual Síria e Iraque), onde desde o milênio aC. C. sucederam-se várias culturas como os sumérios, os acadianos, os amorreus, os assírios, os caldeus, etc. A arquitectura caracteriza-se pela utilização do tijolo, com sistema de verga e pela introdução de elementos construtivos como o arco "Arco (arquitectura)") e a abóbada. Destacam-se os zigurates, grandes templos de forma piramidal escalonada, dos quais praticamente não sobreviveram vestígios, exceto algumas bases. O túmulo era um corredor, com uma câmara coberta por uma falsa cúpula, como alguns exemplares encontrados em Ur. Destacaram-se também os palácios, complexos murados com um sistema de terraços em forma de zigurate, dando grande importância às zonas ajardinadas (os jardins suspensos da Babilónia são uma das sete maravilhas do mundo antigo).
A escultura foi desenvolvida em talha livre ou relevo “Relevo (arte)”), em cenas religiosas ou de caça e militares, com presença de figuras humanas e animais reais ou mitológicos. Na época suméria, eram criadas pequenas estátuas de formas angulares, com pedra colorida ou pasta nos olhos, em figuras sem cabelos, com as mãos no peito. No período acadiano são figuras com cabelos e barbas compridas, com destaque para a estela Naram-Sin. Do palco amorreu (ou neo-sumério), destacam-se as representações do rei Gudea de Lagash, com manto e turbante e novamente com as mãos no peito. No domínio babilônico, vale destacar a famosa estela de Hamurabi. Da escultura assíria destacam-se as figuras antropomórficas de touros ou génios alados, que ladeavam as portas dos palácios, bem como os relevos com cenas de guerra ou de caça, como o Obelisco Negro de Salmaneser III.[9].
Com o surgimento da escrita, a literatura surgiu como meio de expressão da criatividade humana. Na literatura suméria, destaca-se o Poema de Gilgamesh, do século a.C.. C. Cerca de trinta mitos foram escritos sobre as mais importantes divindades sumérias e acadianas, entre as quais se destacam: a descida de Inanna ao inferno e as geradas em torno dos deuses Enki e Tammuz. Outro exemplo de relevância é o poema Lugal ud melambi Nirpal (As Obras de Ninurta), cujo conteúdo é didático e moral. Na era acadiana destaca-se Atrahasis, sobre o mito do dilúvio. Na literatura babilônica, merece destaque o poema Enûma Elish, sobre a criação do mundo.[10].
A música desenvolveu-se nesta região entre o 4º e o milénio AC. C., em rituais nos templos sumérios, onde hinos ou salmos (ersemma) eram cantados aos deuses. O canto litúrgico era composto por responsórios – cantos alternados entre sacerdotes e coro – e antífonas – cantos alternados entre dois coros. Possuíam diversos instrumentos, como o tigi (flauta), o balag (tambor), o lilis (precursor dos tímpanos), o algar (lira "Lira (instrumento musical)"), o zagsal (harpa) e o adapa (pandeiro).[11].
Egito
No Egito surgiu uma das primeiras grandes civilizações, com obras de arte elaboradas e complexas que já implicam especialização profissional por parte do artista/artesão. A sua arte era intensamente religiosa e simbólica, com um poder político fortemente centralizado e hierárquico, dando grande relevância ao conceito religioso de imortalidade, principalmente do faraó,[nota 1] para o qual foram construídas obras de grande monumentalidade. Começou por volta de 3000 AC. C., a arte egípcia perdurou até a conquista de Alexandre, o Grande, embora sua influência tenha persistido na arte copta e bizantina.
A arquitetura caracteriza-se pela monumentalidade com utilização da pedra, em grandes blocos, com sistema construtivo de verga e colunas maciças “Coluna (arquitetura)”). Destacam-se os monumentos funerários, com três tipologias principais: a mastaba, túmulo retangular; a pirâmide "Pirâmide (arquitetura)"), que pode ser escalonada (Saqqarah) ou lisa (Gizeh); e os hipogeus, túmulos escavados no solo ou em paredes de falésias (Vale dos Reis). O outro grande edifício é o templo, conjuntos monumentais precedidos por uma avenida de esfinges e dois obeliscos, uma entrada com dois pilares ou paredes trapezoidais "Trapézio (geometria)"), um pátio hipóstilo, uma sala hipostila e o santuário. Destacam-se os templos de Karnak, Luxor, Philae e Edfu. Outro tipo de templo são os speos, em forma de hipogeu, como em Abu Simbel e Deir el-Bahari.
A escultura e a pintura apresentam representações de forma figurativa, geralmente com grande rigidez e esquematização. Na escultura egípcia, faraós e deuses começaram a ser representados já nas primeiras dinastias, atingindo o domínio absoluto da técnica durante a IV Dinastia em elegantes representações de porte majestoso com acabamentos polidos em materiais tão duros como o granito ou o diorito. Predominou a lei da frontalidade e do hieratismo, com formas tendendo à geometrização, dada a sua natureza simbólica como manifestações da vida após a morte. Destacam-se também os ushabti, pequenas estatuetas feitas de terra cozida ou madeira, mais realistas que a escultura funerária, representando cenas do cotidiano.
A pintura caracteriza-se principalmente por apresentar figuras justapostas em planos sobrepostos. As imagens foram representadas com critérios hierárquicos, por exemplo: o faraó é maior que os súditos ou inimigos próximos a ele. Predominava o cânone de perfil, que consistia em representar a cabeça e os membros de perfil, mas os ombros e os olhos de frente. No Egito, desenvolveram-se notavelmente as artes aplicadas, sobretudo a marcenaria e a ourivesaria, com exemplares magníficos como os móveis de cedro com incrustações de ébano e marfim dos túmulos de Yuya e Tuyu (Museu Egípcio no Cairo), ou as peças encontradas no túmulo de Tutancâmon, de grande qualidade artística.[12].
A literatura egípcia foi a primeira a desenvolver um formato literário como o conhecemos hoje: o livro.[13] Uma de suas melhores manifestações é a , servo de Sesostris I, cuja história remonta a meados do século AC. C. Posteriormente, destaca-se o , escrito no , datado por volta do século AC. C. A música egípcia era maioritariamente religiosa, com grande papel no canto vocal, desenvolvendo-se um ciclo anual de festividades, cada uma das quais com a sua música correspondente - facto que passou para a liturgia judaica e cristã. Seus instrumentos incluíam o sistro, o (pandeiro), o (harpa), o (flauta), o (trompete) e o (clarinete). Aparentemente, eles também tinham uma espécie de órgão hidráulico, e duas trombetas de prata foram encontradas na tumba de Tutancâmon.[14]
América
Numa evolução paralela à dos povos neolíticos europeus, os antigos caçadores-coletores começaram a cultivar por volta do milénio AC. C. —especialmente o milho—, com as primeiras sociedades surgindo nas terras altas do México, onde se observa o predomínio de uma casta sacerdotal, com grandes conhecimentos em matemática e astronomia. As primeiras descobertas artísticas datam de cerca de 1300 AC. C. em Xochipala (estado de Guerrero), onde foram encontradas algumas estatuetas de barro de grande vivacidade. A primeira grande civilização mesoamericana foi a olmeca, situada num espaço que atualmente corresponde às províncias de Veracruz e Tabasco, onde se destacam as esculturas em pedra de grande naturalismo (Luchador, encontradas em Santa María Uxpanapán), ou as colossais cabeças monolíticas de até 3,5 metros de altura. Os Zapotecas, estabelecidos em Oaxaca, construíram o magnífico complexo da Cidade dos Templos, no Monte Albán. Na América do Norte destacaram-se as culturas Hohokam, Mogollon e Anasazi.
No Peru, a construção de grandes templos está documentada antes mesmo da invenção da cerâmica, no milênio aC. C. (Sechin Alto, Kuntur Wasi). Destaca-se Chavín de Huántar (900 a.C.), um complexo religioso construído em várias fases, com estrutura em forma de U, com uma praça de azulejos com lajes em relevo com figuras de onças e animais mitológicos, um templo construído em três pisos de galerias, e um monólito central de granito branco com 4,5 metros de altura. Nesta região surgiu uma notável indústria têxtil, talvez a primeira do mundo, fiada em tear com fios de quase 200 cores diferentes, com destaque para os mantos de lã Paracas. Outras culturas notáveis da região foram os Moche e os Nazca – com os seus enigmáticos geoglifos de Nazca. Na região amazônica se destacou a cultura barrancoide "Municipio Sotillo (Monagas)"), com cerâmicas com desenhos incisos, bem como a cultura San Agustín na Colômbia.[15].
África
A arte africana sempre teve um marcado carácter mágico-religioso, destinada mais a ritos e cerimónias das diversas crenças animistas e politeístas africanas do que a fins estéticos, embora existam também produções ornamentais. A maior parte das suas obras são em madeira, pedra ou marfim, em máscaras e figuras autónomas de carácter mais ou menos antropomórfico, com cânone típico de cabeça grande, tronco reto e membros curtos. Também eram produzidas cerâmicas, joias e têxteis, além de objetos de metalurgia – o ferro era conhecido desde o século a.C.. C.—. A primeira produção com alguma relevância foi a cultura Nok, no milénio a.C.. C., localizada no norte da atual Nigéria. Destacam-se as esculturas em terracota, com figuras humanas - por vezes apenas a cabeça - ou de animais (elefantes, macacos, cobras), com grande sentido naturalista, apresentando expressões faciais de signo individualizado, com penteados variados, por vezes com colares e pulseiras. No Sudão, desenvolveram-se as culturas Kerma e Meroe, caracterizadas pelas suas monumentais construções de barro, pelas suas armas e pelas suas cerâmicas. Na Etiópia destacou-se a cidade de Aksum "Aksum (cidade)"), centro de um reino que atingiu o seu apogeu no século XIX. Com uma cultura notável - desenvolveram uma escrita na língua Ge'ez, e criaram um sistema monetário - merecem destaque as suas estelas "Estela (monumento)") em forma de pilares monolíticos, de carácter funerário, com até 20 metros de altura.[16].
Ásia
A arte indiana tem um carácter sobretudo religioso, servindo de veículo de transmissão das diferentes religiões que marcaram a Índia: o hinduísmo, o budismo, o islamismo, o cristianismo, etc. Devemos também destacar como traço distintivo da arte indiana o seu desejo de integração com a natureza, como uma adaptação à ordem universal, tendo em conta que a maioria dos elementos naturais (montanhas, rios, árvores) têm um carácter sagrado para os indianos.
• - Cultura do Indo: a primeira grande civilização indiana desenvolvida entre o século AC. C. e o século AC. C., hoje conhecida pelas escavações realizadas em 1920 pelo senhor John Marshall "John Marshall (arqueólogo)") em Mohenjo-Daro, cidade antiga que em sucessivas localidades apresenta uma urbanização planejada, com edifícios públicos construídos em tijolos de barro cozido. De igual importância são as escavações realizadas em Harappa, com restos de cerâmica, escultura e ferramentas metálicas (ouro, prata, cobre e latão).[17].
• - Período védico (séculos - aC) e premauria (séculos - aC): nesta fase foram introduzidos os povos arianos e surgiram as religiões tradicionais indianas. No século AC. C. Surgiram o Budismo e o Jainismo, estabelecendo laços estreitos com a arte persa. A expedição à Índia de Alexandre o Grande (326-325 aC) abriu contato com a arte helenística grega, materializada nas formas greco-budistas.
• - Arte Maurya (séculos - a.C.): a dinastia Maurya, de religião budista, ocupou todo o curso médio do Indo e a parte central da península do Decão. A arquitetura de pedra substitui o tijolo, como no Palácio Aśoka em Pātaliputra. O monumento característico deste período é a stupa, um túmulo funerário comemorativo, geralmente coberto de relevos com cenas da vida de Buda, como o Sānchi Stūpa.
• - Arte Gandhāra (século II aC-século I dC): A arte Gandhāra é de tradição greco-budista, com influência helenística e sassânida, destacando-se pela representação direta da imagem de Buda. A tipologia da stupa evoluiu, que é abobadada sobre um alto tambor cilíndrico colocado sobre uma base quadrada, como o de Kanisha, em Peshawar.
• - Arte de Mathurā e Amarāvatī (- séculos): na cidade de Mathurā, localizada na bacia superior do Ganges, desenvolveu-se uma importante escola artística que se espalharia pelo resto da Índia e influenciaria a arte Gupta. O estilo Mathurā misturava elementos tradicionais indianos com motivos greco-romanos, porém poucas representações deste período sobreviveram devido à destruição causada pela invasão islâmica. A arte Amarāvatī também tem influência greco-romana, como demonstrado pelos restos encontrados em Virapatnam (Pondicherry). Tal como os estilos anteriores, as suas principais obras são mosteiros e estupas, destacando-se a grande estupa de Amarāvatī, com 50 metros de altura.[18].
A literatura indiana começou por volta de 2.500 aC. C., escrito em sânscrito. Sua primeira manifestação foi a literatura védica (de , 'verdade'), com escritos voltados para a religião e a guerra, com tom poético e evocativos de um mundo mágico. Está dividido em três grupos:
Oceânia
A arte oceânica é marcada pela multiplicidade de territórios insulares que pontilham o Oceano Pacífico, com destaque para as ilhas da Austrália e da Nova Zelândia, e três áreas principais de ilhas e arquipélagos: Polinésia, Melanésia e Micronésia. A primeira cultura desenvolvida na área foi a Lapita (1500-500 aC), originada na Nova Caledônia e espalhada pela Nova Guiné e Polinésia Ocidental (Ilhas Salomão, Vanuatu, Fiji, Tonga e Samoa, principalmente). Caracteriza-se pelas suas cerâmicas decoradas com motivos dentados feitos com pentes ou pontas, bem como objetos feitos de obsidiana e conchas. Entre 500 AC C. e 500 DC. C. a colonização continuou em direção à Micronésia, Melanésia e Polinésia oriental (Ilhas da Sociedade, Marquesas, Ilha de Páscoa, Havaí), embora nestas fases iniciais não tenham sido encontrados numerosos vestígios, exceto alguns utensílios e contas, principalmente feitos de conchas. Na Austrália destacam-se as pinturas rupestres, bastante esquemáticas, chegando à simplificação geométrica.[29].
Outras manifestações
• - Arte hitita: o povo hitita viveu na península da Anatólia, Armênia e Síria, entre o século III e o milênio aC. C. Recebeu influência mesopotâmica e, por sua vez, influenciou a arte persa, minóica e etrusca. A sua arquitetura era monumental, com palácios precedidos de avenidas com esculturas de esfinges, como em Boğazköy, onde também apareciam vários relevos com cenas de guerra e caça. Destacaram-se também as esculturas de Karkemish e Tell-Halaf (Síria).
• - Arte fenícia: povo de tradição marítima, dedicado principalmente ao comércio, navegou pelo Mediterrâneo e Norte da África, fundando a cidade de Cartago, na atual Tunísia. Eles transmitiram a influência da arte oriental por todo o Mediterrâneo. Destacam-se suas esculturas, de influência assíria e egípcia, com certa rigidez arcaica e falta de naturalidade. A arte fenícia também ocorreu em diferentes áreas do Mediterrâneo, especialmente Chipre, Sardenha e Ibiza (Ibiza (ilha)).
• - Arte cita: também chamada de “arte das estepes”, corresponde aos povos nômades que habitaram as planícies eurasianas, principalmente entre o II e o milênio aC. C. A sua arte era predominantemente móvel, fácil de transportar, sendo um povo nómada. Ligados à metalurgia, destacam-se os objetos em bronze, ferro e metais preciosos (armas, escudos, fíbulas, cintos, joias), além de trabalhos em madeira, osso, couro, tecidos e tapetes. Em suas obras destacam-se motivos animalescos, possivelmente de origem totêmica. A arte cita influenciou a dos povos germânicos, vikings e cristãos primitivos.
• - Arte ibérica: desenvolveu-se na Península Ibérica ao mesmo tempo que a cultura La Tène, principalmente na Andaluzia e na zona oriental e, em menor medida, no Planalto Central e no sul de França. A arquitectura baseava-se em paredes de taipa, com sistema de verga, criando arcos e falsas abóbadas por aproximação de cursos. As cidades eram geralmente construídas em acrópoles, como em Azaila, Ullastret e Olérdola. A escultura desenvolveu-se notavelmente, destacando a tipologia das “senhoras”, como as de Elche, Baza e Cerro de los Santos. Também era típica a representação de animais (cavalos, touros, leões), alguns de natureza antropóide, como a Bicha de Balazote.
• - Arte persa: importante cultura desenvolvida na Pérsia sob o reinado de duas importantes dinastias: a Aquemênida (560-331 aC) e a Sassânida (226-640 dC). A arquitetura persa reuniu as formas mesopotâmicas com as egípcias, utilizando a pedra pela primeira vez em grandes palácios como os de Susa, Persépolis e Pasárgada, onde surgiu pela primeira vez o uso de janelas - ao contrário da iluminação superior até então utilizada - e onde se destacam as grandes salas ou apadanas, com altas colunas e capitéis em voluta. Na era sassânida surgiram palácios (Ctesifonte, Firuzabad) com sistemas abobadados com cúpulas em squinches e um pórtico ou iwan com grande arco aberto para um pátio, o que influenciaria a arte islâmica. Na escultura persa destacam-se os relevos, em pedra ou cerâmica esmaltada, com cenas de guerreiros, lutas com monstros ou animais como touros e leões.[30].
arte clássica
Se denomina arte clásico[nota 2] al arte desarrollado en las antiguas Grecia y Roma, cuyos adelantos tanto científicos como materiales y de orden estético aportaron a la historia del arte un estilo basado en la naturaleza y en el ser humano, donde preponderaba la armonía y el equilibrio, la racionalidad de las formas y los volúmenes, y un sentido de imitación («mímesis») de la naturaleza que sentaron las bases del arte occidental, de tal forma que la recurrencia a las formas clásicas ha sido constante a lo largo de la historia en la civilización occidental.
Grécia
As principais manifestações artísticas que marcaram a evolução da arte ocidental desenvolveram-se na Grécia. Após primórdios onde se destacaram as culturas minóica e micênica, a arte grega desenvolveu-se em três períodos: arcaico, clássico e helenístico. Caracterizada pelo naturalismo e pelo uso da razão nas medidas e proporções, e com um sentido estético inspirado na natureza, a arte grega foi o ponto de partida da arte desenvolvida no continente europeu.
Na arquitetura destacaram-se os templos, onde se sucederam três ordens de construção: Dórica, Jônica e Coríntia. Eram construções de pedra, sobre pedestal (krepis), com ou sem pórtico (ou com pórtico na frente e atrás, ou seja, anfiprostilo), com ou sem colunas (que podem ser frontais, laterais, ou podem circundar todo o edifício, caso em que é denominado peripteral), e geralmente coroadas em forma de frontão "Fronton (arquitetura)"), localizado acima do entablamento, cujo friso costuma apresentar relevos. escultórico Destaca-se especialmente o complexo da Acrópole, com o templo dórico do Partenon e os templos jônicos do Erecteion e do Nike Áptera. Outras obras relevantes foram o Teatro de Epidauro e a Lanterna de Lisícrates, e o planejamento urbano foi desenvolvido por Hipódamo de Mileto.
Na escultura predominou a representação do corpo humano, baseada na harmonia das proporções. Nos tempos arcaicos davam-se formas rígidas e esquemáticas, de grande expressividade, destacando-se um tipo de sorriso próximo da careta, denominado “sorriso eginético” por ter a sua maior representação nas figuras do Templo de Afaia em Egina. Estátuas de atletas nus (kouros) e meninas vestidas (kore) também são típicas desta época. No século AC. C. (o chamado “século de Péricles”), estabeleceu-se o classicismo, levando à perfeição o cânone nas proporções do corpo humano, com maior naturalismo e um estudo da alma na expressão da figura representada. Destacaram-se especialmente os trabalhos de Miron, Fídias e Policleto. Numa segunda fase classicista, a serenidade naturalista foi quebrada para enfatizar a expressão, que é mais trágica e angustiante, como percebemos na obra de Escopas, Praxíteles e Lísipo. Finalmente, no período helenístico, a proporção e a harmonia dão lugar à sobrecarga e à sinuosidade, ao dinamismo violento da forma e à expressão patética do sentimento, como no Laocoonte e no Touro Farnese, embora as formas clássicas persistam em obras como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia.
A pintura desenvolveu-se principalmente em cerâmica, em cenas do quotidiano ou com temas históricos ou mitológicos. Normalmente estabelecem-se dois períodos, dependendo da técnica de confecção da cerâmica pintada: “figuras pretas sobre fundo vermelho” (até ao século a.C.) e “figuras vermelhas sobre fundo preto” (a partir do século a.C.). Embora numerosas amostras não tenham chegado aos dias de hoje, há evidências de fontes históricas dos nomes de vários pintores gregos famosos, como Zêuxis, Apeles, Parrásio, Eufranor, Polignoto, etc.[32].
A literatura grega atingiu níveis de grande qualidade, lançando as bases da literatura ocidental. Configuraram-se os gêneros literários (épico, lírico e dramático), sendo a religião e a mitologia a base do enredo de suas obras. Desde os primórdios da tradição oral (o épico), a literatura escrita surgiu com o desenvolvimento do alfabeto grego por volta do século AC. C.. Os mitos gregos eram uma fusão de elementos indo-germânicos e mediterrâneos, com um sentido estético particular que daria origem à poesia. Originalmente, o mythos grego era uma história explicada, de tradição oral, considerada confiável – ao contrário de hoje, onde “mito” é sinônimo de lenda, ficção; Com a épica e a poesia, o mito passou para a literatura, principalmente com a figura de Homero e suas duas grandes obras: a Ilíada e a Odisséia. A poesia se destacou pelas letras corais que expressavam sentimentos coletivos, como se vê nas obras de Hesíodo, Píndaro, Safo e Anacreonte. A prosa também foi desenvolvida, especialmente no gênero histórico, destacando-se Heródoto, Tucídides e Xenofonte; oratória, representada por Demóstenes, Platão e Aristóteles; e a fábula, praticada por Esopo.[33].
Na Grécia nasceu o teatro, entendido como “arte dramática”, onde a par de um texto - onde predomina o diálogo, base da representação cénica -, intervêm também actores, cenários, luzes e efeitos sonoros, figurinos, maquilhagem, etc. O teatro grego evoluiu de antigos rituais religiosos (komos); O ritual virou mito e, por meio da “mimese”, a palavra foi acrescentada, resultando em tragédia. Ao mesmo tempo, o público passou de participante do ritual a observador da tragédia, que tinha um componente educativo, de transmissão de valores, bem como de purgação de sentimentos (“catarse”). Mais tarde surgiu a comédia, com uma primeira componente de sátira e crítica política e social, conduzindo posteriormente a temas tradicionais e personagens arquetípicas. Depois também apareceram o mimetismo e a farsa. Os principais dramaturgos gregos foram: Ésquilo, Sófocles e Eurípides na tragédia, enquanto na comédia se destacaram Aristófanes e Menandro.[34].
A música grega nos é desconhecida a nível auditivo, só temos uma ideia de como poderia ser através de documentos escritos. Os gregos escreviam músicas com as letras do alfabeto, mas não se sabe a duração de cada nota, portanto o ritmo é desconhecido. Uma das primeiras modalidades foi o ditirambo, relacionado ao culto a Dionísio. O teatro e as narrativas épicas foram cantadas, embora desde a perda das anotações musicais tenham permanecido como documentos escritos. Na Grécia foi a primeira vez na história que a música foi estudada cientificamente: Pitágoras relacionou-a com a matemática e foram escritos tratados teóricos sobre música, sendo o primeiro o de Aristoxeno no século AC. C. Os principais instrumentos utilizados na Grécia eram: a lira "Lira (instrumento musical)"), o kithara, o aulós "Aulos (instrumento)"), a seringa "Siringa (instrumento musical)"), vários tipos de tambores - como o tímpano -, a cascavel, o címbalo, o sistro, etc.[35] A Grécia foi o primeiro lugar onde a dança foi considerada uma arte, tendo uma musa a ela dedicada: Terpsícore. Os primeiros vestígios provêm novamente dos cultos a Dionísio, enquanto foi nas tragédias - principalmente as de Ésquilo - onde se desenvolveu como técnica, nos movimentos rítmicos do coro.[36].
Roma
Com um claro precedente na arte etrusca, a arte romana foi muito influenciada pela arte grega. Graças à expansão do Império Romano, a arte clássica greco-romana alcançou quase todos os cantos da Europa, Norte de África e Médio Oriente, lançando as bases evolutivas para a arte futura desenvolvida nestas áreas.
A arquitectura destacou-se pelo seu carácter prático e utilitário: grandes engenheiros e construtores, os romanos destacaram-se na arquitectura civil, com a construção de estradas, pontes, aquedutos e obras urbanas, bem como templos, palácios, teatros, anfiteatros, circos, termas, arcos triunfais, etc. alvenaria. Utilizaram as ordens gregas, às quais acrescentaram a ordem toscana, de fuste liso e capitel com gola e equino "Equina (arquitetura)") encimado por ábaco quadrado "Abaco (arquitetura)"). Entre as suas principais obras podemos lembrar o Coliseu, o Panteão de Agripa, o Teatro de Mérida, a Maison Carrée de Nîmes, as Termas de Caracalla, o Aqueduto de Segóvia, o Arco de Constantino, a Torre de Hércules, etc.
A escultura, de inspiração grega, também tinha como foco a figura humana, embora com mais realismo, não se importavam em mostrar defeitos que eram ignorados pela escultura grega idealizada. Um gênero muito difundido foi o retrato, com grande detalhamento e fidelidade nos traços, perceptível no uso da trefina para produzir o claro-escuro e no fato de gravar as pupilas. Mais idealizados são os retratos dos imperadores, feitos em três versões: togata, como patrício; thoracata, como soldado; e apoteose, como divindade. O relevo "Relevo (arte)") destacou-se especialmente, em temas históricos ou religiosos, como vemos no Ara Pacis de Augusto, no Arco de Tito e na Coluna de Trajano.
A pintura é conhecida sobretudo pelos vestígios encontrados em Pompéia, onde podem ser vistos quatro estilos: inlay, que imita o revestimento de mármore; o arquitetônico, assim chamado porque simula arquiteturas; o ornamental, com arquiteturas fantásticas, guirlandas e putti; e o fantástico, uma mistura dos dois anteriores, com paisagens imaginárias, diversas formas arquitetônicas e cenas mitológicas. O mosaico também se destacou, em opus sectile, de formas geométricas, ou opus tesellatum, com pequenas peças que formam cenas figurativas, como O Sacrifício de Ifigênia em Ampurias ou A Batalha de Isos em Nápoles.[37].
A literatura romana recebeu, como nas demais artes, influência grega, da qual adotaram técnicas e gêneros; A principal inovação latina foi o conceito de “estilo” que os romanos aplicaram às suas obras. Embora a sua produção não tenha sido de grande qualidade - no aspecto estético-literário - a obra dos autores latinos exerceu grande influência na literatura ocidental, devido à sua influência na literatura cristã e medieval, e porque o latim foi a origem das línguas vernáculas posteriormente faladas em muitos lugares da Europa. Cultivaram os mesmos gêneros dos gregos, destacando Lucrécio, Virgílio, Horácio e Ovídio na poesia; em prosa, Petrônio e Apuleio; na oratória, Cícero e Sêneca; na historiografia, Salústio, Tácito e Tito Lívio.[38].
arte medieval
La caída del Imperio romano de Occidente marcó el inicio en Europa de la Edad Media, etapa de cierta decadencia política y social, pues la fragmentación del imperio en pequeños estados y la dominación social de la nueva aristocracia militar supuso la feudalización de todos los territorios anteriormente administrados por la burocracia imperial. El arte clásico será reinterpretado por las nuevas culturas dominantes, de origen germánico, mientras que la nueva religión, el cristianismo, impregnará la mayor parte de la producción artística medieval.
Arte cristã primitiva
A arte paleocristã é chamada de arte feita pelos primeiros seguidores desta nova religião, primeiro de forma oculta, enquanto ainda eram perseguidos pelo poder imperial, e mais tarde, após a conversão ao cristianismo do imperador romano Constantino, tornou-se o estilo oficial do Império. As formas clássicas foram reinterpretadas para servir de veículo de expressão da nova religião oficial, e ocorreu uma atomização de estilos por áreas geográficas.
Na arquitetura, as primeiras manifestações ocorreram na área dos cemitérios ou “catacumbas”, que serviam simultaneamente como locais de encontro de devotos cristãos perseguidos. Com a legalização da sua religião, a basílica destacou-se como tipologia, uma adaptação do edifício romano do mesmo nome que, no entanto, passou de função civil a religiosa. Geralmente era composto por três partes: um átrio de entrada, o corpo da basílica, dividido em três naves "Nave (arquitetura)"), e o presbitério "Presbitério (arquitetura)"), onde está localizado o altar. Destacam-se as basílicas de São Pedro no Vaticano, São João de Latrão, São Lourenço e São Clemente em Roma e São Apolinário em Ravena.
As artes figurativas iniciam o caminho da arte medieval, eminentemente religiosa, dando preponderância ao simbolismo das cenas representadas sobre o realismo da narrativa ou o seu carácter estético. Na escultura destacaram-se os sarcófagos, que evoluíram da simples decoração ornamental com molduras côncavas (estrígiles) à narração de cenas em friso. A pintura ocorreu sobretudo nas catacumbas, com cenas religiosas e alegóricas, e surgiu a miniatura, iluminura manuscrita, com duas escolas principais: a helenística-alexandrina e a síria. O mosaico ganhou especial relevância, que teve grande desenvolvimento, influenciando a arte bizantina; Os melhores exemplos são encontrados em Santa Maria Maggiore em Roma "Basílica de Santa María Maggiore (Roma)") e San Apollinaris e San Vitale em Ravenna.[40].
A literatura cristã foi desenvolvida em latim e grego, geralmente para fins didáticos e propagandísticos da nova fé. Eram obras práticas, sem intenção estilística, com finalidade moralizante. A princípio, destacou-se o desenvolvimento do Novo Testamento, escrito em grego, com três partes principais: os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João), o corpus epistolar (cartas de São Paulo e outros apóstolos) e o Apocalipse de São João. Surgiu então uma série de escritos apologéticos dos chamados Padres da Igreja: Atenágoras, Orígenes, Clemente de Alexandria, Eusébio de Cesaréia, etc. Quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império, surgiu uma tendência mais literária, mais elaborada e retórica, com destaque para São Basílio, o Grande, São João Crisóstomo e São Gregório de Nazianzo. Entre os exegetas latinos destacaram-se Tertuliano, Lactâncio, Prudêncio, São Jerônimo (tradutor da Bíblia para o latim, a chamada Vulgata) e, especialmente, Santo Agostinho.[41]
A música cristã primitiva foi herdada da música romana, bem como da liturgia judaica. A missa foi cantada, tipo coral. No século II, Santo Ambrósio introduziu o canto ambrosiano, uma ondulação vocal sem ritmo ou saltos entre notas. Mais tarde, o Papa Gregório I, o Grande, criou o canto gregoriano (séc.), de linha melódica contínua, em forma de missal (missalis romanum). Existem três estilos de canto gregoriano, que são classificados de acordo com o número de tons diferentes cantados por sílaba: quando há um tom por sílaba é denominado estilo "silábico"; 2 a 5 tons por sílaba são chamados de "pneu"; e 6 ou mais tons por sílaba são chamados de "melismáticos".[42].
Arte germânica
A invasão do Império Romano pelos povos germânicos levou à fragmentação do território em vários reinos, onde os povos invasores tornaram-se a classe dominante, embora a cultura romana tenha sobrevivido entre as classes humildes. Esta convivência cultural gerou o aparecimento de línguas vernáculas e a criação de novas entidades políticas e culturais, que se fortalecerão ao longo da Idade Média até formar as diversas nacionalidades que hoje existem no mundo ocidental.
As primeiras manifestações arquitetônicas destas cidades foram de pouca relevância, devido à pobreza dos materiais utilizados e à falta de um grande programa de construção. Foram utilizadas instalações e materiais romanos, difundindo-se o uso do arco semicircular e da abóbada. Destacam-se as construções ostrogóticas na Itália, como o Mausoléu de Teodorico em Ravenna. Na escultura, os relevos se destacaram, como os de Poitiers na França ou de Cividale na Itália. Pintura desenvolvida em miniatura, como vemos nos sacramentários de Luxeuil e Gelasiano (Vaticano).
Entre os povos germânicos, merecem destaque os visigodos, radicados na Península Ibérica, que desenvolveram um estilo próprio de grande relevância. A arquitetura destacou-se pela utilização da alvenaria de silhar, do arco em ferradura e da abóbada de berço ou de estrias. Desenvolveram três tipos de igrejas "Igreja (edifício)"): a basílica de três naves (San Juan de Baños "Igreja de San Juan (Baños de Cerrato)")), aquela com nave com câmaras laterais (San Pedro de la Mata) e aquela com cruz grega (Santa Comba de Bande). Na escultura, vale destacar a incorporação da escultura figurativa nas igrejas, especialmente em frisos e capitéis, como em Quintanilla de las Viñas "Ermita de Santa María (Quintanilla de las Viñas)") e San Pedro de la Nave "Igreja de San Pedro de la Nave (El Campillo)"). A ourivesaria também se destacou, principalmente em coroas e cruzes, como as encontradas nos tesouros de Guarrazar e Torredonjimeno.[43].
Arte pré-românica
Este é o nome dado aos múltiplos estilos desenvolvidos na Europa desde a coroação de Carlos Magno (ano 800) até cerca do ano 1000, onde o aparecimento do Românico significará a difusão de um mesmo estilo unitário por todo o continente europeu. Este significado é simplesmente uma forma de abranger uma série de estilos independentes com poucos ou nenhuns factores comuns, sendo o único factor unificador o facto de serem antecessores da internacionalização do românico.
• - Arte carolíngia: a coroação de Carlos Magno significou de certa forma a restauração do Império Romano, o que levou a um renascimento cultural e a um primeiro regresso à cultura clássica como fonte de inspiração, embora matizada pela religião cristã. A arquitetura carolíngia baseava-se na utilização de pilares em vez de colunas, com arcos semicirculares e telhados de madeira ou abóbadas de berço. Exemplos disso são a Capela Palatina em Aachen e os mosteiros beneditinos como Sankt Gallen, Fulda e Corvey. A escultura foi produzida principalmente em marfim e bronze, como a Estátua Equestre de Carlos Magno (Louvre). A pintura limitou-se à miniatura, com diversas escolas como a Palatina, Tours, Reims e Saint-Denis.
• - Arte otoniana: é assim chamada porque coincide com os reinados de Otto I, Otto II e Otto III. Arquitetonicamente são herdeiros da arte carolíngia: o modelo de Aachen pode ser visto no coro da Abadia de Essen e em Ottmarsheim, enquanto o modelo da basílica beneditina está presente em São Ciríaco de Genrode, São Miguel de Hildesheim e na catedral de Speyer. Nas artes plásticas percebe-se a influência bizantina, devido ao casamento de Otão II com Teófano de Constantinopla: na escultura, destacam-se as obras em bronze, como as portas de São Miguel de Hildesheim; na pintura, vale destacar os afrescos de São Jorge de Oberzell").
• - Arte Celta: nas Ilhas Britânicas, recentemente evangelizadas, a arte Celta viveu um tempo de esplendor. Na arquitetura, poucos vestígios são preservados, já que geralmente foi construído em madeira: merecem destaque as igrejas de Deerhurst e Bradford-on-Avon. Na escultura, destacam-se as grandes cruzes irlandesas, decoradas em relevo, como as de Moone"), Kells e Monasterboice. A miniatura teve influência carolíngia, destacando-se a escola de Winchester, à qual pertencia o Pontifício de Saint Aethelwold (Museu Britânico).
• - Arte viking: a arquitetura foi feita em madeira, com destaque para as igrejas em formato de pirâmide, com telhados pontiagudos e projeções altamente verticais, no estilo das salas de reuniões vikings, como a igreja norueguesa de Borgund. Destacam-se também os trabalhos de ourivesaria, com destaque para as fíbulas com agulhas longas e as espadas com botão terminal e argolas no punho.
• - Arte asturiana: com a invasão islâmica da Península Ibérica, os cristãos ficaram reduzidos à região das Astúrias, que viu a arte florescer notavelmente, especialmente na arquitectura, onde se distinguem três fases, dependendo do reinado de Ramiro I: pré-Ramirense, Ramirense e pós-Ramirense. Caracteriza-se pela utilização de paredes de silhar, arcos semicirculares -por vezes inclinados#Tipos_de_arcos_de acordo_com_a_forma_de_intradós "Arco (arquitetura)")—, abóbadas de berço com arcos transversais e contrafortes exteriores. A tipologia principal é a basílica de três naves, com amplo transepto "Cruzeiro (arquitetura)") e três capelas retangulares na cabeceira. No primeiro período destaca-se a igreja de San Julián de los Prados; no Ramirense, Santa María del Naranco, San Miguel de Lillo e Santa Cristina de Lena; e na área pós-Ramiran, San Salvador de Valdediós.
Arte bizantina
Apesar da queda do Império Romano Ocidental, este perdurou no Oriente – conhecido como Império Bizantino – [nota 3] até a conquista de Constantinopla em 1453 pelos turcos otomanos. Herdeira da arte helenística, a arte bizantina reuniu as principais tradições artísticas orientais, das quais foi a porta de entrada para a Europa, onde a arte bizantina influenciou a arte pré-românica e românica. Três "idades de ouro" são distinguidas na arte bizantina: a primeira no século II, coincidindo com o reinado de Justiniano; uma segunda do século até a tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204; e um terço no século, com a dinastia Paleologos.
Pedra e tijolo foram utilizados na arquitetura, com revestimentos exteriores de placas de pedra com relevos e interiores em mosaico. Abundava o uso da coluna, com capitéis cúbicos "Cubo (geometria)") decorados com relevos em dois planos, ou em forma de ninho de vespas. Foram utilizados o arco semicircular e a abóbada com cúpula sobre pendentes. A tipologia mais utilizada foi a de planta centralizada - talvez pela importância dada à cúpula -, com átrio de entrada, nártex, presbitério "Presbitério (arquitetura)") e coro ao fundo, com duas câmaras laterais ou sacristias e altar sob baldaquino. As primeiras manifestações, da época de Justiniano, são as mais monumentais: igreja dos Santos Sérgio e Baco, Santa Irene e Santa Sofia[nota 4] em Constantinopla; Na segunda época de ouro destacam-se a Catedral de Santa Sofia em Kiev e São Marcos em Veneza; e no terceiro vale a pena mencionar os complexos de Mistra, Thessaloniki e Monte Athos.
Na época de Justiniano, as artes figurativas tiveram uma influência cristã primitiva, ao mesmo tempo que incluíam várias tradições anteriores, especialmente a helenística e a síria neoática, destacando-se os complexos musivares de San Demetrius de Thessaloniki "Igreja de San Demetrius (Thessaloniki)") e San Vital de Ravenna. Na segunda idade de ouro, a estética e a iconografia bizantina estabeleceram-se, especialmente em torno dos ícones “Ícone (religião)”, com forte carga simbólica das imagens, com figuras estilizadas e perspectivas hierárquicas (o tamanho da figura depende da sua importância religiosa). A escultura era geralmente em relevo, sobre pedra ou marfim, destacando imagens de “consagração imperial” (Cristo com as mãos na cabeça dos imperadores). Na Terceira Idade de Ouro, a pintura substituiu o mosaico, especialmente os ícones da pintura em painel, com destaque para as escolas de Chipre, Salónica, Creta, Veneza e Moscovo (onde Andrei Rubliov se destacou).
Arte islâmica
Com a Hégira de Maomé em 622, surgiu uma nova religião, o Islão, que se espalhou rapidamente do Próximo Oriente através do Norte de África, chegando à Europa com a conquista da Península Ibérica e da zona dos Balcãs após a queda do Império Bizantino. Ao longo do tempo, a nova religião reuniu uma grande diversidade de povos e culturas, sendo a sua arte o reflexo dessa disparidade, tendo inúmeras manifestações e variantes estilísticas dependendo da região onde foi produzida. A maioria das manifestações da arte islâmica são obras de arquitetura – que incluem magníficas esculturas ou outras ornamentações. Quanto à pintura e à escultura, a proibição religiosa de representação de imagens figurativas fez com que esta se desenvolvesse sobretudo como ornamentação, em motivos abstratos ou geométricos; Os poucos exemplos de obras figurativas geralmente ocorriam em ambientes privados, como palácios.
A arquitetura destacou-se pela utilização do arco pontiagudo - que em al-Andalus era um arco em ferradura devido à herança da arte visigótica -, por vezes utilizado em sobreposição e interseção, surgindo posteriormente o arco lobado#Lobed_arc "Arco (arquitetura)"), geralmente com três ou cinco lóbulos. Foram utilizados vários tipos de abóbada, como a abóbada de galão e a abóbada nervurada. Grande importância foi dada à decoração ornamental, geralmente em gesso, alabastro, mármore, mosaico ou pintura, de carácter abstracto, com motivos epigráficos, vegetalistas ou rendados. A tipologia principal é a mesquita, geralmente composta por um grande pátio (sahn), a torre ou minarete e a sala de orações (haram), ao fundo (quibla) existe um nicho denominado mihrab, por vezes precedido por um espaço com arcos (macsura). Destacam-se as mesquitas de Damasco, a mesquita Rock e al-Aqsa em Jerusalém, a mesquita Samarra, a mesquita Ibn Tulun no Egito, a mesquita Isfahan, a mesquita Tamerlão em Samarcanda, a Mesquita Azul em Istambul, etc.
Em al-Andalus, a arte islâmica teve o seu momento de esplendor no emirado de Córdova: a arquitectura cordoba foi herdeira das formas hispano-romanas e visigóticas, como o demonstra a utilização do arco em ferradura, que se enquadra num alfiz e ao qual se acrescenta uma alternância característica das suas aduelas em vermelho e branco. Seu principal monumento é a Mesquita de Córdoba, composta por onze naves perpendiculares à qibla, com uma série de arcos sobrepostos, semicirculares na parte superior e em ferradura na parte inferior, com a tradicional alternância branco-vermelho. Também merecem destaque a Mesquita Bab al-Mardum em Toledo e o Palácio Medina Azahara. Outras importantes manifestações da arte islâmica na península foram as produzidas em Sevilha durante o domínio almóada, destacando-se a Giralda e a Torre del Oro; e a arte nasrida em Granada, que tem a sua principal expressão na Alhambra.[48].
A literatura árabe começou com uma obra de grande significado, o , livro sagrado do Islã escrito por Maomé e consagrado em seu texto definitivo pelo califa Uthman Ibn Affan em 650. É composto por 114 capítulos (), em versos rimados, com dois grupos principais de pregações: as escritas por Maomé em Meca, de tom breve e poético, de uma religiosidade mais fervorosa; e os escritos em Medina, mais longos e discursivos, expondo os principais preceitos da nova religião. O foi a base gramatical e estilística da literatura árabe, que se desenvolveu especialmente na poesia (Abu Nuwas, al-Mutanabbi, Ibn Quzman); e prosa, seja filosófica (al-Kindi, Avicena, Avempace, Ibn Tufail, Averróis), histórica (Ibn Khaldun), narrativa (Ibn al-Muqaffa, al-Jahiz), ou fantástica (al-Hamadani"), al-Hariri"). Vale destacar a coletânea de contos intitulada , obra anônima escrita ao longo dos séculos e em vários estilos, e que é um impressionante exercício de engenhosidade e fantasia.[49].
Arte românica
A arte românica representa o primeiro estilo internacional da cultura da Europa Ocidental, com uma identidade totalmente consolidada após a passagem do latim para as línguas vernáculas. De natureza eminentemente religiosa, quase toda a arte românica visava a exaltação e difusão do cristianismo. Surgida em meados do século, desenvolveu-se fundamentalmente ao longo do século, no final do qual começou a coexistir com o incipiente gótico. Os vários estilos produzidos pelo pré-românico culminaram no românico, enquanto se denota a influência oriental da arte bizantina.
A arquitetura destacou-se pela utilização de paredes de silhar, arcos semicirculares e abóbadas de berço, apoiadas em pilares por arcos transversais, correspondentes aos contrafortes exteriores; Também são frequentes as cúpulas, em squinches "Trompa (arquitetura)") ou pendentes. As igrejas têm uma ou três naves, com transepto "Crucero (arquitetura)") e às vezes deambulatório. Iniciou-se a construção de grandes catedrais, que continuará durante o período gótico. Como principais exemplos temos: o Mosteiro de Cluny, San Lázaro de Autun, Santa Fe de Conques, San Saturnino de Toulouse, San Front de Périgueux e San Esteban de Caen "Igreja de San Esteban (Caen)") na França; as catedrais de Durham, York e Canterbury, na Inglaterra; Santo Ambrósio de Milão "Basílica de Santo Ambrósio (Milão)"), Santo Abundius de Como, São Zenão de Verona e as catedrais de Parma, Modena, Pisa e Lucca na Itália; as catedrais de Speyer, Mainz e Worms na Alemanha; as catedrais de Braga e Coimbra em Portugal; e San Pedro de Roda, San Isidoro de León, San Martín de Frómista, San Juan de Duero (Soria), Santo Domingo de Silos e as catedrais de Jaca, Solsona e Santiago de Compostela na Espanha.[51].
A escultura desenvolveu-se sobretudo no enquadramento arquitectónico, de carácter religioso, com figuras esquematizadas, sem realismo, de signo simbólico, com marcado carácter didáctico, devido ao analfabetismo da época. Os principais ciclos escultóricos ocorrem no tímpano "Tímpano (arquitetura)") dos portais de acesso a igrejas e catedrais, como em Santa Madeleine de Vézelay, São Lázaro de Autun, Santa Fé de Conques e Pórtico Real de Chartres. Na Itália destacou-se a figura de Benedetto Antelami, que trabalhou na Catedral de Parma, como em sua magnífica Descida (1178). Em Espanha destacaram-se em primeiro lugar as oficinas catalãs de Ripoll e da zona dos Pirenéus, as oficinas de marfim de León "León (Espanha)") (Crucifixo de Fernando I), as oficinas do Caminho de Santiago, as Platerías Fachada da Catedral de Santiago e o claustro de Silos; No século, foram produzidas várias escolas regionais: a catalã (portal do mosteiro de Santa María de Ripoll), a aragonesa (mosteiro de San Pedro el Viejo "Monasterio de San Pedro el Viejo (Huesca)") em Huesca), a navarra (portal de Sangüesa) e a castelhana (mosteiro de Santa María la Real de Nájera).
A pintura foi desenvolvida principalmente nos formatos mural e painel, bem como em miniatura. A sua temática era eminentemente religiosa, num estilo esquemático semelhante ao da escultura, com uma intenção simbólica muito distante da descrição naturalista. Teve forte influência bizantina, difundida especialmente pela ordem beneditina através da Abadia de Montecassino como centro radiante. A pintura mural esteve intimamente ligada à arquitetura, a ponto de quase todas as paredes das igrejas serem decoradas com pinturas, com um programa iconográfico que destacava a figura do Pantocrator - geralmente localizado na abside -, bem como os Tetramorfos, a Virgem "Maria (mãe de Jesus)") e os apóstolos, o Juízo Final e outras cenas do Antigo e do Novo Testamento. Alguns dos melhores exemplos encontram-se na Abadia de Sant'Angelo in Formis (Cápua), na igreja de San Clemente de Tahull e no panteão real de San Isidoro de León. Na pintura em painel, geralmente destinada a servir de frontal de altar, utilizou-se principalmente a têmpera. Na miniatura vale destacar as escolas inglesa e italiana.[53].
arte gótica
A arte gótica[nota 7] desenvolveu-se entre os séculos XIX e II, época de grande desenvolvimento econômico e cultural. O fim da era feudal significou a consolidação de estados centralizados, com maior predominância das cidades sobre o campo, enquanto um sector crescente da sociedade tinha acesso à cultura, que já não era património exclusivo da Igreja. A ascensão das universidades levou ao aumento dos estudos científicos, filosóficos e literários, lançando as bases da cultura moderna.
A arquitetura passou por uma profunda transformação, com formas mais leves, dinâmicas, com uma melhor análise estrutural que permitiu edifícios mais estilizados, com mais aberturas e, portanto, melhor iluminação. Surgiram novas tipologias, como o arco ogival e a abóbada nervurada, e a utilização de contrafortes e arcobotantes para sustentar a estrutura do edifício, permitindo interiores maiores decorados com vitrais e rosáceas. É a época das grandes catedrais, entre as quais vale destacar: Laon, Chartres, Amiens, Reims, Bourges e Notre-Dame de Paris, na França; Canterbury, Salisbury e Gloucester, na Inglaterra; Siena, Orvieto, Florença, Bolonha e Milão, na Itália; Colônia, Estrasburgo, Ulm e Magdeburgo na Alemanha; Santo Estêvão de Viena na Áustria; Barcelona, Gerona, Palma de Maiorca, Sevilha, Toledo, Burgos, León, Zamora e Sigüenza, em Espanha; e os mosteiros da Batalha e Alcobaza em Portugal. Em Espanha, também vale a pena destacar o desenvolvimento da arte mudéjar, fortemente influenciada pelas formas islâmicas, e que se caracteriza pela utilização de tijolo, gesso e pequenos quadrados de madeira: Cristo de la Vega "Iglesia de Santa Leocadia (Toledo)") (Toledo), San Lorenzo de Sahagún#Iglesia_de_San_Lorenzo "Sahagún (Espanha)"), Las Huelgas (Burgos), Santa Clara de Tordesillas, Convento de Guadalupe (Cáceres), Alcázar de Sevilha, etc.
A escultura continuou a enquadrar-se na obra arquitetónica, embora a escultura autónoma tenha começado a desenvolver-se, com formas mais realistas, inspiradas na natureza. Os artistas buscavam a beleza ideal, em formas simples e diáfanas, com certa melancolia e nobreza nos sentimentos, e com cenas de cunho narrativo. Na França destacam-se o Pórtico Real e os portais do transepto da Catedral de Chartres, bem como os complexos de Amiens e Reims. Na Itália destaca-se o ateliê de Nicola e Giovanni Pisano em Pisa, enquanto na Alemanha destaca-se o trabalho de Veit Stoss e Tilman Riemenschneider. Em Espanha destacam-se o Pórtico de la Gloria da Catedral de Santiago de Compostela, os portais da Colegiada de Toro e das catedrais de Tuy e Ciudad Rodrigo, os complexos de Burgos, León e Toledo, bem como a obra de Pere Johan e Gil de Siloé.
A pintura deixou de ser mural e passou para retábulos localizados nos altares das igrejas, e a pintura sobre tela, têmpera ou óleo começou a se desenvolver. Quatro estilos pictóricos se sucederam:
• - Gótico Linear ou Franco-Gótico: desenvolveu-se desde o século XIX até ao início do século XIX, caracterizado pelo desenho linear, pelo forte cromatismo, pelo naturalismo das linhas simples e pelo idealismo dos temas representados. Este estilo foi desenvolvido especialmente em vitrais e miniaturas.
A arte pré-colombiana floresceu com grande brilho até a descoberta da América. Os invasores destruíram inúmeras obras de arte pré-colombiana (máscaras, códices ilustrados, pedaços de penas e, principalmente, obras de ouro e prata, que foram derretidas). Mesmo assim, a marca pré-colombiana perdurou em inúmeras produções artísticas posteriores.
Várias culturas se desenvolveram no México: a primeira foi a de Teotihuacán, cidade construída entre os séculos II e II, de sistema reticular - com traçado de base astrológica -, onde se destacava uma grande avenida ladeada por templos em forma de pirâmide escalonada "Pirâmide (arquitetura)"), decorada com esculturas em relevo "Relevo (arte)") e pinturas a fresco. Os maias ocuparam a península de Yucatán e os atuais Belize e Guatemala (-séculos), desenvolvendo uma arte de significado religioso, onde também se destacaram os templos, concebidos sob medidas astronômicas, em formato piramidal (Tikal, Uxmal, Templo de Kukulcán em Chichén Itzá). A escultura era em relevo, geralmente de animais mitológicos, cobras, pássaros e figuras humanas, muitas vezes com hieróglifos. Os Toltecas (- séculos), no estado de Hidalgo, construíram o Templo do Deus da Estrela da Manhã em Tula, e nos deixaram um dos melhores exemplos de escultura pré-colombiana: o Chac Mool. No planalto mexicano desenvolveu-se (- séculos) a cultura asteca, que reuniu várias tradições anteriores numa arte sintética dedicada à expressão do poder. Na sua capital, Tenochtitlán, construíram uma grande cidade com grandes palácios e jardins, e templos em forma de pirâmide, dedicados ao sacrifício humano.
A arte inca floresceu nos Andes, emergindo assim como a arte asteca no século II, abrangendo os atuais Equador, Peru, Bolívia, Chile e parte da Argentina. Os Incas tinham uma cultura altamente desenvolvida, com avançados procedimentos metalúrgicos, cerâmicos e têxteis. Tal como os romanos, desenvolveram uma arquitetura e uma engenharia civil notáveis, com cidades planeadas e estradas bem traçadas, como o Caminho Real de las Montañas, com 6.000 quilómetros de comprimento, murado e 9 metros de largura. Sua capital, Cuzco, foi fortificada com paredes de silhares poligonais, técnica também utilizada em Machu Picchu. Seus edifícios eram retangulares ou circulares, com portas e janelas trapezoidais. Além da arquitetura, destacaram-se a cerâmica e a arte têxtil, geralmente decoradas com motivos geométricos. Na Bolívia, destacou-se a cidade de Tiahuanaco.[63].
A literatura pré-colombiana era predominantemente oral, por isso poucos vestígios chegaram até nós. No México, diversas expressões são preservadas na língua náuatle: escritos de signo religioso, cosmológico e divinatório (Códice Borgia); documentos administrativos e contas históricas (Xólotl Codex); e composições poéticas, como os hinos rituais coletados por Bernardino de Sahagún em Canções dos Deuses. Na língua maia destacam-se os livros de Chilam Balam, transcrição de obras hieroglíficas sobre tradições orais, e o , livro sagrado dos índios Quiché "Quiché (etnia)"). No Peru, a literatura inca é representada por uma série de obras de poesia religiosa, bem como por longos poemas narrativos com temas históricos ou mitológicos. Aparentemente, foi a única cultura pré-colombiana onde algo semelhante ao teatro foi desenvolvido, como pode ser visto no drama em língua quíchua .[64].
O Norte de África tinha mais relação com a arte europeia e asiática, e o cristianismo foi introduzido no século XIX, especialmente na Etiópia. Posteriormente, o Islamismo espalhou-se fortemente pelos países do Magrebe. A África Subsaariana, por outro lado, era mais isolada, com pequenos reinos atolados em disputas frequentes. Suas primeiras manifestações artísticas, em materiais perecíveis, não chegaram até nós. Os primeiros vestígios são esculturas em madeira, como as dos povos Tellem e Dogon, no atual Mali. Objetos de bronze aparecem na África Ocidental e Austral por volta do século I, como algumas embarcações do povo Igbo-Ukwu na Nigéria. A cultura Monomotapa floresceu no Zimbabué (- séculos), cuja capital, o Grande Zimbabué, era uma das maiores cidades de toda a África. Em Ifé (também na Nigéria), de cultura iorubá, surgiu ao longo dos séculos uma notável escola de figuras de terracota, de grande naturalismo. Datam deste período as igrejas escavadas na rocha de Lalibela, na Etiópia, onde se destaca também a pintura de temática cristã. Entre os séculos e um estilo mais esquemático de figuras de terracota, figuras masculinas com barba pontiaguda característica, ocorreram em Djenné (Mali). Finalmente, entre os séculos e, outra notável escola de escultura ocorreu no Benin, destacando-se a sua magnífica coleção de bronzes.[65].
• - Arte Gupta (séculos -): O Budismo expandiu-se no Império Gupta, com uma arte caracterizada pelo purismo formal, harmonia de proporções e idealização da figura humana. Destacam-se os grandes santuários rochosos ou vihara (Ajantā, Ellorā, Elephanta) e os templos ao ar livre (Bhitargaon, Bodhagaya, Deogarth, Sirpur). A arte Gupta se espalhou por quase todo o Deccan: os Chālukya" a usaram nos templos de Ahiōlē e Bādāmi (550-750), e os Pallavas a demonstraram em seu complexo arquitetônico-escultórico de Mahābalipuram. Esses estilos são frequentemente chamados de "pós-Gupta".
• - Arte hindu (séculos -): neste período sobrevivem os estilos anteriores, acentuando as formas bramânicas. O tipo de santuário mais difundido é o śikhara, como o de Udaipur. A arquitetura divide-se em duas tipologias: “o edifício coberto e a pirâmide” (Tanjore vimāna, século), e “o edifício com telhado curvilíneo” (templo Gujarāt). Entre os séculos - foi produzida a arte de Khajurāhō, expressão máxima da arte indo-ariana pela elegância formal e estética dos seus templos, bem como da escultura que os adorna. Em Orissā, na parte nordeste da Índia, desenvolveram-se novas tipologias que transformaram o śikhara e o vimāna em representações arquitetônicas dos deuses hindus, como em Bhubaneshwar e Kōnārka.[66].
A literatura indiana desta época foi realizada em diversas modalidades: o drama continuou com as épicas mitológicas, com forte selo de imaginação, com destaque para Bhavabhūti, autor de Malatimadhava, história sobre o amor de dois jovens que já foi comparada a Romeu e Julieta; O poema épico é herdeiro do Rāmāyana, em um novo gênero chamado mahakavya, de temas históricos e mitológicos, com destaque para o Rajatarangini de Kalhana") (por volta de 1150); a poesia lírica é representada pelo Sataka de Bhartrihari"), um conjunto de poemas sobre o conceito indiano de vida, e o Gītāgovinda de Jāyādeva, poemas de amor de tipo alegórico; Por fim, a fábula caracterizou-se por contos de ar popular, de cunho didático e instrutivo, com destaque para os autores Narayana "Naraian Pandit (fabulista)") e Sivadasa"). Vale destacar também o famoso Kama-sutra, compilado no século por Vātsyāyana, que é um conjunto de preceitos e conselhos relacionados ao amor e ao sexo.[67].
O teatro evoluiu sem grandes sinais de ruptura desde a antiguidade, em espetáculos onde, a par dos dramas mitológicos sobre a cosmogonia hindu, se destacavam o canto, a dança e a mímica. Nesta época destacavam-se duas modalidades principais: o mahanataka (grande espetáculo), sobre as grandes épicas indianas; e dutangada, em que um ator recita o texto principal enquanto outros o encenam com ajuda de mímica e dança.[68].
A música nesta época era predominantemente vocal, com acompanhamento de diversos instrumentos, principalmente cítaras e alaúdes. Vários tratados sobre música foram escritos: o de Matamga") (século), o de Nārada (século) e o de Śārngadeva") (século). Eles tinham sete notas (): sa, ri, ga, ma, pa, dha, ni; com 22 graus microtonais (). A melodia era composta por várias estruturas de ciclo tonal (), que incluíam vários ornamentos (). Por sua vez, cada está relacionado a um ou medida de tempo, para marcar o ritmo, que pode ser lento (), médio () ou rápido (). Por fim, o (pedal) é um som sustentado que sustenta o centro tonal, atuando como guia durante a execução da obra.[69].
Neste período, a expansão polinésia continuou em direção à periferia oceânica (Nova Zelândia, Ilhas Kermadec, Ilhas Chatham). Ocorreu uma grande diversificação cultural e artística: só na Melanésia, por exemplo, existiam mais de 1.000 grupos étnicos diferentes. A maioria das manifestações artísticas eram de natureza ritual, relacionadas com danças e cerimónias de tipo animista ou politeísta. Complexos arquitetônicos elaborados com esculturas de pedra e megálitos foram produzidos na Micronésia. Em Yap (Ilhas Carolinas), surgiu uma espécie de moeda de pedra composta por grandes discos com furo central. Em Guam e nas Ilhas Marianas destacam-se as casas sobre colunas de pedra (latte). No Havaí foram construídos grandes templos (heiau), com esculturas de madeira de até três metros de altura representando seus deuses. Nas Ilhas Marquesas existia uma espécie de construção de casas megalíticas sobre plataformas de pedra, com grandes estátuas antropomórficas. Na Nova Zelândia, os Maori desenvolveram um tipo de escultura em madeira com figuras de líderes políticos e religiosos, bem como pingentes esculpidos em nefrite (hei tiki). Por fim, vale destacar a construção na Ilha de Páscoa das famosas cabeças monolíticas (moai), das quais cerca de 600 foram erguidas entre os anos 900 e 1600. São figuras de 4 ou 5 metros, que foram colocadas em plataformas de pedra que serviram de base aos templos (ahu) de culto aos antepassados.[78].
Arte da Idade Moderna
El arte de la Edad Moderna —no confundir con arte moderno, que se suele emplear como sinónimo de arte contemporáneo—[nota 8] se desarrolló entre los siglos y . La Edad Moderna supuso cambios radicales a nivel político, económico, social y cultural: la consolidación de los estados centralizados supuso la instauración del absolutismo; los nuevos descubrimientos geográficos —especialmente el continente americano— abrieron una época de expansión territorial y comercial, suponiendo el inicio del colonialismo; la invención de la imprenta conllevó una mayor difusión de la cultura, que se abrió a todo tipo de público; la religión perdió la preponderancia que tenía en la época medieval, a lo que coadyuvó el surgimiento del protestantismo; a la vez, el humanismo surgió como nueva tendencia cultural, dejando paso a una concepción más científica del hombre y del universo.
El origen de la historia del arte como tal data del siglo , considerándose las Vidas de Giorgio Vasari el texto inaugural del estudio del arte con carácter historiográfico. El método que siguió el erudito florentino era la biografía del artista. Esta metodología fue la que se impuso hasta el siglo , cuando el historiador alemán Johann Joachim Winckelmann inició un nuevo tipo de análisis del arte buscando en el desarrollo de las civilizaciones una evolución estilística.[nota 9].
Renascimento
Surgido na Itália no século (Quattrocento), espalhou-se pelo resto da Europa a partir do final desse século e início do . Os artistas inspiraram-se na arte clássica greco-romana, razão pela qual se falava em "renascimento" artístico após o obscurantismo medieval. Estilo inspirado na natureza, surgiram novos modelos de representação, como o uso da perspectiva. Sem abrir mão da temática religiosa, a representação do ser humano e do seu meio tornou-se mais relevante, surgindo novos temas como o mitológico ou histórico, ou novos géneros como a paisagem, a natureza morta e até o nu “Nu (género artístico)”). A beleza deixou de ser simbólica, como na época medieval, para ter uma componente mais racional e comedida, baseada na harmonia e na proporção.
A arquitetura recuperou os modelos clássicos, retrabalhados com um conceito mais naturalista "Naturalismo (arte)") e com bases científicas: foram recuperadas a utilização do arco semicircular, a abóbada de berço, a cúpula meio-laranja e as ordens clássicas (Dórica, Jónica, Coríntia e Composta). A estrutura do edifício baseou-se em proporções matemáticas, que procuravam a perfeição das formas, ao mesmo tempo que realçavam a luminosidade e a abertura dos espaços. No Quattrocento destacou-se a arquitetura desenvolvida em Florença: Filippo Brunelleschi (cúpula de Santa María del Fiore, Basílica de San Lorenzo), Leon Battista Alberti (Santo André de Mântua "Basílica de Santo André (Mântua)")); enquanto no Cinquecento o centro artístico passou a ser Roma: Bramante (San Pietro in Montorio, Basílica de São Pedro no Vaticano), Antonio da Sangallo (Palácio Farnese). Nessa época, a jardinagem ganhou popularidade progressiva, que passou a ser concebida através de um projeto estruturado; Surgiu assim o chamado “jardim italiano”, de composição geométrica, construído em terraços com escadas (Jardín del Belvedere, Bramante; Villa Madama, Rafael). Fora da Itália, o Renascimento desenvolveu-se especialmente na França, com a obra de Philibert Delorme; na Alemanha só chegou em meados do século, com o castelo de Heidelberg e, especialmente no final do século, na Baviera; Na Holanda a influência italiana foi especialmente notável na decoração, em estruturas ainda de signo gótico; Na Inglaterra foi produzido o estilo Tudor, desenvolvido especialmente na construção de palácios civis, caracterizado pela utilização do arco Tudor; Na Rússia, o Renascimento italiano – introduzido por Aristóteles Fioravanti – foi adaptado ao estilo bizantino tipicamente russo, como no magnífico complexo do Kremlin. Na Espanha desenvolveram-se vários estilos: Plateresco, caracterizado pela utilização de paredes acolchoadas, colunas balaustradas e profusa decoração de grotescos (Alonso Covarrubias, Diego de Siloé); e purismo "Purismo (arquitetura)"), mais preocupado com a estrutura racional do edifício, abandonando a decoração exuberante do plateresco (Rodrigo Gil de Hontañón, Andrés de Vandelvira).
A escultura também buscou a perfeição idealizada do classicismo, embora a elegância curvilínea e as proporções esbeltas do gótico internacional tenham perdurado até o século. Foram utilizados materiais nobres, como o mármore e o bronze, com especial gosto pela forma monumental. A par da temática religiosa, desenvolveu-se a retratística, em bustos ou figuras equestres, ao estilo da Roma Antiga. Particularmente notáveis foram: Lorenzo Ghiberti, Jacopo della Quercia, Luca della Robbia, Andrea Verrocchio e, especialmente, Donatello (David, 1409; Judith e Holofernes "Judith and Holofernes (Donatello)"), 1455-1460); e, fora da Itália, Michel Colombe na França, Peter Vischer na Alemanha e Felipe Bigarny, Bartolomé Ordóñez e Damián Forment na Espanha.
A pintura sofreu uma evolução notável a partir das formas medievais, com formas naturalistas e temas seculares ou mitológicos a par dos religiosos. Os estudos de perspectiva permitiram trabalhos de grande efeito realista, baseados em proporções matemáticas, com especial uso da "proporção áurea" após o estudo publicado por Luca Pacioli (De Divina Proportione, 1509). Foram utilizados afrescos e têmpera, enquanto a pintura a óleo foi introduzida em meados do século devido à influência flamenga. Um de seus principais expoentes foi Leonardo Da Vinci, gênio multifacetado que introduziu o sfumato ou "perspectiva aérea", com obras como A Virgem das Rochas (1483), A Última Ceia "A Última Ceia (Leonardo)") (1495-1497), A Mona Lisa (1503), etc. seus afrescos nas Salas do Vaticano. Outros artistas notáveis foram: Masaccio, Fra Angelico, Paolo Ucello, Andrea del Castagno, Perugino, Piero della Francesca, Benozzo Gozzoli, Domenico Ghirlandaio, Botticelli, Andrea del Verrocchio, Luca Signorelli, Andrea Mantegna, Giovanni Bellini, Antonello da Messina, etc. Younger e Lucas Cranach, o Velho, na Alemanha; Quentin Metsys e Pieter Brueghel na Holanda; e Pedro Berruguete, Alejo Fernández, Vicente Masip, Juan de Juanes, Pedro Machuca e Luis de Morales na Espanha.
As artes industriais tiveram um grande boom devido ao gosto pelo luxo das novas classes abastadas: desenvolveu-se a marcenaria, especialmente na Itália e na Alemanha, destacando-se a técnica da intarsia, incrustações de madeira de vários tons para produzir efeitos lineares ou determinadas imagens. A tapeçaria destacou-se na Flandres, com obras baseadas em esboços desenvolvidos por pintores como Bernard van Orley. As cerâmicas foram fabricadas na Itália com vernizes vidrados, conseguindo tons brilhantes e de grande efeito. O vidro desenvolveu-se notavelmente em Veneza (Murano), às vezes decorado com fios de ouro ou filamentos de vidro colorido. A ourivesaria foi cultivada por escultores como Lorenzo Ghiberti, com peças de grande virtuosismo e elevada qualidade, destacando-se especialmente os esmaltes e camafeus. Com a invenção da imprensa, desenvolveram-se as artes gráficas, surgindo ou aperfeiçoando a maioria das técnicas de gravura: talhe doce (gravura-forte, água-tinta, gravura em buril, gravura em meio-tom ou gravura em ponta seca), linogravura, xilogravura, etc.[79].
A literatura renascentista desenvolveu-se em torno do humanismo, a nova teoria que destacava o papel primordial do ser humano sobre todas as outras considerações, especialmente as religiosas. Nessa época o mundo das letras recebeu um grande impulso com a invenção da imprensa por Gutenberg, fato que levou ao acesso à literatura por um público maior. Isto levou a uma maior preocupação com a ortografia e a linguística, surgindo os primeiros sistemas gramaticais nas línguas vernáculas (como o espanhol de Elio Antonio de Nebrija) e surgindo as primeiras academias de línguas nacionais. Entre os literatos desta época destacam-se: Angelo Poliziano, Matteo Maria Boiardo, Ludovico Ariosto, Jacopo Sannazaro, Pietro Bembo, Baldassare Castiglione, Torquato Tasso, Tomás Moro, Erasmo de Rotterdam, François Rabelais, Pierre de Ronsard, Michel de Montaigne, Edmund Spenser, Luís de Camões, etc. começou, que duraria até o século: a poesia, influenciada pelo italiano stil nuovo, incluía as figuras de Garcilaso de la Vega, Fray Luis de León, San Juan de la Cruz e Santa Teresa de Jesús; Na prosa surgiram os livros de cavalaria (Amadís de Gaula, 1508) e o gênero picaresco começou com Lazarillo de Tormes (1554), enquanto surgiu a obra de Miguel de Cervantes, o grande gênio das letras espanholas, autor do imortal Dom Quixote (1605).[80].
O teatro renascentista também acusou a transição do teocentrismo para o antropocentrismo, com obras mais naturalistas, de vertente histórica, tentando refletir as coisas como elas são. Buscou-se a recuperação da realidade, da vida em movimento, da figura humana no espaço, em três dimensões, criando espaços de efeitos ilusionistas, em trompe-l'œil. A regulação teatral surgiu a partir de três unidades (ação, espaço e tempo), baseadas na Poética "Poética (Aristóteles)") de Aristóteles, teoria introduzida por Lodovico Castelvetro. Por volta de 1520 surgiu no norte da Itália a Commedia dell'arte, com textos improvisados, em dialeto, predominando a mímica e introduzindo personagens arquetípicos como Arlequim, Columbine, Pulcinella (chamada na França de Guignol), Pierrot, Pantalone "Pantaleón (comédia de arte)"), Pagliaccio, etc. Naharro, Lope de Rueda e Fernando de Rojas, com sua grande obra La Celestina (1499). Na Inglaterra, destacou-se o teatro elisabetano, com autores como Christopher Marlowe, Ben Jonson, Thomas Kyd e, especialmente, William Shakespeare, um grande gênio universal das letras (Romeu e Julieta, 1597; Hamlet, 1603; Otelo, 1603; Macbeth, 1606).[81].
A música renascentista marcou a consagração da polifonia, bem como o fortalecimento da música instrumental, que evoluiria para a orquestra moderna. O madrigal "Madrigal (música)") surgiu como um género secular que combinava texto e música, sendo a expressão paradigmática da música renascentista. Em 1498 Ottaviano Petrucci idealizou um sistema de impressão adaptado à música, em pauta, com o qual a música começou a ser publicada. Como compositores renascentistas destacaram-se Orlandus Lassus, Carlo Gesualdo, Giovanni Gabrieli, Tomás Luis de Victoria, Cristóbal de Morales, Claudio Monteverdi e Giovanni Pierluigi da Palestrina. No final do século nasceu a ópera, iniciativa de um círculo de estudiosos (a Camerata Fiorentina) que, ao descobrir que se cantava o teatro grego antigo, teve a ideia de musicar textos dramáticos. A primeira ópera foi Dafne (1594), de Jacopo Peri, seguida por Euridice "Euridice (Peri)") (1600), do mesmo autor; em 1602, Giulio Caccini escreveu outra Eurídice; e, em 1607, Claudio Monteverdi compôs La favola d'Orfeo "Orfeo (ópera)"), onde acrescentou uma introdução musical que chamou de sinfonia, e dividiu as estruturas cantadas em árias.[82].
A dança renascentista teve uma grande revitalização, novamente devido ao papel preponderante do ser humano sobre a religião, de tal forma que muitos autores consideram esta época o nascimento da dança moderna. Foi desenvolvido especialmente na França - onde era denominado ballet-comique -, na forma de histórias dançadas, baseadas em textos mitológicos clássicos, sendo promovido principalmente pela rainha Catarina de' Médici. O primeiro balé é geralmente considerado Ballet comique de la Reine Louise (1581), de Balthazar de Beaujoyeulx. As principais modalidades da época eram o gallarda, o pavane e o tourdion. Nesta época surgiram os primeiros tratados de dança: Domenico da Piacenza escreveu De arte saltandi et choreas ducendi, sendo considerado o primeiro coreógrafo da história; Thoinot Arbeau fez uma compilação de danças populares francesas (Orchesographie, 1588).[83].
Maneirismo
Surgindo também na Itália em meados do século como uma evolução das formas renascentistas, o Maneirismo[nota 10] abandonou a natureza como fonte de inspiração para buscar um tom mais emocional e expressivo, ganhando importância na interpretação subjetiva do artista sobre a obra de arte. A arquitetura adquiriu signo mais eficaz e equilíbrio tenso, com destaque para o multifacetado artista Michelangelo, autor da abside e cúpula de São Pedro no Vaticano; Jacopo Vignola (Igreja de Jesus); e Andrea Palladio, criador de um estilo próprio (Palladianismo), como vemos na Basílica de Vicenza, na Villa Capra (chamada Rotunda), em San Giorgio Maggiore em Veneza, etc. Na Espanha foi produzida a arquitetura herreriana (de Juan de Herrera), um estilo sóbrio e simples, com formas de decoração simples e nuas, de acordo com a doutrina da contra-reforma que prevalecia naquela época; Teve a sua maior conquista no Mosteiro de El Escorial.
A escultura é mais uma vez um reflexo do pessimismo que dominou a sociedade italiana na segunda metade do século, com uma arte onde a realidade se deforma ao capricho, predominando a expressão sentimental do artista, com figuras estilizadas, em posições violentas e atitudes dramáticas. Destaca-se novamente a obra de Michelangelo, com obras de tenso dinamismo onde se destaca a expressão da pessoa representada: Pieta (1501), David (1501-1504), Moisés (1513-1515), Sepulcro dos Medici (1520-1534), etc. Sansovino; e, fora da Itália, Jean Goujon e Germain Pilon na França, Adriaen de Vries na Flandres, Hubert Gerhard") na Alemanha, e Alonso Berruguete, Juan de Juni e Gaspar Becerra na Espanha.
A pintura maneirista tinha um cunho mais caprichoso, extravagante, com gosto pelas formas sinuosas e estilizadas, deformando a realidade, com perspectivas distorcidas e atmosferas espetaculares. Michelangelo (autor da decoração da Capela Sistina) destacou-se primeiro - como nas demais artes - seguido de Bronzino, Andrea del Sarto, Pontormo, Correggio, Parmigianino, Giorgione, Tiziano, Veronese, Tintoretto, Jacopo Bassano, Giuseppe Arcimboldo, etc. Alemanha. Na Espanha destacaram-se Juan Fernández de Navarrete, Alonso Sánchez Coello, Juan Pantoja de la Cruz e, especialmente, El Greco, um artista excepcional que criou um estilo pessoal e único, com um forte sentido expressionista.
Barroco
O Barroco[nota 11] desenvolveu-se entre o século XIX e o início do século XIX. Foi uma época de grandes disputas nos campos político e religioso, surgindo uma divisão entre os países católicos contra-reformistas, onde se instaurou o Estado absolutista, e os países protestantes, de carácter mais parlamentar. A arte tornou-se mais requintada e ornamentada, com a sobrevivência de um certo racionalismo classicista mas com formas mais dinâmicas e eficazes, com gosto pelo surpreendente e anedótico, pelas ilusões e efeitos de ótica.
A arquitetura, de linhas clássicas, assumiu formas mais dinâmicas, com decoração exuberante e sentido cenográfico de formas e volumes. A modulação do espaço tornou-se relevante, com preferência por curvas côncavas e convexas, dando especial atenção aos jogos ópticos (trompe-l'œil) e ao ponto de vista do espectador. Tal como na época anterior, o motor do novo estilo foi mais uma vez a Itália: Gian Lorenzo Bernini foi um dos seus melhores expoentes, sendo o principal arquitecto da Roma monumental que hoje conhecemos (colunata da Praça de São Pedro, baldaquino de São Pedro, Quirinal de Santo André, Palácio Chigi-Odescalchi); Francesco Borromini é outro grande nome da época, autor das igrejas de San Carlo alle Quattre Fontane e Sant'Ivo alla Sapienza; Pietro da Cortona, Baldassare Longhena, Filippo Juvara e Guarino Guarini também se destacaram. Na França, sob o reinado de Luís Palácio de Versalhes, por Le Vau e Jules Hardouin-Mansart. Na Áustria, destacou-se Johann Bernhard Fischer von Erlach, autor da Igreja de São Carlos Borromeu "Igreja de São Carlos Borromeu (Viena)") em Viena. Na Inglaterra, vale citar a Catedral de São Paulo, em Londres, de Christopher Wren. Na Espanha, a arquitetura da primeira metade do século mostrou a herança herreriana, tendo Juan Gómez de Mora como figura de destaque, enquanto na segunda metade do século foi dado o estilo churrigueresco (de José Benito Churriguera), caracterizado por um decorativoismo exuberante e o uso de colunas salomônicas (Retábulo-Mor de San Esteban de Salamanca "Convento de San Esteban (Salamanca)")).
A escultura adquiriu o mesmo caráter dinâmico, sinuoso, expressivo, ornamental, destacando o movimento e a expressão, de base naturalista mas deformada ao capricho do artista. Na Itália, Bernini mais uma vez se destacou, autor de obras como Apolo e Dafne "Apolo e Dafne (escultura de Bernini)") (1622-1625), Êxtase de Santa Teresa (1644-1652), Morte da Beata Ludovica Albertoni (1671-1674), etc. Puget se destacou. Em Espanha, o imaginário religioso da herança gótica perdurou, destacando-se Gregorio Fernández, Juan Martínez Montañés, Alonso Cano, Pedro de Mena, Francisco Salzillo, etc.
A pintura desenvolveu-se em duas tendências opostas: o naturalismo, baseado na estrita realidade natural, com gosto pelo claro-escuro - o chamado tenebrismo -, onde merecem destaque Caravaggio, Orazio e Artemisia Gentileschi, Pieter van Laer, Adam Elsheimer, Georges de La Tour e os irmãos Le Nain; e o classicismo, igualmente realista, mas com uma concepção de realidade mais intelectual e idealizada, abrangendo Annibale Carracci, Guido Reni, Domenichino, Guercino, Giovanni Lanfranco, Nicolas Poussin, Claude Lorrain, Hyacinthe Rigaud, etc. No chamado "pleno barroco" (segunda metade do século), de estilo decorativo e predominância da pintura mural, Pietro da Cortona, Andrea Pozzo, Luca Giordano e Charles Le Brun se destacou. Para além destas correntes, existiram inúmeras escolas, estilos e autores de natureza muito diversa, destacando-se duas escolas regionais: a flamenga (Peter Paul Rubens, Anton Van Dyck, Jacob Jordaens, Frans Snyders), e a holandesa (Rembrandt, Jan Vermeer, Frans Hals). Na Espanha, destacou-se a figura excepcional de Diego Velázquez (, 1630; , 1635; , 1650; , 1656; , 1657), além de José de Ribera, Francisco Ribalta, Alonso Cano, Francisco de Zurbarán, Juan de Valdés Leal e Bartolomé Esteban Murillo.
Rococó
Desenvolvido no século [nota 12] — coexistindo no início do século com o Barroco, e no final com o Neoclassicismo —, significou a sobrevivência das principais manifestações artísticas do Barroco, com um sentido mais acentuado de decoração e gosto ornamental, que são levados a um paroxismo de riqueza, sofisticação e elegância. A progressiva ascensão social da burguesia e os avanços científicos, bem como o ambiente cultural do Iluminismo, levaram ao abandono dos temas religiosos em favor de novos temas e atitudes mais mundanas, destacando o luxo e a ostentação como novos factores de prestígio social.
A arquitetura passou da grandiloquência barroca para um gosto mais delicado, com formas graciosas e preponderância de pequenos espaços, com ambientes recônditos pensados para o bem-estar e o conforto. O exótico virou moda, principalmente o gosto pela arte oriental. O Rococó desenvolveu-se principalmente na França e na Alemanha, representado principalmente por Ange-Jacques Gabriel (Petit Trianon em Versalhes, Hotel Biron em Paris), François de Cuvilliés (Pavilhão Amalienburg do Palácio Nymphenburg em Munique), Johann Balthasar Neumann (Palácio Episcopal em Würzburg) e Dominikus Zimmermann (Igreja de Wies). Na jardinagem, o “jardim italiano” foi sucedido pelo “jardim francês”, com composição geométrica como o italiano, mas com perspectiva mais longa, composição mais simples, áreas maiores de grama e um novo detalhe ornamental: o canteiro; Destacam-se os jardins de Versalhes (desenhados por André Le Nôtre) e de Aranjuez.
A escultura tem um ar gracioso, refinado, com certa sobrevivência das formas barrocas, principalmente pela influência de Bernini. Na Itália, destaca-se a Fonte de Trevi, de Pietro Bracci e Filippo della Valle. Na França, destacaram-se os trabalhos de Edmé Bouchardon, Jean-Baptiste Pigalle e Étienne-Maurice Falconet. Na Alemanha contamos com a presença de Georg Rafael Donner, Ignaz Günther e dos irmãos Asam (Cosmas Damian e Egid Quirin). Em Espanha podemos destacar Juan Pascual de Mena e Luis Salvador Carmona.
A pintura transitou entre a exaltação religiosa ou o paisagismo vedutista na Itália (Giambattista Tiepolo, Canaletto, Francesco Guardi), e as cenas da corte de Jean-Antoine Watteau, François Boucher, Jean-Baptiste-Siméon Chardin e Jean-Honoré Fragonard na França, passando pelo retratismo inglês de Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough. Uma figura à parte é o inclassificável pintor espanhol Francisco de Goya, que evoluiu de um selo mais ou menos rococó para um certo pré-romantismo, mas com uma obra pessoal e expressiva de forte tom intimista. Cultivou a pintura e a gravura, e seus desenhos para tapeçaria também são notáveis. Entre suas obras destacam-se: os Caprichos (1799), A Família de Carlos IV (1800), O Terceiro de Maio de 1808 em Madrid (1814), as Pinturas Negras (1820), etc.
As artes decorativas tiveram especial relevância, pois, como se notou, o Rococó era uma arte de ar burguês dedicada à ostentação e ao luxo. O design de interiores desenvolveu-se significativamente, com especial destaque para móveis, espelhos, sedas, tapeçarias e objetos de porcelana. Este último foi muito difundido, especialmente na Saxónia e em Sèvres, com delicados motivos ornamentais, de preferência em estilo oriental. Pequenas talhas escultóricas com motivos galantes, pastorais ou da Commedia dell'arte também foram realizadas em porcelana. No mobiliário, foi desenvolvido o "estilo Chippendale" (de Thomas Chippendale), caracterizado pelo ecletismo "Ecletismo (arte)"), com mistura de elementos góticos, rococó, palladianos e chinoiserie. Em Espanha ganharam notoriedade as tapeçarias da Real Fábrica de Santa Bárbara, algumas delas desenhadas por Goya. Nessa época surgiu a litografia, um novo tipo de gravura em calcário, inventado por Aloys Senefelder em 1778.[90].
Neoclassicismo
A ascensão da burguesia após a Revolução Francesa favoreceu o ressurgimento de formas clássicas, mais puras e austeras, em contraste com os excessos ornamentais do barroco e do rococó, identificados com a aristocracia. Este ambiente de valorização do legado clássico greco-romano foi influenciado pela descoberta arqueológica de Pompéia e Herculano, juntamente com a disseminação de uma ideologia de perfeição das formas clássicas levada a cabo por Johann Joachim Winckelmann, que postulou que a beleza perfeita ocorria na Grécia antiga, gerando um mito sobre a perfeição da beleza clássica que ainda hoje condiciona a percepção da arte.[nota 13].
A arquitetura neoclássica era mais racional, de natureza funcional e tinha um certo ar utópico, como vemos nos postulados de Claude-Nicolas Ledoux e Étienne-Louis Boullée. É conveniente distinguir dois tipos de arquitetura neoclássica: a de herança barroca, mas despojada de decoração excessiva para se distinguir da arquitetura rococó; e o próprio neoclássico, de linhas austeras e racionais, sóbrias e funcionais. A primeira inclui obras como o Panteão de Paris, de Jacques-Germain Soufflot, ou a Ópera de Berlim, de Georg Wenzeslaus von Knobelsdorff; O neopalladianismo britânico e americano também se enquadra nesta linha. Na nova linha, mais racional, podemos citar o projeto urbanístico das Tulherias, de Pierre-François-Léonard Fontaine (iniciador do chamado “estilo Império”); a Piazza del Popolo em Roma, de Giuseppe Valadier; o Walhalla "Walhalla (Monumento)") em Regensburg, de Leo von Klenze; e o Museu do Prado em Madrid, de Juan de Villanueva.
A escultura, de referência lógica greco-romana, teve como figuras principais: Jean-Antoine Houdon, retratista da sociedade pré-revolucionária (Rousseau, Voltaire, Lafayette, Mirabeau); Antonio Canova, que trabalhou para os papas e para a corte de Napoleão (Paulina Borghese como Vênus, 1805-1807); e Bertel Thorvaldsen, muito influenciado pela escultura grega, dedicado à mitologia e à história antigas (Jasão com o Velocino de Ouro, 1803). Outros nomes notáveis seriam John Flaxman, Johann Gottfried Schadow, Johan Tobias Sergel e Damià Campeny.
A pintura manteve um cunho austero e equilibrado, influenciado pela escultura greco-romana ou por figuras como Rafael e Poussin. Jacques-Louis David, pintor "oficial" da Revolução Francesa, destacou-se especialmente (Juramento dos Horácios, 1784; A morte de Marat, 1793; Napoleão cruzando os Alpes, 1800). Junto com ele vale lembrar: François Gérard, Antoine-Jean Gros, Pierre-Paul Prud'hon, Anne-Louis Girodet-Trioson, Jean Auguste Dominique Ingres, Joseph Wright de Derby, Johann Zoffany, Angelika Kauffmann, Anton Raphael Mengs, Joseph Anton Koch, Asmus Jacob Carstens, José de Madrazo, etc.[95].
As artes decorativas desenvolveram-se em vários estilos, alguns dos quais perduraram ao longo do século: o estilo Diretório surgiu em França na época do Diretório "Diretório (França)") (1795-1805), caracterizado por linhas simples, clássicas, sóbrias, sem ornamentos excessivos; O estilo Império desenvolveu-se na França Napoleónica e da Restauração, de onde passou para o resto da Europa, substituindo a sobriedade pela ostentação e luxo, com um estilo suntuoso, com preferência por temas exóticos e orientais; Em contrapartida, o estilo alemão Biedermeier apresentou um design mais prático e confortável, com linhas simples e caseiras. Esses estilos influenciaram o elisabetano espanhol e o vitoriano inglês, de ar burguês, dedicado ao luxo e à ostentação, embora sem abrir mão do conforto e da funcionalidade.
Desde a descoberta da América por Cristóvão Colombo em 1492 até à independência dos vários países americanos ao longo do século (sendo os últimos Cuba e Porto Rico em 1898), existiu a chamada arte colonial, que foi um reflexo fiel da arte feita na metrópole, desenvolvendo os mesmos estilos artísticos do continente europeu, principalmente o Renascentista, o Barroco e o Rococó. As principais amostras da arte colonial foram produzidas nos dois centros geográficos mais relevantes da era pré-colombiana: México e Peru.
A arquitetura baseou-se nas mesmas tipologias de edifícios típicos da cultura europeia, principalmente igrejas "Igreja (edifício)") e catedrais, dado o rápido avanço do trabalho de evangelização dos povos nativos americanos, mas também edifícios civis como câmaras municipais, hospitais, universidades, palácios e vilas privadas. Durante a primeira metade do século, as ordens religiosas foram responsáveis pela construção de numerosas igrejas no México, de preferência uma espécie de igrejas fortificadas denominadas “capelas indígenas”. Em meados do século começaram a ser construídas as primeiras grandes catedrais, como as do México, Puebla, Guadalajara "Catedral de Guadalajara (México)"), Cuzco e Córdoba "Catedral de Córdoba (Argentina)"). A arquitetura barroca caracterizou-se pela profusa decoração, que seria agravada no chamado "ultrabarroco" (Fachada do Tabernáculo da Catedral do México). No Peru, as construções desenvolvidas em Lima e Cuzco desde 1650 apresentam características originais que antecedem até o barroco europeu, como o uso de paredes acolchoadas e colunas salomônicas (Iglesia de la Compañía, Cuzco). No século XIX, a arquitetura evoluiu para um estilo mais exuberante, dando um aspecto inconfundível ao barroco de Lima (Palacio del Marqués de Torre-Tagle.
Os primeiros exemplares de pintura colonial foram os de cenas religiosas criadas por mestres anônimos, como as imagens da Virgem com o Menino. A produção artística realizada na Nova Espanha pelos indígenas no século é chamada de arte indo-cristã. A pintura barroca foi influenciada pelo tenebrismo sevilhano, principalmente de Zurbarán, como pode ser visto na obra dos mexicanos José Juárez e Sebastián López de Arteaga, e do boliviano Melchor Pérez de Holguín. No final do século destacou-se a Escola de Pintura de Cuzco, representada principalmente por Luis de Riaño e Marcos Zapata "Marcos Zapata (pintor)"). No século a principal influência seria a de Murillo, e em alguns casos - como em Cristóbal de Villalpando - a de Valdés Leal. Destacam-se Gregorio Vázquez de Arce na Colômbia e Juan Rodríguez Juárez e Miguel Cabrera "Miguel Cabrera (pintor)") no México.
Na escultura, as primeiras amostras foram novamente no campo religioso, em talha autônoma e retábulos para igrejas, geralmente em madeira revestida com gesso e decorada com encarnação - aplicação direta de cor - ou guisado "Ensopado (arte)") - sobre fundo prateado e dourado. No início do século nasceram as primeiras escolas locais, como Quito e Cuzco, destacando o trabalho de patrocínio da ordem jesuíta. No Barroco destacaram-se os trabalhos escultóricos desenvolvidos em Lima, como as bancas da Catedral de Lima. No Brasil, o trabalho de Aleijadinho se destacou.[100].
Nesta época, a diversidade de estilos e manifestações artísticas continuou no continente africano, devido à multiplicidade étnica e religiosa, e às diferentes organizações sociais, desde povos nómadas até estados centralizados como Benim, Daomé, Congo e Ashanti. Os principais materiais eram madeira, pedra, marfim, metal, argila, peles, penas, conchas, etc. Nas montanhas Drakensberg (África do Sul), os San (ou bosquímanos) fizeram milhares de pinturas rupestres entre os séculos XX e II, relacionadas com rituais xamânicos. Na região de Owerri (Nigéria) foram construídos uma série de edifícios votivos chamados mbari, decorados com pinturas e esculturas. No Mali destacaram-se os edifícios de adobe, como a Grande Mesquita de Djenné, inicialmente datada do século XVII mas reconstruída diversas vezes. Em Ashanti (atual Gana) ganharam notoriedade os tecidos chamados kente, feitos de algodão ou seda, decorados com motivos geométricos.
A escultura foi a principal atividade artística do continente em geral, caracterizada pela sua grande expressividade e força emocional, que veio a influenciar a arte de vanguarda europeia quando o colonialismo favoreceu a criação de museus etnológicos que levaram as obras de arte africanas por toda a Europa. No Benin, as figuras de latão foram feitas do século XVII ao século XIX. Em Ashanti havia um estilo naturalista de pequenas esculturas de metal (- séculos). Na cultura iorubá (entre Nigéria, Benin e Togo) proliferaram os relevos esculpidos em madeira, como nas portas do palácio Ikere, do escultor Olowe de Ise. Outras tipologias foram: fetiches ou “figuras de poder” (nduda), relacionados a ritos sobrenaturais, de figuras antropomórficas cobertas de tecido, couro ou penas; a pfemba, dedicada à maternidade, geralmente uma mulher com um filho nos braços; e os mbulu-ngulu, relicários protetores. Também foram forjadas figuras em ferro, como a do Rei Glele do Daomé, em tamanho natural, obra de Akate Akpele Kendo (1860). Por último, destacaram-se as máscaras, destinadas a ritos de diversas naturezas (funerais, agrícolas, de fertilidade, etc.).[101].
Durante este período a arte islâmica foi introduzida na Índia. A invasão muçulmana, que culminou no Império Mughal, causou uma grande convulsão na sociedade indiana e, portanto, na sua arte. Às formas tradicionais foram acrescentados elementos característicos da arte islâmica, com novas tipologias como a mesquita. Este sincretismo artístico manifestou-se em edifícios como as mesquitas de Lahore e Deli e nos túmulos de Agra, especialmente no famoso Taj Mahal (século XIX). Também foram desenvolvidas jardinagem e miniaturas, ambas de influência persa, e as artes têxteis e a joalheria (como o Trono de Aurangzeb) tornaram-se altamente relevantes.
A arte tradicional hindu teve a sua manifestação no magnífico templo de Meenakshi (Madurai), bem como na escola miniaturista de Rajput, onde viveu uma comunidade jainista que criou uma arte muito difundida no Ocidente, materializada num conjunto de templos e esculturas de mármore incrustadas com pedras coloridas, decoradas com grande beleza. A partir do século a escultura passou a ser feita mais em bronze do que em pedra, destacando-se as representações do deus Śivá em atitude dançante; Mais tarde, seriam característicos os retratos de guerreiros e cortesãos, tradição que perdurou até o século XIX. A arquitetura do final deste período evoluiu para formas cada vez mais complexas, com grande riqueza decorativa, no que se poderia chamar de fase “barroca” da arte indiana (embora sem traçar paralelos com o barroco europeu).[102].
Na literatura, a principal peculiaridade desta época foi o surgimento de línguas vernáculas, surgindo literatura em hindi, bengali, tâmil, marathi, guzerate, telugu, rajastão, etc. No gênero dramático, destacou-se Anandarayamakhin), autor de Jiva-nandana (por volta de 1700), drama alegórico que representa a alma humana como um rei aprisionado em seu palácio (o corpo); e no poema épico o Destaca-se Ram-chari-manas de Tulsidas, uma reformulação do Ramaiana com grande pureza linguística e estilística. O teatro derivou em tempos mais recentes da antiga dutangada —onde a dança e a mímica—em uma nova modalidade chamada kathakali, que também deu ênfase à música e aos gestos, a linguagem das mãos (mudras, com 24 posições básicas e outras combinadas), bem como a expressão do rosto e dos gestos. movimentos dos olhos (navarasya), também tinha importância A maquiagem também era importante, onde as cores eram simbólicas, identificando o papel ou personagem.[103].
A música também recebeu influência muçulmana, embora as antigas formas tradicionais, baseadas em ragas, tenham sobrevivido. Contudo, a coexistência de ambas as modalidades provocou uma divisão em duas tradições musicais distintas: a nortenha ou hindustani, mais influenciada pela música árabe; e o meridional ou carnático, mais conservador da tradição antiga. A primeira era mais elegante, decorativa, romântica, enquanto a segunda era mais austera, intelectual. Duas das danças clássicas da Índia que exemplificam o acima exposto são kathak, no norte, e bharatanatyam, no sul.[104].
A arte continuou a ser predominantemente indígena, embora tenham ocorrido os primeiros contactos com a civilização ocidental. Nas suas viagens pelo Pacífico (1768-1780) James Cook colecionou uma série de obras de arte que incluíam têxteis, esculturas, joias, móveis, armas, ferramentas, instrumentos musicais, etc. A escultura de figuras antropomórficas - principalmente divindades locais - continuou, como a de Kukailimoku, deus da guerra havaiano (Museu Britânico), ou o deus A'a, de Rurutu "Rurutu (ilha)") (Ilhas Austrais). Ele também seguiu a tradição das máscaras, especialmente na Nova Guiné (mai), Nova Irlanda (malanggan) e Nova Caledônia (apuema). Os Asmat, tribo de Irian Jaya (Nova Guiné), construíram postes comemorativos (bisj) entre 5 e 10 metros de altura, esculpidos com figuras antropomórficas, umas sobre as outras. Nas Ilhas Salomão existem estátuas de madeira (indalo) de figuras humanas ou animais, incrustadas com conchas. Na Austrália, continuou a tradição das pinturas rupestres, assim como das churingas, peças de madeira, pedra ou concha, decoradas com motivos geométricos.[112].
arte contemporânea
século 19
Entre o final e o início do século, foram lançadas as bases da sociedade contemporânea, marcada no campo político pelo fim do absolutismo e pela instauração de governos democráticos – impulso que começou com a Revolução Francesa; e, economicamente, pela Revolução Industrial e pela consolidação do capitalismo, que terá resposta no marxismo e na luta de classes. No campo da arte inicia-se uma dinâmica evolutiva de estilos que se sucedem cronologicamente com velocidade crescente, que culminará no século com uma atomização de estilos e correntes que coexistem e contrastam, influenciam e se confrontam. A arte moderna surge em contraste com a arte académica, colocando o artista na vanguarda da evolução cultural da humanidade.
A arquitetura do século XIX sofreu uma grande evolução devido aos avanços técnicos trazidos pela Revolução Industrial, com a incorporação de novos materiais como o ferro, o aço e o concreto, que permitiram a construção de estruturas mais sólidas e abertas. O planejamento urbano, a preocupação com o ambiente habitável, tornou-se cada vez mais importante, o que se traduziu em obras de saneamento, infraestrutura, maior atenção aos meios de transporte e abertura de espaços verdes em busca de melhores ambientes e condições de vida para o cidadão. Depois de algumas abordagens utópicas iniciais, como as de Robert Owen ou Charles Fourier, ocorreram as grandes transformações urbanas do século: Paris (plano Haussmann), Londres, Bruxelas, Viena, Florença, Madrid, Barcelona (plano Cerdà), etc. evidente na Exposição de Londres de 1851, na "Exposition Universelle de Paris (1889)") de Paris de 1889 (com a famosa Torre Eiffel), etc. Na jardinagem surgiu o chamado "jardim inglês" - que introduziu o conceito de "arquitetura paisagística" - que, comparada à geometria dos italianos e dos franceses, defendia maior naturalidade em sua composição, intervindo apenas em uma série de detalhes ornamentais, como pavilhões ou pérgolas, ou mesmo na colocação de ruínas - natural ou artificial -, em consonância com os conceitos românticos do sublime e do pitoresco (Regent's Park, de John Nash; Kew Gardens, de William Chambers "William Chambers (arquiteto)").
Estilisticamente, a primeira metade do século viu um certo ecletismo "Ecletismo (arte)") de formas, bem como um renascimento de estilos anteriores reinterpretados segundo conceitos modernos: é o chamado historicismo, que produziu movimentos como o neo-românico, o neogótico, o neobarroco, etc. Nos Estados Unidos, surgiu uma nova tipologia de construção, o arranha-céu, promovido pela chamada Escola de Chicago "Escola de Chicago (arquitetura)") (William Le Baron Jenney, Louis Sullivan). No final do século surgiu o modernismo "Modernismo (arte)"),[nota 15] que representou uma grande revolução no campo do design, com nomes como Victor Horta, Henry van de Velde, Hector Guimard, Charles Rennie Mackintosh, Otto Wagner, Adolf Loos, Joseph Maria Olbrich, Hendrik Petrus Berlage, Antoni Gaudí, Lluís Domènech i Montaner, Josep Puig i Cadafalch, etc.[113].
Movimento de profunda renovação em todos os gêneros artísticos, os românticos deram especial atenção ao campo da espiritualidade, da imaginação, da fantasia, do sentimento, da evocação onírica, do amor à natureza, junto com um elemento mais sombrio da irracionalidade, da atração pelo oculto, da loucura, do sonho. A cultura popular, o exótico, o regresso às formas artísticas pouco apreciadas do passado – especialmente as medievais – foram especialmente valorizados, e a paisagem ganhou notoriedade, que por si só assumiu o protagonismo. As artes gráficas também ganharam importância, principalmente a litografia e a xilogravura.
Na pintura, após uma fase pré-romântica onde poderíamos citar William Blake e Johann Heinrich Füssli, destacaram-se Hubert Robert, Eugène Delacroix, Théodore Géricault, Francesco Hayez, John Constable, Joseph Mallord William Turner, Caspar David Friedrich, Karl Friedrich Schinkel, Philipp Otto Runge, etc. Uma derivação do romantismo foi o movimento alemão dos nazarenos "Nazarenos (arte)"), inspirado no Quattrocento italiano e no Renascimento alemão, principalmente Dürer (Friedrich Overbeck, Peter Cornelius, Franz Pforr). Na Espanha destacaram-se Genaro Pérez Villaamil, Valeriano Domínguez Bécquer, Leonardo Alenza e Eugenio Lucas.
Na escultura prevalecem as formas neoclássicas, reinterpretadas de acordo com novos temas românticos. Na França merecem destaque: François Rude, que evoluiu do neoclassicismo ao romantismo (La Marseillaise, 1832); Antoine-Louis Barye, especializado em figuras de animais; Jean-Baptiste Carpeaux, artista versátil com gosto pelo espetacular; e David d'Angers, autor do relevo do frontão do Panteão de Paris (1830-1837). Na Alemanha destacaram-se: Christian Daniel Rauch, Rudolf Schadow e Johann Heinrich Dannecker").[114]
A literatura do Romantismo estabeleceu a ideia de uma arte que surge espontaneamente do indivíduo, destacando a figura do “gênio” – a arte é a expressão das emoções do artista. Ele exaltou a natureza, o individualismo, o sentimento, a paixão, com um novo gosto por formas de expressão íntimas e subjetivas como o sublime, e valorizando novos aspectos como o obscuro, o obscuro, o irracional. Num pré-romantismo - consubstanciado no movimento alemão Sturm und Drang - destacaram-se Johann Christoph Friedrich von Schiller e Johann Wolfgang von Goethe, bem como o poeta inglês William Blake. Posteriormente, vale destacar o trabalho de: Johann Christian Friedrich Hölderlin, Novalis, Heinrich Heine, August Wilhelm von Schlegel, Friedrich von Schlegel, Heinrich von Kleist, Johann Ludwig Tieck, E. T. A. Hoffmann, Walter Scott, William Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge, John Keats, Lord Byron, Percy Shelley, Mary Wollstonecraft Shelley, Jane Austen, Alphonse de Lamartine, Madame de Staël, François-René de Chateaubriand, Alfred de Vigny, Victor Hugo, George Sand, Prosper Mérimée, Alexandre Dumas (pai) "Alexandre Dumas (pai)"), Ugo Foscolo, Giacomo Leopardi, Alessandro Manzoni, Aleksandr Pushkin, Nikolai Gogol, Adam Mickiewicz, Washington Irving, James Fenimore Cooper, Ralph Waldo Emerson, Nathaniel Hawthorne, Edgar Allan Poe, Gustavo Adolfo Bécquer, Ramón de Campoamor, José de Espronceda, Mariano José de Larra, Fernán Caballero, Rosalía de Castro, Bonaventura Carles Aribau, Andrés Bello, Domingo Faustino Sarmiento, José Hernández, Gertrudis Gómez de Avellaneda, etc.[115].
O teatro romântico teve dois antecedentes notáveis novamente em Sturm und Drang com Schiller (Don Carlos, 1787; William Tell, 1804) e Goethe (Faust "Faust (Goethe)"), 1808). Como no resto da literatura romântica, destaca-se pelo sentimentalismo, pelo drama, pela predileção por temas sombrios e sinistros e pela exaltação da natureza e do folclore popular. Um novo gênero surgiu, o melodrama e os programas de variedades (vaudeville) tornaram-se populares. Seus melhores expoentes foram: Georg Büchner, Christian Dietrich Grabbe, Juliusz Słowacki, Alfred de Musset, Victor Hugo, Francisco Martínez de la Rosa, o Duque de Rivas, Antonio García Gutiérrez, José Echegaray, José Zorrilla (Don Juan Tenorio, 1844), etc.[116].
A música romântica caracteriza-se, como nas restantes artes, pelo predomínio do sentimento e da paixão, da subjetividade e da emotividade do artista, exaltando a música nacional e popular. A orquestra é significativamente ampliada, de forma a satisfazer plenamente a expressividade do artista, os novos sentimentos que nele residem (o sublime, o patético). O piano era o instrumento da moda, pois o seu registo, a intensidade da pulsação, são um reflexo fiel dessa emotividade, ligada ao novo culto à personalidade que se desenvolveu no romantismo. A musicologia nasceu como uma ciência aplicada à música, assim como à crítica musical e à estética"), e surgiram os primeiros conservatórios. Seus principais representantes foram: Ludwig van Beethoven, Carl Maria von Weber, Franz Schubert, Felix Mendelssohn-Bartholdy, Robert Schumann, Franz Liszt, Frédéric Chopin, Niccolò Paganini, Johann Strauss "Johann Strauss (filho)"), Johannes Brahms, Anton Bruckner, Hector Berlioz, Jules Massenet, etc.
Durante este período, a ópera desenvolveu-se significativamente, especialmente na Itália, onde recebeu o nome de bel canto. Ela se destacou pelo brilho de sua voz, pela coloratura e pela ornamentação, com o papel da soprano ganhando importância - a partir de 1840 o peito do virou moda. A ópera romântica tinha duas vertentes: a cómica – ou bufa – e a dramática, sobre os grandes dramas literários românticos. Notáveis: Luigi Cherubini, Gaetano Donizetti, Vincenzo Bellini, Gioacchino Antonio Rossini, Charles Gounod, Georges Bizet e, especialmente, Giuseppe Verdi (Rigoletto, 1851; Il trovatore, 1853; La Traviata, 1853; Aida, 1870). Na Alemanha, Richard Wagner deu níveis de grande brilho à ópera, com o objetivo de criar uma "obra de arte total" (gesamtkunstwerk) que combinasse música, poesia, filosofia, cenografia, etc. (Tannhäuser "Tannhäuser (ópera)"), 1845; Lohengrin, 1850; Tristão e Isolda "Tristão e Isolda (ópera)"), 1865; Parsifal, 1882).[117].
A dança romântica recuperou o gosto pelas danças populares, danças folclóricas, muitas das quais trouxe do esquecimento. O traje clássico do balé (o tutu) surgiu, aparecendo pela primeira vez no Ballet das Freiras de Robert le Diable (1831), de Giacomo Meyerbeer. A música passou a ser composta exclusivamente para balé, com destaque para Coppélia (1870), de Léo Delibes. No aspecto teórico, destacou-se a figura do coreógrafo Carlo Blasis, principal criador do balé moderno, que codificou todos os aspectos técnicos relativos à dança: em O Código de Terpsícore (1820) relacionou a dança com as demais artes, realizando estudos de anatomia e movimentos corporais, ampliando o vocabulário relacionado à dança e distinguindo vários tipos de bailarinos de acordo com seu físico. Introduziu também a dança na ponta dos pés, na qual se destacaram Maria Taglioni e Fanny Elssler. Nas danças populares, a moda da valsa continuou, e surgiram a mazurca e a polca.
Desde meados do século surgiu uma tendência que colocava ênfase na realidade, na descrição do mundo envolvente, especialmente dos trabalhadores e camponeses no novo quadro da era industrial, com uma certa componente de denúncia social, ligada a movimentos políticos como o socialismo utópico.
Na pintura destacaram-se Camille Corot, Gustave Courbet, Jean-François Millet, Honoré Daumier, Adolph von Menzel, Hans Thoma, Ilya Repin e Mariano Fortuny. Ligadas ao realismo estavam duas escolas paisagísticas: a francesa Barbizon (Théodore Rousseau, Charles-François Daubigny, Narcisse-Virgile Díaz de la Peña), marcada por um sentimento panteísta da natureza; e a italiana dos Macchiaioli (Silvestro Lega, Giovanni Fattori, Telêmaco Signorini), de caráter antiacadêmico, caracterizada pelo uso de manchas (macchia em italiano, daí o nome do grupo) de cor e formas inacabadas e esboçadas. Na Grã-Bretanha surgiu a escola dos Pré-Rafaelitas, que se inspiraram - como o próprio nome indica - nos pintores italianos anteriores a Rafael, bem como na fotografia emergente, com destaque para Dante Gabriel Rossetti, Edward Burne-Jones, John Everett Millais e Ford Madox Brown.[119].
A escultura baseou-se também no reflexo fiel da sociedade, com predileção por figuras de trabalhadores e personagens marginais. Destacam-se: Max Klinger, Adolf von Hildebrand, Aimé-Jules Dalou, os irmãos Agapito e Venancio Vallmitjana, Ricardo Bellver, Mariano Benlliure e, especialmente, Constantin Meunier, principal evocador da figura do proletário, com certo ar idealizado, o trabalhador como herói moderno (El Pudelador, 1884-1888).
A literatura realista opôs-se ao subjetivismo romântico, defendendo a descrição rigorosa e detalhada da realidade, influenciada pela filosofia positivista, que considerava o artista como parte indissolúvel da sociedade, sendo a obra artística um reflexo fiel das condições sociais que cercam o artista. O principal formato realista foi o romance, que se destacou pelo estilo naturalista que enfatizava o aspecto cotidiano da realidade, que era descrito em todo o seu rigor e fidelidade ao mundo real, com descrições temperamentais dos personagens, com grande prospecção psicológica. O autor é um “cronista”, que apresenta os factos com objectividade, com elevada componente crítica, com vontade de reforma. Os números incluem: Honoré de Balzac, Stendhal, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant, Émile Zola, Giovanni Verga, Giosuè Carducci, Charles Dickens, Alfred Tennyson, as irmãs Emily, Charlotte e Anne Brontë, George Eliot, Fyodor Dostoevsky, Lev Tolstoy, Maksim Gorki, Mark Twain, Herman Melville, Henry James, Emily Dickinson, Joseph Conrad, Benito Pérez Galdós, Pedro Antonio de Alarcón, Marcelino Menéndez y Pelayo, Emilia Pardo Bazán, Leopoldo Alas (Clarín) "Leopoldo Alas (Clarín)"), Vicente Blasco Ibáñez, Ignacio Manuel Altamirano, José María Eça de Queirós, etc. Também se destacam romances de aventura e suspense, como os de Alexandre Dumas (filho) "Alexandre Dumas (filho)"), Emilio Salgari, Júlio Verne e Arthur Conan Doyle.[120].
Com o teatro realista nasceu o teatro moderno, pois lançou as bases para o que seria o teatro do século. A ênfase foi colocada no naturalismo "Naturalismo (teatro)"), a descrição detalhada da realidade, não só no tema e na linguagem, mas também nos cenários, figurinos, adereços, etc. A interpretação foi mais verdadeira, sem grandes gesticulações ou dicção grandiloquente, como na "representação anti-teatral" - agindo como na vida real, como se não estivesse num teatro - de André Antoine e seu Théâtre Libre - onde pela primeira vez apenas o palco foi iluminado, deixando o público no escuro. Eugène Scribe, Victorien Sardou e Eugène Labiche correspondem a um período pré-naturalista. O teatro nórdico destacou-se especialmente, com figuras como Bjørnstjerne Bjørnson, August Strindberg e Henrik Ibsen. Outros autores foram: Frank Wedekind, Anton Chejov, Adelardo López de Ayala, Manuel Tamayo y Baus, Àngel Guimerà, etc.[121].
No campo da música, paralelamente ao realismo, surgiu o chamado nacionalismo musical, que marcou o renascimento de várias regiões europeias até então culturalmente pouco notáveis. Herdeiros de formas musicais românticas, o folclore e a música popular foram revalorizados como portadores de valores culturais ancestrais de todos os povos. Destacaram-se figuras como: Mijaíl Glinka, Modest Mussorgsky, Aleksandr Borodín, Nikolai Rimsky-Kórsakov e Piotr Tchaikovsky na Rússia; Antonín Dvořák, Bedřich Smetana e Leoš Janáček na Checoslováquia; Jean Sibelius na Finlândia; Edvard Grieg na Noruega; Carl Nielsen na Dinamarca; Karol Szymanowski na Polônia; Béla Bartók e Zoltán Kodály na Hungria; Edward Elgar e Ralph Vaughan Williams na Grã-Bretanha; Isaac Albéniz, Enrique Granados e Manuel de Falla na Espanha. As primeiras escolas nacionais surgiram também na América: John Philip Sousa nos Estados Unidos; Heitor Villa-Lobos no Brasil; Manuel María Ponce no México; Guillermo Uribe na Colômbia; Próspero Bisquertt no Chile; Praça Juan Bautista na Venezuela; Amadeo Roldán em Cuba; e Eduardo Fabini no Uruguai. Na ópera, o verismo italiano procurou refletir igualmente a realidade, com enredos mais populares, em ambientes rurais e proletários, onde os protagonistas são personagens comuns. É representado por Arrigo Boito, Amilcare Ponchielli, Ruggero Leoncavallo, Umberto Giordano e, principalmente, Giacomo Puccini (La bohème "La bohème (Puccini)"), 1896; Tosca "Tosca (ópera)"), 1900; Madama Borboleta, 1903).[122].
Na dança, o centro geográfico de criação e inovação deslocou-se de Paris para São Petersburgo, onde o Ballet Imperial atingiu alturas de grande brilho, com centro nevrálgico no Teatro Mariinsky - e, mais tarde, no Bol'šoj em Moscovo. A principal figura na formação do balé russo foi Marius Petipa, que introduziu uma espécie de coreografia narrativa onde é a própria dança que conta a história. Realizou balés mais longos, de até cinco atos, transformando o balé em um grande espetáculo, com encenação deslumbrante, destacando sua colaboração com Tchaikovsky em três obras excepcionais: A Bela Adormecida "A Bela Adormecida (ballet)") (1889), O Quebra-Nozes (1893) e Lago dos Cisnes (1895). A nível popular, a dança mais famosa da época era o cancán, enquanto em Espanha surgiram a habanera e os chotis.[123].
• - Impressionismo: foi um movimento profundamente inovador, que marcou uma ruptura com a arte acadêmica e uma transformação da linguagem artística, iniciando o caminho para movimentos de vanguarda. Os Impressionistas inspiraram-se na natureza, a partir da qual procuraram captar uma “impressão” visual, a captação de um momento na tela – sob influência da fotografia – com uma técnica de pinceladas soltas e tons leves, luminosos, valorizando sobretudo a luz. Surgiu um novo tema, derivado da nova forma de observar o mundo: ao lado de paisagens e marinhas, aparecem vistas urbanas e noturnas, interiores com luz artificial, cenas de cabaré, circo e music hall, personagens da "Bohemia (cultura)" boêmia, mendigos, marginalizados, etc. Vale citar como principais representantes Édouard Manet - considerado um precursor -, Claude Monet, Camille Pissarro, Alfred Sisley, Pierre-Auguste Renoir e Edgar Degas. Igualmente inovador no campo da escultura foi o papel de Auguste Rodin, que lançou as bases para a escultura do século (O Pensador, 1880-1900; Os Burgueses de Calais, 1884-1886). Destacou-se também Medardo Rosso, que conduziria a escultura à desintegração da forma.
• - Neoimpressionismo: evoluindo do impressionismo, os neoimpressionistas se preocuparam mais com os fenômenos ópticos, desenvolvendo a técnica do pontilhismo, que consiste em compor a obra a partir de uma série de pontos de cores puras, que são colocados ao lado de outros de cores complementares, fundindo-se na retina do observador em um novo tom. Seus principais representantes foram Georges Seurat e Paul Signac. Outra variante foi o divisionismo, que surgiu na Itália em ambientes de inconformismo social próximos ao anarquismo. Esta técnica caracteriza-se pela proximidade de cores decompostas, com pinceladas longas que, observadas à distância, produzem um efeito composicional. Este estilo foi praticado principalmente por Giovanni Segantini, Giuseppe Pellizza da Volpedo e Gaetano Previati, e influenciou o futurismo italiano.
• - Pós-impressionismo: foram uma série de artistas que, a partir das novas descobertas técnicas dos impressionistas, as reinterpretaram de forma pessoal, abrindo diferentes caminhos de desenvolvimento de extrema importância para a evolução da arte no século XX. Assim, mais do que um determinado estilo, o pós-impressionismo foi uma forma de agrupar vários artistas de diferentes tipos: Henri de Toulouse-Lautrec, autor de cenas de circo e cabaré esboçadas com breves notas da vida; Paul Gauguin experimentou a profundidade, dando novo valor ao plano pictórico, com cores planas de carácter simbólico; Paul Cézanne estruturou a composição em formas geométricas (cilindro, cone “Cone (geometria)”) e esfera), numa síntese analítica da realidade precursora do cubismo; Vincent van Gogh foi autor de obras de forte dramaticidade e prospecção interior, com pinceladas sinuosas e densas, de cor intensa, deformando a realidade, às quais deu um ar onírico. Em Espanha podemos destacar Joaquín Sorolla, autor de cenas populares onde se destaca o uso da luz.[124].
Paralelamente à pintura, a música impressionista prioriza a harmonia sobre a melodia, assim como na pintura a cor prevalece sobre a linha. A reconstrução de uma composição musical fica a cargo do espectador, feita a partir de peças e sugestões. Seu principal representante, Claude Debussy, rejeitou o cromatismo tônico, introduzindo novos acordes de cinco e seis tons, opostos às escalas habituais. Diante da contínua melodia wagneriana, retornou à tonalidade estática, aquietando a harmonia e realçando a textura, o timbre, a irregularidade rítmica (Prelúdio ao cochilo de um fauno, 1894). Maurice Ravel voltou à expressão linear, embora com notas e acordes um tanto fora de contexto (Bolero "Bolero (Ravel)"), 1928). Outros representantes foram Paul Dukas e Florent Schmitt.[125].
Estilo fantástico e onírico, surgiu como reação ao naturalismo do movimento realista e impressionista, dando especial ênfase ao mundo dos sonhos, bem como aos aspectos satânicos e aterrorizantes, ao sexo e à perversão. A principal característica do simbolismo era o esteticismo, uma reação ao utilitarismo prevalecente na época e à feiúra e ao materialismo da era industrial. Diante disso, o simbolismo deu à arte e à beleza uma autonomia própria, sintetizada na fórmula de Théophile Gautier “arte pela arte” (L'art pour l'art), chegando até a falar em “religião estética”. A beleza afastou-se de qualquer componente moral, tornando-se o objetivo último do artista, que passou a viver sua própria vida como obra de arte - como pode ser visto na figura do dândi. Destacaram-se: Gustave Moreau, Odilon Redon, Pierre Puvis de Chavannes, James McNeill Whistler, Lawrence Alma-Tadema, Arnold Böcklin, Ferdinand Hodler e Gustav Klimt, além do grupo Nabis "Nabis (artistas)") (Maurice Denis, Paul Sérusier, Pierre Bonnard, Félix Vallotton e o escultor Aristide Maillol). Ligada ao simbolismo estava também a chamada arte ingénua, cujos autores eram autodidatas, com uma composição algo ingénua e desestruturada, instintiva, com um certo primitivismo, embora plenamente consciente e expressivo (Henri Rousseau, Séraphine Louis, Grandma Moses).[126].
A literatura simbolista destacou-se pelo seu esteticismo e decadência, levando a sensibilidade romântica ao exagero, sobretudo no gosto pelo mórbido e aterrorizante, surgindo uma “estética do mal”, apreciável na atração pelo satanismo, pela magia e pelos fenómenos paranormais, ou pelo fascínio pelo vício e pelos desvios sexuais. Os escritores distanciam-se do mundo e das convenções sociais, dando origem à figura do “poeta maldito”. O seu principal veículo de expressão era a poesia, elaborada, formalmente exigente, com um sentido rítmico quase musical, com uma linguagem evocativa e sugestiva, simbólica, realçando o seu carácter polissémico. Teve precedente no Parnasianismo de Leconte de Lisle, José María de Heredia e Charles Baudelaire, destacando posteriormente autores como Oscar Wilde, Algernon Charles Swinburne, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, o Conde de Lautréamont, Jean Moréas, Anatole France, Frédéric Mistral, Joris-Karl Huysmans, Walt Whitman, Dmitri Sergeievich Merezhkovsky, etc.[127].
O teatro simbolista foi influenciado pelo “espetáculo total” de Wagner, destacando-se por uma linguagem de forte formação metafísica e transcendente, buscando a essência humana através da intuição e da meditação, com preferência por temas míticos e lendas, de influência esotérica e teosófica. Destacaram-se Auguste Villiers de l'Isle-Adam, Paul Claudel, Maurice Maeterlinck e Émile Verhaeren.[128] Na música, Gabriel Fauré inovou com uma linguagem sonora preciosa, meticulosa e pessoal, na linha da poesia simbolista. Fez música estática, difusa, com harmonias líquidas, dando importância aos instrumentos solo: The Good Song (1892), baseado em poemas de Verlaine.
Paralelamente à arquitetura, o modernismo "Modernismo (arte)")[nota 15] também se desenvolveu na pintura, escola notável emergente na Catalunha, com artistas como Ramón Casas e Santiago Rusiñol, com um estilo caracterizado por uma temática naturalista de atmosfera sombria, com certa influência do impressionismo francês. Posteriormente, foi recebida a influência do simbolismo, praticado pelo próprio Rusiñol e por artistas como Alexandre de Riquer, Adrià Gual e Joan Llimona. Na escultura merecem destaque Eusebi Arnau, Josep Llimona e Miguel Blay. Num chamado “pós-modernismo”[nota 16] há nomes como Isidre Nonell e Joaquim Mir, assim como encontramos a presença de um jovem Pablo Picasso, que ingressou no ambiente modernista por volta do ano de 1900, facto que marcou uma mudança na sua carreira e na sua filiação à arte de vanguarda, como podemos constatar no seu período fauvista (1900-1901) e no simbolismo do «período azul "Pablo Picasso")» (1901-1904), para finalmente levar ao cubismo.
No resto da Europa, a pintura modernista esteve intimamente ligada ao mundo do design e da ilustração, especialmente à arte do cartaz, um novo género artístico a meio caminho entre a pintura e as artes gráficas, uma vez que se baseava num desenho feito por um pintor ou ilustrador, para ser posteriormente reproduzido em série. Na sua génese, a vertente publicitária do cartaz foi decisiva, embora cedo se tenha dedicado também à divulgação de eventos e à propaganda política e institucional. Entre os vários artistas que se dedicam à pintura ou ao cartaz, vale lembrar Alfons Mucha, Aubrey Beardsley, Jan Toorop, Fernand Khnopff, etc.
O modernismo, pelo seu carácter ornamental, significou uma grande revitalização das artes aplicadas, especialmente da carpintaria, da forja, da vidraria, da cerâmica, da moldagem em gesso, da impressão (livros, revistas, postais), da joalharia, do mosaico, etc. Isto foi ajudado por novos procedimentos industriais, que permitiram a produção em massa. O design, processo criativo do artista, que materializa a sua criação no esboço da obra, que pode depois ser realizado por diversos artesãos, ganhou especial relevância. Entre os seus principais arquitectos estiveram Émile Gallé (ceramista e vidreiro), René Lalique (ourives), Koloman Moser (designer), Louis Comfort Tiffany (joalheiro e vidreiro), Gaspar Homar (marceneiro), etc. tão útil quanto bonito.[130].
Na literatura, o modernismo costuma estar ligado à obra do nicaraguense Rubén Darío, o inaugurador da literatura espanhola moderna com uma linguagem esteticista de grande riqueza formal, com influência simbolista. Outros expoentes foram o cubano José Martí, o mexicano Amado Nervo, o peruano José Santos Chocano, o argentino Leopoldo Lugones e o colombiano José Asunción Silva, além dos espanhóis Salvador Rueda e Eduardo Marquina. Com o mesmo desejo modernizador podemos colocar aqui também a chamada Geração de 98 que, face ao pessimismo devido à perda das últimas colónias espanholas, representou um grande impulso na renovação da literatura espanhola, especialmente em termos de conteúdo. Destacaram-se autores como Ramón María del Valle-Inclán, Antonio Machado, Jacinto Benavente, Juan Ramón Jiménez, Azorín, Pío Baroja, Miguel de Unamuno, Ramiro de Maeztu, Ramón Menéndez Pidal, etc. Na Catalunha ocorreu o movimento Renaixença, com destaque para Jacinto Verdaguer e Joan Maragall, enquanto na Galiza o Rexurdimento incluiu figuras como Manuel Curros Enríquez e Eduardo Pondal.[131].
No século surgiu uma nova tecnologia que permitia captar imagens da natureza, através do princípio da câmera obscura. Apesar de ser uma realização puramente técnica, logo se vislumbrou o caráter artístico deste novo meio, uma vez que o trabalho resultante poderia ser considerado artístico na medida em que envolveu a intervenção da criatividade de quem capturou a imagem, derivada do trabalho de percepção, design e narratividade realizado na tomada da imagem. Assim, a fotografia logo passou a ser considerada uma das artes, especificamente a oitava.[nota 17].
Esta nova técnica começou com a pesquisa de Joseph Nicéphore Niépce, que fez a primeira fotografia em 1816, em negativo sobre papel, a partir da qual foram aperfeiçoados os procedimentos técnicos para sua captura e reprodução. A construção do daguerreótipo de Louis-Jacques-Mandé Daguerre representou um novo avanço, conseguindo imprimir placas de metal e fixar a imagem com um banho de sal e mercúrio “Mercúrio (elemento)”). Outro dos pioneiros foi William Henry Fox Talbot, que em 1835 inventou o negativo, que permitia fazer várias cópias da imagem obtida. Hippolyte Bayard alcançou a fotografia positiva direta em 1840. Outro precursor, John Frederick William Herschel, foi o criador do termo fotografia, bem como negativo e positivo, e instantâneo quando o tempo de exposição foi reduzido (25/100 de segundo). Em 1888, George Eastman lançou o filme de celulóide e o dispositivo Kodak, uma pequena câmera carregada com 100 clichês. A primeira fotografia colorida foi obtida por James Clerk Maxwell em 1861; No entanto, a primeira chapa fotográfica colorida (Autochrome) só chegou ao mercado em 1907.
A partir daí a fotografia popularizou-se, por ser um meio que não exigia grandes qualidades pessoais, apenas o domínio da técnica, surgindo numerosos amadores que se propuseram a captar o mundo em imagens. Surgiram os primeiros estúdios e laboratórios fotográficos, inicialmente dedicados principalmente ao retrato, embora posteriormente a todo o tipo de eventos e imagens naturais. Também surgiram a fotomecânica e as primeiras publicações ilustradas, sendo pioneiros os álbuns Excursions Daguerriennes (1841-1842) e, como primeiro livro ilustrado, Pencil of Nature (1844), de Fox Talbot. A fotografia documental também apareceu, especialmente no que diz respeito à captação de conflitos de guerra, sendo as Guerras Civis da Crimeia e Americana as primeiras a serem retratadas.
No final do século, a fotografia começou a ser considerada uma arte, surgindo o pictorialismo como o primeiro movimento artístico fotográfico; Pretendia tirar fotografias com composição pictórica, influenciada pelo impressionismo. Entre os fotógrafos mais proeminentes do século podemos citar Gaspard-Félix Tournachon, Louis Désiré Blanquart-Evrard, André Adolphe Eugène Disdéri, David Octavius Hill, John Thomson "John Thomson (fotógrafo)"), Julia Margaret Cameron, Oscar Gustav Rejlander, Eadweard Muybridge, Étienne-Jules Marey, Jacob August Riis, etc.
século 20
A arte do século sofreu uma transformação profunda: numa sociedade mais materialista e mais consumista, a arte dirige-se aos sentidos, não ao intelecto. Da mesma forma, o conceito de moda ganhou especial relevância, uma combinação entre a velocidade das comunicações e a vertente consumista da civilização atual. Assim surgiram movimentos de vanguarda, que buscavam integrar a arte à sociedade, buscando uma maior relação artista-espectador, já que é este quem interpreta a obra, podendo descobrir significados que o artista nem conhecia. As últimas tendências artísticas perderam mesmo o interesse pelo objecto artístico: a arte tradicional era uma arte do objecto, a actual do conceito. Há uma revalorização da arte ativa, da ação, da manifestação espontânea, efêmera, da arte não comercial (arte conceitual, acontecimento, ambiente).[133].
A arquitetura sofreu uma profunda transformação das formas tradicionais para os movimentos vanguardistas, que representaram um novo conceito de construção baseado numa ideia de espaço mais racional, estruturado de forma mais requintada e funcional, com especial atenção às novas tecnologias e à sua localização ambiental. O planeamento urbano ganhou grande importância, incentivado pela nova vertente consumista da civilização ocidental, enquanto a ascensão das comunicações levou ao desenvolvimento de estudos de engenharia aplicados à arquitetura.
A arquitetura do século teve um desenvolvimento independente do resto das artes, embora por vezes tenha caminhado paralelamente a um determinado movimento artístico. Temos assim a arquitetura expressionista, caracterizada pela utilização de novos materiais e pela sua fabricação em massa (tijolo, aço, vidro), com nomes como Bruno Taut, Erich Mendelsohn, Hans Poelzig e Fritz Höger. O futurismo também teve alguma manifestação arquitectónica, embora o carácter utópico das suas formulações tenha impedido a sua realização material em muitos casos; Destaca-se a obra de Antonio Sant'Elia. No neoplasticismo holandês temos o trabalho de Jacobus Johannes Pieter Oud, Gerrit Thomas Rietveld e Truus Schröder. Por fim, vale destacar a vertente arquitetônica do construtivismo russo “Construtivismo (arte)”), onde se iniciou um programa ligado à revolução que buscava uma arquitetura funcional que satisfizesse as reais necessidades da população; Foi representado principalmente por Konstantin Melnikov.
Mas a principal tendência artística do século tem sido o racionalismo (1920-1950) – também denominado “Estilo Internacional” -, representado fundamentalmente pela Escola Bauhaus. Esta tendência procurou uma arquitectura baseada na razão, com linhas simples e funcionais, baseada em formas geométricas simples e materiais industriais (tijolo, aço, betão, vidro), renunciando à ornamentação excessiva e dando grande importância ao design, igualmente simples e funcional. Entre suas figuras destacam-se: Walter Gropius, Ludwig Mies van der Rohe, Le Corbusier, José Luis Sert, Frank Lloyd Wright, Eliel Saarinen, Oscar Niemeyer, Alvar Aalto, etc.
• - O Wikimedia Commons hospeda uma categoria multimídia sobre História da Arte.
• - Linha do Tempo da História da Arte de Heilbrunn, Metropolitan Museum of Art, Nova York.
A historiografia da arte é uma ciência multidisciplinar, que busca um exame objetivo da arte ao longo da história, classificando as culturas, estabelecendo periodizações e observando suas características e influências distintivas. O estudo da História da Arte desenvolveu-se inicialmente no Renascimento, tendo como objeto limitado a produção artística da civilização ocidental. No entanto, ao longo do tempo tem prevalecido uma visão mais ampla da história artística, tentando uma descrição global da arte de todas as civilizações e a análise das suas produções artísticas em termos dos seus próprios valores culturais (relativismo cultural), e não apenas os da história da arte ocidental.
A arte hoje desfruta de uma ampla rede de estudo, divulgação e conservação de todo o legado artístico produzido pela humanidade ao longo de sua história. Ao longo do século, proliferaram instituições, fundações, museus e galerias, nas esferas pública e privada, dedicadas à análise e catalogação de obras de arte, bem como à sua exposição a um público maioritário. A ascensão da mídia tem sido fundamental para o melhor estudo e divulgação da arte.
Eventos e exposições internacionais, como as bienais de Veneza e São Paulo ou a Documenta de Kassel, têm ajudado a promover novos estilos e tendências. Prémios como o Prémio Turner da Tate Gallery, o Prémio Wolf Foundation para as Artes, a Medalha Picasso da UNESCO, o Prémio Velázquez para as Artes Plásticas, o Prémio Pritzker para a arquitectura, o Prémio Nobel da Literatura, a Medalha UNESCO Mozart para a música clássica, o Pulitzer para a fotografia e os Óscares para o cinema também promovem o trabalho dos melhores criadores a nível internacional. Instituições como a UNESCO, com a criação de um Patrimônio Mundial, também auxiliam na conservação dos principais monumentos do planeta.[1].
Pré-história
Contenido
El arte prehistórico es el desarrollado por el ser humano primitivo desde la Edad de Piedra (Paleolítico superior, Mesolítico y Neolítico) hasta la Edad de los Metales, periodos donde surgieron las primeras manifestaciones que se pueden considerar como artísticas por parte del Homo sapiens. Durante el Paleolítico (25 000-8000 a. C.), los seres humanos se mantenían principalmente gracias a la caza y a la recolección y habitaban en cuevas, en algunas de las cuales desarrollaron la llamada pintura rupestre. Tras un periodo de transición (Mesolítico, 8000-6000 a. C.), en el Neolítico (6000-3000 a. C.) el ser humano se volvió sedentario y se dedicó a la agricultura, con sociedades cada vez más complejas donde fue cobrando importancia la religión, y comenzó la producción de piezas de artesanía. Por último, en la llamada Edad de los Metales (3000-1000 a. C.), surgieron las primeras civilizaciones protohistóricas.
Paleolítico
As primeiras manifestações artísticas provêm do Homo neanderthalensis, há cerca de 65.000 anos, como confirmam os vestígios encontrados nas grutas de Maltravieso (Cáceres), Ardales (Málaga) e La Pasiega (Cantábria).[2] Mesmo assim, a maior parte dos primeiros achados artísticos são do Paleolítico Superior e já pertencem ao Homo sapiens, por volta de 25.000 a.C. C., tendo seu auge no período Magdaleniano (±15.000-8.000 a.C.). Os primeiros vestígios de objetos feitos pelo homem aparecem no sul da África, no Mediterrâneo ocidental, na Europa central e oriental (Mar Adriático), na Sibéria (Lago Baikal), na Índia e na Austrália. Esses primeiros vestígios são geralmente utensílios feitos de pedra trabalhada (pederneira, obsidiana), ou osso ou madeira. Para a pintura utilizaram óxido de ferro vermelho, preto "Preto (cor)") óxido de manganês "Óxido de manganês (IV)") e argila ocre. Seu principal meio expressivo foi a pintura rupestre, desenvolvida principalmente na região franco-cantábrica: são pinturas de cunho mágico-religioso, em cavernas, com sentido naturalista "Naturalismo (arte)"), com representação de animais, destacando-se as cavernas de Altamira, Tito Bustillo, Trois Frères, Chauvet e Lascaux. Na escultura destacam-se as chamadas Vênus, representações femininas que certamente serviam como culto à fertilidade, destacando-se a Vênus de Willendorf. Outras obras representativas deste período são o chamado Homem de Brno, o Mamute de Vogelherd e a Senhora de Brassempouy.[3].
Na pré-história surgiram as primeiras formas rudimentares de música e dança: vários fenômenos naturais e a própria modulação da voz humana fizeram o homem primitivo ver que existiam sons harmoniosos e melodiosos, e que afetavam as emoções e o humor das pessoas. Ao mesmo tempo, a dança, movimento rítmico, era uma forma de comunicação corporal que servia para expressar sentimentos, ou para ritualizar acontecimentos importantes (nascimentos, mortes, casamentos). Em princípio, a música e a dança tinham uma componente ritual, celebrada em cerimónias de fertilidade, de caça ou de guerra, ou de natureza religiosa diversa. Logo o ser humano aprendeu a usar objetos rudimentares (ossos, juncos "Cana (vegetal)"), troncos "Tronco (botânica)"), conchas) para produzir sons, enquanto sua própria respiração e batimentos cardíacos serviam para dar uma primeira cadência "Cadência (música)") à dança.[4].
Neolítico
Este período - começando por volta de 8.000 AC. C. no Oriente Próximo - significou uma profunda transformação para o ser humano antigo, que se tornou sedentário e se dedicou à agricultura e à pecuária, surgiram novas formas de convivência social e desenvolveu-se a religião. Na pintura levantina – datada entre o Mesolítico e o Neolítico – a figura humana apareceu, muito esquematizada, com exemplos notáveis em El Cogul, Valltorta, Alpera e Minateda. Este tipo de pintura também ocorreu no Norte de África (Atlas "Atlas (cordilheira)"), Sahara) e na zona do actual Zimbabué. A pintura neolítica era esquemática, reduzida a traços básicos (o homem em forma de cruz, a mulher em forma triangular). Destacam-se também as pinturas rupestres do rio Pinturas, na Argentina, especialmente a Cueva de las Manos. Na arte moveleira foram produzidas as chamadas cerâmicas cardais, decoradas com impressões de conchas (cardium), e surgiu a arte têxtil. Novos materiais foram fabricados como âmbar, cristal de rocha, quartzo, jaspe, etc. Nesta época surgiram os primeiros vestígios de cidades com uma planimetria urbana, destacando-se os vestígios encontrados em Tell as-Sultan#Tell_es-Sultán "Jericho (Cisjordania)") (Jericho "Jericho (Cisjordania)"), Jarmo (Iraque) e Çatalhöyük (Anatólia).[5].
Idade dos Metais
A última fase pré-histórica é a chamada Era dos Metais, uma vez que a utilização de elementos como o cobre, o bronze e o ferro representou uma grande transformação material para estas sociedades antigas. No final do Neolítico e durante o chamado Calcolítico surgiu o megalitismo, monumentos funerários em pedra, destacando-se o dólmen e o menir, ou o cromeleque inglês, como no magnífico complexo de Stonehenge. Na Espanha, formou-se a cultura Los Millares, caracterizada pela cerâmica em forma de sino e pelas representações humanas de figuras esquemáticas com olhos grandes. Em Malta destacou-se o conjunto de templos de Mudajdra, Tarxien e Ggantija. Nas Ilhas Baleares desenvolveu-se uma notável cultura megalítica, com vários tipos de monumentos: a naveta, túmulo truncado em forma de pirâmide "Pirâmide (arquitetura)"), com câmara funerária alongada; a taula "Taula (construção talaiótica)"), duas grandes pedras colocadas uma na vertical e outra na horizontal no topo; e o talayot, uma torre com uma câmara coberta por uma cúpula falsa.[6].
Na Idade do Ferro destacaram-se as culturas de Hallstatt (Áustria) e La Tène (Suíça). A primeira ocorreu entre os séculos AC. C. e um. C., caracterizada por necrópoles com tumulus, com câmara mortuária de madeira em forma de casa, muitas vezes acompanhada por carroça de quatro rodas. As cerâmicas eram policromadas, com decorações geométricas e aplicações de ornamentos metálicos. La Tène se desenvolveu entre os séculos AC. C. e um. C., ligada à cultura celta. Destacou-se pelos seus objetos de ferro (espadas, lanças, escudos, fíbulas), com diversas fases de evolução (La Tène I, II e III), que no final desta época receberam influências gregas, etruscas e da arte das estepes.[7].
arte antiga
Se denomina así a las creaciones artísticas de la primera etapa de la historia, iniciadas con la invención de la escritura, destacando las grandes civilizaciones del Próximo Oriente: Egipto y Mesopotamia. También englobaría las primeras manifestaciones artísticas de la mayoría de pueblos y civilizaciones de todos los continentes. En esta época aparecieron las primeras grandes ciudades, principalmente en cuatro zonas delimitadas por grandes ríos: el Nilo, el Tigris y el Éufrates, el Indo y el río Amarillo.
Uno de los grandes avances en esta época fue la invención de la escritura, generada en primer lugar por la necesidad de llevar registros de índole económica y comercial. El primer código escrito fue la escritura cuneiforme, surgida en Mesopotamia alrededor del 3500 a. C., practicada en tablillas de arcilla. Estaba basada en elementos pictográficos e ideográficos, mientras que más adelante los sumerios desarrollaron un anexo silábico para su escritura, reflejando la fonología y la sintaxis del idioma sumerio hablado. En Egipto se desarrolló la escritura jeroglífica, con una primera muestra en la Paleta de Narmer (3100 a. C.). La lengua hebrea fue una de las primeras que utilizó como método de escritura el alfabeto (abyad, alrededor del 1800 a. C.), que relaciona un único símbolo a cada fonema; de aquí derivan los alfabetos griego y latino.[8].
Mesopotâmia
A arte mesopotâmica desenvolveu-se na área entre os rios Tigre e Eufrates (atual Síria e Iraque), onde desde o milênio aC. C. sucederam-se várias culturas como os sumérios, os acadianos, os amorreus, os assírios, os caldeus, etc. A arquitectura caracteriza-se pela utilização do tijolo, com sistema de verga e pela introdução de elementos construtivos como o arco "Arco (arquitectura)") e a abóbada. Destacam-se os zigurates, grandes templos de forma piramidal escalonada, dos quais praticamente não sobreviveram vestígios, exceto algumas bases. O túmulo era um corredor, com uma câmara coberta por uma falsa cúpula, como alguns exemplares encontrados em Ur. Destacaram-se também os palácios, complexos murados com um sistema de terraços em forma de zigurate, dando grande importância às zonas ajardinadas (os jardins suspensos da Babilónia são uma das sete maravilhas do mundo antigo).
A escultura foi desenvolvida em talha livre ou relevo “Relevo (arte)”), em cenas religiosas ou de caça e militares, com presença de figuras humanas e animais reais ou mitológicos. Na época suméria, eram criadas pequenas estátuas de formas angulares, com pedra colorida ou pasta nos olhos, em figuras sem cabelos, com as mãos no peito. No período acadiano são figuras com cabelos e barbas compridas, com destaque para a estela Naram-Sin. Do palco amorreu (ou neo-sumério), destacam-se as representações do rei Gudea de Lagash, com manto e turbante e novamente com as mãos no peito. No domínio babilônico, vale destacar a famosa estela de Hamurabi. Da escultura assíria destacam-se as figuras antropomórficas de touros ou génios alados, que ladeavam as portas dos palácios, bem como os relevos com cenas de guerra ou de caça, como o Obelisco Negro de Salmaneser III.[9].
Com o surgimento da escrita, a literatura surgiu como meio de expressão da criatividade humana. Na literatura suméria, destaca-se o Poema de Gilgamesh, do século a.C.. C. Cerca de trinta mitos foram escritos sobre as mais importantes divindades sumérias e acadianas, entre as quais se destacam: a descida de Inanna ao inferno e as geradas em torno dos deuses Enki e Tammuz. Outro exemplo de relevância é o poema Lugal ud melambi Nirpal (As Obras de Ninurta), cujo conteúdo é didático e moral. Na era acadiana destaca-se Atrahasis, sobre o mito do dilúvio. Na literatura babilônica, merece destaque o poema Enûma Elish, sobre a criação do mundo.[10].
A música desenvolveu-se nesta região entre o 4º e o milénio AC. C., em rituais nos templos sumérios, onde hinos ou salmos (ersemma) eram cantados aos deuses. O canto litúrgico era composto por responsórios – cantos alternados entre sacerdotes e coro – e antífonas – cantos alternados entre dois coros. Possuíam diversos instrumentos, como o tigi (flauta), o balag (tambor), o lilis (precursor dos tímpanos), o algar (lira "Lira (instrumento musical)"), o zagsal (harpa) e o adapa (pandeiro).[11].
Egito
No Egito surgiu uma das primeiras grandes civilizações, com obras de arte elaboradas e complexas que já implicam especialização profissional por parte do artista/artesão. A sua arte era intensamente religiosa e simbólica, com um poder político fortemente centralizado e hierárquico, dando grande relevância ao conceito religioso de imortalidade, principalmente do faraó,[nota 1] para o qual foram construídas obras de grande monumentalidade. Começou por volta de 3000 AC. C., a arte egípcia perdurou até a conquista de Alexandre, o Grande, embora sua influência tenha persistido na arte copta e bizantina.
A arquitetura caracteriza-se pela monumentalidade com utilização da pedra, em grandes blocos, com sistema construtivo de verga e colunas maciças “Coluna (arquitetura)”). Destacam-se os monumentos funerários, com três tipologias principais: a mastaba, túmulo retangular; a pirâmide "Pirâmide (arquitetura)"), que pode ser escalonada (Saqqarah) ou lisa (Gizeh); e os hipogeus, túmulos escavados no solo ou em paredes de falésias (Vale dos Reis). O outro grande edifício é o templo, conjuntos monumentais precedidos por uma avenida de esfinges e dois obeliscos, uma entrada com dois pilares ou paredes trapezoidais "Trapézio (geometria)"), um pátio hipóstilo, uma sala hipostila e o santuário. Destacam-se os templos de Karnak, Luxor, Philae e Edfu. Outro tipo de templo são os speos, em forma de hipogeu, como em Abu Simbel e Deir el-Bahari.
A escultura e a pintura apresentam representações de forma figurativa, geralmente com grande rigidez e esquematização. Na escultura egípcia, faraós e deuses começaram a ser representados já nas primeiras dinastias, atingindo o domínio absoluto da técnica durante a IV Dinastia em elegantes representações de porte majestoso com acabamentos polidos em materiais tão duros como o granito ou o diorito. Predominou a lei da frontalidade e do hieratismo, com formas tendendo à geometrização, dada a sua natureza simbólica como manifestações da vida após a morte. Destacam-se também os ushabti, pequenas estatuetas feitas de terra cozida ou madeira, mais realistas que a escultura funerária, representando cenas do cotidiano.
A pintura caracteriza-se principalmente por apresentar figuras justapostas em planos sobrepostos. As imagens foram representadas com critérios hierárquicos, por exemplo: o faraó é maior que os súditos ou inimigos próximos a ele. Predominava o cânone de perfil, que consistia em representar a cabeça e os membros de perfil, mas os ombros e os olhos de frente. No Egito, desenvolveram-se notavelmente as artes aplicadas, sobretudo a marcenaria e a ourivesaria, com exemplares magníficos como os móveis de cedro com incrustações de ébano e marfim dos túmulos de Yuya e Tuyu (Museu Egípcio no Cairo), ou as peças encontradas no túmulo de Tutancâmon, de grande qualidade artística.[12].
A literatura egípcia foi a primeira a desenvolver um formato literário como o conhecemos hoje: o livro.[13] Uma de suas melhores manifestações é a , servo de Sesostris I, cuja história remonta a meados do século AC. C. Posteriormente, destaca-se o , escrito no , datado por volta do século AC. C. A música egípcia era maioritariamente religiosa, com grande papel no canto vocal, desenvolvendo-se um ciclo anual de festividades, cada uma das quais com a sua música correspondente - facto que passou para a liturgia judaica e cristã. Seus instrumentos incluíam o sistro, o (pandeiro), o (harpa), o (flauta), o (trompete) e o (clarinete). Aparentemente, eles também tinham uma espécie de órgão hidráulico, e duas trombetas de prata foram encontradas na tumba de Tutancâmon.[14]
América
Numa evolução paralela à dos povos neolíticos europeus, os antigos caçadores-coletores começaram a cultivar por volta do milénio AC. C. —especialmente o milho—, com as primeiras sociedades surgindo nas terras altas do México, onde se observa o predomínio de uma casta sacerdotal, com grandes conhecimentos em matemática e astronomia. As primeiras descobertas artísticas datam de cerca de 1300 AC. C. em Xochipala (estado de Guerrero), onde foram encontradas algumas estatuetas de barro de grande vivacidade. A primeira grande civilização mesoamericana foi a olmeca, situada num espaço que atualmente corresponde às províncias de Veracruz e Tabasco, onde se destacam as esculturas em pedra de grande naturalismo (Luchador, encontradas em Santa María Uxpanapán), ou as colossais cabeças monolíticas de até 3,5 metros de altura. Os Zapotecas, estabelecidos em Oaxaca, construíram o magnífico complexo da Cidade dos Templos, no Monte Albán. Na América do Norte destacaram-se as culturas Hohokam, Mogollon e Anasazi.
No Peru, a construção de grandes templos está documentada antes mesmo da invenção da cerâmica, no milênio aC. C. (Sechin Alto, Kuntur Wasi). Destaca-se Chavín de Huántar (900 a.C.), um complexo religioso construído em várias fases, com estrutura em forma de U, com uma praça de azulejos com lajes em relevo com figuras de onças e animais mitológicos, um templo construído em três pisos de galerias, e um monólito central de granito branco com 4,5 metros de altura. Nesta região surgiu uma notável indústria têxtil, talvez a primeira do mundo, fiada em tear com fios de quase 200 cores diferentes, com destaque para os mantos de lã Paracas. Outras culturas notáveis da região foram os Moche e os Nazca – com os seus enigmáticos geoglifos de Nazca. Na região amazônica se destacou a cultura barrancoide "Municipio Sotillo (Monagas)"), com cerâmicas com desenhos incisos, bem como a cultura San Agustín na Colômbia.[15].
África
A arte africana sempre teve um marcado carácter mágico-religioso, destinada mais a ritos e cerimónias das diversas crenças animistas e politeístas africanas do que a fins estéticos, embora existam também produções ornamentais. A maior parte das suas obras são em madeira, pedra ou marfim, em máscaras e figuras autónomas de carácter mais ou menos antropomórfico, com cânone típico de cabeça grande, tronco reto e membros curtos. Também eram produzidas cerâmicas, joias e têxteis, além de objetos de metalurgia – o ferro era conhecido desde o século a.C.. C.—. A primeira produção com alguma relevância foi a cultura Nok, no milénio a.C.. C., localizada no norte da atual Nigéria. Destacam-se as esculturas em terracota, com figuras humanas - por vezes apenas a cabeça - ou de animais (elefantes, macacos, cobras), com grande sentido naturalista, apresentando expressões faciais de signo individualizado, com penteados variados, por vezes com colares e pulseiras. No Sudão, desenvolveram-se as culturas Kerma e Meroe, caracterizadas pelas suas monumentais construções de barro, pelas suas armas e pelas suas cerâmicas. Na Etiópia destacou-se a cidade de Aksum "Aksum (cidade)"), centro de um reino que atingiu o seu apogeu no século XIX. Com uma cultura notável - desenvolveram uma escrita na língua Ge'ez, e criaram um sistema monetário - merecem destaque as suas estelas "Estela (monumento)") em forma de pilares monolíticos, de carácter funerário, com até 20 metros de altura.[16].
Ásia
A arte indiana tem um carácter sobretudo religioso, servindo de veículo de transmissão das diferentes religiões que marcaram a Índia: o hinduísmo, o budismo, o islamismo, o cristianismo, etc. Devemos também destacar como traço distintivo da arte indiana o seu desejo de integração com a natureza, como uma adaptação à ordem universal, tendo em conta que a maioria dos elementos naturais (montanhas, rios, árvores) têm um carácter sagrado para os indianos.
• - Cultura do Indo: a primeira grande civilização indiana desenvolvida entre o século AC. C. e o século AC. C., hoje conhecida pelas escavações realizadas em 1920 pelo senhor John Marshall "John Marshall (arqueólogo)") em Mohenjo-Daro, cidade antiga que em sucessivas localidades apresenta uma urbanização planejada, com edifícios públicos construídos em tijolos de barro cozido. De igual importância são as escavações realizadas em Harappa, com restos de cerâmica, escultura e ferramentas metálicas (ouro, prata, cobre e latão).[17].
• - Período védico (séculos - aC) e premauria (séculos - aC): nesta fase foram introduzidos os povos arianos e surgiram as religiões tradicionais indianas. No século AC. C. Surgiram o Budismo e o Jainismo, estabelecendo laços estreitos com a arte persa. A expedição à Índia de Alexandre o Grande (326-325 aC) abriu contato com a arte helenística grega, materializada nas formas greco-budistas.
• - Arte Maurya (séculos - a.C.): a dinastia Maurya, de religião budista, ocupou todo o curso médio do Indo e a parte central da península do Decão. A arquitetura de pedra substitui o tijolo, como no Palácio Aśoka em Pātaliputra. O monumento característico deste período é a stupa, um túmulo funerário comemorativo, geralmente coberto de relevos com cenas da vida de Buda, como o Sānchi Stūpa.
• - Arte Gandhāra (século II aC-século I dC): A arte Gandhāra é de tradição greco-budista, com influência helenística e sassânida, destacando-se pela representação direta da imagem de Buda. A tipologia da stupa evoluiu, que é abobadada sobre um alto tambor cilíndrico colocado sobre uma base quadrada, como o de Kanisha, em Peshawar.
• - Arte de Mathurā e Amarāvatī (- séculos): na cidade de Mathurā, localizada na bacia superior do Ganges, desenvolveu-se uma importante escola artística que se espalharia pelo resto da Índia e influenciaria a arte Gupta. O estilo Mathurā misturava elementos tradicionais indianos com motivos greco-romanos, porém poucas representações deste período sobreviveram devido à destruição causada pela invasão islâmica. A arte Amarāvatī também tem influência greco-romana, como demonstrado pelos restos encontrados em Virapatnam (Pondicherry). Tal como os estilos anteriores, as suas principais obras são mosteiros e estupas, destacando-se a grande estupa de Amarāvatī, com 50 metros de altura.[18].
A literatura indiana começou por volta de 2.500 aC. C., escrito em sânscrito. Sua primeira manifestação foi a literatura védica (de , 'verdade'), com escritos voltados para a religião e a guerra, com tom poético e evocativos de um mundo mágico. Está dividido em três grupos:
Oceânia
A arte oceânica é marcada pela multiplicidade de territórios insulares que pontilham o Oceano Pacífico, com destaque para as ilhas da Austrália e da Nova Zelândia, e três áreas principais de ilhas e arquipélagos: Polinésia, Melanésia e Micronésia. A primeira cultura desenvolvida na área foi a Lapita (1500-500 aC), originada na Nova Caledônia e espalhada pela Nova Guiné e Polinésia Ocidental (Ilhas Salomão, Vanuatu, Fiji, Tonga e Samoa, principalmente). Caracteriza-se pelas suas cerâmicas decoradas com motivos dentados feitos com pentes ou pontas, bem como objetos feitos de obsidiana e conchas. Entre 500 AC C. e 500 DC. C. a colonização continuou em direção à Micronésia, Melanésia e Polinésia oriental (Ilhas da Sociedade, Marquesas, Ilha de Páscoa, Havaí), embora nestas fases iniciais não tenham sido encontrados numerosos vestígios, exceto alguns utensílios e contas, principalmente feitos de conchas. Na Austrália destacam-se as pinturas rupestres, bastante esquemáticas, chegando à simplificação geométrica.[29].
Outras manifestações
• - Arte hitita: o povo hitita viveu na península da Anatólia, Armênia e Síria, entre o século III e o milênio aC. C. Recebeu influência mesopotâmica e, por sua vez, influenciou a arte persa, minóica e etrusca. A sua arquitetura era monumental, com palácios precedidos de avenidas com esculturas de esfinges, como em Boğazköy, onde também apareciam vários relevos com cenas de guerra e caça. Destacaram-se também as esculturas de Karkemish e Tell-Halaf (Síria).
• - Arte fenícia: povo de tradição marítima, dedicado principalmente ao comércio, navegou pelo Mediterrâneo e Norte da África, fundando a cidade de Cartago, na atual Tunísia. Eles transmitiram a influência da arte oriental por todo o Mediterrâneo. Destacam-se suas esculturas, de influência assíria e egípcia, com certa rigidez arcaica e falta de naturalidade. A arte fenícia também ocorreu em diferentes áreas do Mediterrâneo, especialmente Chipre, Sardenha e Ibiza (Ibiza (ilha)).
• - Arte cita: também chamada de “arte das estepes”, corresponde aos povos nômades que habitaram as planícies eurasianas, principalmente entre o II e o milênio aC. C. A sua arte era predominantemente móvel, fácil de transportar, sendo um povo nómada. Ligados à metalurgia, destacam-se os objetos em bronze, ferro e metais preciosos (armas, escudos, fíbulas, cintos, joias), além de trabalhos em madeira, osso, couro, tecidos e tapetes. Em suas obras destacam-se motivos animalescos, possivelmente de origem totêmica. A arte cita influenciou a dos povos germânicos, vikings e cristãos primitivos.
• - Arte ibérica: desenvolveu-se na Península Ibérica ao mesmo tempo que a cultura La Tène, principalmente na Andaluzia e na zona oriental e, em menor medida, no Planalto Central e no sul de França. A arquitectura baseava-se em paredes de taipa, com sistema de verga, criando arcos e falsas abóbadas por aproximação de cursos. As cidades eram geralmente construídas em acrópoles, como em Azaila, Ullastret e Olérdola. A escultura desenvolveu-se notavelmente, destacando a tipologia das “senhoras”, como as de Elche, Baza e Cerro de los Santos. Também era típica a representação de animais (cavalos, touros, leões), alguns de natureza antropóide, como a Bicha de Balazote.
• - Arte persa: importante cultura desenvolvida na Pérsia sob o reinado de duas importantes dinastias: a Aquemênida (560-331 aC) e a Sassânida (226-640 dC). A arquitetura persa reuniu as formas mesopotâmicas com as egípcias, utilizando a pedra pela primeira vez em grandes palácios como os de Susa, Persépolis e Pasárgada, onde surgiu pela primeira vez o uso de janelas - ao contrário da iluminação superior até então utilizada - e onde se destacam as grandes salas ou apadanas, com altas colunas e capitéis em voluta. Na era sassânida surgiram palácios (Ctesifonte, Firuzabad) com sistemas abobadados com cúpulas em squinches e um pórtico ou iwan com grande arco aberto para um pátio, o que influenciaria a arte islâmica. Na escultura persa destacam-se os relevos, em pedra ou cerâmica esmaltada, com cenas de guerreiros, lutas com monstros ou animais como touros e leões.[30].
arte clássica
Se denomina arte clásico[nota 2] al arte desarrollado en las antiguas Grecia y Roma, cuyos adelantos tanto científicos como materiales y de orden estético aportaron a la historia del arte un estilo basado en la naturaleza y en el ser humano, donde preponderaba la armonía y el equilibrio, la racionalidad de las formas y los volúmenes, y un sentido de imitación («mímesis») de la naturaleza que sentaron las bases del arte occidental, de tal forma que la recurrencia a las formas clásicas ha sido constante a lo largo de la historia en la civilización occidental.
Grécia
As principais manifestações artísticas que marcaram a evolução da arte ocidental desenvolveram-se na Grécia. Após primórdios onde se destacaram as culturas minóica e micênica, a arte grega desenvolveu-se em três períodos: arcaico, clássico e helenístico. Caracterizada pelo naturalismo e pelo uso da razão nas medidas e proporções, e com um sentido estético inspirado na natureza, a arte grega foi o ponto de partida da arte desenvolvida no continente europeu.
Na arquitetura destacaram-se os templos, onde se sucederam três ordens de construção: Dórica, Jônica e Coríntia. Eram construções de pedra, sobre pedestal (krepis), com ou sem pórtico (ou com pórtico na frente e atrás, ou seja, anfiprostilo), com ou sem colunas (que podem ser frontais, laterais, ou podem circundar todo o edifício, caso em que é denominado peripteral), e geralmente coroadas em forma de frontão "Fronton (arquitetura)"), localizado acima do entablamento, cujo friso costuma apresentar relevos. escultórico Destaca-se especialmente o complexo da Acrópole, com o templo dórico do Partenon e os templos jônicos do Erecteion e do Nike Áptera. Outras obras relevantes foram o Teatro de Epidauro e a Lanterna de Lisícrates, e o planejamento urbano foi desenvolvido por Hipódamo de Mileto.
Na escultura predominou a representação do corpo humano, baseada na harmonia das proporções. Nos tempos arcaicos davam-se formas rígidas e esquemáticas, de grande expressividade, destacando-se um tipo de sorriso próximo da careta, denominado “sorriso eginético” por ter a sua maior representação nas figuras do Templo de Afaia em Egina. Estátuas de atletas nus (kouros) e meninas vestidas (kore) também são típicas desta época. No século AC. C. (o chamado “século de Péricles”), estabeleceu-se o classicismo, levando à perfeição o cânone nas proporções do corpo humano, com maior naturalismo e um estudo da alma na expressão da figura representada. Destacaram-se especialmente os trabalhos de Miron, Fídias e Policleto. Numa segunda fase classicista, a serenidade naturalista foi quebrada para enfatizar a expressão, que é mais trágica e angustiante, como percebemos na obra de Escopas, Praxíteles e Lísipo. Finalmente, no período helenístico, a proporção e a harmonia dão lugar à sobrecarga e à sinuosidade, ao dinamismo violento da forma e à expressão patética do sentimento, como no Laocoonte e no Touro Farnese, embora as formas clássicas persistam em obras como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia.
A pintura desenvolveu-se principalmente em cerâmica, em cenas do quotidiano ou com temas históricos ou mitológicos. Normalmente estabelecem-se dois períodos, dependendo da técnica de confecção da cerâmica pintada: “figuras pretas sobre fundo vermelho” (até ao século a.C.) e “figuras vermelhas sobre fundo preto” (a partir do século a.C.). Embora numerosas amostras não tenham chegado aos dias de hoje, há evidências de fontes históricas dos nomes de vários pintores gregos famosos, como Zêuxis, Apeles, Parrásio, Eufranor, Polignoto, etc.[32].
A literatura grega atingiu níveis de grande qualidade, lançando as bases da literatura ocidental. Configuraram-se os gêneros literários (épico, lírico e dramático), sendo a religião e a mitologia a base do enredo de suas obras. Desde os primórdios da tradição oral (o épico), a literatura escrita surgiu com o desenvolvimento do alfabeto grego por volta do século AC. C.. Os mitos gregos eram uma fusão de elementos indo-germânicos e mediterrâneos, com um sentido estético particular que daria origem à poesia. Originalmente, o mythos grego era uma história explicada, de tradição oral, considerada confiável – ao contrário de hoje, onde “mito” é sinônimo de lenda, ficção; Com a épica e a poesia, o mito passou para a literatura, principalmente com a figura de Homero e suas duas grandes obras: a Ilíada e a Odisséia. A poesia se destacou pelas letras corais que expressavam sentimentos coletivos, como se vê nas obras de Hesíodo, Píndaro, Safo e Anacreonte. A prosa também foi desenvolvida, especialmente no gênero histórico, destacando-se Heródoto, Tucídides e Xenofonte; oratória, representada por Demóstenes, Platão e Aristóteles; e a fábula, praticada por Esopo.[33].
Na Grécia nasceu o teatro, entendido como “arte dramática”, onde a par de um texto - onde predomina o diálogo, base da representação cénica -, intervêm também actores, cenários, luzes e efeitos sonoros, figurinos, maquilhagem, etc. O teatro grego evoluiu de antigos rituais religiosos (komos); O ritual virou mito e, por meio da “mimese”, a palavra foi acrescentada, resultando em tragédia. Ao mesmo tempo, o público passou de participante do ritual a observador da tragédia, que tinha um componente educativo, de transmissão de valores, bem como de purgação de sentimentos (“catarse”). Mais tarde surgiu a comédia, com uma primeira componente de sátira e crítica política e social, conduzindo posteriormente a temas tradicionais e personagens arquetípicas. Depois também apareceram o mimetismo e a farsa. Os principais dramaturgos gregos foram: Ésquilo, Sófocles e Eurípides na tragédia, enquanto na comédia se destacaram Aristófanes e Menandro.[34].
A música grega nos é desconhecida a nível auditivo, só temos uma ideia de como poderia ser através de documentos escritos. Os gregos escreviam músicas com as letras do alfabeto, mas não se sabe a duração de cada nota, portanto o ritmo é desconhecido. Uma das primeiras modalidades foi o ditirambo, relacionado ao culto a Dionísio. O teatro e as narrativas épicas foram cantadas, embora desde a perda das anotações musicais tenham permanecido como documentos escritos. Na Grécia foi a primeira vez na história que a música foi estudada cientificamente: Pitágoras relacionou-a com a matemática e foram escritos tratados teóricos sobre música, sendo o primeiro o de Aristoxeno no século AC. C. Os principais instrumentos utilizados na Grécia eram: a lira "Lira (instrumento musical)"), o kithara, o aulós "Aulos (instrumento)"), a seringa "Siringa (instrumento musical)"), vários tipos de tambores - como o tímpano -, a cascavel, o címbalo, o sistro, etc.[35] A Grécia foi o primeiro lugar onde a dança foi considerada uma arte, tendo uma musa a ela dedicada: Terpsícore. Os primeiros vestígios provêm novamente dos cultos a Dionísio, enquanto foi nas tragédias - principalmente as de Ésquilo - onde se desenvolveu como técnica, nos movimentos rítmicos do coro.[36].
Roma
Com um claro precedente na arte etrusca, a arte romana foi muito influenciada pela arte grega. Graças à expansão do Império Romano, a arte clássica greco-romana alcançou quase todos os cantos da Europa, Norte de África e Médio Oriente, lançando as bases evolutivas para a arte futura desenvolvida nestas áreas.
A arquitectura destacou-se pelo seu carácter prático e utilitário: grandes engenheiros e construtores, os romanos destacaram-se na arquitectura civil, com a construção de estradas, pontes, aquedutos e obras urbanas, bem como templos, palácios, teatros, anfiteatros, circos, termas, arcos triunfais, etc. alvenaria. Utilizaram as ordens gregas, às quais acrescentaram a ordem toscana, de fuste liso e capitel com gola e equino "Equina (arquitetura)") encimado por ábaco quadrado "Abaco (arquitetura)"). Entre as suas principais obras podemos lembrar o Coliseu, o Panteão de Agripa, o Teatro de Mérida, a Maison Carrée de Nîmes, as Termas de Caracalla, o Aqueduto de Segóvia, o Arco de Constantino, a Torre de Hércules, etc.
A escultura, de inspiração grega, também tinha como foco a figura humana, embora com mais realismo, não se importavam em mostrar defeitos que eram ignorados pela escultura grega idealizada. Um gênero muito difundido foi o retrato, com grande detalhamento e fidelidade nos traços, perceptível no uso da trefina para produzir o claro-escuro e no fato de gravar as pupilas. Mais idealizados são os retratos dos imperadores, feitos em três versões: togata, como patrício; thoracata, como soldado; e apoteose, como divindade. O relevo "Relevo (arte)") destacou-se especialmente, em temas históricos ou religiosos, como vemos no Ara Pacis de Augusto, no Arco de Tito e na Coluna de Trajano.
A pintura é conhecida sobretudo pelos vestígios encontrados em Pompéia, onde podem ser vistos quatro estilos: inlay, que imita o revestimento de mármore; o arquitetônico, assim chamado porque simula arquiteturas; o ornamental, com arquiteturas fantásticas, guirlandas e putti; e o fantástico, uma mistura dos dois anteriores, com paisagens imaginárias, diversas formas arquitetônicas e cenas mitológicas. O mosaico também se destacou, em opus sectile, de formas geométricas, ou opus tesellatum, com pequenas peças que formam cenas figurativas, como O Sacrifício de Ifigênia em Ampurias ou A Batalha de Isos em Nápoles.[37].
A literatura romana recebeu, como nas demais artes, influência grega, da qual adotaram técnicas e gêneros; A principal inovação latina foi o conceito de “estilo” que os romanos aplicaram às suas obras. Embora a sua produção não tenha sido de grande qualidade - no aspecto estético-literário - a obra dos autores latinos exerceu grande influência na literatura ocidental, devido à sua influência na literatura cristã e medieval, e porque o latim foi a origem das línguas vernáculas posteriormente faladas em muitos lugares da Europa. Cultivaram os mesmos gêneros dos gregos, destacando Lucrécio, Virgílio, Horácio e Ovídio na poesia; em prosa, Petrônio e Apuleio; na oratória, Cícero e Sêneca; na historiografia, Salústio, Tácito e Tito Lívio.[38].
arte medieval
La caída del Imperio romano de Occidente marcó el inicio en Europa de la Edad Media, etapa de cierta decadencia política y social, pues la fragmentación del imperio en pequeños estados y la dominación social de la nueva aristocracia militar supuso la feudalización de todos los territorios anteriormente administrados por la burocracia imperial. El arte clásico será reinterpretado por las nuevas culturas dominantes, de origen germánico, mientras que la nueva religión, el cristianismo, impregnará la mayor parte de la producción artística medieval.
Arte cristã primitiva
A arte paleocristã é chamada de arte feita pelos primeiros seguidores desta nova religião, primeiro de forma oculta, enquanto ainda eram perseguidos pelo poder imperial, e mais tarde, após a conversão ao cristianismo do imperador romano Constantino, tornou-se o estilo oficial do Império. As formas clássicas foram reinterpretadas para servir de veículo de expressão da nova religião oficial, e ocorreu uma atomização de estilos por áreas geográficas.
Na arquitetura, as primeiras manifestações ocorreram na área dos cemitérios ou “catacumbas”, que serviam simultaneamente como locais de encontro de devotos cristãos perseguidos. Com a legalização da sua religião, a basílica destacou-se como tipologia, uma adaptação do edifício romano do mesmo nome que, no entanto, passou de função civil a religiosa. Geralmente era composto por três partes: um átrio de entrada, o corpo da basílica, dividido em três naves "Nave (arquitetura)"), e o presbitério "Presbitério (arquitetura)"), onde está localizado o altar. Destacam-se as basílicas de São Pedro no Vaticano, São João de Latrão, São Lourenço e São Clemente em Roma e São Apolinário em Ravena.
As artes figurativas iniciam o caminho da arte medieval, eminentemente religiosa, dando preponderância ao simbolismo das cenas representadas sobre o realismo da narrativa ou o seu carácter estético. Na escultura destacaram-se os sarcófagos, que evoluíram da simples decoração ornamental com molduras côncavas (estrígiles) à narração de cenas em friso. A pintura ocorreu sobretudo nas catacumbas, com cenas religiosas e alegóricas, e surgiu a miniatura, iluminura manuscrita, com duas escolas principais: a helenística-alexandrina e a síria. O mosaico ganhou especial relevância, que teve grande desenvolvimento, influenciando a arte bizantina; Os melhores exemplos são encontrados em Santa Maria Maggiore em Roma "Basílica de Santa María Maggiore (Roma)") e San Apollinaris e San Vitale em Ravenna.[40].
A literatura cristã foi desenvolvida em latim e grego, geralmente para fins didáticos e propagandísticos da nova fé. Eram obras práticas, sem intenção estilística, com finalidade moralizante. A princípio, destacou-se o desenvolvimento do Novo Testamento, escrito em grego, com três partes principais: os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João), o corpus epistolar (cartas de São Paulo e outros apóstolos) e o Apocalipse de São João. Surgiu então uma série de escritos apologéticos dos chamados Padres da Igreja: Atenágoras, Orígenes, Clemente de Alexandria, Eusébio de Cesaréia, etc. Quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império, surgiu uma tendência mais literária, mais elaborada e retórica, com destaque para São Basílio, o Grande, São João Crisóstomo e São Gregório de Nazianzo. Entre os exegetas latinos destacaram-se Tertuliano, Lactâncio, Prudêncio, São Jerônimo (tradutor da Bíblia para o latim, a chamada Vulgata) e, especialmente, Santo Agostinho.[41]
A música cristã primitiva foi herdada da música romana, bem como da liturgia judaica. A missa foi cantada, tipo coral. No século II, Santo Ambrósio introduziu o canto ambrosiano, uma ondulação vocal sem ritmo ou saltos entre notas. Mais tarde, o Papa Gregório I, o Grande, criou o canto gregoriano (séc.), de linha melódica contínua, em forma de missal (missalis romanum). Existem três estilos de canto gregoriano, que são classificados de acordo com o número de tons diferentes cantados por sílaba: quando há um tom por sílaba é denominado estilo "silábico"; 2 a 5 tons por sílaba são chamados de "pneu"; e 6 ou mais tons por sílaba são chamados de "melismáticos".[42].
Arte germânica
A invasão do Império Romano pelos povos germânicos levou à fragmentação do território em vários reinos, onde os povos invasores tornaram-se a classe dominante, embora a cultura romana tenha sobrevivido entre as classes humildes. Esta convivência cultural gerou o aparecimento de línguas vernáculas e a criação de novas entidades políticas e culturais, que se fortalecerão ao longo da Idade Média até formar as diversas nacionalidades que hoje existem no mundo ocidental.
As primeiras manifestações arquitetônicas destas cidades foram de pouca relevância, devido à pobreza dos materiais utilizados e à falta de um grande programa de construção. Foram utilizadas instalações e materiais romanos, difundindo-se o uso do arco semicircular e da abóbada. Destacam-se as construções ostrogóticas na Itália, como o Mausoléu de Teodorico em Ravenna. Na escultura, os relevos se destacaram, como os de Poitiers na França ou de Cividale na Itália. Pintura desenvolvida em miniatura, como vemos nos sacramentários de Luxeuil e Gelasiano (Vaticano).
Entre os povos germânicos, merecem destaque os visigodos, radicados na Península Ibérica, que desenvolveram um estilo próprio de grande relevância. A arquitetura destacou-se pela utilização da alvenaria de silhar, do arco em ferradura e da abóbada de berço ou de estrias. Desenvolveram três tipos de igrejas "Igreja (edifício)"): a basílica de três naves (San Juan de Baños "Igreja de San Juan (Baños de Cerrato)")), aquela com nave com câmaras laterais (San Pedro de la Mata) e aquela com cruz grega (Santa Comba de Bande). Na escultura, vale destacar a incorporação da escultura figurativa nas igrejas, especialmente em frisos e capitéis, como em Quintanilla de las Viñas "Ermita de Santa María (Quintanilla de las Viñas)") e San Pedro de la Nave "Igreja de San Pedro de la Nave (El Campillo)"). A ourivesaria também se destacou, principalmente em coroas e cruzes, como as encontradas nos tesouros de Guarrazar e Torredonjimeno.[43].
Arte pré-românica
Este é o nome dado aos múltiplos estilos desenvolvidos na Europa desde a coroação de Carlos Magno (ano 800) até cerca do ano 1000, onde o aparecimento do Românico significará a difusão de um mesmo estilo unitário por todo o continente europeu. Este significado é simplesmente uma forma de abranger uma série de estilos independentes com poucos ou nenhuns factores comuns, sendo o único factor unificador o facto de serem antecessores da internacionalização do românico.
• - Arte carolíngia: a coroação de Carlos Magno significou de certa forma a restauração do Império Romano, o que levou a um renascimento cultural e a um primeiro regresso à cultura clássica como fonte de inspiração, embora matizada pela religião cristã. A arquitetura carolíngia baseava-se na utilização de pilares em vez de colunas, com arcos semicirculares e telhados de madeira ou abóbadas de berço. Exemplos disso são a Capela Palatina em Aachen e os mosteiros beneditinos como Sankt Gallen, Fulda e Corvey. A escultura foi produzida principalmente em marfim e bronze, como a Estátua Equestre de Carlos Magno (Louvre). A pintura limitou-se à miniatura, com diversas escolas como a Palatina, Tours, Reims e Saint-Denis.
• - Arte otoniana: é assim chamada porque coincide com os reinados de Otto I, Otto II e Otto III. Arquitetonicamente são herdeiros da arte carolíngia: o modelo de Aachen pode ser visto no coro da Abadia de Essen e em Ottmarsheim, enquanto o modelo da basílica beneditina está presente em São Ciríaco de Genrode, São Miguel de Hildesheim e na catedral de Speyer. Nas artes plásticas percebe-se a influência bizantina, devido ao casamento de Otão II com Teófano de Constantinopla: na escultura, destacam-se as obras em bronze, como as portas de São Miguel de Hildesheim; na pintura, vale destacar os afrescos de São Jorge de Oberzell").
• - Arte Celta: nas Ilhas Britânicas, recentemente evangelizadas, a arte Celta viveu um tempo de esplendor. Na arquitetura, poucos vestígios são preservados, já que geralmente foi construído em madeira: merecem destaque as igrejas de Deerhurst e Bradford-on-Avon. Na escultura, destacam-se as grandes cruzes irlandesas, decoradas em relevo, como as de Moone"), Kells e Monasterboice. A miniatura teve influência carolíngia, destacando-se a escola de Winchester, à qual pertencia o Pontifício de Saint Aethelwold (Museu Britânico).
• - Arte viking: a arquitetura foi feita em madeira, com destaque para as igrejas em formato de pirâmide, com telhados pontiagudos e projeções altamente verticais, no estilo das salas de reuniões vikings, como a igreja norueguesa de Borgund. Destacam-se também os trabalhos de ourivesaria, com destaque para as fíbulas com agulhas longas e as espadas com botão terminal e argolas no punho.
• - Arte asturiana: com a invasão islâmica da Península Ibérica, os cristãos ficaram reduzidos à região das Astúrias, que viu a arte florescer notavelmente, especialmente na arquitectura, onde se distinguem três fases, dependendo do reinado de Ramiro I: pré-Ramirense, Ramirense e pós-Ramirense. Caracteriza-se pela utilização de paredes de silhar, arcos semicirculares -por vezes inclinados#Tipos_de_arcos_de acordo_com_a_forma_de_intradós "Arco (arquitetura)")—, abóbadas de berço com arcos transversais e contrafortes exteriores. A tipologia principal é a basílica de três naves, com amplo transepto "Cruzeiro (arquitetura)") e três capelas retangulares na cabeceira. No primeiro período destaca-se a igreja de San Julián de los Prados; no Ramirense, Santa María del Naranco, San Miguel de Lillo e Santa Cristina de Lena; e na área pós-Ramiran, San Salvador de Valdediós.
Arte bizantina
Apesar da queda do Império Romano Ocidental, este perdurou no Oriente – conhecido como Império Bizantino – [nota 3] até a conquista de Constantinopla em 1453 pelos turcos otomanos. Herdeira da arte helenística, a arte bizantina reuniu as principais tradições artísticas orientais, das quais foi a porta de entrada para a Europa, onde a arte bizantina influenciou a arte pré-românica e românica. Três "idades de ouro" são distinguidas na arte bizantina: a primeira no século II, coincidindo com o reinado de Justiniano; uma segunda do século até a tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204; e um terço no século, com a dinastia Paleologos.
Pedra e tijolo foram utilizados na arquitetura, com revestimentos exteriores de placas de pedra com relevos e interiores em mosaico. Abundava o uso da coluna, com capitéis cúbicos "Cubo (geometria)") decorados com relevos em dois planos, ou em forma de ninho de vespas. Foram utilizados o arco semicircular e a abóbada com cúpula sobre pendentes. A tipologia mais utilizada foi a de planta centralizada - talvez pela importância dada à cúpula -, com átrio de entrada, nártex, presbitério "Presbitério (arquitetura)") e coro ao fundo, com duas câmaras laterais ou sacristias e altar sob baldaquino. As primeiras manifestações, da época de Justiniano, são as mais monumentais: igreja dos Santos Sérgio e Baco, Santa Irene e Santa Sofia[nota 4] em Constantinopla; Na segunda época de ouro destacam-se a Catedral de Santa Sofia em Kiev e São Marcos em Veneza; e no terceiro vale a pena mencionar os complexos de Mistra, Thessaloniki e Monte Athos.
Na época de Justiniano, as artes figurativas tiveram uma influência cristã primitiva, ao mesmo tempo que incluíam várias tradições anteriores, especialmente a helenística e a síria neoática, destacando-se os complexos musivares de San Demetrius de Thessaloniki "Igreja de San Demetrius (Thessaloniki)") e San Vital de Ravenna. Na segunda idade de ouro, a estética e a iconografia bizantina estabeleceram-se, especialmente em torno dos ícones “Ícone (religião)”, com forte carga simbólica das imagens, com figuras estilizadas e perspectivas hierárquicas (o tamanho da figura depende da sua importância religiosa). A escultura era geralmente em relevo, sobre pedra ou marfim, destacando imagens de “consagração imperial” (Cristo com as mãos na cabeça dos imperadores). Na Terceira Idade de Ouro, a pintura substituiu o mosaico, especialmente os ícones da pintura em painel, com destaque para as escolas de Chipre, Salónica, Creta, Veneza e Moscovo (onde Andrei Rubliov se destacou).
Arte islâmica
Com a Hégira de Maomé em 622, surgiu uma nova religião, o Islão, que se espalhou rapidamente do Próximo Oriente através do Norte de África, chegando à Europa com a conquista da Península Ibérica e da zona dos Balcãs após a queda do Império Bizantino. Ao longo do tempo, a nova religião reuniu uma grande diversidade de povos e culturas, sendo a sua arte o reflexo dessa disparidade, tendo inúmeras manifestações e variantes estilísticas dependendo da região onde foi produzida. A maioria das manifestações da arte islâmica são obras de arquitetura – que incluem magníficas esculturas ou outras ornamentações. Quanto à pintura e à escultura, a proibição religiosa de representação de imagens figurativas fez com que esta se desenvolvesse sobretudo como ornamentação, em motivos abstratos ou geométricos; Os poucos exemplos de obras figurativas geralmente ocorriam em ambientes privados, como palácios.
A arquitetura destacou-se pela utilização do arco pontiagudo - que em al-Andalus era um arco em ferradura devido à herança da arte visigótica -, por vezes utilizado em sobreposição e interseção, surgindo posteriormente o arco lobado#Lobed_arc "Arco (arquitetura)"), geralmente com três ou cinco lóbulos. Foram utilizados vários tipos de abóbada, como a abóbada de galão e a abóbada nervurada. Grande importância foi dada à decoração ornamental, geralmente em gesso, alabastro, mármore, mosaico ou pintura, de carácter abstracto, com motivos epigráficos, vegetalistas ou rendados. A tipologia principal é a mesquita, geralmente composta por um grande pátio (sahn), a torre ou minarete e a sala de orações (haram), ao fundo (quibla) existe um nicho denominado mihrab, por vezes precedido por um espaço com arcos (macsura). Destacam-se as mesquitas de Damasco, a mesquita Rock e al-Aqsa em Jerusalém, a mesquita Samarra, a mesquita Ibn Tulun no Egito, a mesquita Isfahan, a mesquita Tamerlão em Samarcanda, a Mesquita Azul em Istambul, etc.
Em al-Andalus, a arte islâmica teve o seu momento de esplendor no emirado de Córdova: a arquitectura cordoba foi herdeira das formas hispano-romanas e visigóticas, como o demonstra a utilização do arco em ferradura, que se enquadra num alfiz e ao qual se acrescenta uma alternância característica das suas aduelas em vermelho e branco. Seu principal monumento é a Mesquita de Córdoba, composta por onze naves perpendiculares à qibla, com uma série de arcos sobrepostos, semicirculares na parte superior e em ferradura na parte inferior, com a tradicional alternância branco-vermelho. Também merecem destaque a Mesquita Bab al-Mardum em Toledo e o Palácio Medina Azahara. Outras importantes manifestações da arte islâmica na península foram as produzidas em Sevilha durante o domínio almóada, destacando-se a Giralda e a Torre del Oro; e a arte nasrida em Granada, que tem a sua principal expressão na Alhambra.[48].
A literatura árabe começou com uma obra de grande significado, o , livro sagrado do Islã escrito por Maomé e consagrado em seu texto definitivo pelo califa Uthman Ibn Affan em 650. É composto por 114 capítulos (), em versos rimados, com dois grupos principais de pregações: as escritas por Maomé em Meca, de tom breve e poético, de uma religiosidade mais fervorosa; e os escritos em Medina, mais longos e discursivos, expondo os principais preceitos da nova religião. O foi a base gramatical e estilística da literatura árabe, que se desenvolveu especialmente na poesia (Abu Nuwas, al-Mutanabbi, Ibn Quzman); e prosa, seja filosófica (al-Kindi, Avicena, Avempace, Ibn Tufail, Averróis), histórica (Ibn Khaldun), narrativa (Ibn al-Muqaffa, al-Jahiz), ou fantástica (al-Hamadani"), al-Hariri"). Vale destacar a coletânea de contos intitulada , obra anônima escrita ao longo dos séculos e em vários estilos, e que é um impressionante exercício de engenhosidade e fantasia.[49].
Arte românica
A arte românica representa o primeiro estilo internacional da cultura da Europa Ocidental, com uma identidade totalmente consolidada após a passagem do latim para as línguas vernáculas. De natureza eminentemente religiosa, quase toda a arte românica visava a exaltação e difusão do cristianismo. Surgida em meados do século, desenvolveu-se fundamentalmente ao longo do século, no final do qual começou a coexistir com o incipiente gótico. Os vários estilos produzidos pelo pré-românico culminaram no românico, enquanto se denota a influência oriental da arte bizantina.
A arquitetura destacou-se pela utilização de paredes de silhar, arcos semicirculares e abóbadas de berço, apoiadas em pilares por arcos transversais, correspondentes aos contrafortes exteriores; Também são frequentes as cúpulas, em squinches "Trompa (arquitetura)") ou pendentes. As igrejas têm uma ou três naves, com transepto "Crucero (arquitetura)") e às vezes deambulatório. Iniciou-se a construção de grandes catedrais, que continuará durante o período gótico. Como principais exemplos temos: o Mosteiro de Cluny, San Lázaro de Autun, Santa Fe de Conques, San Saturnino de Toulouse, San Front de Périgueux e San Esteban de Caen "Igreja de San Esteban (Caen)") na França; as catedrais de Durham, York e Canterbury, na Inglaterra; Santo Ambrósio de Milão "Basílica de Santo Ambrósio (Milão)"), Santo Abundius de Como, São Zenão de Verona e as catedrais de Parma, Modena, Pisa e Lucca na Itália; as catedrais de Speyer, Mainz e Worms na Alemanha; as catedrais de Braga e Coimbra em Portugal; e San Pedro de Roda, San Isidoro de León, San Martín de Frómista, San Juan de Duero (Soria), Santo Domingo de Silos e as catedrais de Jaca, Solsona e Santiago de Compostela na Espanha.[51].
A escultura desenvolveu-se sobretudo no enquadramento arquitectónico, de carácter religioso, com figuras esquematizadas, sem realismo, de signo simbólico, com marcado carácter didáctico, devido ao analfabetismo da época. Os principais ciclos escultóricos ocorrem no tímpano "Tímpano (arquitetura)") dos portais de acesso a igrejas e catedrais, como em Santa Madeleine de Vézelay, São Lázaro de Autun, Santa Fé de Conques e Pórtico Real de Chartres. Na Itália destacou-se a figura de Benedetto Antelami, que trabalhou na Catedral de Parma, como em sua magnífica Descida (1178). Em Espanha destacaram-se em primeiro lugar as oficinas catalãs de Ripoll e da zona dos Pirenéus, as oficinas de marfim de León "León (Espanha)") (Crucifixo de Fernando I), as oficinas do Caminho de Santiago, as Platerías Fachada da Catedral de Santiago e o claustro de Silos; No século, foram produzidas várias escolas regionais: a catalã (portal do mosteiro de Santa María de Ripoll), a aragonesa (mosteiro de San Pedro el Viejo "Monasterio de San Pedro el Viejo (Huesca)") em Huesca), a navarra (portal de Sangüesa) e a castelhana (mosteiro de Santa María la Real de Nájera).
A pintura foi desenvolvida principalmente nos formatos mural e painel, bem como em miniatura. A sua temática era eminentemente religiosa, num estilo esquemático semelhante ao da escultura, com uma intenção simbólica muito distante da descrição naturalista. Teve forte influência bizantina, difundida especialmente pela ordem beneditina através da Abadia de Montecassino como centro radiante. A pintura mural esteve intimamente ligada à arquitetura, a ponto de quase todas as paredes das igrejas serem decoradas com pinturas, com um programa iconográfico que destacava a figura do Pantocrator - geralmente localizado na abside -, bem como os Tetramorfos, a Virgem "Maria (mãe de Jesus)") e os apóstolos, o Juízo Final e outras cenas do Antigo e do Novo Testamento. Alguns dos melhores exemplos encontram-se na Abadia de Sant'Angelo in Formis (Cápua), na igreja de San Clemente de Tahull e no panteão real de San Isidoro de León. Na pintura em painel, geralmente destinada a servir de frontal de altar, utilizou-se principalmente a têmpera. Na miniatura vale destacar as escolas inglesa e italiana.[53].
arte gótica
A arte gótica[nota 7] desenvolveu-se entre os séculos XIX e II, época de grande desenvolvimento econômico e cultural. O fim da era feudal significou a consolidação de estados centralizados, com maior predominância das cidades sobre o campo, enquanto um sector crescente da sociedade tinha acesso à cultura, que já não era património exclusivo da Igreja. A ascensão das universidades levou ao aumento dos estudos científicos, filosóficos e literários, lançando as bases da cultura moderna.
A arquitetura passou por uma profunda transformação, com formas mais leves, dinâmicas, com uma melhor análise estrutural que permitiu edifícios mais estilizados, com mais aberturas e, portanto, melhor iluminação. Surgiram novas tipologias, como o arco ogival e a abóbada nervurada, e a utilização de contrafortes e arcobotantes para sustentar a estrutura do edifício, permitindo interiores maiores decorados com vitrais e rosáceas. É a época das grandes catedrais, entre as quais vale destacar: Laon, Chartres, Amiens, Reims, Bourges e Notre-Dame de Paris, na França; Canterbury, Salisbury e Gloucester, na Inglaterra; Siena, Orvieto, Florença, Bolonha e Milão, na Itália; Colônia, Estrasburgo, Ulm e Magdeburgo na Alemanha; Santo Estêvão de Viena na Áustria; Barcelona, Gerona, Palma de Maiorca, Sevilha, Toledo, Burgos, León, Zamora e Sigüenza, em Espanha; e os mosteiros da Batalha e Alcobaza em Portugal. Em Espanha, também vale a pena destacar o desenvolvimento da arte mudéjar, fortemente influenciada pelas formas islâmicas, e que se caracteriza pela utilização de tijolo, gesso e pequenos quadrados de madeira: Cristo de la Vega "Iglesia de Santa Leocadia (Toledo)") (Toledo), San Lorenzo de Sahagún#Iglesia_de_San_Lorenzo "Sahagún (Espanha)"), Las Huelgas (Burgos), Santa Clara de Tordesillas, Convento de Guadalupe (Cáceres), Alcázar de Sevilha, etc.
A escultura continuou a enquadrar-se na obra arquitetónica, embora a escultura autónoma tenha começado a desenvolver-se, com formas mais realistas, inspiradas na natureza. Os artistas buscavam a beleza ideal, em formas simples e diáfanas, com certa melancolia e nobreza nos sentimentos, e com cenas de cunho narrativo. Na França destacam-se o Pórtico Real e os portais do transepto da Catedral de Chartres, bem como os complexos de Amiens e Reims. Na Itália destaca-se o ateliê de Nicola e Giovanni Pisano em Pisa, enquanto na Alemanha destaca-se o trabalho de Veit Stoss e Tilman Riemenschneider. Em Espanha destacam-se o Pórtico de la Gloria da Catedral de Santiago de Compostela, os portais da Colegiada de Toro e das catedrais de Tuy e Ciudad Rodrigo, os complexos de Burgos, León e Toledo, bem como a obra de Pere Johan e Gil de Siloé.
A pintura deixou de ser mural e passou para retábulos localizados nos altares das igrejas, e a pintura sobre tela, têmpera ou óleo começou a se desenvolver. Quatro estilos pictóricos se sucederam:
• - Gótico Linear ou Franco-Gótico: desenvolveu-se desde o século XIX até ao início do século XIX, caracterizado pelo desenho linear, pelo forte cromatismo, pelo naturalismo das linhas simples e pelo idealismo dos temas representados. Este estilo foi desenvolvido especialmente em vitrais e miniaturas.
A arte pré-colombiana floresceu com grande brilho até a descoberta da América. Os invasores destruíram inúmeras obras de arte pré-colombiana (máscaras, códices ilustrados, pedaços de penas e, principalmente, obras de ouro e prata, que foram derretidas). Mesmo assim, a marca pré-colombiana perdurou em inúmeras produções artísticas posteriores.
Várias culturas se desenvolveram no México: a primeira foi a de Teotihuacán, cidade construída entre os séculos II e II, de sistema reticular - com traçado de base astrológica -, onde se destacava uma grande avenida ladeada por templos em forma de pirâmide escalonada "Pirâmide (arquitetura)"), decorada com esculturas em relevo "Relevo (arte)") e pinturas a fresco. Os maias ocuparam a península de Yucatán e os atuais Belize e Guatemala (-séculos), desenvolvendo uma arte de significado religioso, onde também se destacaram os templos, concebidos sob medidas astronômicas, em formato piramidal (Tikal, Uxmal, Templo de Kukulcán em Chichén Itzá). A escultura era em relevo, geralmente de animais mitológicos, cobras, pássaros e figuras humanas, muitas vezes com hieróglifos. Os Toltecas (- séculos), no estado de Hidalgo, construíram o Templo do Deus da Estrela da Manhã em Tula, e nos deixaram um dos melhores exemplos de escultura pré-colombiana: o Chac Mool. No planalto mexicano desenvolveu-se (- séculos) a cultura asteca, que reuniu várias tradições anteriores numa arte sintética dedicada à expressão do poder. Na sua capital, Tenochtitlán, construíram uma grande cidade com grandes palácios e jardins, e templos em forma de pirâmide, dedicados ao sacrifício humano.
A arte inca floresceu nos Andes, emergindo assim como a arte asteca no século II, abrangendo os atuais Equador, Peru, Bolívia, Chile e parte da Argentina. Os Incas tinham uma cultura altamente desenvolvida, com avançados procedimentos metalúrgicos, cerâmicos e têxteis. Tal como os romanos, desenvolveram uma arquitetura e uma engenharia civil notáveis, com cidades planeadas e estradas bem traçadas, como o Caminho Real de las Montañas, com 6.000 quilómetros de comprimento, murado e 9 metros de largura. Sua capital, Cuzco, foi fortificada com paredes de silhares poligonais, técnica também utilizada em Machu Picchu. Seus edifícios eram retangulares ou circulares, com portas e janelas trapezoidais. Além da arquitetura, destacaram-se a cerâmica e a arte têxtil, geralmente decoradas com motivos geométricos. Na Bolívia, destacou-se a cidade de Tiahuanaco.[63].
A literatura pré-colombiana era predominantemente oral, por isso poucos vestígios chegaram até nós. No México, diversas expressões são preservadas na língua náuatle: escritos de signo religioso, cosmológico e divinatório (Códice Borgia); documentos administrativos e contas históricas (Xólotl Codex); e composições poéticas, como os hinos rituais coletados por Bernardino de Sahagún em Canções dos Deuses. Na língua maia destacam-se os livros de Chilam Balam, transcrição de obras hieroglíficas sobre tradições orais, e o , livro sagrado dos índios Quiché "Quiché (etnia)"). No Peru, a literatura inca é representada por uma série de obras de poesia religiosa, bem como por longos poemas narrativos com temas históricos ou mitológicos. Aparentemente, foi a única cultura pré-colombiana onde algo semelhante ao teatro foi desenvolvido, como pode ser visto no drama em língua quíchua .[64].
O Norte de África tinha mais relação com a arte europeia e asiática, e o cristianismo foi introduzido no século XIX, especialmente na Etiópia. Posteriormente, o Islamismo espalhou-se fortemente pelos países do Magrebe. A África Subsaariana, por outro lado, era mais isolada, com pequenos reinos atolados em disputas frequentes. Suas primeiras manifestações artísticas, em materiais perecíveis, não chegaram até nós. Os primeiros vestígios são esculturas em madeira, como as dos povos Tellem e Dogon, no atual Mali. Objetos de bronze aparecem na África Ocidental e Austral por volta do século I, como algumas embarcações do povo Igbo-Ukwu na Nigéria. A cultura Monomotapa floresceu no Zimbabué (- séculos), cuja capital, o Grande Zimbabué, era uma das maiores cidades de toda a África. Em Ifé (também na Nigéria), de cultura iorubá, surgiu ao longo dos séculos uma notável escola de figuras de terracota, de grande naturalismo. Datam deste período as igrejas escavadas na rocha de Lalibela, na Etiópia, onde se destaca também a pintura de temática cristã. Entre os séculos e um estilo mais esquemático de figuras de terracota, figuras masculinas com barba pontiaguda característica, ocorreram em Djenné (Mali). Finalmente, entre os séculos e, outra notável escola de escultura ocorreu no Benin, destacando-se a sua magnífica coleção de bronzes.[65].
• - Arte Gupta (séculos -): O Budismo expandiu-se no Império Gupta, com uma arte caracterizada pelo purismo formal, harmonia de proporções e idealização da figura humana. Destacam-se os grandes santuários rochosos ou vihara (Ajantā, Ellorā, Elephanta) e os templos ao ar livre (Bhitargaon, Bodhagaya, Deogarth, Sirpur). A arte Gupta se espalhou por quase todo o Deccan: os Chālukya" a usaram nos templos de Ahiōlē e Bādāmi (550-750), e os Pallavas a demonstraram em seu complexo arquitetônico-escultórico de Mahābalipuram. Esses estilos são frequentemente chamados de "pós-Gupta".
• - Arte hindu (séculos -): neste período sobrevivem os estilos anteriores, acentuando as formas bramânicas. O tipo de santuário mais difundido é o śikhara, como o de Udaipur. A arquitetura divide-se em duas tipologias: “o edifício coberto e a pirâmide” (Tanjore vimāna, século), e “o edifício com telhado curvilíneo” (templo Gujarāt). Entre os séculos - foi produzida a arte de Khajurāhō, expressão máxima da arte indo-ariana pela elegância formal e estética dos seus templos, bem como da escultura que os adorna. Em Orissā, na parte nordeste da Índia, desenvolveram-se novas tipologias que transformaram o śikhara e o vimāna em representações arquitetônicas dos deuses hindus, como em Bhubaneshwar e Kōnārka.[66].
A literatura indiana desta época foi realizada em diversas modalidades: o drama continuou com as épicas mitológicas, com forte selo de imaginação, com destaque para Bhavabhūti, autor de Malatimadhava, história sobre o amor de dois jovens que já foi comparada a Romeu e Julieta; O poema épico é herdeiro do Rāmāyana, em um novo gênero chamado mahakavya, de temas históricos e mitológicos, com destaque para o Rajatarangini de Kalhana") (por volta de 1150); a poesia lírica é representada pelo Sataka de Bhartrihari"), um conjunto de poemas sobre o conceito indiano de vida, e o Gītāgovinda de Jāyādeva, poemas de amor de tipo alegórico; Por fim, a fábula caracterizou-se por contos de ar popular, de cunho didático e instrutivo, com destaque para os autores Narayana "Naraian Pandit (fabulista)") e Sivadasa"). Vale destacar também o famoso Kama-sutra, compilado no século por Vātsyāyana, que é um conjunto de preceitos e conselhos relacionados ao amor e ao sexo.[67].
O teatro evoluiu sem grandes sinais de ruptura desde a antiguidade, em espetáculos onde, a par dos dramas mitológicos sobre a cosmogonia hindu, se destacavam o canto, a dança e a mímica. Nesta época destacavam-se duas modalidades principais: o mahanataka (grande espetáculo), sobre as grandes épicas indianas; e dutangada, em que um ator recita o texto principal enquanto outros o encenam com ajuda de mímica e dança.[68].
A música nesta época era predominantemente vocal, com acompanhamento de diversos instrumentos, principalmente cítaras e alaúdes. Vários tratados sobre música foram escritos: o de Matamga") (século), o de Nārada (século) e o de Śārngadeva") (século). Eles tinham sete notas (): sa, ri, ga, ma, pa, dha, ni; com 22 graus microtonais (). A melodia era composta por várias estruturas de ciclo tonal (), que incluíam vários ornamentos (). Por sua vez, cada está relacionado a um ou medida de tempo, para marcar o ritmo, que pode ser lento (), médio () ou rápido (). Por fim, o (pedal) é um som sustentado que sustenta o centro tonal, atuando como guia durante a execução da obra.[69].
Neste período, a expansão polinésia continuou em direção à periferia oceânica (Nova Zelândia, Ilhas Kermadec, Ilhas Chatham). Ocorreu uma grande diversificação cultural e artística: só na Melanésia, por exemplo, existiam mais de 1.000 grupos étnicos diferentes. A maioria das manifestações artísticas eram de natureza ritual, relacionadas com danças e cerimónias de tipo animista ou politeísta. Complexos arquitetônicos elaborados com esculturas de pedra e megálitos foram produzidos na Micronésia. Em Yap (Ilhas Carolinas), surgiu uma espécie de moeda de pedra composta por grandes discos com furo central. Em Guam e nas Ilhas Marianas destacam-se as casas sobre colunas de pedra (latte). No Havaí foram construídos grandes templos (heiau), com esculturas de madeira de até três metros de altura representando seus deuses. Nas Ilhas Marquesas existia uma espécie de construção de casas megalíticas sobre plataformas de pedra, com grandes estátuas antropomórficas. Na Nova Zelândia, os Maori desenvolveram um tipo de escultura em madeira com figuras de líderes políticos e religiosos, bem como pingentes esculpidos em nefrite (hei tiki). Por fim, vale destacar a construção na Ilha de Páscoa das famosas cabeças monolíticas (moai), das quais cerca de 600 foram erguidas entre os anos 900 e 1600. São figuras de 4 ou 5 metros, que foram colocadas em plataformas de pedra que serviram de base aos templos (ahu) de culto aos antepassados.[78].
Arte da Idade Moderna
El arte de la Edad Moderna —no confundir con arte moderno, que se suele emplear como sinónimo de arte contemporáneo—[nota 8] se desarrolló entre los siglos y . La Edad Moderna supuso cambios radicales a nivel político, económico, social y cultural: la consolidación de los estados centralizados supuso la instauración del absolutismo; los nuevos descubrimientos geográficos —especialmente el continente americano— abrieron una época de expansión territorial y comercial, suponiendo el inicio del colonialismo; la invención de la imprenta conllevó una mayor difusión de la cultura, que se abrió a todo tipo de público; la religión perdió la preponderancia que tenía en la época medieval, a lo que coadyuvó el surgimiento del protestantismo; a la vez, el humanismo surgió como nueva tendencia cultural, dejando paso a una concepción más científica del hombre y del universo.
El origen de la historia del arte como tal data del siglo , considerándose las Vidas de Giorgio Vasari el texto inaugural del estudio del arte con carácter historiográfico. El método que siguió el erudito florentino era la biografía del artista. Esta metodología fue la que se impuso hasta el siglo , cuando el historiador alemán Johann Joachim Winckelmann inició un nuevo tipo de análisis del arte buscando en el desarrollo de las civilizaciones una evolución estilística.[nota 9].
Renascimento
Surgido na Itália no século (Quattrocento), espalhou-se pelo resto da Europa a partir do final desse século e início do . Os artistas inspiraram-se na arte clássica greco-romana, razão pela qual se falava em "renascimento" artístico após o obscurantismo medieval. Estilo inspirado na natureza, surgiram novos modelos de representação, como o uso da perspectiva. Sem abrir mão da temática religiosa, a representação do ser humano e do seu meio tornou-se mais relevante, surgindo novos temas como o mitológico ou histórico, ou novos géneros como a paisagem, a natureza morta e até o nu “Nu (género artístico)”). A beleza deixou de ser simbólica, como na época medieval, para ter uma componente mais racional e comedida, baseada na harmonia e na proporção.
A arquitetura recuperou os modelos clássicos, retrabalhados com um conceito mais naturalista "Naturalismo (arte)") e com bases científicas: foram recuperadas a utilização do arco semicircular, a abóbada de berço, a cúpula meio-laranja e as ordens clássicas (Dórica, Jónica, Coríntia e Composta). A estrutura do edifício baseou-se em proporções matemáticas, que procuravam a perfeição das formas, ao mesmo tempo que realçavam a luminosidade e a abertura dos espaços. No Quattrocento destacou-se a arquitetura desenvolvida em Florença: Filippo Brunelleschi (cúpula de Santa María del Fiore, Basílica de San Lorenzo), Leon Battista Alberti (Santo André de Mântua "Basílica de Santo André (Mântua)")); enquanto no Cinquecento o centro artístico passou a ser Roma: Bramante (San Pietro in Montorio, Basílica de São Pedro no Vaticano), Antonio da Sangallo (Palácio Farnese). Nessa época, a jardinagem ganhou popularidade progressiva, que passou a ser concebida através de um projeto estruturado; Surgiu assim o chamado “jardim italiano”, de composição geométrica, construído em terraços com escadas (Jardín del Belvedere, Bramante; Villa Madama, Rafael). Fora da Itália, o Renascimento desenvolveu-se especialmente na França, com a obra de Philibert Delorme; na Alemanha só chegou em meados do século, com o castelo de Heidelberg e, especialmente no final do século, na Baviera; Na Holanda a influência italiana foi especialmente notável na decoração, em estruturas ainda de signo gótico; Na Inglaterra foi produzido o estilo Tudor, desenvolvido especialmente na construção de palácios civis, caracterizado pela utilização do arco Tudor; Na Rússia, o Renascimento italiano – introduzido por Aristóteles Fioravanti – foi adaptado ao estilo bizantino tipicamente russo, como no magnífico complexo do Kremlin. Na Espanha desenvolveram-se vários estilos: Plateresco, caracterizado pela utilização de paredes acolchoadas, colunas balaustradas e profusa decoração de grotescos (Alonso Covarrubias, Diego de Siloé); e purismo "Purismo (arquitetura)"), mais preocupado com a estrutura racional do edifício, abandonando a decoração exuberante do plateresco (Rodrigo Gil de Hontañón, Andrés de Vandelvira).
A escultura também buscou a perfeição idealizada do classicismo, embora a elegância curvilínea e as proporções esbeltas do gótico internacional tenham perdurado até o século. Foram utilizados materiais nobres, como o mármore e o bronze, com especial gosto pela forma monumental. A par da temática religiosa, desenvolveu-se a retratística, em bustos ou figuras equestres, ao estilo da Roma Antiga. Particularmente notáveis foram: Lorenzo Ghiberti, Jacopo della Quercia, Luca della Robbia, Andrea Verrocchio e, especialmente, Donatello (David, 1409; Judith e Holofernes "Judith and Holofernes (Donatello)"), 1455-1460); e, fora da Itália, Michel Colombe na França, Peter Vischer na Alemanha e Felipe Bigarny, Bartolomé Ordóñez e Damián Forment na Espanha.
A pintura sofreu uma evolução notável a partir das formas medievais, com formas naturalistas e temas seculares ou mitológicos a par dos religiosos. Os estudos de perspectiva permitiram trabalhos de grande efeito realista, baseados em proporções matemáticas, com especial uso da "proporção áurea" após o estudo publicado por Luca Pacioli (De Divina Proportione, 1509). Foram utilizados afrescos e têmpera, enquanto a pintura a óleo foi introduzida em meados do século devido à influência flamenga. Um de seus principais expoentes foi Leonardo Da Vinci, gênio multifacetado que introduziu o sfumato ou "perspectiva aérea", com obras como A Virgem das Rochas (1483), A Última Ceia "A Última Ceia (Leonardo)") (1495-1497), A Mona Lisa (1503), etc. seus afrescos nas Salas do Vaticano. Outros artistas notáveis foram: Masaccio, Fra Angelico, Paolo Ucello, Andrea del Castagno, Perugino, Piero della Francesca, Benozzo Gozzoli, Domenico Ghirlandaio, Botticelli, Andrea del Verrocchio, Luca Signorelli, Andrea Mantegna, Giovanni Bellini, Antonello da Messina, etc. Younger e Lucas Cranach, o Velho, na Alemanha; Quentin Metsys e Pieter Brueghel na Holanda; e Pedro Berruguete, Alejo Fernández, Vicente Masip, Juan de Juanes, Pedro Machuca e Luis de Morales na Espanha.
As artes industriais tiveram um grande boom devido ao gosto pelo luxo das novas classes abastadas: desenvolveu-se a marcenaria, especialmente na Itália e na Alemanha, destacando-se a técnica da intarsia, incrustações de madeira de vários tons para produzir efeitos lineares ou determinadas imagens. A tapeçaria destacou-se na Flandres, com obras baseadas em esboços desenvolvidos por pintores como Bernard van Orley. As cerâmicas foram fabricadas na Itália com vernizes vidrados, conseguindo tons brilhantes e de grande efeito. O vidro desenvolveu-se notavelmente em Veneza (Murano), às vezes decorado com fios de ouro ou filamentos de vidro colorido. A ourivesaria foi cultivada por escultores como Lorenzo Ghiberti, com peças de grande virtuosismo e elevada qualidade, destacando-se especialmente os esmaltes e camafeus. Com a invenção da imprensa, desenvolveram-se as artes gráficas, surgindo ou aperfeiçoando a maioria das técnicas de gravura: talhe doce (gravura-forte, água-tinta, gravura em buril, gravura em meio-tom ou gravura em ponta seca), linogravura, xilogravura, etc.[79].
A literatura renascentista desenvolveu-se em torno do humanismo, a nova teoria que destacava o papel primordial do ser humano sobre todas as outras considerações, especialmente as religiosas. Nessa época o mundo das letras recebeu um grande impulso com a invenção da imprensa por Gutenberg, fato que levou ao acesso à literatura por um público maior. Isto levou a uma maior preocupação com a ortografia e a linguística, surgindo os primeiros sistemas gramaticais nas línguas vernáculas (como o espanhol de Elio Antonio de Nebrija) e surgindo as primeiras academias de línguas nacionais. Entre os literatos desta época destacam-se: Angelo Poliziano, Matteo Maria Boiardo, Ludovico Ariosto, Jacopo Sannazaro, Pietro Bembo, Baldassare Castiglione, Torquato Tasso, Tomás Moro, Erasmo de Rotterdam, François Rabelais, Pierre de Ronsard, Michel de Montaigne, Edmund Spenser, Luís de Camões, etc. começou, que duraria até o século: a poesia, influenciada pelo italiano stil nuovo, incluía as figuras de Garcilaso de la Vega, Fray Luis de León, San Juan de la Cruz e Santa Teresa de Jesús; Na prosa surgiram os livros de cavalaria (Amadís de Gaula, 1508) e o gênero picaresco começou com Lazarillo de Tormes (1554), enquanto surgiu a obra de Miguel de Cervantes, o grande gênio das letras espanholas, autor do imortal Dom Quixote (1605).[80].
O teatro renascentista também acusou a transição do teocentrismo para o antropocentrismo, com obras mais naturalistas, de vertente histórica, tentando refletir as coisas como elas são. Buscou-se a recuperação da realidade, da vida em movimento, da figura humana no espaço, em três dimensões, criando espaços de efeitos ilusionistas, em trompe-l'œil. A regulação teatral surgiu a partir de três unidades (ação, espaço e tempo), baseadas na Poética "Poética (Aristóteles)") de Aristóteles, teoria introduzida por Lodovico Castelvetro. Por volta de 1520 surgiu no norte da Itália a Commedia dell'arte, com textos improvisados, em dialeto, predominando a mímica e introduzindo personagens arquetípicos como Arlequim, Columbine, Pulcinella (chamada na França de Guignol), Pierrot, Pantalone "Pantaleón (comédia de arte)"), Pagliaccio, etc. Naharro, Lope de Rueda e Fernando de Rojas, com sua grande obra La Celestina (1499). Na Inglaterra, destacou-se o teatro elisabetano, com autores como Christopher Marlowe, Ben Jonson, Thomas Kyd e, especialmente, William Shakespeare, um grande gênio universal das letras (Romeu e Julieta, 1597; Hamlet, 1603; Otelo, 1603; Macbeth, 1606).[81].
A música renascentista marcou a consagração da polifonia, bem como o fortalecimento da música instrumental, que evoluiria para a orquestra moderna. O madrigal "Madrigal (música)") surgiu como um género secular que combinava texto e música, sendo a expressão paradigmática da música renascentista. Em 1498 Ottaviano Petrucci idealizou um sistema de impressão adaptado à música, em pauta, com o qual a música começou a ser publicada. Como compositores renascentistas destacaram-se Orlandus Lassus, Carlo Gesualdo, Giovanni Gabrieli, Tomás Luis de Victoria, Cristóbal de Morales, Claudio Monteverdi e Giovanni Pierluigi da Palestrina. No final do século nasceu a ópera, iniciativa de um círculo de estudiosos (a Camerata Fiorentina) que, ao descobrir que se cantava o teatro grego antigo, teve a ideia de musicar textos dramáticos. A primeira ópera foi Dafne (1594), de Jacopo Peri, seguida por Euridice "Euridice (Peri)") (1600), do mesmo autor; em 1602, Giulio Caccini escreveu outra Eurídice; e, em 1607, Claudio Monteverdi compôs La favola d'Orfeo "Orfeo (ópera)"), onde acrescentou uma introdução musical que chamou de sinfonia, e dividiu as estruturas cantadas em árias.[82].
A dança renascentista teve uma grande revitalização, novamente devido ao papel preponderante do ser humano sobre a religião, de tal forma que muitos autores consideram esta época o nascimento da dança moderna. Foi desenvolvido especialmente na França - onde era denominado ballet-comique -, na forma de histórias dançadas, baseadas em textos mitológicos clássicos, sendo promovido principalmente pela rainha Catarina de' Médici. O primeiro balé é geralmente considerado Ballet comique de la Reine Louise (1581), de Balthazar de Beaujoyeulx. As principais modalidades da época eram o gallarda, o pavane e o tourdion. Nesta época surgiram os primeiros tratados de dança: Domenico da Piacenza escreveu De arte saltandi et choreas ducendi, sendo considerado o primeiro coreógrafo da história; Thoinot Arbeau fez uma compilação de danças populares francesas (Orchesographie, 1588).[83].
Maneirismo
Surgindo também na Itália em meados do século como uma evolução das formas renascentistas, o Maneirismo[nota 10] abandonou a natureza como fonte de inspiração para buscar um tom mais emocional e expressivo, ganhando importância na interpretação subjetiva do artista sobre a obra de arte. A arquitetura adquiriu signo mais eficaz e equilíbrio tenso, com destaque para o multifacetado artista Michelangelo, autor da abside e cúpula de São Pedro no Vaticano; Jacopo Vignola (Igreja de Jesus); e Andrea Palladio, criador de um estilo próprio (Palladianismo), como vemos na Basílica de Vicenza, na Villa Capra (chamada Rotunda), em San Giorgio Maggiore em Veneza, etc. Na Espanha foi produzida a arquitetura herreriana (de Juan de Herrera), um estilo sóbrio e simples, com formas de decoração simples e nuas, de acordo com a doutrina da contra-reforma que prevalecia naquela época; Teve a sua maior conquista no Mosteiro de El Escorial.
A escultura é mais uma vez um reflexo do pessimismo que dominou a sociedade italiana na segunda metade do século, com uma arte onde a realidade se deforma ao capricho, predominando a expressão sentimental do artista, com figuras estilizadas, em posições violentas e atitudes dramáticas. Destaca-se novamente a obra de Michelangelo, com obras de tenso dinamismo onde se destaca a expressão da pessoa representada: Pieta (1501), David (1501-1504), Moisés (1513-1515), Sepulcro dos Medici (1520-1534), etc. Sansovino; e, fora da Itália, Jean Goujon e Germain Pilon na França, Adriaen de Vries na Flandres, Hubert Gerhard") na Alemanha, e Alonso Berruguete, Juan de Juni e Gaspar Becerra na Espanha.
A pintura maneirista tinha um cunho mais caprichoso, extravagante, com gosto pelas formas sinuosas e estilizadas, deformando a realidade, com perspectivas distorcidas e atmosferas espetaculares. Michelangelo (autor da decoração da Capela Sistina) destacou-se primeiro - como nas demais artes - seguido de Bronzino, Andrea del Sarto, Pontormo, Correggio, Parmigianino, Giorgione, Tiziano, Veronese, Tintoretto, Jacopo Bassano, Giuseppe Arcimboldo, etc. Alemanha. Na Espanha destacaram-se Juan Fernández de Navarrete, Alonso Sánchez Coello, Juan Pantoja de la Cruz e, especialmente, El Greco, um artista excepcional que criou um estilo pessoal e único, com um forte sentido expressionista.
Barroco
O Barroco[nota 11] desenvolveu-se entre o século XIX e o início do século XIX. Foi uma época de grandes disputas nos campos político e religioso, surgindo uma divisão entre os países católicos contra-reformistas, onde se instaurou o Estado absolutista, e os países protestantes, de carácter mais parlamentar. A arte tornou-se mais requintada e ornamentada, com a sobrevivência de um certo racionalismo classicista mas com formas mais dinâmicas e eficazes, com gosto pelo surpreendente e anedótico, pelas ilusões e efeitos de ótica.
A arquitetura, de linhas clássicas, assumiu formas mais dinâmicas, com decoração exuberante e sentido cenográfico de formas e volumes. A modulação do espaço tornou-se relevante, com preferência por curvas côncavas e convexas, dando especial atenção aos jogos ópticos (trompe-l'œil) e ao ponto de vista do espectador. Tal como na época anterior, o motor do novo estilo foi mais uma vez a Itália: Gian Lorenzo Bernini foi um dos seus melhores expoentes, sendo o principal arquitecto da Roma monumental que hoje conhecemos (colunata da Praça de São Pedro, baldaquino de São Pedro, Quirinal de Santo André, Palácio Chigi-Odescalchi); Francesco Borromini é outro grande nome da época, autor das igrejas de San Carlo alle Quattre Fontane e Sant'Ivo alla Sapienza; Pietro da Cortona, Baldassare Longhena, Filippo Juvara e Guarino Guarini também se destacaram. Na França, sob o reinado de Luís Palácio de Versalhes, por Le Vau e Jules Hardouin-Mansart. Na Áustria, destacou-se Johann Bernhard Fischer von Erlach, autor da Igreja de São Carlos Borromeu "Igreja de São Carlos Borromeu (Viena)") em Viena. Na Inglaterra, vale citar a Catedral de São Paulo, em Londres, de Christopher Wren. Na Espanha, a arquitetura da primeira metade do século mostrou a herança herreriana, tendo Juan Gómez de Mora como figura de destaque, enquanto na segunda metade do século foi dado o estilo churrigueresco (de José Benito Churriguera), caracterizado por um decorativoismo exuberante e o uso de colunas salomônicas (Retábulo-Mor de San Esteban de Salamanca "Convento de San Esteban (Salamanca)")).
A escultura adquiriu o mesmo caráter dinâmico, sinuoso, expressivo, ornamental, destacando o movimento e a expressão, de base naturalista mas deformada ao capricho do artista. Na Itália, Bernini mais uma vez se destacou, autor de obras como Apolo e Dafne "Apolo e Dafne (escultura de Bernini)") (1622-1625), Êxtase de Santa Teresa (1644-1652), Morte da Beata Ludovica Albertoni (1671-1674), etc. Puget se destacou. Em Espanha, o imaginário religioso da herança gótica perdurou, destacando-se Gregorio Fernández, Juan Martínez Montañés, Alonso Cano, Pedro de Mena, Francisco Salzillo, etc.
A pintura desenvolveu-se em duas tendências opostas: o naturalismo, baseado na estrita realidade natural, com gosto pelo claro-escuro - o chamado tenebrismo -, onde merecem destaque Caravaggio, Orazio e Artemisia Gentileschi, Pieter van Laer, Adam Elsheimer, Georges de La Tour e os irmãos Le Nain; e o classicismo, igualmente realista, mas com uma concepção de realidade mais intelectual e idealizada, abrangendo Annibale Carracci, Guido Reni, Domenichino, Guercino, Giovanni Lanfranco, Nicolas Poussin, Claude Lorrain, Hyacinthe Rigaud, etc. No chamado "pleno barroco" (segunda metade do século), de estilo decorativo e predominância da pintura mural, Pietro da Cortona, Andrea Pozzo, Luca Giordano e Charles Le Brun se destacou. Para além destas correntes, existiram inúmeras escolas, estilos e autores de natureza muito diversa, destacando-se duas escolas regionais: a flamenga (Peter Paul Rubens, Anton Van Dyck, Jacob Jordaens, Frans Snyders), e a holandesa (Rembrandt, Jan Vermeer, Frans Hals). Na Espanha, destacou-se a figura excepcional de Diego Velázquez (, 1630; , 1635; , 1650; , 1656; , 1657), além de José de Ribera, Francisco Ribalta, Alonso Cano, Francisco de Zurbarán, Juan de Valdés Leal e Bartolomé Esteban Murillo.
Rococó
Desenvolvido no século [nota 12] — coexistindo no início do século com o Barroco, e no final com o Neoclassicismo —, significou a sobrevivência das principais manifestações artísticas do Barroco, com um sentido mais acentuado de decoração e gosto ornamental, que são levados a um paroxismo de riqueza, sofisticação e elegância. A progressiva ascensão social da burguesia e os avanços científicos, bem como o ambiente cultural do Iluminismo, levaram ao abandono dos temas religiosos em favor de novos temas e atitudes mais mundanas, destacando o luxo e a ostentação como novos factores de prestígio social.
A arquitetura passou da grandiloquência barroca para um gosto mais delicado, com formas graciosas e preponderância de pequenos espaços, com ambientes recônditos pensados para o bem-estar e o conforto. O exótico virou moda, principalmente o gosto pela arte oriental. O Rococó desenvolveu-se principalmente na França e na Alemanha, representado principalmente por Ange-Jacques Gabriel (Petit Trianon em Versalhes, Hotel Biron em Paris), François de Cuvilliés (Pavilhão Amalienburg do Palácio Nymphenburg em Munique), Johann Balthasar Neumann (Palácio Episcopal em Würzburg) e Dominikus Zimmermann (Igreja de Wies). Na jardinagem, o “jardim italiano” foi sucedido pelo “jardim francês”, com composição geométrica como o italiano, mas com perspectiva mais longa, composição mais simples, áreas maiores de grama e um novo detalhe ornamental: o canteiro; Destacam-se os jardins de Versalhes (desenhados por André Le Nôtre) e de Aranjuez.
A escultura tem um ar gracioso, refinado, com certa sobrevivência das formas barrocas, principalmente pela influência de Bernini. Na Itália, destaca-se a Fonte de Trevi, de Pietro Bracci e Filippo della Valle. Na França, destacaram-se os trabalhos de Edmé Bouchardon, Jean-Baptiste Pigalle e Étienne-Maurice Falconet. Na Alemanha contamos com a presença de Georg Rafael Donner, Ignaz Günther e dos irmãos Asam (Cosmas Damian e Egid Quirin). Em Espanha podemos destacar Juan Pascual de Mena e Luis Salvador Carmona.
A pintura transitou entre a exaltação religiosa ou o paisagismo vedutista na Itália (Giambattista Tiepolo, Canaletto, Francesco Guardi), e as cenas da corte de Jean-Antoine Watteau, François Boucher, Jean-Baptiste-Siméon Chardin e Jean-Honoré Fragonard na França, passando pelo retratismo inglês de Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough. Uma figura à parte é o inclassificável pintor espanhol Francisco de Goya, que evoluiu de um selo mais ou menos rococó para um certo pré-romantismo, mas com uma obra pessoal e expressiva de forte tom intimista. Cultivou a pintura e a gravura, e seus desenhos para tapeçaria também são notáveis. Entre suas obras destacam-se: os Caprichos (1799), A Família de Carlos IV (1800), O Terceiro de Maio de 1808 em Madrid (1814), as Pinturas Negras (1820), etc.
As artes decorativas tiveram especial relevância, pois, como se notou, o Rococó era uma arte de ar burguês dedicada à ostentação e ao luxo. O design de interiores desenvolveu-se significativamente, com especial destaque para móveis, espelhos, sedas, tapeçarias e objetos de porcelana. Este último foi muito difundido, especialmente na Saxónia e em Sèvres, com delicados motivos ornamentais, de preferência em estilo oriental. Pequenas talhas escultóricas com motivos galantes, pastorais ou da Commedia dell'arte também foram realizadas em porcelana. No mobiliário, foi desenvolvido o "estilo Chippendale" (de Thomas Chippendale), caracterizado pelo ecletismo "Ecletismo (arte)"), com mistura de elementos góticos, rococó, palladianos e chinoiserie. Em Espanha ganharam notoriedade as tapeçarias da Real Fábrica de Santa Bárbara, algumas delas desenhadas por Goya. Nessa época surgiu a litografia, um novo tipo de gravura em calcário, inventado por Aloys Senefelder em 1778.[90].
Neoclassicismo
A ascensão da burguesia após a Revolução Francesa favoreceu o ressurgimento de formas clássicas, mais puras e austeras, em contraste com os excessos ornamentais do barroco e do rococó, identificados com a aristocracia. Este ambiente de valorização do legado clássico greco-romano foi influenciado pela descoberta arqueológica de Pompéia e Herculano, juntamente com a disseminação de uma ideologia de perfeição das formas clássicas levada a cabo por Johann Joachim Winckelmann, que postulou que a beleza perfeita ocorria na Grécia antiga, gerando um mito sobre a perfeição da beleza clássica que ainda hoje condiciona a percepção da arte.[nota 13].
A arquitetura neoclássica era mais racional, de natureza funcional e tinha um certo ar utópico, como vemos nos postulados de Claude-Nicolas Ledoux e Étienne-Louis Boullée. É conveniente distinguir dois tipos de arquitetura neoclássica: a de herança barroca, mas despojada de decoração excessiva para se distinguir da arquitetura rococó; e o próprio neoclássico, de linhas austeras e racionais, sóbrias e funcionais. A primeira inclui obras como o Panteão de Paris, de Jacques-Germain Soufflot, ou a Ópera de Berlim, de Georg Wenzeslaus von Knobelsdorff; O neopalladianismo britânico e americano também se enquadra nesta linha. Na nova linha, mais racional, podemos citar o projeto urbanístico das Tulherias, de Pierre-François-Léonard Fontaine (iniciador do chamado “estilo Império”); a Piazza del Popolo em Roma, de Giuseppe Valadier; o Walhalla "Walhalla (Monumento)") em Regensburg, de Leo von Klenze; e o Museu do Prado em Madrid, de Juan de Villanueva.
A escultura, de referência lógica greco-romana, teve como figuras principais: Jean-Antoine Houdon, retratista da sociedade pré-revolucionária (Rousseau, Voltaire, Lafayette, Mirabeau); Antonio Canova, que trabalhou para os papas e para a corte de Napoleão (Paulina Borghese como Vênus, 1805-1807); e Bertel Thorvaldsen, muito influenciado pela escultura grega, dedicado à mitologia e à história antigas (Jasão com o Velocino de Ouro, 1803). Outros nomes notáveis seriam John Flaxman, Johann Gottfried Schadow, Johan Tobias Sergel e Damià Campeny.
A pintura manteve um cunho austero e equilibrado, influenciado pela escultura greco-romana ou por figuras como Rafael e Poussin. Jacques-Louis David, pintor "oficial" da Revolução Francesa, destacou-se especialmente (Juramento dos Horácios, 1784; A morte de Marat, 1793; Napoleão cruzando os Alpes, 1800). Junto com ele vale lembrar: François Gérard, Antoine-Jean Gros, Pierre-Paul Prud'hon, Anne-Louis Girodet-Trioson, Jean Auguste Dominique Ingres, Joseph Wright de Derby, Johann Zoffany, Angelika Kauffmann, Anton Raphael Mengs, Joseph Anton Koch, Asmus Jacob Carstens, José de Madrazo, etc.[95].
As artes decorativas desenvolveram-se em vários estilos, alguns dos quais perduraram ao longo do século: o estilo Diretório surgiu em França na época do Diretório "Diretório (França)") (1795-1805), caracterizado por linhas simples, clássicas, sóbrias, sem ornamentos excessivos; O estilo Império desenvolveu-se na França Napoleónica e da Restauração, de onde passou para o resto da Europa, substituindo a sobriedade pela ostentação e luxo, com um estilo suntuoso, com preferência por temas exóticos e orientais; Em contrapartida, o estilo alemão Biedermeier apresentou um design mais prático e confortável, com linhas simples e caseiras. Esses estilos influenciaram o elisabetano espanhol e o vitoriano inglês, de ar burguês, dedicado ao luxo e à ostentação, embora sem abrir mão do conforto e da funcionalidade.
Desde a descoberta da América por Cristóvão Colombo em 1492 até à independência dos vários países americanos ao longo do século (sendo os últimos Cuba e Porto Rico em 1898), existiu a chamada arte colonial, que foi um reflexo fiel da arte feita na metrópole, desenvolvendo os mesmos estilos artísticos do continente europeu, principalmente o Renascentista, o Barroco e o Rococó. As principais amostras da arte colonial foram produzidas nos dois centros geográficos mais relevantes da era pré-colombiana: México e Peru.
A arquitetura baseou-se nas mesmas tipologias de edifícios típicos da cultura europeia, principalmente igrejas "Igreja (edifício)") e catedrais, dado o rápido avanço do trabalho de evangelização dos povos nativos americanos, mas também edifícios civis como câmaras municipais, hospitais, universidades, palácios e vilas privadas. Durante a primeira metade do século, as ordens religiosas foram responsáveis pela construção de numerosas igrejas no México, de preferência uma espécie de igrejas fortificadas denominadas “capelas indígenas”. Em meados do século começaram a ser construídas as primeiras grandes catedrais, como as do México, Puebla, Guadalajara "Catedral de Guadalajara (México)"), Cuzco e Córdoba "Catedral de Córdoba (Argentina)"). A arquitetura barroca caracterizou-se pela profusa decoração, que seria agravada no chamado "ultrabarroco" (Fachada do Tabernáculo da Catedral do México). No Peru, as construções desenvolvidas em Lima e Cuzco desde 1650 apresentam características originais que antecedem até o barroco europeu, como o uso de paredes acolchoadas e colunas salomônicas (Iglesia de la Compañía, Cuzco). No século XIX, a arquitetura evoluiu para um estilo mais exuberante, dando um aspecto inconfundível ao barroco de Lima (Palacio del Marqués de Torre-Tagle.
Os primeiros exemplares de pintura colonial foram os de cenas religiosas criadas por mestres anônimos, como as imagens da Virgem com o Menino. A produção artística realizada na Nova Espanha pelos indígenas no século é chamada de arte indo-cristã. A pintura barroca foi influenciada pelo tenebrismo sevilhano, principalmente de Zurbarán, como pode ser visto na obra dos mexicanos José Juárez e Sebastián López de Arteaga, e do boliviano Melchor Pérez de Holguín. No final do século destacou-se a Escola de Pintura de Cuzco, representada principalmente por Luis de Riaño e Marcos Zapata "Marcos Zapata (pintor)"). No século a principal influência seria a de Murillo, e em alguns casos - como em Cristóbal de Villalpando - a de Valdés Leal. Destacam-se Gregorio Vázquez de Arce na Colômbia e Juan Rodríguez Juárez e Miguel Cabrera "Miguel Cabrera (pintor)") no México.
Na escultura, as primeiras amostras foram novamente no campo religioso, em talha autônoma e retábulos para igrejas, geralmente em madeira revestida com gesso e decorada com encarnação - aplicação direta de cor - ou guisado "Ensopado (arte)") - sobre fundo prateado e dourado. No início do século nasceram as primeiras escolas locais, como Quito e Cuzco, destacando o trabalho de patrocínio da ordem jesuíta. No Barroco destacaram-se os trabalhos escultóricos desenvolvidos em Lima, como as bancas da Catedral de Lima. No Brasil, o trabalho de Aleijadinho se destacou.[100].
Nesta época, a diversidade de estilos e manifestações artísticas continuou no continente africano, devido à multiplicidade étnica e religiosa, e às diferentes organizações sociais, desde povos nómadas até estados centralizados como Benim, Daomé, Congo e Ashanti. Os principais materiais eram madeira, pedra, marfim, metal, argila, peles, penas, conchas, etc. Nas montanhas Drakensberg (África do Sul), os San (ou bosquímanos) fizeram milhares de pinturas rupestres entre os séculos XX e II, relacionadas com rituais xamânicos. Na região de Owerri (Nigéria) foram construídos uma série de edifícios votivos chamados mbari, decorados com pinturas e esculturas. No Mali destacaram-se os edifícios de adobe, como a Grande Mesquita de Djenné, inicialmente datada do século XVII mas reconstruída diversas vezes. Em Ashanti (atual Gana) ganharam notoriedade os tecidos chamados kente, feitos de algodão ou seda, decorados com motivos geométricos.
A escultura foi a principal atividade artística do continente em geral, caracterizada pela sua grande expressividade e força emocional, que veio a influenciar a arte de vanguarda europeia quando o colonialismo favoreceu a criação de museus etnológicos que levaram as obras de arte africanas por toda a Europa. No Benin, as figuras de latão foram feitas do século XVII ao século XIX. Em Ashanti havia um estilo naturalista de pequenas esculturas de metal (- séculos). Na cultura iorubá (entre Nigéria, Benin e Togo) proliferaram os relevos esculpidos em madeira, como nas portas do palácio Ikere, do escultor Olowe de Ise. Outras tipologias foram: fetiches ou “figuras de poder” (nduda), relacionados a ritos sobrenaturais, de figuras antropomórficas cobertas de tecido, couro ou penas; a pfemba, dedicada à maternidade, geralmente uma mulher com um filho nos braços; e os mbulu-ngulu, relicários protetores. Também foram forjadas figuras em ferro, como a do Rei Glele do Daomé, em tamanho natural, obra de Akate Akpele Kendo (1860). Por último, destacaram-se as máscaras, destinadas a ritos de diversas naturezas (funerais, agrícolas, de fertilidade, etc.).[101].
Durante este período a arte islâmica foi introduzida na Índia. A invasão muçulmana, que culminou no Império Mughal, causou uma grande convulsão na sociedade indiana e, portanto, na sua arte. Às formas tradicionais foram acrescentados elementos característicos da arte islâmica, com novas tipologias como a mesquita. Este sincretismo artístico manifestou-se em edifícios como as mesquitas de Lahore e Deli e nos túmulos de Agra, especialmente no famoso Taj Mahal (século XIX). Também foram desenvolvidas jardinagem e miniaturas, ambas de influência persa, e as artes têxteis e a joalheria (como o Trono de Aurangzeb) tornaram-se altamente relevantes.
A arte tradicional hindu teve a sua manifestação no magnífico templo de Meenakshi (Madurai), bem como na escola miniaturista de Rajput, onde viveu uma comunidade jainista que criou uma arte muito difundida no Ocidente, materializada num conjunto de templos e esculturas de mármore incrustadas com pedras coloridas, decoradas com grande beleza. A partir do século a escultura passou a ser feita mais em bronze do que em pedra, destacando-se as representações do deus Śivá em atitude dançante; Mais tarde, seriam característicos os retratos de guerreiros e cortesãos, tradição que perdurou até o século XIX. A arquitetura do final deste período evoluiu para formas cada vez mais complexas, com grande riqueza decorativa, no que se poderia chamar de fase “barroca” da arte indiana (embora sem traçar paralelos com o barroco europeu).[102].
Na literatura, a principal peculiaridade desta época foi o surgimento de línguas vernáculas, surgindo literatura em hindi, bengali, tâmil, marathi, guzerate, telugu, rajastão, etc. No gênero dramático, destacou-se Anandarayamakhin), autor de Jiva-nandana (por volta de 1700), drama alegórico que representa a alma humana como um rei aprisionado em seu palácio (o corpo); e no poema épico o Destaca-se Ram-chari-manas de Tulsidas, uma reformulação do Ramaiana com grande pureza linguística e estilística. O teatro derivou em tempos mais recentes da antiga dutangada —onde a dança e a mímica—em uma nova modalidade chamada kathakali, que também deu ênfase à música e aos gestos, a linguagem das mãos (mudras, com 24 posições básicas e outras combinadas), bem como a expressão do rosto e dos gestos. movimentos dos olhos (navarasya), também tinha importância A maquiagem também era importante, onde as cores eram simbólicas, identificando o papel ou personagem.[103].
A música também recebeu influência muçulmana, embora as antigas formas tradicionais, baseadas em ragas, tenham sobrevivido. Contudo, a coexistência de ambas as modalidades provocou uma divisão em duas tradições musicais distintas: a nortenha ou hindustani, mais influenciada pela música árabe; e o meridional ou carnático, mais conservador da tradição antiga. A primeira era mais elegante, decorativa, romântica, enquanto a segunda era mais austera, intelectual. Duas das danças clássicas da Índia que exemplificam o acima exposto são kathak, no norte, e bharatanatyam, no sul.[104].
A arte continuou a ser predominantemente indígena, embora tenham ocorrido os primeiros contactos com a civilização ocidental. Nas suas viagens pelo Pacífico (1768-1780) James Cook colecionou uma série de obras de arte que incluíam têxteis, esculturas, joias, móveis, armas, ferramentas, instrumentos musicais, etc. A escultura de figuras antropomórficas - principalmente divindades locais - continuou, como a de Kukailimoku, deus da guerra havaiano (Museu Britânico), ou o deus A'a, de Rurutu "Rurutu (ilha)") (Ilhas Austrais). Ele também seguiu a tradição das máscaras, especialmente na Nova Guiné (mai), Nova Irlanda (malanggan) e Nova Caledônia (apuema). Os Asmat, tribo de Irian Jaya (Nova Guiné), construíram postes comemorativos (bisj) entre 5 e 10 metros de altura, esculpidos com figuras antropomórficas, umas sobre as outras. Nas Ilhas Salomão existem estátuas de madeira (indalo) de figuras humanas ou animais, incrustadas com conchas. Na Austrália, continuou a tradição das pinturas rupestres, assim como das churingas, peças de madeira, pedra ou concha, decoradas com motivos geométricos.[112].
arte contemporânea
século 19
Entre o final e o início do século, foram lançadas as bases da sociedade contemporânea, marcada no campo político pelo fim do absolutismo e pela instauração de governos democráticos – impulso que começou com a Revolução Francesa; e, economicamente, pela Revolução Industrial e pela consolidação do capitalismo, que terá resposta no marxismo e na luta de classes. No campo da arte inicia-se uma dinâmica evolutiva de estilos que se sucedem cronologicamente com velocidade crescente, que culminará no século com uma atomização de estilos e correntes que coexistem e contrastam, influenciam e se confrontam. A arte moderna surge em contraste com a arte académica, colocando o artista na vanguarda da evolução cultural da humanidade.
A arquitetura do século XIX sofreu uma grande evolução devido aos avanços técnicos trazidos pela Revolução Industrial, com a incorporação de novos materiais como o ferro, o aço e o concreto, que permitiram a construção de estruturas mais sólidas e abertas. O planejamento urbano, a preocupação com o ambiente habitável, tornou-se cada vez mais importante, o que se traduziu em obras de saneamento, infraestrutura, maior atenção aos meios de transporte e abertura de espaços verdes em busca de melhores ambientes e condições de vida para o cidadão. Depois de algumas abordagens utópicas iniciais, como as de Robert Owen ou Charles Fourier, ocorreram as grandes transformações urbanas do século: Paris (plano Haussmann), Londres, Bruxelas, Viena, Florença, Madrid, Barcelona (plano Cerdà), etc. evidente na Exposição de Londres de 1851, na "Exposition Universelle de Paris (1889)") de Paris de 1889 (com a famosa Torre Eiffel), etc. Na jardinagem surgiu o chamado "jardim inglês" - que introduziu o conceito de "arquitetura paisagística" - que, comparada à geometria dos italianos e dos franceses, defendia maior naturalidade em sua composição, intervindo apenas em uma série de detalhes ornamentais, como pavilhões ou pérgolas, ou mesmo na colocação de ruínas - natural ou artificial -, em consonância com os conceitos românticos do sublime e do pitoresco (Regent's Park, de John Nash; Kew Gardens, de William Chambers "William Chambers (arquiteto)").
Estilisticamente, a primeira metade do século viu um certo ecletismo "Ecletismo (arte)") de formas, bem como um renascimento de estilos anteriores reinterpretados segundo conceitos modernos: é o chamado historicismo, que produziu movimentos como o neo-românico, o neogótico, o neobarroco, etc. Nos Estados Unidos, surgiu uma nova tipologia de construção, o arranha-céu, promovido pela chamada Escola de Chicago "Escola de Chicago (arquitetura)") (William Le Baron Jenney, Louis Sullivan). No final do século surgiu o modernismo "Modernismo (arte)"),[nota 15] que representou uma grande revolução no campo do design, com nomes como Victor Horta, Henry van de Velde, Hector Guimard, Charles Rennie Mackintosh, Otto Wagner, Adolf Loos, Joseph Maria Olbrich, Hendrik Petrus Berlage, Antoni Gaudí, Lluís Domènech i Montaner, Josep Puig i Cadafalch, etc.[113].
Movimento de profunda renovação em todos os gêneros artísticos, os românticos deram especial atenção ao campo da espiritualidade, da imaginação, da fantasia, do sentimento, da evocação onírica, do amor à natureza, junto com um elemento mais sombrio da irracionalidade, da atração pelo oculto, da loucura, do sonho. A cultura popular, o exótico, o regresso às formas artísticas pouco apreciadas do passado – especialmente as medievais – foram especialmente valorizados, e a paisagem ganhou notoriedade, que por si só assumiu o protagonismo. As artes gráficas também ganharam importância, principalmente a litografia e a xilogravura.
Na pintura, após uma fase pré-romântica onde poderíamos citar William Blake e Johann Heinrich Füssli, destacaram-se Hubert Robert, Eugène Delacroix, Théodore Géricault, Francesco Hayez, John Constable, Joseph Mallord William Turner, Caspar David Friedrich, Karl Friedrich Schinkel, Philipp Otto Runge, etc. Uma derivação do romantismo foi o movimento alemão dos nazarenos "Nazarenos (arte)"), inspirado no Quattrocento italiano e no Renascimento alemão, principalmente Dürer (Friedrich Overbeck, Peter Cornelius, Franz Pforr). Na Espanha destacaram-se Genaro Pérez Villaamil, Valeriano Domínguez Bécquer, Leonardo Alenza e Eugenio Lucas.
Na escultura prevalecem as formas neoclássicas, reinterpretadas de acordo com novos temas românticos. Na França merecem destaque: François Rude, que evoluiu do neoclassicismo ao romantismo (La Marseillaise, 1832); Antoine-Louis Barye, especializado em figuras de animais; Jean-Baptiste Carpeaux, artista versátil com gosto pelo espetacular; e David d'Angers, autor do relevo do frontão do Panteão de Paris (1830-1837). Na Alemanha destacaram-se: Christian Daniel Rauch, Rudolf Schadow e Johann Heinrich Dannecker").[114]
A literatura do Romantismo estabeleceu a ideia de uma arte que surge espontaneamente do indivíduo, destacando a figura do “gênio” – a arte é a expressão das emoções do artista. Ele exaltou a natureza, o individualismo, o sentimento, a paixão, com um novo gosto por formas de expressão íntimas e subjetivas como o sublime, e valorizando novos aspectos como o obscuro, o obscuro, o irracional. Num pré-romantismo - consubstanciado no movimento alemão Sturm und Drang - destacaram-se Johann Christoph Friedrich von Schiller e Johann Wolfgang von Goethe, bem como o poeta inglês William Blake. Posteriormente, vale destacar o trabalho de: Johann Christian Friedrich Hölderlin, Novalis, Heinrich Heine, August Wilhelm von Schlegel, Friedrich von Schlegel, Heinrich von Kleist, Johann Ludwig Tieck, E. T. A. Hoffmann, Walter Scott, William Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge, John Keats, Lord Byron, Percy Shelley, Mary Wollstonecraft Shelley, Jane Austen, Alphonse de Lamartine, Madame de Staël, François-René de Chateaubriand, Alfred de Vigny, Victor Hugo, George Sand, Prosper Mérimée, Alexandre Dumas (pai) "Alexandre Dumas (pai)"), Ugo Foscolo, Giacomo Leopardi, Alessandro Manzoni, Aleksandr Pushkin, Nikolai Gogol, Adam Mickiewicz, Washington Irving, James Fenimore Cooper, Ralph Waldo Emerson, Nathaniel Hawthorne, Edgar Allan Poe, Gustavo Adolfo Bécquer, Ramón de Campoamor, José de Espronceda, Mariano José de Larra, Fernán Caballero, Rosalía de Castro, Bonaventura Carles Aribau, Andrés Bello, Domingo Faustino Sarmiento, José Hernández, Gertrudis Gómez de Avellaneda, etc.[115].
O teatro romântico teve dois antecedentes notáveis novamente em Sturm und Drang com Schiller (Don Carlos, 1787; William Tell, 1804) e Goethe (Faust "Faust (Goethe)"), 1808). Como no resto da literatura romântica, destaca-se pelo sentimentalismo, pelo drama, pela predileção por temas sombrios e sinistros e pela exaltação da natureza e do folclore popular. Um novo gênero surgiu, o melodrama e os programas de variedades (vaudeville) tornaram-se populares. Seus melhores expoentes foram: Georg Büchner, Christian Dietrich Grabbe, Juliusz Słowacki, Alfred de Musset, Victor Hugo, Francisco Martínez de la Rosa, o Duque de Rivas, Antonio García Gutiérrez, José Echegaray, José Zorrilla (Don Juan Tenorio, 1844), etc.[116].
A música romântica caracteriza-se, como nas restantes artes, pelo predomínio do sentimento e da paixão, da subjetividade e da emotividade do artista, exaltando a música nacional e popular. A orquestra é significativamente ampliada, de forma a satisfazer plenamente a expressividade do artista, os novos sentimentos que nele residem (o sublime, o patético). O piano era o instrumento da moda, pois o seu registo, a intensidade da pulsação, são um reflexo fiel dessa emotividade, ligada ao novo culto à personalidade que se desenvolveu no romantismo. A musicologia nasceu como uma ciência aplicada à música, assim como à crítica musical e à estética"), e surgiram os primeiros conservatórios. Seus principais representantes foram: Ludwig van Beethoven, Carl Maria von Weber, Franz Schubert, Felix Mendelssohn-Bartholdy, Robert Schumann, Franz Liszt, Frédéric Chopin, Niccolò Paganini, Johann Strauss "Johann Strauss (filho)"), Johannes Brahms, Anton Bruckner, Hector Berlioz, Jules Massenet, etc.
Durante este período, a ópera desenvolveu-se significativamente, especialmente na Itália, onde recebeu o nome de bel canto. Ela se destacou pelo brilho de sua voz, pela coloratura e pela ornamentação, com o papel da soprano ganhando importância - a partir de 1840 o peito do virou moda. A ópera romântica tinha duas vertentes: a cómica – ou bufa – e a dramática, sobre os grandes dramas literários românticos. Notáveis: Luigi Cherubini, Gaetano Donizetti, Vincenzo Bellini, Gioacchino Antonio Rossini, Charles Gounod, Georges Bizet e, especialmente, Giuseppe Verdi (Rigoletto, 1851; Il trovatore, 1853; La Traviata, 1853; Aida, 1870). Na Alemanha, Richard Wagner deu níveis de grande brilho à ópera, com o objetivo de criar uma "obra de arte total" (gesamtkunstwerk) que combinasse música, poesia, filosofia, cenografia, etc. (Tannhäuser "Tannhäuser (ópera)"), 1845; Lohengrin, 1850; Tristão e Isolda "Tristão e Isolda (ópera)"), 1865; Parsifal, 1882).[117].
A dança romântica recuperou o gosto pelas danças populares, danças folclóricas, muitas das quais trouxe do esquecimento. O traje clássico do balé (o tutu) surgiu, aparecendo pela primeira vez no Ballet das Freiras de Robert le Diable (1831), de Giacomo Meyerbeer. A música passou a ser composta exclusivamente para balé, com destaque para Coppélia (1870), de Léo Delibes. No aspecto teórico, destacou-se a figura do coreógrafo Carlo Blasis, principal criador do balé moderno, que codificou todos os aspectos técnicos relativos à dança: em O Código de Terpsícore (1820) relacionou a dança com as demais artes, realizando estudos de anatomia e movimentos corporais, ampliando o vocabulário relacionado à dança e distinguindo vários tipos de bailarinos de acordo com seu físico. Introduziu também a dança na ponta dos pés, na qual se destacaram Maria Taglioni e Fanny Elssler. Nas danças populares, a moda da valsa continuou, e surgiram a mazurca e a polca.
Desde meados do século surgiu uma tendência que colocava ênfase na realidade, na descrição do mundo envolvente, especialmente dos trabalhadores e camponeses no novo quadro da era industrial, com uma certa componente de denúncia social, ligada a movimentos políticos como o socialismo utópico.
Na pintura destacaram-se Camille Corot, Gustave Courbet, Jean-François Millet, Honoré Daumier, Adolph von Menzel, Hans Thoma, Ilya Repin e Mariano Fortuny. Ligadas ao realismo estavam duas escolas paisagísticas: a francesa Barbizon (Théodore Rousseau, Charles-François Daubigny, Narcisse-Virgile Díaz de la Peña), marcada por um sentimento panteísta da natureza; e a italiana dos Macchiaioli (Silvestro Lega, Giovanni Fattori, Telêmaco Signorini), de caráter antiacadêmico, caracterizada pelo uso de manchas (macchia em italiano, daí o nome do grupo) de cor e formas inacabadas e esboçadas. Na Grã-Bretanha surgiu a escola dos Pré-Rafaelitas, que se inspiraram - como o próprio nome indica - nos pintores italianos anteriores a Rafael, bem como na fotografia emergente, com destaque para Dante Gabriel Rossetti, Edward Burne-Jones, John Everett Millais e Ford Madox Brown.[119].
A escultura baseou-se também no reflexo fiel da sociedade, com predileção por figuras de trabalhadores e personagens marginais. Destacam-se: Max Klinger, Adolf von Hildebrand, Aimé-Jules Dalou, os irmãos Agapito e Venancio Vallmitjana, Ricardo Bellver, Mariano Benlliure e, especialmente, Constantin Meunier, principal evocador da figura do proletário, com certo ar idealizado, o trabalhador como herói moderno (El Pudelador, 1884-1888).
A literatura realista opôs-se ao subjetivismo romântico, defendendo a descrição rigorosa e detalhada da realidade, influenciada pela filosofia positivista, que considerava o artista como parte indissolúvel da sociedade, sendo a obra artística um reflexo fiel das condições sociais que cercam o artista. O principal formato realista foi o romance, que se destacou pelo estilo naturalista que enfatizava o aspecto cotidiano da realidade, que era descrito em todo o seu rigor e fidelidade ao mundo real, com descrições temperamentais dos personagens, com grande prospecção psicológica. O autor é um “cronista”, que apresenta os factos com objectividade, com elevada componente crítica, com vontade de reforma. Os números incluem: Honoré de Balzac, Stendhal, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant, Émile Zola, Giovanni Verga, Giosuè Carducci, Charles Dickens, Alfred Tennyson, as irmãs Emily, Charlotte e Anne Brontë, George Eliot, Fyodor Dostoevsky, Lev Tolstoy, Maksim Gorki, Mark Twain, Herman Melville, Henry James, Emily Dickinson, Joseph Conrad, Benito Pérez Galdós, Pedro Antonio de Alarcón, Marcelino Menéndez y Pelayo, Emilia Pardo Bazán, Leopoldo Alas (Clarín) "Leopoldo Alas (Clarín)"), Vicente Blasco Ibáñez, Ignacio Manuel Altamirano, José María Eça de Queirós, etc. Também se destacam romances de aventura e suspense, como os de Alexandre Dumas (filho) "Alexandre Dumas (filho)"), Emilio Salgari, Júlio Verne e Arthur Conan Doyle.[120].
Com o teatro realista nasceu o teatro moderno, pois lançou as bases para o que seria o teatro do século. A ênfase foi colocada no naturalismo "Naturalismo (teatro)"), a descrição detalhada da realidade, não só no tema e na linguagem, mas também nos cenários, figurinos, adereços, etc. A interpretação foi mais verdadeira, sem grandes gesticulações ou dicção grandiloquente, como na "representação anti-teatral" - agindo como na vida real, como se não estivesse num teatro - de André Antoine e seu Théâtre Libre - onde pela primeira vez apenas o palco foi iluminado, deixando o público no escuro. Eugène Scribe, Victorien Sardou e Eugène Labiche correspondem a um período pré-naturalista. O teatro nórdico destacou-se especialmente, com figuras como Bjørnstjerne Bjørnson, August Strindberg e Henrik Ibsen. Outros autores foram: Frank Wedekind, Anton Chejov, Adelardo López de Ayala, Manuel Tamayo y Baus, Àngel Guimerà, etc.[121].
No campo da música, paralelamente ao realismo, surgiu o chamado nacionalismo musical, que marcou o renascimento de várias regiões europeias até então culturalmente pouco notáveis. Herdeiros de formas musicais românticas, o folclore e a música popular foram revalorizados como portadores de valores culturais ancestrais de todos os povos. Destacaram-se figuras como: Mijaíl Glinka, Modest Mussorgsky, Aleksandr Borodín, Nikolai Rimsky-Kórsakov e Piotr Tchaikovsky na Rússia; Antonín Dvořák, Bedřich Smetana e Leoš Janáček na Checoslováquia; Jean Sibelius na Finlândia; Edvard Grieg na Noruega; Carl Nielsen na Dinamarca; Karol Szymanowski na Polônia; Béla Bartók e Zoltán Kodály na Hungria; Edward Elgar e Ralph Vaughan Williams na Grã-Bretanha; Isaac Albéniz, Enrique Granados e Manuel de Falla na Espanha. As primeiras escolas nacionais surgiram também na América: John Philip Sousa nos Estados Unidos; Heitor Villa-Lobos no Brasil; Manuel María Ponce no México; Guillermo Uribe na Colômbia; Próspero Bisquertt no Chile; Praça Juan Bautista na Venezuela; Amadeo Roldán em Cuba; e Eduardo Fabini no Uruguai. Na ópera, o verismo italiano procurou refletir igualmente a realidade, com enredos mais populares, em ambientes rurais e proletários, onde os protagonistas são personagens comuns. É representado por Arrigo Boito, Amilcare Ponchielli, Ruggero Leoncavallo, Umberto Giordano e, principalmente, Giacomo Puccini (La bohème "La bohème (Puccini)"), 1896; Tosca "Tosca (ópera)"), 1900; Madama Borboleta, 1903).[122].
Na dança, o centro geográfico de criação e inovação deslocou-se de Paris para São Petersburgo, onde o Ballet Imperial atingiu alturas de grande brilho, com centro nevrálgico no Teatro Mariinsky - e, mais tarde, no Bol'šoj em Moscovo. A principal figura na formação do balé russo foi Marius Petipa, que introduziu uma espécie de coreografia narrativa onde é a própria dança que conta a história. Realizou balés mais longos, de até cinco atos, transformando o balé em um grande espetáculo, com encenação deslumbrante, destacando sua colaboração com Tchaikovsky em três obras excepcionais: A Bela Adormecida "A Bela Adormecida (ballet)") (1889), O Quebra-Nozes (1893) e Lago dos Cisnes (1895). A nível popular, a dança mais famosa da época era o cancán, enquanto em Espanha surgiram a habanera e os chotis.[123].
• - Impressionismo: foi um movimento profundamente inovador, que marcou uma ruptura com a arte acadêmica e uma transformação da linguagem artística, iniciando o caminho para movimentos de vanguarda. Os Impressionistas inspiraram-se na natureza, a partir da qual procuraram captar uma “impressão” visual, a captação de um momento na tela – sob influência da fotografia – com uma técnica de pinceladas soltas e tons leves, luminosos, valorizando sobretudo a luz. Surgiu um novo tema, derivado da nova forma de observar o mundo: ao lado de paisagens e marinhas, aparecem vistas urbanas e noturnas, interiores com luz artificial, cenas de cabaré, circo e music hall, personagens da "Bohemia (cultura)" boêmia, mendigos, marginalizados, etc. Vale citar como principais representantes Édouard Manet - considerado um precursor -, Claude Monet, Camille Pissarro, Alfred Sisley, Pierre-Auguste Renoir e Edgar Degas. Igualmente inovador no campo da escultura foi o papel de Auguste Rodin, que lançou as bases para a escultura do século (O Pensador, 1880-1900; Os Burgueses de Calais, 1884-1886). Destacou-se também Medardo Rosso, que conduziria a escultura à desintegração da forma.
• - Neoimpressionismo: evoluindo do impressionismo, os neoimpressionistas se preocuparam mais com os fenômenos ópticos, desenvolvendo a técnica do pontilhismo, que consiste em compor a obra a partir de uma série de pontos de cores puras, que são colocados ao lado de outros de cores complementares, fundindo-se na retina do observador em um novo tom. Seus principais representantes foram Georges Seurat e Paul Signac. Outra variante foi o divisionismo, que surgiu na Itália em ambientes de inconformismo social próximos ao anarquismo. Esta técnica caracteriza-se pela proximidade de cores decompostas, com pinceladas longas que, observadas à distância, produzem um efeito composicional. Este estilo foi praticado principalmente por Giovanni Segantini, Giuseppe Pellizza da Volpedo e Gaetano Previati, e influenciou o futurismo italiano.
• - Pós-impressionismo: foram uma série de artistas que, a partir das novas descobertas técnicas dos impressionistas, as reinterpretaram de forma pessoal, abrindo diferentes caminhos de desenvolvimento de extrema importância para a evolução da arte no século XX. Assim, mais do que um determinado estilo, o pós-impressionismo foi uma forma de agrupar vários artistas de diferentes tipos: Henri de Toulouse-Lautrec, autor de cenas de circo e cabaré esboçadas com breves notas da vida; Paul Gauguin experimentou a profundidade, dando novo valor ao plano pictórico, com cores planas de carácter simbólico; Paul Cézanne estruturou a composição em formas geométricas (cilindro, cone “Cone (geometria)”) e esfera), numa síntese analítica da realidade precursora do cubismo; Vincent van Gogh foi autor de obras de forte dramaticidade e prospecção interior, com pinceladas sinuosas e densas, de cor intensa, deformando a realidade, às quais deu um ar onírico. Em Espanha podemos destacar Joaquín Sorolla, autor de cenas populares onde se destaca o uso da luz.[124].
Paralelamente à pintura, a música impressionista prioriza a harmonia sobre a melodia, assim como na pintura a cor prevalece sobre a linha. A reconstrução de uma composição musical fica a cargo do espectador, feita a partir de peças e sugestões. Seu principal representante, Claude Debussy, rejeitou o cromatismo tônico, introduzindo novos acordes de cinco e seis tons, opostos às escalas habituais. Diante da contínua melodia wagneriana, retornou à tonalidade estática, aquietando a harmonia e realçando a textura, o timbre, a irregularidade rítmica (Prelúdio ao cochilo de um fauno, 1894). Maurice Ravel voltou à expressão linear, embora com notas e acordes um tanto fora de contexto (Bolero "Bolero (Ravel)"), 1928). Outros representantes foram Paul Dukas e Florent Schmitt.[125].
Estilo fantástico e onírico, surgiu como reação ao naturalismo do movimento realista e impressionista, dando especial ênfase ao mundo dos sonhos, bem como aos aspectos satânicos e aterrorizantes, ao sexo e à perversão. A principal característica do simbolismo era o esteticismo, uma reação ao utilitarismo prevalecente na época e à feiúra e ao materialismo da era industrial. Diante disso, o simbolismo deu à arte e à beleza uma autonomia própria, sintetizada na fórmula de Théophile Gautier “arte pela arte” (L'art pour l'art), chegando até a falar em “religião estética”. A beleza afastou-se de qualquer componente moral, tornando-se o objetivo último do artista, que passou a viver sua própria vida como obra de arte - como pode ser visto na figura do dândi. Destacaram-se: Gustave Moreau, Odilon Redon, Pierre Puvis de Chavannes, James McNeill Whistler, Lawrence Alma-Tadema, Arnold Böcklin, Ferdinand Hodler e Gustav Klimt, além do grupo Nabis "Nabis (artistas)") (Maurice Denis, Paul Sérusier, Pierre Bonnard, Félix Vallotton e o escultor Aristide Maillol). Ligada ao simbolismo estava também a chamada arte ingénua, cujos autores eram autodidatas, com uma composição algo ingénua e desestruturada, instintiva, com um certo primitivismo, embora plenamente consciente e expressivo (Henri Rousseau, Séraphine Louis, Grandma Moses).[126].
A literatura simbolista destacou-se pelo seu esteticismo e decadência, levando a sensibilidade romântica ao exagero, sobretudo no gosto pelo mórbido e aterrorizante, surgindo uma “estética do mal”, apreciável na atração pelo satanismo, pela magia e pelos fenómenos paranormais, ou pelo fascínio pelo vício e pelos desvios sexuais. Os escritores distanciam-se do mundo e das convenções sociais, dando origem à figura do “poeta maldito”. O seu principal veículo de expressão era a poesia, elaborada, formalmente exigente, com um sentido rítmico quase musical, com uma linguagem evocativa e sugestiva, simbólica, realçando o seu carácter polissémico. Teve precedente no Parnasianismo de Leconte de Lisle, José María de Heredia e Charles Baudelaire, destacando posteriormente autores como Oscar Wilde, Algernon Charles Swinburne, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, o Conde de Lautréamont, Jean Moréas, Anatole France, Frédéric Mistral, Joris-Karl Huysmans, Walt Whitman, Dmitri Sergeievich Merezhkovsky, etc.[127].
O teatro simbolista foi influenciado pelo “espetáculo total” de Wagner, destacando-se por uma linguagem de forte formação metafísica e transcendente, buscando a essência humana através da intuição e da meditação, com preferência por temas míticos e lendas, de influência esotérica e teosófica. Destacaram-se Auguste Villiers de l'Isle-Adam, Paul Claudel, Maurice Maeterlinck e Émile Verhaeren.[128] Na música, Gabriel Fauré inovou com uma linguagem sonora preciosa, meticulosa e pessoal, na linha da poesia simbolista. Fez música estática, difusa, com harmonias líquidas, dando importância aos instrumentos solo: The Good Song (1892), baseado em poemas de Verlaine.
Paralelamente à arquitetura, o modernismo "Modernismo (arte)")[nota 15] também se desenvolveu na pintura, escola notável emergente na Catalunha, com artistas como Ramón Casas e Santiago Rusiñol, com um estilo caracterizado por uma temática naturalista de atmosfera sombria, com certa influência do impressionismo francês. Posteriormente, foi recebida a influência do simbolismo, praticado pelo próprio Rusiñol e por artistas como Alexandre de Riquer, Adrià Gual e Joan Llimona. Na escultura merecem destaque Eusebi Arnau, Josep Llimona e Miguel Blay. Num chamado “pós-modernismo”[nota 16] há nomes como Isidre Nonell e Joaquim Mir, assim como encontramos a presença de um jovem Pablo Picasso, que ingressou no ambiente modernista por volta do ano de 1900, facto que marcou uma mudança na sua carreira e na sua filiação à arte de vanguarda, como podemos constatar no seu período fauvista (1900-1901) e no simbolismo do «período azul "Pablo Picasso")» (1901-1904), para finalmente levar ao cubismo.
No resto da Europa, a pintura modernista esteve intimamente ligada ao mundo do design e da ilustração, especialmente à arte do cartaz, um novo género artístico a meio caminho entre a pintura e as artes gráficas, uma vez que se baseava num desenho feito por um pintor ou ilustrador, para ser posteriormente reproduzido em série. Na sua génese, a vertente publicitária do cartaz foi decisiva, embora cedo se tenha dedicado também à divulgação de eventos e à propaganda política e institucional. Entre os vários artistas que se dedicam à pintura ou ao cartaz, vale lembrar Alfons Mucha, Aubrey Beardsley, Jan Toorop, Fernand Khnopff, etc.
O modernismo, pelo seu carácter ornamental, significou uma grande revitalização das artes aplicadas, especialmente da carpintaria, da forja, da vidraria, da cerâmica, da moldagem em gesso, da impressão (livros, revistas, postais), da joalharia, do mosaico, etc. Isto foi ajudado por novos procedimentos industriais, que permitiram a produção em massa. O design, processo criativo do artista, que materializa a sua criação no esboço da obra, que pode depois ser realizado por diversos artesãos, ganhou especial relevância. Entre os seus principais arquitectos estiveram Émile Gallé (ceramista e vidreiro), René Lalique (ourives), Koloman Moser (designer), Louis Comfort Tiffany (joalheiro e vidreiro), Gaspar Homar (marceneiro), etc. tão útil quanto bonito.[130].
Na literatura, o modernismo costuma estar ligado à obra do nicaraguense Rubén Darío, o inaugurador da literatura espanhola moderna com uma linguagem esteticista de grande riqueza formal, com influência simbolista. Outros expoentes foram o cubano José Martí, o mexicano Amado Nervo, o peruano José Santos Chocano, o argentino Leopoldo Lugones e o colombiano José Asunción Silva, além dos espanhóis Salvador Rueda e Eduardo Marquina. Com o mesmo desejo modernizador podemos colocar aqui também a chamada Geração de 98 que, face ao pessimismo devido à perda das últimas colónias espanholas, representou um grande impulso na renovação da literatura espanhola, especialmente em termos de conteúdo. Destacaram-se autores como Ramón María del Valle-Inclán, Antonio Machado, Jacinto Benavente, Juan Ramón Jiménez, Azorín, Pío Baroja, Miguel de Unamuno, Ramiro de Maeztu, Ramón Menéndez Pidal, etc. Na Catalunha ocorreu o movimento Renaixença, com destaque para Jacinto Verdaguer e Joan Maragall, enquanto na Galiza o Rexurdimento incluiu figuras como Manuel Curros Enríquez e Eduardo Pondal.[131].
No século surgiu uma nova tecnologia que permitia captar imagens da natureza, através do princípio da câmera obscura. Apesar de ser uma realização puramente técnica, logo se vislumbrou o caráter artístico deste novo meio, uma vez que o trabalho resultante poderia ser considerado artístico na medida em que envolveu a intervenção da criatividade de quem capturou a imagem, derivada do trabalho de percepção, design e narratividade realizado na tomada da imagem. Assim, a fotografia logo passou a ser considerada uma das artes, especificamente a oitava.[nota 17].
Esta nova técnica começou com a pesquisa de Joseph Nicéphore Niépce, que fez a primeira fotografia em 1816, em negativo sobre papel, a partir da qual foram aperfeiçoados os procedimentos técnicos para sua captura e reprodução. A construção do daguerreótipo de Louis-Jacques-Mandé Daguerre representou um novo avanço, conseguindo imprimir placas de metal e fixar a imagem com um banho de sal e mercúrio “Mercúrio (elemento)”). Outro dos pioneiros foi William Henry Fox Talbot, que em 1835 inventou o negativo, que permitia fazer várias cópias da imagem obtida. Hippolyte Bayard alcançou a fotografia positiva direta em 1840. Outro precursor, John Frederick William Herschel, foi o criador do termo fotografia, bem como negativo e positivo, e instantâneo quando o tempo de exposição foi reduzido (25/100 de segundo). Em 1888, George Eastman lançou o filme de celulóide e o dispositivo Kodak, uma pequena câmera carregada com 100 clichês. A primeira fotografia colorida foi obtida por James Clerk Maxwell em 1861; No entanto, a primeira chapa fotográfica colorida (Autochrome) só chegou ao mercado em 1907.
A partir daí a fotografia popularizou-se, por ser um meio que não exigia grandes qualidades pessoais, apenas o domínio da técnica, surgindo numerosos amadores que se propuseram a captar o mundo em imagens. Surgiram os primeiros estúdios e laboratórios fotográficos, inicialmente dedicados principalmente ao retrato, embora posteriormente a todo o tipo de eventos e imagens naturais. Também surgiram a fotomecânica e as primeiras publicações ilustradas, sendo pioneiros os álbuns Excursions Daguerriennes (1841-1842) e, como primeiro livro ilustrado, Pencil of Nature (1844), de Fox Talbot. A fotografia documental também apareceu, especialmente no que diz respeito à captação de conflitos de guerra, sendo as Guerras Civis da Crimeia e Americana as primeiras a serem retratadas.
No final do século, a fotografia começou a ser considerada uma arte, surgindo o pictorialismo como o primeiro movimento artístico fotográfico; Pretendia tirar fotografias com composição pictórica, influenciada pelo impressionismo. Entre os fotógrafos mais proeminentes do século podemos citar Gaspard-Félix Tournachon, Louis Désiré Blanquart-Evrard, André Adolphe Eugène Disdéri, David Octavius Hill, John Thomson "John Thomson (fotógrafo)"), Julia Margaret Cameron, Oscar Gustav Rejlander, Eadweard Muybridge, Étienne-Jules Marey, Jacob August Riis, etc.
século 20
A arte do século sofreu uma transformação profunda: numa sociedade mais materialista e mais consumista, a arte dirige-se aos sentidos, não ao intelecto. Da mesma forma, o conceito de moda ganhou especial relevância, uma combinação entre a velocidade das comunicações e a vertente consumista da civilização atual. Assim surgiram movimentos de vanguarda, que buscavam integrar a arte à sociedade, buscando uma maior relação artista-espectador, já que é este quem interpreta a obra, podendo descobrir significados que o artista nem conhecia. As últimas tendências artísticas perderam mesmo o interesse pelo objecto artístico: a arte tradicional era uma arte do objecto, a actual do conceito. Há uma revalorização da arte ativa, da ação, da manifestação espontânea, efêmera, da arte não comercial (arte conceitual, acontecimento, ambiente).[133].
A arquitetura sofreu uma profunda transformação das formas tradicionais para os movimentos vanguardistas, que representaram um novo conceito de construção baseado numa ideia de espaço mais racional, estruturado de forma mais requintada e funcional, com especial atenção às novas tecnologias e à sua localização ambiental. O planeamento urbano ganhou grande importância, incentivado pela nova vertente consumista da civilização ocidental, enquanto a ascensão das comunicações levou ao desenvolvimento de estudos de engenharia aplicados à arquitetura.
A arquitetura do século teve um desenvolvimento independente do resto das artes, embora por vezes tenha caminhado paralelamente a um determinado movimento artístico. Temos assim a arquitetura expressionista, caracterizada pela utilização de novos materiais e pela sua fabricação em massa (tijolo, aço, vidro), com nomes como Bruno Taut, Erich Mendelsohn, Hans Poelzig e Fritz Höger. O futurismo também teve alguma manifestação arquitectónica, embora o carácter utópico das suas formulações tenha impedido a sua realização material em muitos casos; Destaca-se a obra de Antonio Sant'Elia. No neoplasticismo holandês temos o trabalho de Jacobus Johannes Pieter Oud, Gerrit Thomas Rietveld e Truus Schröder. Por fim, vale destacar a vertente arquitetônica do construtivismo russo “Construtivismo (arte)”), onde se iniciou um programa ligado à revolução que buscava uma arquitetura funcional que satisfizesse as reais necessidades da população; Foi representado principalmente por Konstantin Melnikov.
Mas a principal tendência artística do século tem sido o racionalismo (1920-1950) – também denominado “Estilo Internacional” -, representado fundamentalmente pela Escola Bauhaus. Esta tendência procurou uma arquitectura baseada na razão, com linhas simples e funcionais, baseada em formas geométricas simples e materiais industriais (tijolo, aço, betão, vidro), renunciando à ornamentação excessiva e dando grande importância ao design, igualmente simples e funcional. Entre suas figuras destacam-se: Walter Gropius, Ludwig Mies van der Rohe, Le Corbusier, José Luis Sert, Frank Lloyd Wright, Eliel Saarinen, Oscar Niemeyer, Alvar Aalto, etc.
• - O Wikimedia Commons hospeda uma categoria multimídia sobre História da Arte.
• - Linha do Tempo da História da Arte de Heilbrunn, Metropolitan Museum of Art, Nova York.
os Samjitas (ou 'coleções', que incluem o próprio Rigveda (hinos litúrgicos de temática mitológica, com linguagem poética e exaltação da natureza);
o Brāhmaṇa "Brāhmaṇa (texto)"), também de natureza litúrgica, mas de natureza mais esotérica, incluindo o Upaṇiṣad, escritos sobre doutrinas secretas que representam a primeira obra filosófica na Índia;
e o Sutra "Sūtra (Hinduísmo)"), uma série de aforismos sobre religião, gramática, filosofia e outros aspectos do Bramanismo. Num período pós-védico (por volta do século a.C.) surgem os grandes poemas épicos indianos:
O Majabhárata é a terceira obra literária mais extensa do mundo, com duzentos mil versos reunidos em dezoito livros (incluindo o Bhagavad-gītā), sobre lendas e épicos da mitologia hindu, mas com forte formação filosófica e moral; e
a Ramaiana, obra de Valmiki, uma nova síntese de poesia e épica com elementos teológicos e filosóficos.[19].
O teatro indiano tem sua origem no Nāṭya-śāstra, livro sagrado de Brahma comunicado aos homens pelo rishi Bharata Muni, onde fala sobre canto, dança e mímica. Geralmente o tema é mitológico, sobre histórias de deuses e heróis indianos. A performance é basicamente encenação, sem cenários, destacando apenas o figurino e a maquiagem. Foram diversas modalidades: Śakuntalā, sete atos; Mricchakaṭikā, dez atos. Kālidāsa e Śūdraka se destacaram como dramaturgos.[20].
A música indiana tem um forte selo eclético "Ecletismo (arte)") devido à multiplicidade étnica dos vários povos que chegaram ao subcontinente indiano: os Vedas tinham melodias de apenas duas notas; Os dravidianos tinham músicas e danças mais elaboradas, relacionadas aos cultos da fertilidade; Os protomediterrâneos introduziram novos instrumentos, como a magudhi, a famosa flauta dos encantadores de serpentes; Os arianos introduziram hinos religiosos nos Vedas. O Ṛig vedá (“hinos védicos”) registra três tipos de entonações: udatta (alta), anudatta (baixa) e svarita (média). O Sāma Vedá ("canções védicas") passou de cinco para sete notas, geralmente usando um tetracorde nas melodias vocais, o que ainda persiste em áreas do Himalaia.[21].
A arte chinesa teve uma evolução mais uniforme do que a arte ocidental, com uma bagagem cultural e estética comum a sucessivas etapas artísticas, marcadas pelas dinastias reinantes. Como a maior parte da arte oriental, possui importante conteúdo religioso (principalmente taoísmo, confucionismo e budismo) e comunhão com a natureza. Ao contrário do Ocidente, os chineses valorizavam a caligrafia, a cerâmica, a seda ou a porcelana da mesma forma que valorizavam a arquitectura, a pintura ou a escultura, enquanto a arte está totalmente integrada na sua filosofia e cultura.
• - Dinastia Shang (1600-1046 aC): destaca-se pelos objetos e esculturas em bronze, especialmente vasos decorados com relevos e máscaras e estátuas antropomórficas, como as encontradas na região de Chengdu, no alto Yangtze, por volta de 1200 aC. C. Foram encontrados vestígios arqueológicos de diversas cidades na zona de Henan, muradas e com grelha rectangular, como em Zhengzhou e Anyang. Nestes assentamentos também foram encontrados túmulos com ricos enxoval de armas, joias e utensílios diversos em bronze, jade, marfim e outros materiais.
• - Dinastia Zhou (1045-256 a.C.): evoluindo da arte Shang, os Zhou criaram um estilo decorativo e ornamentado, com figuras estilizadas e dinâmicas, dando continuidade ao trabalho em cobre. Uma invasão nômade em 771 AC. C. fragmentou o império em pequenos reinos, período em que, no entanto, a agricultura e a metalurgia floresceram, e vários estilos artísticos locais surgiram no chamado Período dos Reinos Combatentes. Surgiram o taoísmo e o confucionismo, que influenciariam muito a arte. Destacaram-se os trabalhos em jade, decorados em relevo, e apareceu a laca.
• - Dinastia Qin (221-206 aC): A China foi unificada sob o reinado de Qin Shi Huang, a Grande Muralha foi construída para evitar invasões externas, com 2.400 quilômetros de extensão e 9 metros de altura média, com torres de guarda de 12 metros de altura. Destaca-se o grande achado arqueológico do Exército de Terracota de Xian (210 a.C.), localizado no interior do Mausoléu de Qin Shi Huang. É composto por centenas de estátuas de guerreiros em terracota em tamanho real, incluindo vários cavalos e carruagens, com grande naturalismo e precisão na fisionomia e nos detalhes.
• - Dinastia Han (206 AC-220 DC): época de paz e prosperidade, foi introduzido o Budismo, que teve uma implementação lenta mas progressiva. Destacou-se pelas capelas funerárias, com estátuas aladas de leões, tigres e cavalos. A pintura centrava-se em temas da corte imperial, nobres e funcionários, com um sentido confucionista de solenidade e virtude moral. Destacam-se também os relevos em santuários e câmaras de oferendas, geralmente dedicados a motivos confucionistas, num estilo linear de grande simplicidade.
• - Período das Seis Dinastias (220-618): O Budismo se espalhou mais amplamente, construindo grandes santuários com estátuas colossais de Buda (Yungang, Longmen). Junto com esta nova religião, e graças à Rota da Seda, diversas influências foram recebidas da Ásia Ocidental. Na pintura foram formulados os seis princípios, enunciados por Xie He no início do século, e a caligrafia artística começou com a figura lendária de Wang Xianzhi").[22].
A literatura chinesa começou com obras de cunho religioso e filosófico, surgindo entre os séculos e AC. C. os chamados Cinco Clássicos: o Li-Ki, compêndio de rituais e costumes que posteriormente foi ampliado, chegando a cem volumes; o I Ching, manual de adivinhação baseado no significado de oito trigramas, atribuído ao mítico imperador Fu Xi; o Shu-king, crônica escrita numa linguagem formal e cerimoniosa que será típica da produção literária chinesa; o Shi King (O Clássico da Poesia), uma coleção de poemas; e o Ch'uen-tsieu, a primeira crônica datada de (722-481 aC). Por volta do século AC. C. surgiram as principais obras do pensamento chinês, grandes compêndios de filosofia e moral: o Lùn Yǔ (Analectos) de Confúcio e o Tao te king (Livro do Tao) de Lao Tzu. A Arte da Guerra de Sun Tzu também teve muito impacto. Na era Han surgiu um novo gênero, fu, poesia de caráter didático associada a uma composição musical, enquanto na prosa se destacou She-ki (Memórias Históricas) de Ssê Ma-ts'ien).[23]
A música chinesa é pentatônica (cinco notas), ao contrário do sistema heptatônico ocidental (sete notas). Do período pré-dinástico há evidências de vários instrumentos, como o ch'ing (pedra sonora), o hsüan (flauta), o ku (tambor) e o chun (sino "Sino (instrumento)"). Do período Shang é o Shih Ching (Livro das Canções), que reúne criações musicais de 1600 a 600 aC. C. Durante a dinastia Zhou, foram lançadas as bases da música tradicional chinesa, compiladas nos Lü Shih Ch'un Ch'iu (Anais do Sr. Lü) de Lü Buwei (239 a.C.): sobre um "tom base" (huang chung) de uma cana de bambu, derivavam tons mais altos cortando o tubo um terço menor que o anterior, obtendo as cinco notas: king, shang, chiao, chih, yü. Os principais instrumentos eram: o pien-ch'ing (sinos de pedra de jade), o pien-chung (sinos "Carrilhão (instrumento)"), o sheng (órgão "Órgão (instrumento musical)") feito de tubos de bambu), o p'ai-hsiao (flauta de pânico ou seringa "Siringe (instrumento musical)") e o ch'in (cítara).
A arte japonesa tem sido marcada pela sua insularidade, embora em intervalos tenha sido influenciada por civilizações continentais, especialmente a China e a Coreia. Grande parte da arte produzida no Japão tem sido de tipo religioso: à religião xintoísta, a mais tipicamente japonesa, formada por volta do século XIX, o budismo foi adicionado por volta do século XIX, forjando um sincretismo religioso que perdura até hoje.
• - Período Jōmon (5000-200 aC): durante o Mesolítico e o Neolítico, foram confeccionados instrumentos de osso e pedra polida, cerâmica e figuras antropomórficas. O Japão permaneceu isolado do continente, portanto toda a sua produção era indígena, embora de pouca relevância. Deve-se notar que a cerâmica Jōmon é a mais antiga produzida pelo homem, feita à mão e decorada com incisões ou impressões de corda.[25].
• - Período Yayoi (200 AC-200 DC): do século AC. C. a civilização do continente começou a ser introduzida, devido às relações com a China e a Coreia. Nessa época, difundiu-se uma espécie de grandes túmulos com câmara e montículo decorados com cilindros de terracota e figuras humanas e animais. A cerâmica era produzida sobre uma roda.
• - Período Kofun (200-600): destacam-se os grandes túmulos dos imperadores Ōjin (200-310) e Nintoku (310-399), onde apareceram diversas joias, armas, cerâmicas e figuras de terracota chamadas haniwa. Neste período encontramos as primeiras amostras de pintura japonesa (túmulos de Kyūshū, séculos DC-; sepultamento real de Otsuka). Em termos de arquitetura religiosa, vale destacar o templo de Isa.[26].
A literatura japonesa tem forte influência chinesa, principalmente devido à adoção da escrita chinesa. O testemunho mais antigo preservado é o Kojiki (Histórias de coisas antigas), uma espécie de história universal de natureza mítica e teogônica. Outro testemunho relevante é o Nihonshoki (Anais do Japão). A poesia é representada pelo Man'yōshū (Coleção de dez mil folhas), uma antologia de poemas de vários tipos, com grande variedade temática e estilística, escrita por diversos autores, entre os quais se destacam Ōtomo no Yakamochi e Yamanoue no Okura.[27].
A música japonesa teve suas primeiras manifestações em honkyoku (“peças originais”), que datam do século AC. C., bem como min'yō, canções folclóricas japonesas. Os ritos xintoístas tinham coros que recitavam um trinado lento acompanhado por uma flauta de bambu (yamate-bue) e uma cítara de seis cordas (yamato-goto). A principal forma de música e dança xintoísta é kagura "Kagura (dança)"), baseada no mito de Amaterasu, deusa do sol. É executada com os instrumentos mencionados acima, além de outros como o hiciriki (oboé) e tambores como o o-kakko e o o-daiko.[28].
• - Arte Nabateia: pessoas de origem semita que viveram na área sírio-palestina "Palestina (região)") entre os séculos e AC. C., destaca-se especialmente a cidade de Petra, situada entre desfiladeiros montanhosos, onde foram encontrados vários templos, palácios e túmulos escavados na rocha, em estilo helenístico. Entre eles, destaca-se o Jazneh Firaun ("o tesouro do faraó"), com fachada monumental com pronaos hexastilo e frontão "Fronton (arquitetura)"), e a parte superior com tholos redondo e duas edículas laterais com semi-frontões.
• - Arte hebraica: os hebreus se estabeleceram na Palestina “Palestina (região)”) no século AC. C. Eles foram influenciados pela arte egípcia, fenícia e mesopotâmica, bem como pela arte helenística posterior. De acordo com a sua religião, as imagens foram rejeitadas, por isso a maior parte da sua arte é ornamental. Na arquitetura há testemunhos da grande magnificência do Templo de Jerusalém, que infelizmente não sobreviveu até hoje. Além disso, destacam-se as sinagogas, geralmente de planta basílica e fachada tripartida, como nos templos sírios. Na literatura hebraica destaca-se a Bíblia (o Tanaj ou Antigo Testamento, também chamado de Torá, “lei”), importante documento não só religioso, mas também literário, escrito entre os séculos X a.C. C. e II d. C. em vários estilos e gêneros (histórico, lendário, mitológico, poético, profético, sapiencial e epistolar). Mais tarde, a Mishna, o Talmud e a Kabalah foram escritos.[31].
O teatro romano foi influenciado pelo grego, embora tenha derivado originalmente de antigos espetáculos etruscos, que misturavam arte cênica com música e dança: temos assim os ludiones, atores que dançavam ao ritmo das tibiae —uma espécie de aulos "Aulos (instrumento)"—; Mais tarde, com a adição da música vocal, surgiram os histriones - que significa "dançarinos" em etrusco -, que misturavam canto e mímica (os saturae, origem da sátira). Aparentemente, foi Lívio Andrônico – de origem grega – quem no século AC. C. introduziu a narração de uma história nesses programas. O lazer romano era dividido entre ludi circenses (circo) e ludi scaenici (teatro), predominando neste último a mímica, a dança e o canto (pantomima). Plauto e Terêncio se destacaram como autores.[39] A música romana é desconhecida para nós, assim como a música grega. Apenas Cícero fala um pouco sobre isso em seus escritos. Aparentemente, a era de maior esplendor foi o reinado de Nero, que favorecia notavelmente a música - ele próprio tocava lira. A música romana passou para a igreja cristã primitiva.
• - Arte moçárabe: São chamados de moçárabes os cristãos que viviam sob o domínio islâmico e que, ao retornarem ao território reconquistado pelos cristãos, praticavam um tipo de arte com grande influência islâmica. Desenvolveu-se especialmente no século XIX, principalmente a norte do Douro, no alto Ebro, no sul da Galiza, na Cantábria e nos Pirenéus. A arquitetura destaca-se pela utilização do arco em ferradura califal, mais fechado que o visigótico, bem como pela utilização de dois tipos de abóbada: nervuras tipo califal, formadas por arcos que se cruzam, e a abóbada gadroon; Beirais muito proeminentes também são característicos. Geralmente são igrejas pequenas, com grande variedade na tipologia de sua planta, destacando-se Santiago de Peñalba "Iglesia de Santiago (Peñalba de Santiago)") (León), San Miguel de Escalada (León), Santa María de Melque (Toledo), San Cebrián de Mazote (Valladolid), San Baudelio de Berlanga (Soria) e San Millán de la Cogolla (La Rioja "La Rioja (Espanha)")). Vale destacar em miniatura os bem-aventurados, ilustrações do Comentário ao Apocalipse do Beato de Liébana.[44].
A literatura medieval é herdeira da tradição clássica greco-romana, embora com clara componente teocêntrica e de exaltação da religião cristã. Enquadrada no campo eclesiástico, responsável pela conservação do legado cultural antigo, a produção literária é inteiramente em latim, geralmente sobre temas morais e retóricos, como se verifica nas obras de Sidônio Apolinário, Boécio, Cassiodoro, Santo Isidoro, São Gregório Magno, Venâncio Fortunato, etc. Teodulfo de Orleans, Rabano Maurus) também se destacou.[45]
Nesta época, a música experimentava sucessivos avanços: a música carolíngia foi a primeira a incorporar instrumentos musicais, além do canto de tipo gregoriano; as primeiras peças musicais surgem sem texto, em subseções dos cantos litúrgicos (tropos "Trope (música)") no meio do texto, e sequências "Sequência (música)") no final); No século iniciou-se um tipo de escrita musical diferenciada do alfabeto, com uma série de gráficos (neumas) atualmente não identificados.[46].
Alcorão
sura
Alcorão
As Mil e Uma Noites
A música árabe tem sua origem em canções antigas (huda') executadas pelos beduínos em suas viagens de caravana "Caravana (comitiva)"), com seis pés métricos (rajaz) derivados - segundo a lenda - dos passos do camelo. A música teve especial relevância, com duas partes: refrão (tarji') e antífona (jawab). A música sacra não se desenvolveu tanto quanto a música cristã: originalmente, o chamado à oração (adhdan) era cantado; O Alcorão rimou em prosa cuja assonância se presta à modulação. A música profana foi proibida pelos califas ortodoxos, mas posteriormente promovida pelos omíadas, predominando o canto solo com alaúde. Ibn Misjaḥ foi o primeiro teórico da música árabe e é considerado o pai da música clássica árabe. Ele criou um sistema melódico ornamentado (zawa'id), semelhante à fioritura "Floritura (música)" ocidental. A partir do século, a música instrumental ganhou importância - com uma modalidade principal, o nauba, uma espécie de suíte vocal -, e iniciou-se o estudo teórico da música (al-musiqi), com destaque para vários estudiosos como Avicena, al-Kindi e al-Farabi. Dentre os instrumentos árabes, destacam-se o alaúde (‘ud), a lira "Lira (instrumento musical)") (mi'zaf), a harpa (jank), a flauta (gussaba), o oboé (mizmar), o pífano (shahin), o tambor (tabl), o pandeiro (duff) e as baquetas (gadib).[50].
As artes aplicadas tiveram grande relevância nesta época,[nota 5] especialmente a metalurgia em ouro e pedras preciosas (Arca das relíquias dos Três Reis Magos, Catedral de Colônia; Cálice de Doña Urraca, San Isidoro de León); o esmalte, desenvolvido nomeadamente pela oficina de Limoges; e trabalho têxtil (Tapeçaria de Bayeux, Tapeçaria de Criação da Catedral de Gerona).[54].
Nesta época, a literatura continuou preferencialmente em mãos eclesiásticas, preservando a tradição latina, embora aos poucos começassem a surgir obras em língua vernácula e iniciasse a produção literária em âmbito secular, principalmente com o gênero trovadoresco. As principais inovações ocorreram na França, onde os círculos artísticos cortês ganhavam peso e deslocavam o poder eclesiástico: destaca-se a grande epopeia da Canção de Rolando, do final do século. A poesia trovadoresca desenvolveu-se especialmente na língua provençal, exaltando o amor cortês (fin'amors), representado por Guilherme de Poitiers, Jaufré Rudel, Bernart de Ventadorn, Marcabrú "Marcabrú (trovador)"), Arnaut Daniel, Bertran de Born, etc. Ciclo Arturiano. Na Espanha, os primeiros textos escritos em língua românica foram as glosas do mosteiro de San Millán de la Cogolla, às quais se seguiram as jarchas moçárabes; Mais tarde surgiram as “canções de feitos”, como o Cantar de Mío Cid (1140).[55].
O teatro medieval era um teatro de rua, lúdico, festivo, com três tipologias principais: “litúrgica”, temática religiosa dentro da Igreja; «religioso», na forma de mistérios "Mistério (teatro)") e paixões; e tópicos "profanos" e não religiosos. Foi subsidiado pela Igreja e, posteriormente, por guildas e irmandades. Os atores eram inicialmente padres, tornando-se posteriormente atores profissionais. As obras foram primeiro em latim, depois passando para línguas vernáculas. O primeiro texto que se conserva é o Regularis Concordia, de Santo Æthelwold, que explica a representação da peça Quem quaeritis?, um diálogo retirado do Evangelho entre vários clérigos e um anjo.[56].
Durante o período românico, a música surgiu tal como é praticada atualmente, graças à criação da pauta e à nomenclatura das notas musicais desenvolvida por Guido de Arezzo. As principais obras musicais limitam-se ao canto gregoriano, embora a polifonia e a música secular tenham começado a se desenvolver em torno de trovadores e menestréis. Os menestréis eram viajantes globais, meio poetas e meio charlatões, misturando em suas apresentações declamação e malabarismo, música e sátira, poesia e feitos épicos. Os trovadores eram de uma classe social mais elevada (o próprio Rei Ricardo Coração de Leão era um trovador) e compunham e cantavam suas próprias obras. Dentre as formas trovadorescas, destacam-se: o rondeau (alternância de dísticos e refrão), o virelai (em que o refrão não interrompe o desenvolvimento das estrofes) e a balada "Ballade (música)") (alternando o refrão a cada três estrofes). Na Alemanha, os trovadores receberam o nome minnesänger.[57].
A dança medieval teve pouca relevância, devido à marginalização a que foi submetida pela Igreja, que a considerava um rito pagão. A nível eclesiástico, o único vestígio eram as “danças da morte”, que tinham uma finalidade moralizadora. Nas cortes aristocráticas existiam "danças baixas", assim chamadas porque arrastavam os pés, das quais há poucas evidências. Mais importantes foram as danças populares, de tipo folclórico, como o pasacalle e a farandula, sendo famosas as "danças mouriscas", que chegaram à Inglaterra (danças Morris).[58].
• - Gótico Itálico ou Trecentista: surgido no século na Itália, caracteriza-se pela abordagem feita à representação da profundidade - que se cristalizará no Renascimento com perspectiva linear -, pelos estudos de anatomia e pela análise da luz para alcançar nuance tonal. Destacam-se duas escolas: a florentina (Cimabue, Giotto, Andrea Orcagna) e a sienesa (Duccio, Simone Martini, Ambrogio Lorenzetti).
• - Gótico Internacional: corresponde ao final do século e primeira metade do século XV, assumindo uma fusão de estilos anteriores. Caracteriza-se pela estilização da figura e pelo predomínio da linha curva, pelo detalhe técnico e pelo naturalismo simbólico da narrativa. Destacam-se os pintores Paul de Limbourg, Stefan Lochner, Conrad Soest, Bernat Martorell e Lluís Borrassà.
• - Gótico Flamengo: surgiu na Flandres no início do século XIX, predominando ao longo desse século na maior parte da Europa – exceto na Itália, onde o Renascimento já era proeminente. Sua principal contribuição é a técnica de pintura a óleo, que confere cores mais vivas e permite gradações em diversas faixas cromáticas, ao mesmo tempo em que permite maior rigor nos detalhes. Vale destacar Jan e Hubert van Eyck, Robert Campin, Rogier van der Weyden, Hans Memling, Gerard David, Hugo van der Goes e Hieronymus Bosch; no resto da Europa, Jean Fouquet, Conrad Witz, Martin Schongauer, Hans Holbein, o Velho, Nuno Gonçalves, Lluís Dalmau, Jaume Huguet, Bartolomé Bermejo, Fernando Gallego, etc.
As artes aplicadas também tiveram grande relevância durante o período gótico, favorecidas pelas novas classes urbanas de mercadores e artesãos. Destacou a marcenaria, a tapeçaria - sendo famosas as tapeçarias de Arras -, a ourivesaria - especialmente os custódias e os relicários, onde se destaca o nome de Enrique de Arfe -, os trabalhos em esmalte - sobretudo os de Limoges -, a cerâmica - onde se destaca a de Faenza e Manises -, a vidraria - especialmente a veneziana e a catalã -, etc.
A literatura medieval tardia transitou entre obras ainda escritas em latim - geralmente de natureza religiosa - e aquelas escritas em línguas vernáculas, que gradualmente ganharam destaque e popularidade. O centro criativo passou da França para a Itália, onde as cortes dos pequenos estados que dividiam o território da península italiana privilegiaram as artes e as letras, dando origem ao que viria a ser o Renascimento. Praticava-se sobretudo o gênero canzone, escrito em hendecassílabos - de onde surgiu o soneto -, enquanto em Florença surgia o chamado Dolce Stil Novo, gênero poético com um signo mais subjetivo, que exalta o amor, mas um amor mais puro, mais simbólico que o do trovador. Destacam-se especialmente três nomes: Francesco Petrarca, Giovanni Boccaccio e Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia (1304-1320), uma das grandes obras da literatura universal. Na Inglaterra, Geoffrey Chaucer se destacou com seus Contos de Canterbury (1386-1400). Na França, François Villon foi o primeiro grande poeta de língua francesa. Na Espanha, no século, surgiu a poesia do mester de clerecía (Gonzalo de Berceo), assim como a lírica galego-portuguesa (Alfonso X, o Sábio) e a catalã (Ramon Llull); No século destacaram-se o arcipreste de Hita, Dom Juan Manuel e Pedro López de Ayala; enquanto no século vale destacar as figuras de Jorge Manrique e do Marquês de Santillana, bem como do poeta catalão Ausiàs March.[60].
O teatro desenvolveu-se em três tipologias principais: «mistérios "Mistério (teatro)")», sobre a vida de Jesus Cristo, com textos de grande valor literário e elementos menestréis; “milagres”, sobre a vida dos santos, com diálogos e partes dançadas; e «moralidades "Moralidade (teatro)")», sobre personagens simbólicas, alegóricas, com máscaras tipificadas. Nessa época nasceu o teatro secular, com três origens possíveis – segundo os historiadores –: a imitação dos textos latinos de Terêncio e Plauto; a versátil arte dos menestréis; ou as pequenas diversões escritas por autores religiosos para fugir um pouco da rigidez eclesiástica.[61].
Na música, durante o período gótico, desenvolveu-se a polifonia, surgindo pela primeira vez a música secular separada da música religiosa feita até então (Le jeu de Robin et Marion, de Adam de la Halle, 1285). Surgiram o contraponto, vozes paralelas que se fundem ou contrastam e foram desenvolvidas técnicas e notações composicionais. Da primeira fórmula composicional por repetição passamos à imitação "Imitação (música)") no século XVI, e à variação "Variação (música)") no século XVI. O primeiro compositor conhecido é Leoninus, organista de Notre-Dame de Paris de meados do século. No século surge a Ars Nova, com Guillaume de Machaut e Francesco Landino, destacando-se Josquin des Prés, Guillaume Dufay, Gilles Binchois, Johannes Ockeghem, Jacob Obrecht, John Dunstable e Bartolomé Ramos de Pareja. Na dança, as principais modalidades eram: a carol "Carol (carol)"), a estampie, o branle, o saltarello e a tarantella.[62].
Popol Vuh
Ollantay
Brihad deshi
Naradiya-siksa
Samgita-Ratnakara
svaras
srutis
ragas
gamakas
raga
tala
vilambita
madhya
druta
kharaja
• - Dinastia Tang (618-907): este foi um dos períodos mais florescentes da arte chinesa, destacando-se pela sua escultura e pelas suas famosas figuras de cerâmica. A figura mais representada continuou a ser Buda, assim como os bodhisattvas (místicos budistas), destacando-se a estátua de madeira policromada de Guan Yin (ou Bodhisattva da Misericórdia), com 2,41 metros de altura. Na arquitetura a principal tipologia foi o pagode (Hua-yen, Hsiangchi). Surgiu a pintura de paisagem, gênero inicialmente elitista, destinado aos pequenos círculos culturais. Infelizmente, as paisagens Tang não sobreviveram até os dias atuais e só são conhecidas a partir de cópias, como Templo Budista nas Colinas após a Chuva, de Li Cheng "Li Cheng (pintor)") (século XIX).
• - Dinastia Song (960-1279): época de grande florescimento das artes, atingiu-se um nível de cultura elevada que seria lembrado com grande admiração em fases posteriores. A gravura apareceu na madeira, impregnada de tinta sobre seda ou papel. Na arquitetura, continuou a construção de pagodes, como o pagode hexagonal Kuo-Hsiang-Su (960), ou o pagode de madeira Chang-Tiu-Fu. Na cerâmica destacam-se duas tipologias: a cerâmica vidrada branca de Ting-tcheu, e a cerâmica vidrada rosa ou azul de Kin-tcheu. Na pintura deu continuidade à paisagem, com dois estilos: o nortenho, com desenho preciso e cores claras, com figuras de monges ou filósofos, flores e insetos; e a sul, com pinceladas rápidas, cores claras e diluídas, com representação especial de paisagens nubladas.
• - Dinastia Yuan (1280-1368): dinastia de origem mongol (seu primeiro imperador foi Kublai, neto de Genghis Khan), a China abriu-se mais ao Ocidente, como fica evidente na famosa viagem de Marco Polo. Na arquitetura destaca-se o Pagode Branco de Pequim. As artes decorativas desenvolveram-se especialmente: fabricaram-se tapetes, produziram-se cerâmicas com novas formas e cores e criaram-se obras de serralharia de grande riqueza. Os temas religiosos proliferaram na pintura, especialmente os temas taoístas e budistas, destacando-se as pinturas murais do templo Yonglegong (Shanxi), e artistas como Huang Gongwang, Wang Meng e Ni Zan.[70].
A literatura chinesa desta época foi marcada pela continuidade em relação à produção anterior. A era Tang foi a época de ouro da poesia chinesa, com destaque para Li Bai e Du Fu, enquanto a prosa tendia para um estilo mais simplificado, representada por Han Yu e Liu Zongyuan. Surgiu também um novo gênero, pienhuen, uma mistura de verso e prosa, de origem budista. Durante a dinastia Song, surgiu a imprensa de tipos móveis (inventada por Bi Sheng), que favoreceu a divulgação da literatura. A poesia estava intimamente relacionada à música (gênero ts'e), como em Liu Yu-Hui") e Su She"); Na prosa, destacou-se o tratado histórico Tsê-che T'ong-kien, de Ssê Ma-kuang).
Neste período ocorreu a idade de ouro musical chinesa: destacaram-se os rituais confucionistas, onde um coro cantava o hino, com instrumentos de sopro e sinos, um órgão de sopro "Órgão (instrumento)") para contraponto, e vários conjuntos de cítaras (ch'in, com 5 cordas, e sê, com 26 cordas), para definir a duração (tsao-man). Era uma música predominantemente tímbrica, com uma harmonia simples e elementar. Durante o reinado do imperador Hsüan-tsung (713-756) há evidências de que existia na corte uma orquestra de cerca de 1.300 músicos. Os poetas recitavam ao ritmo de um alaúde curto (p'i-p'a "Pipa (instrumento)")), música da qual chegaram até nós composições como A Última Batalha de Hsiang Yü e Nove Canções para Yüeh. Durante a dinastia Song, espetáculos musicais e teatrais tornaram-se populares, como Nan-ch'ü (Canções do Sul) e Pei-ch'ü (Canções do Norte). Na era Yuan surgiram dramas musicais ou óperas, com duas escolas: norte e sul, que sobreviveram até hoje.
• - Período Asuka (552-646): a chegada do Budismo produziu um grande impacto no Japão a nível artístico e estético, com forte influência da arte chinesa. Como edifício mais notável deste período devemos mencionar o templo de Hōryū-ji (607), representativo do estilo Kudara. As primeiras imagens de Buda foram importadas do continente, mas posteriormente um grande número de artistas chineses e coreanos estabeleceram-se no Japão (Kannon de Kudara, século XIX). A pintura denota um grande sentido de desenho, com obras de grande originalidade, como o relicário Tamamushi.
• - Período Nara (646-794): nesta época a arte budista teve seu apogeu, dando continuidade à influência chinesa com grande intensidade. Poucos exemplos de arquitetura sobreviveram: Pagode Leste Yakushi-ji, templo Tōdai-ji, templo Kōfuku-ji, Nara Shōsoin "Nara (Japão)"). A representação de Buda obteve grande desenvolvimento na escultura: Sho Kannon, Buda de Tachibana, Bodhisattva Gakko de Tōdai-ji. A pintura é representada pela decoração mural de Hōryū-ji (finais do século XIX) e pelos kakemonos e makimonos, histórias pintadas num longo rolo de papel ou seda, com textos narrando as diversas cenas ou sutras.
• - Período Heian (794-1185): A iconografia budista teve um novo desenvolvimento com a importação de duas novas seitas do continente: Tendai e Shingon. A arquitetura sofreu uma mudança na planta dos mosteiros, que foram construídos em locais recônditos, destinados à meditação: templos de Enryaku-ji, Kongōbu-ji e santuário-pagode de Muro-ji. Durante o período Fujiwara (897-1185), o templo voltou a ser localizado na cidade, servindo como centro de encontro das classes dominantes. Foram construídos segundo o modelo dos grandes palácios, com decoração altamente desenvolvida (mosteiro Byōdō-in, também chamado de Phoenix). Na pintura, o surgimento da escola Yamato-e marcou a independência da pintura japonesa da influência chinesa; Caracterizou-se pela sua harmonia e luminosidade, com cores vivas.
• - Período Kamakura (1185-1333): nesta época foi introduzida no Japão a seita Zen, que teve poderosa influência na arte figurativa. Na escultura, destacou-se a Escola Nara “Nara (Japão)”), com destaque para a figura de Unkei (estátuas do Monte Muchaku e Seshin). A arquitetura era mais simples, mais funcional, menos luxuosa e ornamentada; A influência Zen deu origem ao chamado estilo Kara-yo. Destaca-se o conjunto de cinco grandes templos de Sanjūsangen-dō (1266). A pintura caracterizou-se por maior realismo e introspecção psicológica, desenvolvendo principalmente retratos e paisagismo.
• - Período Muromachi ou Ashikaga (1333-1573): neste período a pintura floresce notavelmente, enquadrada na estética Zen. Predominou a técnica “Gouache (pintura)” do guache, uma transcrição perfeita da doutrina Zen, que procurava refletir nas paisagens o que elas significam, mais do que o que representam, destacando Sesshū, autor de retratos e paisagens. Vale destacar também a Escola Kanō, que aplicou a técnica do guache a temas tradicionais. A arquitetura distinguiu-se pela elegância, destacando-se os casarões senhoriais: o Pavilhão Dourado e o Pavilhão Prateado, em Quioto; Devemos também mencionar o mosteiro Zuiho-ji. A arte da jardinagem desenvolveu-se significativamente, a cerâmica Seto destacou-se e os objectos de laca e metal ganharam importância.[73].
A literatura japonesa continuou com a influência da literatura chinesa, especialmente na poesia, onde a maior produção foi na língua chinesa, considerada mais culta: assim temos o Kaifuso (Ternuras memórias de poesia, 751), uma antologia de vários poetas. Na era Heian houve um renascimento da literatura japonesa, com destaque para a narrativa: Genji Monogatari (Conto de Genji), de Murasaki Shikibu, é um clássico da literatura japonesa, descrevendo o mundo da nobreza em linguagem simples, com um tom por vezes erótico. A poesia da época foi compilada na antologia imperial Kokinshu, onde a natureza era preferencialmente exaltada, escrita em waka (composição de 31 sílabas). No período Kamakura, a literatura foi afetada pelas constantes guerras feudais, refletidas em uma narrativa de tom pessimista e desolador: Hojoki (Narrativa da minha cabana), de Kamo no Chomei. Do período Muromachi, vale destacar o Tsurezuregusa (Ensaios de Lazer), de Yoshida Kenkō, e o Sannin Hoshi (Os Três Sacerdotes), anônimo.[74].
No teatro surgiu no século a modalidade denominada nō, um drama lírico-musical em prosa ou verso, com temática histórica ou mitológica. Sua origem está na antiga dança kakura e na liturgia xintoísta, embora tenha sido posteriormente assimilada pelo budismo. Caracteriza-se por um enredo esquemático, com três personagens principais: o protagonista (waki), um monge viajante e um intermediário. A narrativa é recitada por um coral, enquanto os atores principais atuam gestualmente, em movimentos rítmicos. Os cenários são austeros, comparados à imponência dos vestidos e máscaras. Seu principal expoente foi Chikamatsu Monzaemon.[75].
Na música, a chegada do Budismo trouxe influência estrangeira, surgindo duas correntes: a música de esquerda, de origem indiana e chinesa; e música certa, de origem manchu e coreana. Essas modalidades utilizavam instrumentos como o biwa (alaúde de pescoço curto), o taiko (tambor japonês), o kakko (tambor chinês), o shôko (gong), o sô-no-koto (cítara), o koma-bue (flauta), o hiciriki (oboé), o ôteki (flauta transversal) e o shô (órgão soprado). Havia também uma grande variedade de tipos de música tradicional: dois dos estilos mais antigos eram shōmyō ("homem gordo que canta") e gagaku ("música engraçada"), ambos dos períodos Nara e Heian. Além disso, gagaku é dividido em sōgaku (música instrumental) e bugaku (música e dança).[76].
No Sudeste Asiático, a arte estava situada entre as tradições hindu e budista, com o Islã sendo introduzido no século XIX, principalmente na Indonésia. Nas culturas nativas da Idade do Bronze e do Ferro - das quais poucos vestígios se conservam - denota-se a influência chinesa, e a partir do século começará progressivamente a influência indiana.
• - Arte Khmer: o reino Khmer estava localizado no Camboja, tendo seu auge entre os séculos e. A sua principal manifestação é o magnífico complexo de Angkor Wat (1113-1150), uma cidadela-templo dedicada a Vishnu, cuja planimetria representa o universo. O templo central é cercado por quatro santuários menores, encimados por torres inspiradas no indiano śikhara, construídos em calcário com pinças de ferro. Destaca-se também a decoração esculpida em relevo.
• - Arte tailandesa: é aquela desenvolvida no Sião (Tailândia), caracterizada por uma arquitetura vertical de formas alongadas e pontiagudas, com torre-relicário (prang), como o templo de Vat Sri Sampet (século XIX). Destacam-se as imagens de Buda, como a de Sukhothai (séc.), em bronze e folha de ouro.
• - Arte Cham: ocorreu no reino de Champa (Vietnã). Ao longo dos séculos - recebeu influência hindu (mosteiro Dông-Dương). No século predominou a influência Khmer, refletida numa arquitetura harmoniosa de decoração sóbria.
• - Arte birmanesa: na Birmânia a influência chinesa é mais palpável, como no uso da abóbada nervurada. Foi utilizado tijolo revestido com estuque, sobre o qual foi realizada a decoração. Seu período clássico foi a era pagã (-séculos), onde se destacam as stupas, que podem ser cilíndricas, cônicas, hemisféricas, bulbosas ou em forma de sino (templo de Ananda, séc.).
• - Arte indonésia: foi recebida uma primeira influência indiana - principalmente Gupta -, evidente nas stupas com cúpulas em forma de sino. O período de maior florescimento ocorreu entre os séculos e, principalmente em Java "Java (ilha)"), onde a dinastia Sailendra adotou o budismo, construindo o templo Borobudur, a maior stupa do mundo, com 120 metros de comprimento de cada lado e 35 metros de altura, com 1.500 baixos-relevos e 400 estátuas de Buda. Entre os séculos e o hinduísmo voltou a predominar, com uma arquitetura mais vertical, com decoração em relevo, destacando-se os monumentos funerários (chandi), como os de Shwentar e Kidal. No século foi introduzido o Islamismo, destacando-se as estelas sepulcrais e novas tipologias arquitetónicas, como a mesquita Sendang Duwur.[77].
A forja de Vulcano
A rendição de Breda
Vênus do espelho
Las Meninas
As fiandeiras
No domínio das artes industriais destaca-se especialmente a marcenaria, que atingiu níveis de altíssima qualidade sobretudo em França, graças ao trabalho de André-Charles Boulle, criador de uma nova técnica de aplicação de metais (cobre, estanho) sobre materiais orgânicos (carapaça de tartaruga, madrepérola, marfim) ou vice-versa. Entre suas obras destacam-se as duas cômodas do Trianon, em Versalhes, e o relógio de pêndulo com a Carruagem de Apolo, em Fontainebleau. A tapeçaria, a ourivesaria – especialmente as “pedras duras” em Florença –, a cerâmica e o vidro – que se tornaram relevantes na Boêmia – também se destacaram.[85]
A literatura barroca caracterizou-se pelo pessimismo, com uma visão da vida apresentada como luta, sonho ou mentira, onde tudo é passageiro e perecível. Seu estilo era suntuoso e ornamentado, com linguagem muito adjetiva e metafórica. No início, ocorreram várias correntes: o Eufismo na Inglaterra (John Lyly, Robert Greene), o Preciosismo na França (Vincent Voiture), o Marinismo na Itália (Giambattista Marino), a primeira (Martin Opitz, Angelus Silesius, Andreas Gryphius) e a segunda escola da Silésia (Daniel Casper von Lohenstein, Hans Jakob Christoph von Grimmelshausen) na Alemanha. Mais tarde, o classicismo surgiu na França, com autores como François de la Rochefoucauld, Jacques-Bénigne Bossuet, Nicolas Boileau-Despréaux, Jean de La Fontaine, François de Malherbe, Cyrano de Bergerac e Madeleine de Scudéry. Na Inglaterra, destacou-se a obra poética de John Milton (Paradise Lost, 1667). Na Espanha, onde o século seria chamado de Idade de Ouro, surgiram duas correntes: o culteranismo, liderado por Luis de Góngora, onde se destacava a beleza formal, com um estilo suntuoso e metafórico, com proliferação de latinismos e jogos gramaticais; e o conceptismo, representado por Francisco de Quevedo e Baltasar Gracián, onde predominavam o engenho e a acuidade, com uma linguagem concisa mas polissémica, com múltiplos significados em poucas palavras.[86].
No teatro barroco, a tragédia desenvolveu-se sobretudo, baseada na inelutabilidade do destino, com tom clássico, seguindo as três unidades de Castelvetro. O cenário era mais ornamentado, seguindo o tom ornamental característico do Barroco. Destacam-se Pierre Corneille, Jean Racine e Molière, representantes do classicismo francês. Em Espanha o teatro era basicamente popular ("curral de comedias"), cómico, com uma tipologia pessoal, distinguindo: bululú, ñaque, gangarilla, cambaleo, garnacha "Garnacha (teatro)"), bojiganga, farándula e company. Destacaram-se Tirso de Molina, Guillén de Castro, Juan Ruiz de Alarcón e, principalmente, Lope de Vega (O Cão na Manjedoura, 1615; Fuenteovejuna, 1618) e Pedro Calderón de la Barca (A Vida é um Sonho, 1636; O Prefeito de Zalamea, 1651).[87].
A música barroca destacou-se pelo contraste, acordes violentos, volumes móveis, ornamentação exagerada e estrutura variada e contrastante. Foi especialmente caracterizado pelo uso do baixo contínuo, uma seção instrumental séria que sustentava ininterruptamente a parte melódica superior. Nesta época, a música atingiu níveis de grande brilho, separando-se completamente da voz e do texto, dando origem a formas instrumentais puras (suíte, sonata, tocata, concerto, sinfonia). Com a sonata nasceram os nomes das velocidades: allegro, adagio, presto "Presto (música)"), vivace, andante, etc. Na música religiosa nasceram o oratório "Oratório (música)") e a cantata, enquanto a música coral triunfou especialmente no mundo protestante. Na Espanha, a zarzuela e a tonadilla nasceram como manifestações da música popular. Entre as grandes figuras da música barroca vale lembrar Antonio Vivaldi, Tommaso Albinoni, Arcangelo Corelli, Marc-Antoine Charpentier, Johann Pachelbel, Heinrich Schütz, Johann Sebastian Bach, Georg Philipp Telemann, Georg Friedrich Handel, etc.
Na ópera, destacou-se a escola veneziana, primeiro local onde a música foi separada da proteção religiosa ou aristocrática para ser apresentada em locais públicos: em 1637 foi fundado o Teatro di San Cassiano, o primeiro centro de ópera do mundo. Começou o gosto pelas vozes solo, principalmente as agudas (tenor, soprano), surgindo o fenômeno dos castrati. A ópera barroca destacou-se pelo cenário complicado, ornamentado, ornamentado, com mudanças bruscas. Destacam-se Pier Francesco Cavalli, Antonio Cesti, Jean-Baptiste Lully, Henry Purcell, Georg Friedrich Handel, etc. No final do século, a escola napolitana introduziu um estilo mais purista, mais classicista, simplificando os enredos e realizando óperas mais cultas e sofisticadas. Alessandro Scarlatti introduziu a ária de três partes (aria da capo).[88].
Na França, a dança barroca (ballet de cour) desenvolveu a música instrumental, com uma melodia única, mas com um ritmo adaptado à dança. Foi patrocinado especialmente por Louis. Como coreógrafo, destacou-se Pierre Beauchamp, criador da danse d'école, o primeiro sistema pedagógico de dança. As principais tipologias foram: minueto, bourrée, polonaise, rigaudon, allemande, zarabande, passepied, gigue "Giga (dança)"), gavotte, etc. Na Espanha também existiam vários tipos de dança: seguidilla "Seguidilla (música)"), zapateado "Zapateado (Espanha)"), chacona, fandango "Fandango (dança)"), jota "Jota (música)"), etc.[89].
A nível literário, o século foi o do Iluminismo, projecto iniciado com L'Encyclopédie de Diderot e D'Alembert e que marcou a consagração do racionalismo a nível filosófico, colocando ênfase na ideia de progresso do ser humano e na sua capacidade ilimitada, conceito que estabeleceu o germe da era moderna. Seus principais representantes foram Montesquieu, Voltaire, Denis Diderot, Jean-Jacques Rousseau, Abbé Prévost, André Chénier, Giambattista Vico, Alexander Pope, Daniel Defoe, Jonathan Swift, etc. Na Espanha, a influência francesa ficou evidente na literatura crítica e especulativa, com o gênero ensaio ganhando grande popularidade; Destacaram-se Benito Jerónimo Feijoo, Diego de Torres Villarroel, Ignacio Luzán e José Francisco de Isla. Vale destacar a fundação nesta época da Biblioteca Nacional e da Real Academia Espanhola.[91].
O teatro do século seguiu modelos anteriores, tendo como principal inovação a reforma da comédia de Carlo Goldoni, que abandonou a vulgaridade e se inspirou em costumes e personagens da vida real. O drama também se desenvolveu, situado entre a tragédia e a comédia. O cenário era mais naturalista, com maior contato entre público e atores. As produções costumavam ser mais populares, atraindo um público maior, deixando o teatro reservado às classes altas. À medida que espetáculos mais complexos foram sendo organizados, a figura do encenador passou a ocupar o centro das atenções. Como dramaturgos destacam-se Pietro Metastasio, Pierre de Marivaux, Pierre-Augustin de Beaumarchais e Voltaire. Na Espanha, Nicolás Fernández de Moratín faz parte da "comédia de salão" do século XVIII, baseada em Molière.[92].
O Rococó na música corresponde à chamada “música galante”, que era mais calma que o barroco, mais leve e simples, amigável, decorativa, destacando o sentimentalismo. O gosto pelo contraste desapareceu e buscou-se a gradação sonora (crescendo, diminuendo). Na chamada Escola de Mannheim desenvolveu-se a música sinfônica, com a primeira grande orquestra moderna (40 instrumentos), iniciativa do eleitor Carlos Teodoro de Wittelsbach. Seu principal representante, Johann Stamitz, é considerado o primeiro maestro. Entre os músicos da época, destacam-se os filhos de Bach: Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian – este último introduzindo o piano na música sinfônica, inventado em 1711 por Bartolomeo Cristofori. Na ópera, junto com a ópera culta, surge a "opera buffa", de ar cômico, destinada a um público mais popular, com influência da Commedia dell'arte (Niccolò Piccinni, Baldassare Galuppi).[93].
A dança continuou a desenvolver-se especialmente em França, onde a Escola de Ballet da Ópera de Paris, a primeira academia de dança, foi criada em 1713. Raoul-Auger Feuillet) criou em 1700 um sistema de notação de dança, para poder transcrever por escrito a diversa variedade de passos de dança. Jean-Philippe Rameau -criador da ópera-ballet-, e nomes do balé começaram a surgir, enquanto na Espanha surgia o flamenco.
A nível literário, no final do século houve um regresso às premissas classicistas, com o objectivo de estabelecer um tipo de literatura prescritiva, ordenadora, com base ética e intelectual. Muitos dos autores desta época situaram-se algures entre o neoclassicismo e o pré-romantismo, destacando-se: Friedrich Gottlieb Klopstock, Christoph Martin Wieland, Henry Fielding, Laurence Sterne, etc. Em Espanha notou-se a influência do classicismo francês e dos preceitos estabelecidos por Boileau, destacando-se José Cadalso, Juan Meléndez Valdés e Gaspar Melchor de Jovellanos, bem como os fabulistas Tomás de Iriarte e Félix María Samaniego.[96] O teatro neoclássico teve poucas variações em relação ao desenvolvido ao longo do século, tendo como principal característica a inspiração nos modelos clássicos greco-romanos, sua marca registrada. atual. Notáveis: Vittorio Alfieri, Richard Brinsley Sheridan e Gotthold Ephraim Lessing e, na Espanha, Leandro Fernández de Moratín e Vicente García de la Huerta.[97].
Entre o último terço do século e o início do século, a música erudita[nota 14] representou o ápice das formas instrumentais, consolidadas com a estruturação definitiva da orquestra moderna. O classicismo se manifestou no equilíbrio e na serenidade da composição, na busca pela beleza formal, pela perfeição, nas formas harmoniosas e inspiradoras de altos valores. Nasceu o desenvolvimento, uma nova forma de composição que consistia em desmontar o tema, pegar o ritmo ou a melodia, mas mudar a tonalidade através da modulação. A música de câmara evoluiu com o desaparecimento do baixo contínuo, em diferentes formatos: duo, trio, quarteto, quinteto, etc. A música clássica é representada principalmente por: Franz Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart, Christoph Willibald Gluck, Luigi Boccherini e Domenico Cimarosa. A ópera clássica era menos ornamentada que a barroca, com música austera, sem ornamentos vocais, árias limitadas, recitativos com acompanhamento orquestral, enredos mais sólidos e personagens mais verdadeiros. Destacam-se: Jean-Philippe Rameau, Christoph Willibald Gluck e, especialmente, Wolfgang Amadeus Mozart, autor de diversas das melhores óperas da história (Le Nozze di Figaro, 1786; Don Giovanni, 1787; A Flauta Mágica, 1791).[98].
O balé clássico também conheceu grande desenvolvimento, especialmente graças à contribuição teórica do coreógrafo Jean-Georges Noverre e seu ballet d'action, que destacou o sentimento sobre a rigidez gestual da dança acadêmica. Buscou-se um maior naturalismo e uma melhor compreensão da música e do drama, fato perceptível nas obras do compositor Gluck, que eliminou muitas convenções da dança barroca. Outro coreógrafo relevante foi Salvatore Viganò, que deu maior vitalidade ao “corpo do balé”, grupo que acompanha os bailarinos protagonistas, que deles conquistou independência.
• - Dinastia Ming (1368-1644): marcou a restauração de uma dinastia indígena após o período mongol, retornando às antigas tradições chinesas. O terceiro imperador da dinastia, Yongle, mudou a capital de Nanquim para Pequim (1417), construindo um Palácio Imperial (a Cidade Proibida), com três grandes pátios cercados por um muro de 24 quilômetros, e um grande complexo de edifícios incluindo o Salão da Harmonia Suprema (com o trono imperial) e o Templo do Céu. A pintura deste período era tradicional, com um signo naturalista e uma certa opulência, como na obra de Lü Ji"), Shen Zhou, Wen Zhengming, etc. Destacou-se também a porcelana, de tons muito claros e brilhantes, geralmente em branco e azul, e iniciou-se a decoração de vasos de bronze em esmalte cloisonné.
• - Dinastia Qing (1644-1911): dinastia de origem Manchu, na arte significou a continuidade das formas tradicionais. A pintura era bastante eclética, dedicada a temas florais (Yun Shouping), temas religiosos (Wu Li")), paisagens (Gai Qi), etc. Na arquitectura, continuou a construção - e, em alguns casos, restauro - do recinto imperial, com o mesmo selo estilístico, enquanto foram construídos novos templos e vilas aristocráticas, destacando-se a riqueza dos materiais (balaustradas de mármore, cerâmica nos telhados, etc.). porcelana, tecidos de seda, lacas, esmalte, jade, etc. Vale ressaltar que as manufaturas chinesas influenciaram a decoração do Rococó europeu (as chamadas chinoiseries).[105].
A literatura continuou tradicional, com destaque para a produção teatral na era Ming, com obras como O Círculo de Giz de Li-Hsing-Tao), A Guitarra de Kao Ming") e O Pavilhão de T'ang-Hien-Tsu"). No período Qing, a poesia destacou-se pelo virtuosismo, detectando pela primeira vez a influência ocidental na obra de Huang-Tuen-Hien"). A narrativa era mais humanística, como se pode perceber em P'u-Song-Ling") e Ts'ao-Sine-K'in"), autor de Hong-leu-mon, o mais famoso romance de amor chinês; The Lettermen, de Wu-Ching-Tzu"), é um romance de tom satírico.[106].
A música seguiu as tradições anteriores, compiladas no Manual de Música de Tsai Yü") (1596). Desse período destacam-se as melodias para cítara, com duas vertentes: melodias curtas (hsiao-ch'ü), com letras com acompanhamento musical; e melodias longas (ta-ch'ü), puramente instrumentais. Na dinastia Ming, destacou-se o compositor Wei Liang-fu"), criador de um novo estilo dramático com óperas de 30 atos (k'un-ch'ü), com partes cantadas e partes recitadas. O instrumento principal era a flauta transversal (ti), juntamente com o violão (san-hsien), o alaúde curto (p'i-p'a) e o tambor (pan-ku). Durante a dinastia Qing, surgiu um novo tipo de ópera (ching-hsi), mais popular, acompanhada por um violino de corda única (hu'chpin). Nesse período começou a influência ocidental, ao mesmo tempo em que a música chinesa chegava ao Ocidente, como se vê na abertura de Turandot, de Carl Maria von Weber (1809).[107].
• - Período Momoyama (1573-1615): a arte desta época afastou-se da estética budista, enfatizando os valores tradicionais japoneses, embora neste período tenham recebido as primeiras influências do Ocidente. Grandes castelos e palácios foram construídos: Palácio Fushimi, Castelos Himeji e Osaka. Na pintura, a escola Tosa deu continuidade à tradição épica japonesa (Mitsuyoshi, Mitsunori). A cerâmica atingiu um momento culminante: Seto continuou a ser um dos primeiros centros de produção, enquanto em Mino nasceram duas escolas muito importantes: Shino e Oribe. Na produção de lacas destaca-se o nome de Honami Kōetsu.
• - Período Edo ou Tokugawa (1615-1868): este período artístico corresponde ao período histórico Tokugawa, em que o Japão estava fechado a todos os contactos externos. Os edifícios mais importantes são o Mausoléu Toshogu em Nikkō e o Palácio Katsura em Kyoto. As casas de chá (chashitsu) também são características desta época. A pintura desenvolveu-se significativamente, adquirindo grande vitalidade, destacando-se Tawaraya Sōtatsu e Ogata Kōrin, bem como a escola Ukiyo-e, que se destacou pela representação de tipos e cenas populares (Kitagawa Utamaro, Katsushika Hokusai, Utagawa Hiroshige). A cerâmica tinha um dos seus maiores centros de produção em Quioto, com influência da arte chinesa e coreana; Seu principal artista é Nonomura Ninsei. Neste período foram produzidas as primeiras porcelanas, com um primeiro centro de produção em Arita; Destacam-se as escolas de Kakiemon, Nabeshima e Ko-Kutami.[108].
A literatura evoluiu para um maior realismo, geralmente de tom tradicional e com sutil veia humorística, como se vê nas obras de Saikaku Ihara, Jippensha Ikku") e Ejima Kiseki"). Na poesia, a principal modalidade é o haiku, composição de 17 sílabas, geralmente de tom bucólico, focada na natureza e na paisagem, com destaque para Matsuo Bashō, Yosa Buson e Kobayashi Issa. O gênero waka continuou, geralmente em chinês, representado principalmente por Rai Sanyo"). No século destacou-se o romancista Takizawa Bakin"), autor de Satomi Kakkenden (Vidas de Oito Cães).
No teatro surgiu a forma do kabuki, que sintetizava antigas tradições musicais e interpretativas, bem como a mímica e a dança, com temas dos mais mundanos aos mais místicos. Assim como nō tinha um tom aristocrático, kabuki seria a expressão do povo e da burguesia. A encenação foi riquíssima, com cenários que destacaram a composição cromática, vestidos luxuosos e maquiagens em tons simbólicos, representando vários personagens ou humores dependendo da cor. A dicção era de tipo ritual, uma mistura de canto e recitativo, em ondulações que expressavam a posição ou caráter do personagem.[110].
A música desta época era maioritariamente música de câmara, de tipo secular, desenvolvida com vários instrumentos entre os quais se destacam o shamisen (alaúde de três cordas), o shakuhachi (flauta de bambu) e o koto (cítara de 13 cordas). O koto, principalmente, teve grande boom a partir do século XIX, sendo popularizado pelo músico cego Yatsushashi. Era tocado sozinho, com diversas variações (dan) de 52 compassos (hyoshi), ou acompanhado por voz (kumi).[111].
Entre as últimas tendências arquitetônicas, ocorreu uma grande diversidade de estilos e movimentos, como nas demais artes plásticas: na década de 1950, o chamado brutalismo surgiu paralelamente ao expressionismo abstrato, caracterizado por formas austeras, baseadas na pureza do material, priorizando a estrutura ao acabamento (Alison e Peter Smithson, Louis Kahn e Anne Tyng); o metabolismo japonês respondeu às necessidades de uma sociedade de massas, com grandes escalas, estruturas flexíveis e formas orgânicas (Kenzō Tange, Kishō Kurokawa); a arquitetura pop destacou o caráter urbano e as tipologias populares, tomando como referência os ambientes noturnos de Las Vegas, com suas luzes neon e cenografia decorativa (Robert Venturi, Denise Scott Brown); o chamado “projeto científico e estrutural” enfatizou as novas possibilidades da técnica, especialmente o uso de formas concretas e orgânicas (Félix Candela, Pier Luigi Nervi, Frei Otto, Jørn Utzon, Eero Saarinen, Richard Buckminster Fuller); Na década de 1960 surgiu a alta tecnologia, baseada nas possibilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, tanto a nível prático como estético (Norman Foster, Richard Rogers, Renzo Piano); Entre os anos de 1960 e 1970 surgiu o antidesign, oposto ao racionalismo e à primazia do design sobre a função social e cultural da arquitetura, representado pelo grupo inglês Archigram e pelos italianos Archizoom e Superstudio; Na década de 1970, o neo-racionalismo significou um retorno às premissas funcionalistas, representadas pelo grupo italiano Tendenza e pelos americanos Five Architects; Desde 1975, desenvolveu-se a arquitetura pós-moderna que, como nas outras artes, se baseia no ecletismo "Ecletismo (arte)") e na reinterpretação de estilos anteriores (James Stirling "James Stirling (arquiteto)"), Aldo Rossi, Ricardo Bofill, Arata Isozaki); Na década de 1980 ocorreu o desconstrutivismo, caracterizado pela fragmentação, pelo processo de projeto não linear e pela manipulação de estruturas (Frank Gehry, Peter Eisenman, Rem Koolhaas). Entre outros arquitetos contemporâneos, vale destacar também Jean Nouvel, Glenn Murcutt, Peter Zumthor, Jacques Herzog, Pierre de Meuron, Sverre Fehn, Ieoh Ming Pei, Zaha Hadid, Santiago Calatrava, Rafael Moneo, Luis Barragán, Álvaro Siza, etc.[134].
Nos primeiros anos do século, foram forjadas as bases da chamada arte de vanguarda: o conceito de realidade foi questionado por novas teorias científicas (a subjetividade do tempo de Bergson, a relatividade de Einstein, a mecânica quântica); A teoria da psicanálise de Freud também o influenciou. Por outro lado, as novas tecnologias fizeram com que a arte mudasse de função, uma vez que a fotografia e o cinema já eram responsáveis pela captação da realidade. Graças às coleções etnográficas fomentadas pelo colonialismo europeu, os artistas tiveram contacto com a arte de outras civilizações (africana, asiática, oceânica), o que proporcionou uma visão mais subjetiva e emocional da arte. Todos estes factores levaram a uma mudança de sensibilidade que se traduziu na procura do artista por novas formas de expressão.
• - Fauvismo (1905-1908): primeiro movimento de vanguarda[nota 18] do século, o Fauvismo envolveu a experimentação no campo da cor, que é concebida de forma subjetiva e pessoal, aplicando valores emocionais e expressivos, independentes da natureza. Destacam-se Henri Matisse, Albert Marquet, Raoul Dufy, André Derain, Maurice de Vlaminck e Kees van Dongen.
• - Expressionismo (1905-1923): surgido como reacção ao impressionismo, os expressionistas defendiam uma arte mais pessoal e intuitiva, onde a visão interior do artista - a "expressão" - predominava sobre a representação da realidade - a "impressão" -, reflectindo nas suas obras uma temática pessoal e íntima com gosto pelo fantástico, deformando a realidade para acentuar o carácter expressivo da obra. Com precedentes nas figuras de Edvard Munch e James Ensor, formou-se principalmente em torno de dois grupos: Die Brücke (Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde) e Der Blaue Reiter (Vasili Kandinski, Franz Marc, August Macke, Paul Klee). Outros expoentes foram o Grupo de Viena (Egon Schiele, Oskar Kokoschka) e a Escola de Paris "Escola de Paris (arte)") (Amedeo Modigliani, Marc Chagall, Georges Rouault, Chaïm Soutine). Figuras individuais seriam: José Gutiérrez Solana, Constant Permeke, Cândido Portinari, Oswaldo Guayasamín, etc. O grupo da Nova Objetividade (George Grosz, Otto Dix, Max Beckmann) também costuma ser considerado uma derivação do expressionismo. No México teve expressão no muralismo de José Clemente Orozco, Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros[135] e Rufino Tamayo, e influenciou a obra de Frida Kahlo. Ernst Barlach, Wilhelm Lehmbruck e Käthe Kollwitz destacaram-se na escultura.
• - Cubismo (1907-1914): este movimento baseou-se na deformação da realidade através da destruição da perspectiva espacial de origem renascentista, organizando o espaço segundo uma trama geométrica, com visão simultânea de objetos, uma gama de cores frias e opacas, e uma nova concepção da obra de arte, com a introdução da colagem. A principal figura deste movimento foi Pablo Picasso, um dos grandes gênios do século, junto com Georges Braque, Jean Metzinger, Albert Gleizes, Juan Gris e Fernand Léger, além de Alexander Archipenko, Jacques Lipchitz, Pablo Gargallo e Julio González na escultura. Uma derivação do Cubismo foi o Orfismo "Orfismo (arte)") de Robert Delaunay, bem como o Raionismo Russo, uma síntese do Cubismo, Futurismo e Orfismo (Mikhail Larionov, Natalia Goncharova). Da mesma forma, o purismo #Purismo_do_século XX "Purismo (arte)") foi um movimento pós-cubista (Amédée Ozenfant, Le Corbusier).
• - Futurismo (1909-1930): movimento italiano que exaltou os valores do progresso técnico e industrial do século, destacando aspectos da realidade como movimento, velocidade e simultaneidade de ação. O futurismo aspirava a transformar o mundo, a mudar a vida, mostrando um conceito idealista e um tanto utópico da arte como força motriz da sociedade. Foi o primeiro movimento a ser proclamado com um manifesto (escrito por Filippo Tommaso Marinetti), marca dos futuros movimentos de vanguarda, que também denotava a inter-relação entre as diversas artes. Giacomo Balla e Gino Severini se destacam na pintura, e Umberto Boccioni na escultura.[136].
• - Arte abstrata (1910-1932): o conceito de realidade foi questionado por novas teorias científicas, e com o surgimento de novas tecnologias como a fotografia e o cinema, que já eram responsáveis pela captação da realidade, ocorreu a gênese da arte abstrata: o artista não tenta mais refletir a realidade, mas sim o seu mundo interior, para expressar seus sentimentos. A arte perde todos os aspectos reais e imitativos da natureza para se concentrar na simples expressividade do artista, em formas e cores que carecem de qualquer componente referencial. Iniciado por Vasili Kandinsky, foi desenvolvido pelo movimento neoplasticista (De Stijl), com figuras como Piet Mondrian e Theo Van Doesburg na pintura, e Georges Vantongerloo na escultura.
• - Construtivismo "Construtivismo (arte)") (1914-1930): surgido na Rússia revolucionária, foi um estilo politicamente comprometido que buscava através da arte realizar uma transformação da sociedade, através de uma reflexão sobre formas artísticas puras concebidas a partir de aspectos como o espaço "Espaço (física)") e o tempo, o que gerou uma série de obras em estilo abstrato, com tendência à geometrização. Destacam-se Vladimir Tatlin, Lissitzky, Anton Pevsner e Naum Gabo. Uma variante foi o suprematismo de Kasimir Malevich.
• - Dadaísmo (1916-1922): movimento de reação aos desastres da guerra, o dadaísmo representou uma abordagem radical do conceito de arte, que perdeu qualquer componente baseado na lógica e na razão, reivindicando a dúvida, o acaso e o absurdo da existência. Isto traduz-se numa linguagem subversiva, onde tanto os temas como as técnicas tradicionais da arte são questionados, experimentando novos materiais e novas formas de composição, como a colagem, a fotomontagem e o ready-made. Destacam-se Hans Arp, Francis Picabia, Kurt Schwitters e Marcel Duchamp.
• - Surrealismo (1924-1955): com claro precedente na pintura metafísica (Giorgio de Chirico, Carlo Carrà), o surrealismo[nota 19] dá especial ênfase à imaginação, à fantasia, ao mundo dos sonhos, com forte influência da psicanálise, percebida em seu conceito de "escrita automática", por meio da qual tentam se expressar libertando a mente de quaisquer amarras racionais, mostrando a pureza do inconsciente. A pintura surrealista transitou entre a figuração (Salvador Dalí, Paul Delvaux, René Magritte, Max Ernst) e a abstração (Joan Miró, André Masson, Yves Tanguy). Na escultura destacam-se Henry Moore, Constantin Brâncuşi, Alberto Giacometti e Alexander Calder.[137].
Desde a Segunda Guerra Mundial, a arte vivenciou uma dinâmica evolutiva vertiginosa, com estilos e movimentos que se sucedem cada vez mais rapidamente ao longo do tempo. O projeto moderno que se originou com a vanguarda histórica atingiu o seu ápice com vários estilos antimateriais que destacaram a origem intelectual da arte em detrimento de sua realização material, como a action art e a arte conceitual. Atingido este nível de prospecção analítica da arte, ocorreu o efeito contrário - como é habitual na história da arte, onde os vários estilos se confrontam e se opõem, o rigor de uns sucede ao excesso de outros, e vice-versa -, regressando às formas clássicas de arte, aceitando a sua componente material e estética, e renunciando ao seu carácter revolucionário e transformador da sociedade. Surgiu assim a arte pós-moderna, onde o artista transita descaradamente entre diversas técnicas e estilos, sem caráter vingativo, retornando ao trabalho artesanal como essência do artista. Por fim, devemos destacar no final do século o aparecimento de novas técnicas e suportes no campo da arte: vídeo, computação, internet, laser, holografia, etc.[138].
• - Informalismo (1945-1960): conjunto de tendências baseadas na expressividade do artista, renunciando a qualquer aspecto racional da arte (estrutura, composição, aplicação preconcebida de cor). É uma arte eminentemente abstracta, onde o suporte material da obra ganha relevância, assumindo lugar de destaque sobre qualquer tema ou composição. Inclui diversas correntes como o tachismo, a arte bruta e a pintura material. Destacam-se Georges Mathieu, Hans Hartung, Jean Fautrier, Jean Dubuffet, Lucio Fontana, etc. Na Espanha surgiram os grupos El Paso "El Paso (grupo)") (Antonio Saura, Manolo Millares) e Dau al set (Antoni Tàpies, Modest Cuixart). Na escultura merecem destaque Jorge Oteiza e Eduardo Chillida. Nos Estados Unidos, desenvolveu-se o expressionismo abstrato - também chamado de action painting -, caracterizado pelo uso da técnica dripping, o gotejamento de tinta sobre a tela, sobre a qual o artista intervia com diversos utensílios ou com o próprio corpo. Seus membros incluem Jackson Pollock, Mark Rothko, Franz Kline e Willem de Kooning.
• - Nova figuração (1945-1960): como reacção à abstracção informalista, surge um movimento que recupera a figuração, com uma certa influência expressionista e com total liberdade de composição. Embora se baseassem na figuração, isso não significa que fosse realista, mas sim que pudesse ser deformada ou esquematizada ao gosto do artista. A filosofia existencialista e a sua visão pessimista do ser humano tiveram uma influência decisiva na génese deste estilo e estiveram ligadas ao movimento beat e aos jovens furiosos. Entre suas figuras podemos citar Francis Bacon "Francis Bacon (pintor)"), Lucian Freud, Bernard Buffet, Nicolas de Staël e os integrantes do grupo CoBrA (Karel Appel, Asger Jorn, Corneille e Pierre Alechinsky), além de Germaine Richier e Fernando Botero na escultura.
• - Arte cinética (desde 1950): também chamada de op-art (arte óptica), é um estilo que dá ênfase ao aspecto visual da arte, especialmente aos efeitos ópticos, que são produzidos quer por ilusões de óptica (figuras ambíguas, imagens persistentes, efeito moiré), quer através de movimentos ou jogos de luz. É uma arte composicional abstrata, mas racional, diferente do informalismo. Destacam-se Victor Vasarely, Jesús Rafael Soto, Yaacov Agam, Julio Le Parc, Eusebio Sempere, etc.
• - Pop art (1955-1970): surgiu nos Estados Unidos como um movimento de rejeição do expressionismo abstrato, abrangendo uma série de autores que regressaram à figuração, com marcada componente de inspiração popular, retirando imagens do mundo da publicidade, da fotografia, da banda desenhada e dos meios de comunicação de massa. Com precedente no chamado Novo Dadá (Robert Rauschenberg, Jasper Johns), Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Tom Wesselmann, James Rosenquist, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton "Richard Hamilton (artista)") e, na escultura, Claes Oldenburg, destacaram-se na pop art.
• - Novo realismo (1958-1970): movimento francês inspirado no mundo da realidade circundante, no consumismo e na sociedade industrial, dos quais extraem – ao contrário da pop art – o seu aspecto mais desagradável, com especial predileção pelos materiais tríticos. Seus representantes foram Arman, César Baldaccini, Yves Klein, Jean Tinguely, Piero Manzoni, Daniel Spoerri, Niki de Saint Phalle, etc. Klein e Manzoni foram antecedentes da arte conceitual: Klein com suas antropometrias e suas cosmogonias (pinturas expostas aos elementos: fogo, chuva) ou com sua exposição Vacío (1958, Galeria Iris Clert), onde vendeu o espaço vazio de um galeria; e Manzoni embalando seus excrementos em uma lata (Merda d'artista, 1961).
• - Action art (desde 1960): são diversas tendências baseadas no ato de criação artística, onde o importante não é a obra em si, mas o processo criativo, no qual, além do artista, intervém frequentemente o público, com uma grande componente de improvisação. Abrange diversas manifestações artísticas como happening, performance, ambiente, instalação, etc. Suas figuras incluem Joseph Beuys, Allan Kaprow, Wolf Vostell, Yoko Ono, Nam June Paik e os grupos Fluxus e Gutai.
• - Minimalismo (1963-1980): com precedente na Nova Abstração ou Abstração Pós-Pictorial (Barnett Newman, Frank Stella, Ellsworth Kelly, Kenneth Noland), o minimalismo foi um movimento que representou um processo de desmaterialização que levaria à arte conceitual. São obras de carácter abstracto, de marcada simplicidade, reduzidas a um motivo mínimo, refinadas à abordagem inicial do autor, base sobre a qual este teria desenvolvido a ideia que, no entanto, é captada na sua fase inicial. Destacaram-se os pintores Robert Mangold e Robert Ryman, e os escultores Carl Andre, Dan Flavin, Donald Judd e Sol LeWitt.
• - Hiperrealismo (desde 1965): como reacção ao minimalismo, surgiu esta nova corrente figurativa, caracterizada pela sua visão superlativa e exagerada da realidade, que é captada com grande precisão em todos os seus detalhes, com um aspecto quase fotográfico. Destacam-se Chuck Close, Richard Estes, Don Eddy, John Salt, Ralph Goings, Antonio López García e, na escultura, George Segal “George Segal (artista)”), famoso pelas suas figuras humanas em gesso.
• - Arte conceitual (1965-1980): após o despojamento material do minimalismo, a arte conceitual renunciou ao substrato material para focar no processo mental da criação artística, afirmando que a arte está na ideia, não no objeto. Inclui diversas tendências: arte conceitual linguística, a mais purista da conceitualidade, focada na relação arte-linguagem (Joseph Kosuth); arte povera, focada em instalações, geralmente feitas de materiais detríticos (Mario Merz, Jannis Kounellis); arte corporal, tendo o corpo humano como suporte (Gilbert e George, Dennis Oppenheim); a land-art, que utiliza a natureza como suporte, com uma marcada componente efémera (Christo, Walter De Maria, Robert Smithson, Richard Serra); a bioarte, que utiliza técnicas biológicas (Joe Davis, Estéfano Viu"), etc. Vários gêneros de demanda social como a arte feminista (Jenny Holzer, Barbara Kruger, Cindy Sherman, Judy Chicago) e a arte homoerótica (Paul Cadmus, Robert Mapplethorpe, Deborah Cherena") também poderiam ser enquadrados nesta corrente.
• - Novas tecnologias (desde 1965): o aparecimento de novas tecnologias desde a década de 1960 (televisão, vídeo, computação) significou uma grande revolução para a arte não só em termos de novos meios e materiais, mas também de novas formas de expressão que expandiram os limites da arte. A videoarte surgiu em 1965 com o aparecimento da primeira câmera de vídeo portátil (a Portapak da Sony). Nesta modalidade destaca-se não só a sua componente física – a emissão de imagens, geralmente no âmbito de instalações ou performances – mas também a mensagem inerente à imagem filmada, fundindo o mundo da comunicação com a cultura popular. Os expoentes desta modalidade são Nam June Paik, Dan Sandin"), Bill Viola, Tony Oursler, etc. Arte sonora (ou Arte áudio) baseia-se no som, seja natural, musical, tecnológico ou acústico, e é integrada na arte através de montagens, instalações, performances, videoarte, etc. (Laurie Anderson, Brian Eno). A informática e a Internet também têm sido um grande impulso para a arte, não apenas como suporte, mas pelas suas novas possibilidades criativas. e, sobretudo, pela sua vertente interactiva, assumindo uma nova forma de colaboração entre o artista e o público (Olia Lialina"), Heath Bunting"), Jake Tilson")).
• - Arte pós-moderna (desde 1975): ao contrário da chamada arte moderna, é a arte da pós-modernidade. Assumem o fracasso dos movimentos de vanguarda como o fracasso do projeto moderno: a vanguarda procurou eliminar a distância entre a arte e a vida, universalizar a arte; Já o artista pós-moderno é autorreferencial, a arte fala de arte, não pretende fazer trabalho social. Destacam-se artistas individuais como Jeff Koons, David Salle, Jean-Michel Basquiat, Keith Haring, Julian Schnabel, Eric Fischl, Miquel Barceló, etc.; ou também vários movimentos como a transvanguarda italiana (Sandro Chia, Francesco Clemente, Enzo Cucchi, Nicola De Maria, Mimmo Paladino), o neo-expressionismo alemão (Anselm Kiefer, Georg Baselitz, Jörg Immendorff, Markus Lüpertz, Sigmar Polke), o neomaneirismo, a figuração livre, etc.
Durante o processo de colonização iniciado pelas potências europeias no século XX, e especialmente com a ascensão dos meios de comunicação (rádio, televisão, internet) e o processo de globalização cultural produzido mundialmente, a arte padronizou-se progressivamente no sentido da universalização dos estilos, preservando em muitos locais as formas nativas e tradicionais, mas adquirindo um selo estilístico comum perceptível em vários pontos do planeta. As antigas formas artísticas baseadas em materiais e tipologias tradicionais abraçaram novas tecnologias e um novo sentido estético dominado por factores como a moda e a velocidade de difusão de vários movimentos artísticos.
Certas formas tradicionais de arte ainda persistem no continente africano, embora a colonização europeia tenha introduzido a arte ocidental, produzindo uma certa mistura de ambos os estilos. Em muitas partes de África a arte é marcada pela religião islâmica, enquanto noutras é mais cristã, mas as antigas formas animistas ainda persistem. O interesse pela arte africana na Europa levou à sua produção para fins de exportação, principalmente máscaras e esculturas ornamentais de ébano ou marfim. Entre os artistas mais notáveis estão Ashira Olatunde" (da Nigéria), Nicholas Mukomberanwa (do Zimbabué), Henry Tayali (da Zâmbia) e Eric Adjetey Anang (do Gana).
Na Índia, a arte abriu-se às formas vanguardistas em meados do século, como pode ser visto na intervenção de arquitectos estrangeiros como Le Corbusier em Chandigarh e Bangalore. Atualmente, a Índia vive um boom no campo da criação emergente e das artes plásticas contemporâneas, sendo o artista indiano mais requisitado o escultor Anish Kapoor, a par de nomes como Ram Kinker Baij, Sankho Chaudhuri, Ajit Chakravarti e Nek Chand.
O fim da era imperial marcou a modernização da China, que se tornou mais aberta à influência ocidental. O triunfo da revolução comunista impôs o realismo socialista como arte oficial, embora recentemente a nova política de abertura tenha favorecido a chegada das últimas tendências artísticas, ligadas às novas tecnologias. Em 1989, a exposição China/Avant-garde, na Galeria Nacional Chinesa em Pequim, teve grande ressonância, mostrando as últimas criações do momento, incluindo trabalhos pictóricos e fotografias, instalações e performances. Infelizmente, os acontecimentos de Tiananmen causaram um novo revés, até uma nova inauguração em 1992. Os artistas chineses contemporâneos mais relevantes são: Qi Baishi, Wu Guanzhong, Pan Yuliang, Zao Wou Ki e Wang Guangyi.
No Japão, o período Meiji (1868-1912) marcou uma profunda renovação cultural, social e tecnológica, abrindo-se mais ao exterior e começando a incorporar os novos avanços alcançados no Ocidente. A pintura apresentou então duas correntes: uma tradicional (Nihonga) e outra ocidentalista (Yōga). Na escultura existe também a dualidade tradição-vanguarda. Mais recentemente destaca-se a presença no campo da action art do grupo Gutai, que assimilou a experiência da Segunda Guerra Mundial através de ações repletas de ironia, com grande sentimento de tensão e agressividade latente. Artistas proeminentes do Japão contemporâneo são: Tsuguharu Foujita, Kuroda Seiki, Tarō Okamoto, Chuta Kimura, Leiko Ikemura, Michiko Noda, Yasumasa Morimura, Yayoi Kusama, Yoshitaka Amano, Shigeo Fukuda, Shigeko Kubota, Yoshitomo Nara, Isamu Noguchi e Etsuro Sotoo.
No século as artes decorativas tiveram uma rápida evolução, marcada pela utilização de novos materiais e tecnologias mais avançadas, e com uma clara aposta no design como base criativa, destacando-se o aspecto intelectual destas criações face à mera realização material tradicionalmente concedida ao artesanato. A grande revitalização desta atividade artística veio do art déco,[nota 20] movimento surgido na França em meados da década de 1920 que representou uma revolução para o design de interiores e para as artes gráficas e industriais. Este estilo caracterizou-se pela predileção pelas linhas curvas e flores simétricas nas artes gráficas, e pelas formas quadradas e geométricas no mobiliário e decoração de interiores. Voltado principalmente para um público burguês, destacou-se pela ostentação e luxo, e desenvolveu-se notadamente na ilustração publicitária (Erté) e no design de cartazes (Cassandre). Art Déco também ocorreu na arquitetura (Edifício Chrysler de William van Alen) e na pintura (Tamara de Lempicka, Santiago Martínez Delgado).
Outro grande avanço no campo do design ocorreu com a Bauhaus, que, frente à ornamentação excessiva do art déco, introduziu um conceito de design mais racional e funcional, mais adaptado às reais necessidades das pessoas. Esta instituição pretendia quebrar as barreiras entre a arte e o artesanato, com uma clara aposta na produção industrial. O seu design baseou-se na simplicidade, na abstracção geométrica e na utilização de cores primárias e novas tecnologias, como ficou evidente nos móveis tubulares de aço criados por Marcel Breuer, ou nos candeeiros desenhados por Marianne Brandt. Nesta escola destacaram-se criadores como László Moholy-Nagy, Oskar Schlemmer, Johannes Itten, Paul Klee, Josef Albers, etc. Da mesma forma, o grupo neoplasticista De Stijl desenvolveu um estilo de interiores baseado na simplicidade, formas geométricas e cores primárias, como a famosa cadeira vermelha e azul de Gerrit Thomas Rietveld (1923). Desde então, o design industrial e de interiores continuou no caminho da criação intelectual e do design funcional, com um aumento progressivo na experimentação de novos materiais (plástico, fibra de vidro), atendendo às necessidades do mercado sem abrir mão do processo de modernização da sociedade, o que gerou uma linha chamada styling (representada principalmente por Raymond Loewy).[141].
Ao longo do século, a literatura teve – como o resto das artes – uma grande diversidade estilística, partindo de premissas anteriores e cânones clássicos em alguns casos, e rompendo com o passado e experimentando novas formas e estilos em outros. A vontade de inovação levou à procura da essência literária, de uma linguagem transcendente e metafísica, como é o caso da chamada “poesia pura” (Paul Valéry, William Butler Yeats, Ezra Pound, T. S. Eliot, Eugenio Montale, Fernando Pessoa, Konstantinos Kavafis). O principal campo de experimentação foi o da vanguarda artística: o futurismo destacou-se pelo desejo modernizador, exaltando os avanços técnicos, a velocidade, a ação, até a violência (teve contactos estreitos com o fascismo italiano), defendendo a destruição da sintaxe e a liberdade das palavras; Foi representado principalmente por Filippo Tommaso Marinetti e Vladimir Mayakovski. O cubismo buscou novas formas sintáticas, fragmentando os poemas e dando-lhes um aspecto gráfico, com fontes diferenciadas e aparecimento de sinais extralinguísticos, suprimindo os sinais de pontuação ("colagem linguística"), com destaque para Guillaume Apollinaire. O dadaísmo introduziu a anarquia na gênese literária, buscando deliberadamente uma linguagem caótica e absurda, que perde seu aspecto lógico e comunicativo, como na obra de Tristan Tzara. O expressionismo criticou a sociedade burguesa de sua época, o militarismo, a alienação do indivíduo na era industrial e a repressão familiar, moral e religiosa. A realidade não é mais imitada, não se analisam causas ou fatos, mas sim o autor busca a essência das coisas, mostrando sua visão particular. Destacaram-se Franz Kafka, Gottfried Benn, Alfred Döblin, Georg Heym, Franz Werfel, Georg Trakl e Rainer Maria Rilke. O surrealismo foi muito influenciado pela psicologia freudiana, evocando em suas obras o mundo do inconsciente, dos sonhos, da subjetividade, num estilo que buscava a associação inusitada de palavras, de metáforas oníricas e delirantes, o que se traduziu na técnica da "escrita automática". André Breton, Paul Éluard e Louis Aragon se destacaram.
No campo da narrativa, a amarga experiência bélica na guerra mundial provocou uma série de trabalhos de crítica à guerra, de reflexão, de introspecção psicológica, de busca de novos valores morais, com uma linguagem simbólica e metafórica; Isto é visto na obra de Marcel Proust, André Gide, François Mauriac, Thomas Mann, Hermann Hesse, etc. Mais tarde, surgiu um maior compromisso social, com obras denunciando os valores burgueses que levaram à guerra; Esta corrente é representada por André Malraux, Antoine de Saint-Exupéry, George Orwell e Aldous Huxley. Em contrapartida, há uma corrente mais inovadora, mais focada na técnica literária, no virtuosismo estilístico e no aprofundamento dos personagens, como podemos ver em James Joyce, Lawrence Durrell e Virginia Woolf. Nos Estados Unidos surgiu a chamada “geração perdida”, caracterizada também pela crítica social e pela busca de novos valores humanos: John Dos Passos, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck, William Faulkner, Gertrude Stein, Henry Miller e Ernest Hemingway.
A segunda metade do século foi marcada pelo ecletismo e pela diversidade de tendências, com uma certa continuidade de estilos anteriores, especialmente na poesia, onde autores como Jacques Prévert, Dylan Thomas e Wystan Hugh Auden criam poesia inconformista e intelectualizada. A narrativa é mais inovadora, caracterizada pela preocupação existencial e pelo compromisso social: Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Simone de Beauvoir, Jean Genet, Cesare Pavese, Italo Calvino, Alberto Moravia, etc. Na década de 1950, o nouveau roman ("novo romance") surgiu na França, focado na análise fria e objetiva da realidade (Alain Robbe-Grillet, Nathalie Sarraute). Naqueles anos houve um renascimento do “romance histórico”, com Marguerite Yourcenar, Robert Graves e Umberto Eco. Na Alemanha, surgiram escritores anticonvencionais como Peter Handke e Günther Grass, enquanto nos Estados Unidos surgiu a geração beat (Allen Ginsberg, William Burroughs, Jack Kerouac), bem como uma nova série de romancistas liderada por Truman Capote, J. D. Salinger e Norman Mailer. Outros grandes autores do século também merecem destaque: H. G. Wells, Rudyard Kipling, J. R. R. Tolkien, Salvatore Quasimodo, Nikos Kazantzakis, Halldór Laxness, Pär Lagerkvist, Mika Waltari, Jaroslav Hašek, Boris Pasternak, Mihail Šolohov, Aleksandr Solzhenitsyn, José Saramago, Sholem Asch, Rabindranath Tagore, Jalil Gibran, Naguib Mahfuz, Wen Yiduo, Yukio Mishima, Kenzaburo Oé, Wole Soyinka, Orhan Pamuk, etc.[142].
Na Espanha, a literatura do século começou com o chamado Noucentisme, representado por José Ortega y Gasset, Ramón Pérez de Ayala, Ramón Gómez de la Serna e Eugeni d'Ors. Mais tarde surgiu a Geração de 27, com um maior desejo vanguardista, que persegue o ideal da "poesia pura", com uma certa influência do surrealismo (Federico García Lorca, Rafael Alberti, Vicente Aleixandre, Pedro Salinas, Jorge Guillén, Dámaso Alonso, Gerardo Diego, Luis Cernuda, Miguel Hernández). Os anos da ditadura produzem uma cisão: por um lado, a literatura afeta o regime que exalta os valores nacionais (Luis Rosales, Leopoldo Panero); por outro, uma literatura desenraizada, de tom angustiado (Camilo José Cela, Ramón J. Sénder, Miguel Delibes, Gonzalo Torrente Ballester, Carmen Laforet, Ana María Matute). Na década de 1950 surgiu o realismo social, uma literatura mais comprometida que denuncia a injustiça e a falta de liberdade (Blas de Otero, Gabriel Celaya, León Felipe). Desde a década de 1970, uma nova vitalidade surgiu na literatura, com um desejo de reforma (os chamados "Novísimos" na poesia), destacando figuras como Manuel Vázquez Montalbán, Juan Marsé, Antonio Gala, José Hierro, Jaime Gil de Biedma, José Agustín Goytisolo, etc. Rodoreda, Josep Maria de Sagarra), galega (Celso Emilio Ferreiro, Ramón Otero Pedrayo, Alfonso Rodríguez Castelao, Álvaro Cunqueiro) e basca (Esteban Urkiaga, Gabriel Aresti, José Luis Álvarez Enparantza) desenvolveram literatura. Na América Latina destacam-se: Alfonsina Storni, Gabriela Mistral, Vicente Huidobro, César Vallejo, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Nicolás Guillén, Rómulo Gallegos, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Octavio Paz, Guillermo Cabrera Infante, Augusto Roa Bastos, Ernesto Sabato, Mario Benedetti, Isabel Allende, etc.[143].
O teatro do século teve uma grande diversificação de estilos, evoluindo paralelamente às correntes artísticas de vanguarda. Maior ênfase é dada à direção artística e à cenografia, ao caráter visual do teatro e não apenas ao literário. Há progresso na técnica interpretativa, com maior profundidade psicológica (método Stanislavski, Actors Studio de Lee Strasberg), e reivindicando gesto, ação e movimento. As três unidades clássicas são abandonadas e inicia-se o teatro experimental, com novas formas de fazer teatro e maior ênfase no espetáculo, regressando ao ritual e às manifestações de culturas antigas ou exóticas. Ganha cada vez mais destaque o encenador, que muitas vezes é o arquitecto de uma determinada visão da encenação (Vsevolod Meyerhold, Max Reinhardt, Erwin Piscator, Tadeusz Kantor).
Dentre os diversos movimentos teatrais vale destacar: o expressionismo (Georg Kaiser, Fritz von Unruh, Hugo von Hofmannsthal); o “teatro épico” (Bertolt Brecht, Peter Weiss, Rainer Werner Fassbinder); o “teatro do absurdo”, ligado ao existencialismo (Antonin Artaud, Eugène Ionesco, Samuel Beckett, Albert Camus); e os jovens raivosos, inconformistas e antiburgueses (John Osborne, Harold Pinter, Arnold Wesker). Outros autores notáveis são: George Bernard Shaw, Luigi Pirandello, Alfred Jarry, Tennessee Williams, Eugene O'Neill, Arthur Miller, John Boynton Priestley, Dario Fo, etc. Na Espanha destacam-se Federico García Lorca, Miguel Mihura, Alejandro Casona, Antonio Buero Vallejo, Alfonso Paso e Fernando Arrabal.
Desde a década de 1960, o teatro tem reagido contra o distanciamento do teatro épico, buscando uma comunicação dramática estabelecida através de ações reais que afetam o espectador (The Living Theatre, teatro-laboratório de Jerzy Grotowski, ações happening). Os novos realizadores acrescentaram a este “teatro da provocação” uma consciência estilística baseada na cerimónia, no entretenimento e no exibicionismo (Peter Brook, Giorgio Strehler, Luca Ronconi). A linguagem oral é assim duplicada pela visual, e a arte dramática recupera de certa forma a sua antiga ambição de “teatro total”. Isto é evidente em vários grupos espanhóis, como Els Joglars, Els Comediants e La Fura dels Baus, ou no grupo canadense Cirque du Soleil.[144].
No campo musical, a transição do século foi marcada pelo pós-romantismo de Richard Strauss, Gustav Mahler e Aleksandr Skriabin, entrando posteriormente no campo das vanguardas artísticas: o cubismo tendia à desumanização, à esquematização e às construções lineares, sem ornamentos (Erik Satie); O expressionismo procurou separar-se dos fenómenos objetivos externos, sendo um instrumento exclusivamente da atividade criativa do compositor e refletindo principalmente o seu estado emocional, fora de todas as regras e convenções (Darius Milhaud, Francis Poulenc, Arthur Honegger); o futurismo experimentou os ruídos e sons da natureza e da vida cotidiana (Luigi Russolo, Edgar Varèse); o neoclassicismo – ligado na Rússia ao realismo socialista, também chamado de “sinfonismo soviético” – recuperou as formas clássicas, mas reinterpretando-as, e sem renunciar aos novos avanços vanguardistas (Carl Orff, Gustav Holst, Igor Stravinsky, Sergei Prokofiev, Dmitri Shostakovich, Sergei Rachmaninov); O dodecafonismo era um sistema baseado nos doze tons da escala cromática, que eram utilizados em qualquer ordem, mas em série, sem repetir uma nota antes de as outras serem tocadas, evitando polarização, atração por centros tonais (Arnold Schönberg, Alban Berg, Anton von Webern); Da mesma forma, o ultracromatismo expandiu a escala musical para graus inferiores a um semitom – quartos ou sextos de tom – (Alois Hába, Ferruccio Busoni); A Nova Objetividade proporcionou uma visão mais realista e social da música, dando origem ao conceito de Gebrauschmusik (“música utilitária”), baseado no conceito de consumo de massa para produzir obras de construção simples e acessíveis a todos (Paul Hindemith, Kurt Weill).
Desde meados do século, a experimentação e a diversidade de conceitos musicais continuaram, produzindo novas técnicas e efeitos sonoros, como a música electrónica de Karlheinz Stockhausen; a música concreta de Pierre Schaeffer e Pierre Henry; o serialismo de Olivier Messiaen, Luigi Dallapiccola, Pierre Boulez e Luis de Pablo; o polystyling de Luciano Berio; os “reinos sonoros” de Luigi Nono; a música aleatória de John Cage, Charles Ives, Witold Lutoslawski e Cristóbal Halffter; o neotonalismo de Arvo Pärt e Henryk Górecki; a “música estatística” de Iannis Xenakis, Krzysztof Penderecki e György Ligeti; o minimalismo de Philip Glass; e a new age "New age (music)") de Michael Nyman e Wim Mertens.[145].
A ópera do século manteve em vigor o repertório anterior, que continua a ser apresentado com sucesso nos melhores teatros e auditórios do mundo, enquanto a nível produtivo, embora tenha havido uma produção copiosa e excelente, as inovações produzidas neste campo não tiveram grande sucesso entre o público maioritário. No início do século, o verismo italiano continuou num chamado "pós-verismo" representado principalmente por Riccardo Zandonai (Francesca da Rimini, 1914; Giulietta e Romeo "Giulietta e Romeo (Zandonai)"), 1922). O pós-romantismo contou com a grande figura de Richard Strauss (Salomé "Salomé (ópera)"), 1905; Ariadne em Naxos, 1912). O neoclassicismo deixou obras como Édipo Rex "Édipo Rex (ópera)") (1925), de Igor Stravinsky; Lady Macbeth de Mtsensk "Lady Macbeth de Mtsensk (ópera)") (1936), de Dmitri Shostakovich; e Guerra e Paz "Guerra e Paz (ópera)") (1946), de Sergei Prokofiev. No nível vanguardista, destacaram-se o expressionismo e o dodecafonismo: Moses and Aaron (1926), de Arnold Schönberg; Wozzeck (1925) e Lulú "Lulú (ópera)") (1935), de Alban Berg; Jonny spielt auf (1927), de Ernst Krenek. Mais recentemente, destaca-se a obra de Benjamin Britten, de grande valor dramático (Peter Grimes, 1945; Sonho de uma noite de verão "Sonho de uma noite de verão (ópera)"), 1961; Morte em Veneza "Morte em Veneza (ópera)"), 1973). Outros expoentes são: Kurt Weill (Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny, 1930), George Gershwin (Porgy e Bess, 1935), Paul Hindemith (Matías o pintor, 1938), Francis Poulenc (Les mamelles de Tirésias, 1947), Gian Carlo Menotti (O médium, 1946; O telefone, 1947; O cônsul, 1950), Alberto Ginastera (Bomarzo "Bomarzo (Ginastera)"), 1967), etc.
A música popular também tem sido muito importante, o que gerou vários estilos musicais como jazz, soul, blues, rock, pop, heavy, punk, reggae, rap, ska, etc. No século, shows musicais também tiveram um grande boom, como cabaret e music hall, enquanto a trilha sonora do filme ganhou cada vez mais destaque (John Williams "John Williams (compositor)", Ennio Morricone, Henry Mancini, Andrew Lloyd Webber, Leonard Bernstein, Maurice Jarre, Vangelis, Nino Rota). A vertente consumista da civilização atual, o aparecimento de novas tipologias (rádio “Rádio (meio de comunicação)”), música ambiente, videoclips) e a introdução de novos suportes de gravação musical (disco de vinil, cassete, compact disc, formatos de áudio de computador, mp3) têm favorecido a popularização da música, que se tornou um aspecto indispensável do lazer moderno, com a proliferação de concertos e recitais, e autênticos fenómenos de massa em torno de vários grupos e intérpretes. (Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Michael Jackson, Madonna, etc.). Nos últimos tempos, a indústria fonográfica tem sofrido um declínio progressivo devido aos downloads ilegais na Internet, facto que tem gerado uma forte polémica que ainda persiste.[146].
A dança contemporânea recomeçou com a liderança do balé russo adquirida no final do século: Mihail Fokin deu mais importância à expressão do que à técnica; Sua obra Chopiniana (1907) inauguraria o "balé atmosférico" - só dança, sem enredo. Sergei Diágilev foi o arquiteto do grande triunfo dos Balés Russos em Paris, introduzindo a dança nas correntes de vanguarda: seu primeiro grande sucesso foi obtido com as Danças Polovtsianas do Príncipe Igor de Borodin (1909), seguidas por O Pássaro de Fogo (1910), Petrushka (1911) e A Sagração da Primavera (Ballet)") (1913), de Stravinsky; por fim, Parade (1917) foi um marco na vanguarda, com música de Erik Satie, coreografia de Léonide Massine, libreto de Jean Cocteau e cenários de Pablo Picasso. Os bailarinos Vaslav Nijinsky, Anna Pavlova e Tamara Karsavina se destacaram no grupo de Diaghilev. Surgiram Nureyev e Mihail Baryshnikov, e foram produzidas obras memoráveis como Romeu e Julieta "Romeu e Julieta (Prokofiev)") (1935) e Cinderela (1945), de Prokofiev, e Spartacus (1957), de Aram Jachaturian. O sistema pedagógico idealizado por Agrippina Vagánova também alcançou notoriedade.
A dança expressionista marcou uma ruptura com o ballet clássico, procurando novas formas de expressão baseadas na liberdade do gesto corporal, libertadas dos constrangimentos da métrica e do ritmo, onde a auto-expressão corporal e a relação com o espaço se tornam mais relevantes. Seu principal teórico foi o coreógrafo Rudolf von Laban, que criou um sistema que buscava integrar corpo e alma, dando ênfase à energia que os corpos emanam, e analisando o movimento e sua relação com o espaço. Este novo conceito seria capturado pela dançarina Mary Wigman. De forma independente, a grande figura do início do século foi Isadora Duncan, que introduziu uma nova forma de dançar, inspirada nos ideais gregos, mais aberta à improvisação e à espontaneidade.
No período entre guerras destacaram-se as escolas francesa e britânica, bem como a ascensão dos Estados Unidos. Em França, o Ballet da Ópera de Paris regressou ao esplendor da era romântica, graças sobretudo ao trabalho de Serge Lifar, Roland Petit e Maurice Béjart. Na Grã-Bretanha destacaram-se figuras como Marie Rambert, Ninette de Valois, Frederick Ashton, Antony Tudor, Kenneth MacMillan, Margot Fonteyn, etc. Nos Estados Unidos, onde havia pouca tradição, um elevado nível de criatividade e profissionalização foi alcançado em pouco tempo, graças, em primeiro lugar, a pioneiras como Ruth Saint Denis, Martha Graham, Doris Humphrey e Agnes De Mille. O russo George Balanchine – oriundo da companhia de Diaghilev – ali se estabeleceu em 1934, onde fundou a School of American Ballet, e produziu espetáculos que o tornaram reconhecido como um dos melhores coreógrafos do século. Nas décadas de 1950 e 1960, destacou-se a atividade inovadora de Merce Cunningham, que, influenciado pelo expressionismo abstrato e pela música aleatória de John Cage, introduziu a dança baseada no acaso, no caos e na aleatoriedade (coreografia do acaso). Outro grande marco da época foi West Side Story (1957) de Jerome Robbins.
Com Paul Taylor, a dança entrou no reino do pós-modernismo, com um manifesto inicial no seu Dueto (1957), onde permaneceu imóvel ao lado de um pianista que não tocava piano. A dança pós-moderna introduziu o comum e o cotidiano, os corpos comuns comparados aos estilizados dos bailarinos clássicos, com uma mistura de estilos e influências, do oriental ao folclórico, incorporando até movimentos de aeróbica e kickboxing. Outros coreógrafos pós-modernos incluíram Glen Tetley, Alvin Ailey e Twyla Tharp. Nas últimas décadas do século destacaram-se coreógrafos como William Forsythe "William Forsythe (coreógrafo)") e Mark Morris, bem como a escola holandesa, representada por Jiří Kylián e Hans van Manen, e onde também treinou o espanhol Nacho Duato. Ao nível das danças populares, ao longo do século houve uma grande diversidade de estilos, entre os quais podemos destacar: foxtrot "Foxtrot (dança)"), Charleston, sapateado, cha-cha, tango, bolero, pasodoble, rumba, samba "Samba (dança de salão)"), conga "Conga (dança)"), merengue "Merengue (dança)"), salsa "Salsa (dança)"), twist "Twist (dance)"), rock and roll "Rock ’n’ roll (dance)"), moonwalk "Moonwalk (dance)"), hustle "Hustle (dance)"), break dance, etc.[147].
Durante o século, o uso da fotografia expandiu-se significativamente, uma vez que as contínuas melhorias técnicas nas câmeras portáteis permitiram o uso generalizado desta técnica a nível amador. A sua presença foi essencial em revistas e jornais, tendo os meios de comunicação social assumido um papel predominante na cultura visual do século. Durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra seguinte, nasceu o jornalismo fotográfico, originalmente na Alemanha, com revistas como Berliner Illustrierte Zeitung e Münchner Illustrierte Presse"), com destaque para o trabalho de Erich Salomon e Stefan Lorant"), criadores da "reportagem fotográfica". Logo essa forma de fotojornalismo se espalhou pelo mundo, motivada pelo surgimento de uma nova câmera – a Leica (1925) – com lentes intercambiáveis e rolos de 36 fotos. Em 1947, apareceu a Polaroid, filme instantâneo. No século, a fotografia também esteve intimamente ligada à moda e à publicidade.
A fotografia foi totalmente integrada nos movimentos de vanguarda: assim, os fotógrafos expressionistas alemães (August Sander, Karl Blossfeldt, Albert Renger-Patzsch) criaram um tipo de fotografia baseado na nitidez da imagem e na utilização da luz como meio expressivo, modelando formas e realçando texturas. Esse tipo de fotografia teve importante ressonância internacional, gerando movimentos paralelos como o francês photographie pure e o americano straight photography. O futurismo italiano esteve ligado à fotografia em movimento (fotodinamismo), representada por Anton Giulio Bragaglia. Na Grã-Bretanha surgiu o Vorticismo, ligado ao Cubismo, destacado por Alvin Langdon Coburn. Com a Revolução Soviética, o realismo socialista prevaleceu na Rússia, com a figura predominante de Aleksandr Rodchenko. Nos Estados Unidos, Alfred Stieglitz fundou a Photo-Secession, que mostrava a vida urbana com emoção artística e estava ligada a movimentos como o dadaísmo. Neste último, Man Ray se destacou, tirando fotografias sem câmera, colocando objetos sobre o filme e expondo-os à luz por alguns segundos, criando imagens ambíguas entre a figuração e a abstração. Outra inovação do dadaísmo foram as fotomontagens, como as criadas por John Heartfield e Hannah Höch. Finalmente, o surrealismo introduziu na fotografia o mundo do inconsciente, dos sonhos, das imagens oníricas (Eugène Atget, Jacques-André Boiffard, Raoul Ubac).
No período entre guerras surgiu uma série de fotógrafos que retrataram a dureza da realidade envolvente, sobretudo após a crise económica de 1929, como Lewis Hine, Margaret Bourke-White e Dorothea Lange. Desde a Segunda Guerra Mundial, a fotografia continuou ligada ao jornalismo – especialmente com o surgimento de agências como a Magnum – bem como à fotografia documental, predominando o realismo fotográfico. Também tem estado fortemente ligado às últimas tendências artísticas, especialmente à pop art, ao hiperrealismo e à arte conceptual. Entre os fotógrafos mais famosos deste século estão: Werner Bischof, Brassaï, René Burri, Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Agustí Centelles, Imogen Cunningham, Robert Doisneau, Robert Frank, Raoul Hausmann, André Kertész, William Klein, Alberto Korda, Jacques-Henri Lartigue, Annie Leibovitz, Dora Maar, Inge Morath, Helmut Newton, Irving Penn, Joe Rosenthal, Sebastião Salgado, Jeanloup Sieff, William Eugene Smith, Emmanuel Sougez, Otto Steinert, Gerda Taro, Spencer Tunick, Edward Weston, etc. Desde 1990, data do aparecimento da fotografia digital, a criação fotográfica tem estado fortemente ligada às novas tecnologias, preferencialmente programas de design informático e de retoque fotográfico, como o Photoshop.[148].
Uma das grandes revoluções artísticas e audiovisuais do século foi o cinema: desde a invenção do cinematógrafo em 1895 pelos irmãos Lumière, o cinema teve uma rápida evolução, tanto artística como tecnológica, que o transformou num verdadeiro fenómeno de massa, sendo rapidamente considerado a "sétima arte". dimensão, o tempo, a sucessão cronológica dos acontecimentos, onde a montagem assume um papel relevante Nos seus primórdios, o cinema era mudo, sem som, facto que não impediu a criação de uma autêntica gramática visual que constituiu a base principal da narração cinematográfica. Com a incorporação de elementos retirados do teatro, como cenários e efeitos especiais – processo iniciado por Georges Méliès – o cinema atingiu um grau de artisticidade autêntica em termos de vertente produtiva, o cinema teve uma primeira e rápida implementação nos Estados Unidos. Estados Unidos, onde foi forjada uma poderosa indústria cinematográfica que se cristalizaria em Hollywood. Alguns dos primeiros gênios do cinema surgiram lá: Edwin S. Porter, o primeiro a filmar cenas de tomada reversa, David Wark Griffith, que introduziu a edição narrativa e os efeitos de iluminação, além de introduzir a psicologia na interpretação;
Os próximos passos do cinema caminham paralelamente à vanguarda artística da época: o cinema expressionista alemão introduziu um estilo subjetivista que oferecia nas imagens uma deformação expressiva da realidade, traduzida em termos dramáticos através da distorção de cenários e maquiagens, bem como de efeitos de luz, e a consequente recriação de atmosferas aterrorizantes ou, pelo menos, perturbadoras. Destacam-se Robert Wiene, Friedrich Wilhelm Murnau, Fritz Lang, Georg Wilhelm Pabst, Josef von Sternberg e Ernst Lubitsch. Na França, tanto o Impressionismo quanto o Surrealismo se refletiram na cinematografia: o primeiro foi traduzido em obras de alto conteúdo intelectual e moral, com temas refinados e grande simplicidade estilística, e um naturalismo oposto à artificialidade expressionista, com recursos como flou e flashback; foi representado por Louis Delluc, Abel Gance e Jean Epstein. O cinema surrealista foi um reflexo fiel da natureza onírica deste movimento, com obras onde predominava uma certa atmosfera de sonho, de delírio, senão de loucura; Salvador Dalí e Luis Buñuel foram os seus melhores representantes. O cubismo também se refletiu na experimentação rítmico-plástica do Mechanical Ballet (1924) de Fernand Léger. Alguns filmes abstratos foram até feitos, obra de diretores como Viking Eggeling") (Sinfonia Diagonal, 1921), Hans Richter "Hans Richter (pintor)") (Rythmus, 1921), Oskar Fischinger (Composição em Azul, 1927) e Germaine Dulac (Arabesco, 1930). Uma das grandes contribuições para o cinema mudo foi a do cinema soviético: consciente do valor informativo da nova arte, os líderes revolucionários russos promoveram a indústria cinematográfica, que atingiria níveis elevados com o trabalho de Sergei Eisenstein, Lev Kuleshov, Dziga Vertov, Vsevolod Pudovkin, Aleksandr Dovzhenko, etc.
Em 1926 foi introduzido o som, com o filme Don Juan "Don Juan (1926)"), ao qual se seguiu no ano seguinte The Jazz Singer, ambos de Alan Crosland"). Esta novidade levou, por um lado, à melhoria dos guiões, que poderiam ser mais ricos em diálogos - o que levou a novos registos interpretativos por parte dos actores - e, por outro lado, à introdução da música, que seria essencial para acompanhar inúmeras cenas. O próximo avanço tecnológico foi a introdução de cor em 1935 com Vanity Fair, de Rouben Mamoulian Esta foi a época de ouro do cinema americano, com diretores como King Vidor, Frank Capra, John Ford, William Wyler, Elia Kazan, George Cukor, Billy Wilder, Cecil B. DeMille, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Michael Curtiz, Raoul Walsh, Orson Welles, etc. naturalismo", caracterizado pela simbiose entre o realismo descritivo e a linguagem poética, representada por Jean Vigo, René Clair e Jean Renoir; e a nouvelle vague, influenciada pelo existencialismo, de natureza anti-intelectual, dando origem ao chamado "cinema de autor" (Claude Chabrol, François Truffaut, Alain Resnais, Jean-Luc Godard). Alimentava a realidade estrita, com trabalhos de denúncia social geralmente realizados na classe trabalhadora. e ambientes rurais; os notáveis foram Luchino Visconti, Roberto Rossellini, Vittorio de Sica, Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini. Na Grã-Bretanha, foi produzido o cinema livre, caracterizado por uma estética realista e temas de compromisso social (Lindsay Anderson, Tony Richardson, Karel Reisz e Victor Sjöström). Saura, etc.
Em meados do século, a cinematografia dos países não ocidentais começou a ganhar importância, proporcionando novas formas de compreender o cinema e maior frescura tanto nas temáticas como nas particularidades estéticas. No Brasil foi produzida uma escola (cinema nôvo) que reuniu o legado folclórico com a denúncia social: Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Vítor Lima Barreto "Lima Barreto (diretor)"). Em Cuba, o impulso revolucionário favoreceu a criação de uma indústria de carácter documental mas de grande qualidade estética (Humberto Solás, Tomás Gutiérrez Alea). A cinematografia mexicana (Juan Bustillo Oro, Emilio Fernández) e argentina (Hugo del Carril, Leopoldo Torre Nilsson, Mario Soffici) também se destacou. No Japão, a tecnologia moderna foi combinada com temas tradicionais, com um sentido estético particular que deu grande importância ao lirismo visual (Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Nagisa Ōshima). Outra cinematografia emergente é a africana e islâmica (especialmente no Irão com Abbas Kiarostami). Na Índia, criou-se uma forte indústria cinematográfica que se chama Bollywood - emulando a meca do cinema americano mas com B, de Bombaim -, com preferência por temas mitológicos e pela presença de música e dança tradicionais, com destaque para Satyajit Ray, Raj Kapoor, Farah Khan e Sanjay Leela Bhansali.
Nas últimas décadas do século, a produção cinematográfica oscilou entre o cinema comercial e o cinema de arte, destacando-se o trabalho de diretores como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Adolfo Aristarain, Bernardo Bertolucci, Tim Burton, Mario Camus, Francis Ford Coppola, Constantin Costa-Gavras, Brian De Palma, Clint Eastwood, Miloš Forman, José Luis Garci, John Huston, Stanley Kubrick, Ang Lee, David Lynch, George Lucas, Joseph L. Mankiewicz, Vincente Minnelli, Max Ophüls, Roman Polanski, Sydney Pollack, Otto Preminger, Carol Reed, Arturo Ripstein, Martin Scorsese, Ridley Scott, Steven Spielberg, Oliver Stone, Andréi Tarkovski, Guillermo del Toro, Fernando Trueba, Andrzej Wajda, Wim Wenders, Zhang Yimou, Franco Zeffirelli, Fred Zinnemann, etc. Os movimentos cinematográficos mais recentes foram o Dogma 95 (Lars von Trier, Søren Kragh-Jacobsen), cinema ascético e livre, em locações ao ar livre, sem cenários ou luz que não seja a natural, com som e cor diretos, sem truques, gêneros ou ação superficial.
A história em quadrinhos – ou história em quadrinhos – é uma narrativa ilustrada por meio de vinhetas, que apresenta imagens e – opcionalmente – texto (inserido através dos chamados “Balões (quadrinhos)” para diálogos, e cartuchos “Cartel (quadrinhos)” para texto na parte inferior da imagem), narrando uma história em sentido de enredo e cronológico. Baseado na reprodução seriada, apareceu pela primeira vez em jornais e revistas, para ganhar autonomia própria em edições independentes. Tem, portanto, a sua origem nos meios de comunicação de massa surgidos no final do século e início do século XIX. A primeira história em quadrinhos costuma ser considerada The Yellow Kid, de Richard Felton Outcault, publicada em 1896 no jornal New York World (a camisa amarela do personagem deu nome à chamada "imprensa amarela"). Em 1905 surgiu Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay, que elevou os quadrinhos a grandes patamares artísticos, destacando-se pela fantasia e criatividade. Mais tarde, Rudolph Dirks, George Herriman, George McManus, etc.
Após a Primeira Guerra Mundial, surgiram as primeiras histórias em quadrinhos ou revistas em quadrinhos, e começou a relação entre cinema e quadrinhos, influenciando-se mutuamente, com destaque para a obra de Walt Disney, cujos filmes de animação se tornariam verdadeiros clássicos. Na década de 1930, surgiram alguns dos personagens e autores mais reconhecidos do mundo dos quadrinhos: Buck Rogers de Dick Calkins (1929), Hergé e seu Tintin (1930), Chester Gould e Dick Tracy (1931), Alex Raymond com Flash Gordon (1933), Terry and the Pirates de Milton Caniff (1934), Burne Hogarth e Tarzan (1936), Harold Foster com Prince Valiant (1937), etc. Uma grande veia dos quadrinhos foram os super-heróis, com figuras míticas como Superman (1938), Batman "Batman (super-herói)") (1939) ou Capitão América (1941).
A era de ouro dos quadrinhos ocorreu nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial (1945-1960): a chamada tira diária prevaleceu na imprensa, com personagens como Nancy (1938) de Ernie Bushmiller, Pogo (1948) de Walt Kelly, e Peanuts (1950) de Charles Schulz, com seu mundialmente famoso Snoopy; Na história em quadrinhos, conseguiu-se uma grande variedade temática, com triunfos de ficção científica, aventura, terror, romance e western. Nessa época, apareceram personagens como Lucky Luke de Morris "Morris (comicist)") (1946), The Smurfs de Peyo (1958), Asterix the Gaul de Goscinny e Uderzo (1960), etc. O sucesso dos super-heróis continuou, com Quarteto Fantástico (1961) e Homem-Aranha (1962), com destaque para o trabalho de Stan Lee, Jack Kirby e da gravadora Marvel. Na Espanha destaca-se a obra de Francisco Ibáñez, com personagens como Mortadelo e Filemón (1958).
Entre os anos de 1960 e 1980 houve uma grande diversificação do meio, com uma nova sensibilidade onde predominava a estética e um selo de qualidade, e começaram a abundar títulos dirigidos a um público mais adulto. Destacam-se personagens como Barbarella (1962), Blueberry (1963), Mafalda de Quino (1964), Valentina "Valentina (comic)") (1965), Corto Maltese de Hugo Pratt (1967), Conan de Roy Thomas e John Buscema (1970), etc. Surgiram a história em quadrinhos erótica (Guido Crepax, Milo Manara), a história em quadrinhos do autor (Jacques Tardi, Carlos Giménez "Carlos Giménez (cartunista)"), Enki Bilal, Vittorio Giardino) e rótulos mais vanguardistas, como Métal Hurlant de Moebius. Desde a década de 1980, os mangás japoneses têm tido grande sucesso, caracterizados por longos épicos de grande dinamismo, com abundantes efeitos sonoros. Embora seu início esteja ligado à revista Manga Shōnen (1947), de Osamu Tezuka, seria no final da década de 1980 que atingiria seu maior impacto, com Akira "Akira (manga)") de Katsuhiro Otomo (1982-93) e Dragon Ball de Akira Toriyama (1984-95). Finalmente, as novas tecnologias trouxeram grandes inovações para os quadrinhos, como o webcomic na Internet.[152].
No século, ganhou grande destaque a arte efêmera, que por seu caráter perecível e transitório não deixa uma obra duradoura, ou se deixa - como seria o caso da moda - não é mais representativa do momento em que foi criada. Nestas expressões é decisivo o critério do gosto social, que é o que dita tendências, para as quais o trabalho dos meios de comunicação é essencial.
• - Moda: é a arte de vestir, de confeccionar peças de acordo com parâmetros funcionais e estilísticos, tanto em roupas quanto em acessórios (chapéus, luvas, bolsas, sapatos, óculos). A tendência desde o início do século tem sido para uma maior funcionalidade e conforto (eliminação do espartilho), surgindo a minissaia na década de 1920, enquanto a partir de 1950 predomina o vestuário informal e jovem, marcado pelo uso de jeans. Entre os costureiros mais famosos estão: Coco Chanel, Cristóbal Balenciaga, Christian Dior, Manuel Pertegaz, Yves Saint Laurent, Giorgio Armani, Paco Rabanne, Gianni Versace, Karl Lagerfeld, Calvin Klein, Jean Paul Gaultier, etc.
• - Cabeleireiro: é a arte do penteado, realizado segundo parâmetros estilísticos que evoluem de acordo com a moda. Está fortemente relacionado à maquiagem, assim como à arte corporal (tatuagem, piercing). No início do século ela usava cabelos curtos com franja, que recebiam vários nomes: bob cut, shingle bob ou eton crop, característico de um tipo de mulher chamada melindrosa; Em meados do século voltaram os cabelos longos, enquanto na década de 1960 foram usados os cabelos curtos com cortes geométricos; Desde então foram múltiplas as tendências, com uma maior proliferação de cabelos tingidos. Cabeleireiros como: Lluís Llongueras, Frank Bongiovi, Jamal Hammadi), Teddy Charles, George Westmore, etc.
• - Perfumaria: é a arte de fazer perfumes, líquidos aromáticos que servem para produzir um bom odor corporal. Desde a Idade Média, a França tem sido o centro europeu de design e comércio de perfumaria. Baseados principalmente no cheiro das flores, muitos perfumes são produzidos atualmente com produtos químicos. A perfumaria atual está intimamente ligada à moda, sendo comum costureiros famosos comercializarem seus próprios perfumes. Como perfumistas, vale destacar Pierre-François-Pascal Guerlain"), François Coty, Ernest Beaux") (criador do Chanel No. 5), Eugène Schueller (fundador da L'Oréal), Yves Rocher, Estée Lauder, etc.
• - Gastronomia: é a arte de cozinhar, com uma clara componente prática na medida em que a comida é essencial ao ser humano, mas com uma grande faceta de criatividade derivada da combinação de alimentos e de inovação ao nível da criação de novas receitas. As diversas tendências gastronómicas devem-se sobretudo às variantes regionais, já que cada país tem o seu selo distintivo. Recentemente surgiu a chamada nouvelle cuisine, que dá ênfase tanto à comida quanto à sua apresentação. Como chefs relevantes poderíamos citar: Auguste Escoffier, Joël Robuchon, Paul Bocuse, Heston Blumenthal, Donato de Santis, Karlos Arguiñano, Juan María Arzak, Ferran Adrià, Santi Santamaria, etc.[153].
História de Sinuhé
Livro dos Mortos
Papiro de Ani
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os Samjitas (ou 'coleções', que incluem o próprio Rigveda (hinos litúrgicos de temática mitológica, com linguagem poética e exaltação da natureza);
o Brāhmaṇa "Brāhmaṇa (texto)"), também de natureza litúrgica, mas de natureza mais esotérica, incluindo o Upaṇiṣad, escritos sobre doutrinas secretas que representam a primeira obra filosófica na Índia;
e o Sutra "Sūtra (Hinduísmo)"), uma série de aforismos sobre religião, gramática, filosofia e outros aspectos do Bramanismo. Num período pós-védico (por volta do século a.C.) surgem os grandes poemas épicos indianos:
O Majabhárata é a terceira obra literária mais extensa do mundo, com duzentos mil versos reunidos em dezoito livros (incluindo o Bhagavad-gītā), sobre lendas e épicos da mitologia hindu, mas com forte formação filosófica e moral; e
a Ramaiana, obra de Valmiki, uma nova síntese de poesia e épica com elementos teológicos e filosóficos.[19].
O teatro indiano tem sua origem no Nāṭya-śāstra, livro sagrado de Brahma comunicado aos homens pelo rishi Bharata Muni, onde fala sobre canto, dança e mímica. Geralmente o tema é mitológico, sobre histórias de deuses e heróis indianos. A performance é basicamente encenação, sem cenários, destacando apenas o figurino e a maquiagem. Foram diversas modalidades: Śakuntalā, sete atos; Mricchakaṭikā, dez atos. Kālidāsa e Śūdraka se destacaram como dramaturgos.[20].
A música indiana tem um forte selo eclético "Ecletismo (arte)") devido à multiplicidade étnica dos vários povos que chegaram ao subcontinente indiano: os Vedas tinham melodias de apenas duas notas; Os dravidianos tinham músicas e danças mais elaboradas, relacionadas aos cultos da fertilidade; Os protomediterrâneos introduziram novos instrumentos, como a magudhi, a famosa flauta dos encantadores de serpentes; Os arianos introduziram hinos religiosos nos Vedas. O Ṛig vedá (“hinos védicos”) registra três tipos de entonações: udatta (alta), anudatta (baixa) e svarita (média). O Sāma Vedá ("canções védicas") passou de cinco para sete notas, geralmente usando um tetracorde nas melodias vocais, o que ainda persiste em áreas do Himalaia.[21].
A arte chinesa teve uma evolução mais uniforme do que a arte ocidental, com uma bagagem cultural e estética comum a sucessivas etapas artísticas, marcadas pelas dinastias reinantes. Como a maior parte da arte oriental, possui importante conteúdo religioso (principalmente taoísmo, confucionismo e budismo) e comunhão com a natureza. Ao contrário do Ocidente, os chineses valorizavam a caligrafia, a cerâmica, a seda ou a porcelana da mesma forma que valorizavam a arquitectura, a pintura ou a escultura, enquanto a arte está totalmente integrada na sua filosofia e cultura.
• - Dinastia Shang (1600-1046 aC): destaca-se pelos objetos e esculturas em bronze, especialmente vasos decorados com relevos e máscaras e estátuas antropomórficas, como as encontradas na região de Chengdu, no alto Yangtze, por volta de 1200 aC. C. Foram encontrados vestígios arqueológicos de diversas cidades na zona de Henan, muradas e com grelha rectangular, como em Zhengzhou e Anyang. Nestes assentamentos também foram encontrados túmulos com ricos enxoval de armas, joias e utensílios diversos em bronze, jade, marfim e outros materiais.
• - Dinastia Zhou (1045-256 a.C.): evoluindo da arte Shang, os Zhou criaram um estilo decorativo e ornamentado, com figuras estilizadas e dinâmicas, dando continuidade ao trabalho em cobre. Uma invasão nômade em 771 AC. C. fragmentou o império em pequenos reinos, período em que, no entanto, a agricultura e a metalurgia floresceram, e vários estilos artísticos locais surgiram no chamado Período dos Reinos Combatentes. Surgiram o taoísmo e o confucionismo, que influenciariam muito a arte. Destacaram-se os trabalhos em jade, decorados em relevo, e apareceu a laca.
• - Dinastia Qin (221-206 aC): A China foi unificada sob o reinado de Qin Shi Huang, a Grande Muralha foi construída para evitar invasões externas, com 2.400 quilômetros de extensão e 9 metros de altura média, com torres de guarda de 12 metros de altura. Destaca-se o grande achado arqueológico do Exército de Terracota de Xian (210 a.C.), localizado no interior do Mausoléu de Qin Shi Huang. É composto por centenas de estátuas de guerreiros em terracota em tamanho real, incluindo vários cavalos e carruagens, com grande naturalismo e precisão na fisionomia e nos detalhes.
• - Dinastia Han (206 AC-220 DC): época de paz e prosperidade, foi introduzido o Budismo, que teve uma implementação lenta mas progressiva. Destacou-se pelas capelas funerárias, com estátuas aladas de leões, tigres e cavalos. A pintura centrava-se em temas da corte imperial, nobres e funcionários, com um sentido confucionista de solenidade e virtude moral. Destacam-se também os relevos em santuários e câmaras de oferendas, geralmente dedicados a motivos confucionistas, num estilo linear de grande simplicidade.
• - Período das Seis Dinastias (220-618): O Budismo se espalhou mais amplamente, construindo grandes santuários com estátuas colossais de Buda (Yungang, Longmen). Junto com esta nova religião, e graças à Rota da Seda, diversas influências foram recebidas da Ásia Ocidental. Na pintura foram formulados os seis princípios, enunciados por Xie He no início do século, e a caligrafia artística começou com a figura lendária de Wang Xianzhi").[22].
A literatura chinesa começou com obras de cunho religioso e filosófico, surgindo entre os séculos e AC. C. os chamados Cinco Clássicos: o Li-Ki, compêndio de rituais e costumes que posteriormente foi ampliado, chegando a cem volumes; o I Ching, manual de adivinhação baseado no significado de oito trigramas, atribuído ao mítico imperador Fu Xi; o Shu-king, crônica escrita numa linguagem formal e cerimoniosa que será típica da produção literária chinesa; o Shi King (O Clássico da Poesia), uma coleção de poemas; e o Ch'uen-tsieu, a primeira crônica datada de (722-481 aC). Por volta do século AC. C. surgiram as principais obras do pensamento chinês, grandes compêndios de filosofia e moral: o Lùn Yǔ (Analectos) de Confúcio e o Tao te king (Livro do Tao) de Lao Tzu. A Arte da Guerra de Sun Tzu também teve muito impacto. Na era Han surgiu um novo gênero, fu, poesia de caráter didático associada a uma composição musical, enquanto na prosa se destacou She-ki (Memórias Históricas) de Ssê Ma-ts'ien).[23]
A música chinesa é pentatônica (cinco notas), ao contrário do sistema heptatônico ocidental (sete notas). Do período pré-dinástico há evidências de vários instrumentos, como o ch'ing (pedra sonora), o hsüan (flauta), o ku (tambor) e o chun (sino "Sino (instrumento)"). Do período Shang é o Shih Ching (Livro das Canções), que reúne criações musicais de 1600 a 600 aC. C. Durante a dinastia Zhou, foram lançadas as bases da música tradicional chinesa, compiladas nos Lü Shih Ch'un Ch'iu (Anais do Sr. Lü) de Lü Buwei (239 a.C.): sobre um "tom base" (huang chung) de uma cana de bambu, derivavam tons mais altos cortando o tubo um terço menor que o anterior, obtendo as cinco notas: king, shang, chiao, chih, yü. Os principais instrumentos eram: o pien-ch'ing (sinos de pedra de jade), o pien-chung (sinos "Carrilhão (instrumento)"), o sheng (órgão "Órgão (instrumento musical)") feito de tubos de bambu), o p'ai-hsiao (flauta de pânico ou seringa "Siringe (instrumento musical)") e o ch'in (cítara).
A arte japonesa tem sido marcada pela sua insularidade, embora em intervalos tenha sido influenciada por civilizações continentais, especialmente a China e a Coreia. Grande parte da arte produzida no Japão tem sido de tipo religioso: à religião xintoísta, a mais tipicamente japonesa, formada por volta do século XIX, o budismo foi adicionado por volta do século XIX, forjando um sincretismo religioso que perdura até hoje.
• - Período Jōmon (5000-200 aC): durante o Mesolítico e o Neolítico, foram confeccionados instrumentos de osso e pedra polida, cerâmica e figuras antropomórficas. O Japão permaneceu isolado do continente, portanto toda a sua produção era indígena, embora de pouca relevância. Deve-se notar que a cerâmica Jōmon é a mais antiga produzida pelo homem, feita à mão e decorada com incisões ou impressões de corda.[25].
• - Período Yayoi (200 AC-200 DC): do século AC. C. a civilização do continente começou a ser introduzida, devido às relações com a China e a Coreia. Nessa época, difundiu-se uma espécie de grandes túmulos com câmara e montículo decorados com cilindros de terracota e figuras humanas e animais. A cerâmica era produzida sobre uma roda.
• - Período Kofun (200-600): destacam-se os grandes túmulos dos imperadores Ōjin (200-310) e Nintoku (310-399), onde apareceram diversas joias, armas, cerâmicas e figuras de terracota chamadas haniwa. Neste período encontramos as primeiras amostras de pintura japonesa (túmulos de Kyūshū, séculos DC-; sepultamento real de Otsuka). Em termos de arquitetura religiosa, vale destacar o templo de Isa.[26].
A literatura japonesa tem forte influência chinesa, principalmente devido à adoção da escrita chinesa. O testemunho mais antigo preservado é o Kojiki (Histórias de coisas antigas), uma espécie de história universal de natureza mítica e teogônica. Outro testemunho relevante é o Nihonshoki (Anais do Japão). A poesia é representada pelo Man'yōshū (Coleção de dez mil folhas), uma antologia de poemas de vários tipos, com grande variedade temática e estilística, escrita por diversos autores, entre os quais se destacam Ōtomo no Yakamochi e Yamanoue no Okura.[27].
A música japonesa teve suas primeiras manifestações em honkyoku (“peças originais”), que datam do século AC. C., bem como min'yō, canções folclóricas japonesas. Os ritos xintoístas tinham coros que recitavam um trinado lento acompanhado por uma flauta de bambu (yamate-bue) e uma cítara de seis cordas (yamato-goto). A principal forma de música e dança xintoísta é kagura "Kagura (dança)"), baseada no mito de Amaterasu, deusa do sol. É executada com os instrumentos mencionados acima, além de outros como o hiciriki (oboé) e tambores como o o-kakko e o o-daiko.[28].
• - Arte Nabateia: pessoas de origem semita que viveram na área sírio-palestina "Palestina (região)") entre os séculos e AC. C., destaca-se especialmente a cidade de Petra, situada entre desfiladeiros montanhosos, onde foram encontrados vários templos, palácios e túmulos escavados na rocha, em estilo helenístico. Entre eles, destaca-se o Jazneh Firaun ("o tesouro do faraó"), com fachada monumental com pronaos hexastilo e frontão "Fronton (arquitetura)"), e a parte superior com tholos redondo e duas edículas laterais com semi-frontões.
• - Arte hebraica: os hebreus se estabeleceram na Palestina “Palestina (região)”) no século AC. C. Eles foram influenciados pela arte egípcia, fenícia e mesopotâmica, bem como pela arte helenística posterior. De acordo com a sua religião, as imagens foram rejeitadas, por isso a maior parte da sua arte é ornamental. Na arquitetura há testemunhos da grande magnificência do Templo de Jerusalém, que infelizmente não sobreviveu até hoje. Além disso, destacam-se as sinagogas, geralmente de planta basílica e fachada tripartida, como nos templos sírios. Na literatura hebraica destaca-se a Bíblia (o Tanaj ou Antigo Testamento, também chamado de Torá, “lei”), importante documento não só religioso, mas também literário, escrito entre os séculos X a.C. C. e II d. C. em vários estilos e gêneros (histórico, lendário, mitológico, poético, profético, sapiencial e epistolar). Mais tarde, a Mishna, o Talmud e a Kabalah foram escritos.[31].
O teatro romano foi influenciado pelo grego, embora tenha derivado originalmente de antigos espetáculos etruscos, que misturavam arte cênica com música e dança: temos assim os ludiones, atores que dançavam ao ritmo das tibiae —uma espécie de aulos "Aulos (instrumento)"—; Mais tarde, com a adição da música vocal, surgiram os histriones - que significa "dançarinos" em etrusco -, que misturavam canto e mímica (os saturae, origem da sátira). Aparentemente, foi Lívio Andrônico – de origem grega – quem no século AC. C. introduziu a narração de uma história nesses programas. O lazer romano era dividido entre ludi circenses (circo) e ludi scaenici (teatro), predominando neste último a mímica, a dança e o canto (pantomima). Plauto e Terêncio se destacaram como autores.[39] A música romana é desconhecida para nós, assim como a música grega. Apenas Cícero fala um pouco sobre isso em seus escritos. Aparentemente, a era de maior esplendor foi o reinado de Nero, que favorecia notavelmente a música - ele próprio tocava lira. A música romana passou para a igreja cristã primitiva.
• - Arte moçárabe: São chamados de moçárabes os cristãos que viviam sob o domínio islâmico e que, ao retornarem ao território reconquistado pelos cristãos, praticavam um tipo de arte com grande influência islâmica. Desenvolveu-se especialmente no século XIX, principalmente a norte do Douro, no alto Ebro, no sul da Galiza, na Cantábria e nos Pirenéus. A arquitetura destaca-se pela utilização do arco em ferradura califal, mais fechado que o visigótico, bem como pela utilização de dois tipos de abóbada: nervuras tipo califal, formadas por arcos que se cruzam, e a abóbada gadroon; Beirais muito proeminentes também são característicos. Geralmente são igrejas pequenas, com grande variedade na tipologia de sua planta, destacando-se Santiago de Peñalba "Iglesia de Santiago (Peñalba de Santiago)") (León), San Miguel de Escalada (León), Santa María de Melque (Toledo), San Cebrián de Mazote (Valladolid), San Baudelio de Berlanga (Soria) e San Millán de la Cogolla (La Rioja "La Rioja (Espanha)")). Vale destacar em miniatura os bem-aventurados, ilustrações do Comentário ao Apocalipse do Beato de Liébana.[44].
A literatura medieval é herdeira da tradição clássica greco-romana, embora com clara componente teocêntrica e de exaltação da religião cristã. Enquadrada no campo eclesiástico, responsável pela conservação do legado cultural antigo, a produção literária é inteiramente em latim, geralmente sobre temas morais e retóricos, como se verifica nas obras de Sidônio Apolinário, Boécio, Cassiodoro, Santo Isidoro, São Gregório Magno, Venâncio Fortunato, etc. Teodulfo de Orleans, Rabano Maurus) também se destacou.[45]
Nesta época, a música experimentava sucessivos avanços: a música carolíngia foi a primeira a incorporar instrumentos musicais, além do canto de tipo gregoriano; as primeiras peças musicais surgem sem texto, em subseções dos cantos litúrgicos (tropos "Trope (música)") no meio do texto, e sequências "Sequência (música)") no final); No século iniciou-se um tipo de escrita musical diferenciada do alfabeto, com uma série de gráficos (neumas) atualmente não identificados.[46].
Alcorão
sura
Alcorão
As Mil e Uma Noites
A música árabe tem sua origem em canções antigas (huda') executadas pelos beduínos em suas viagens de caravana "Caravana (comitiva)"), com seis pés métricos (rajaz) derivados - segundo a lenda - dos passos do camelo. A música teve especial relevância, com duas partes: refrão (tarji') e antífona (jawab). A música sacra não se desenvolveu tanto quanto a música cristã: originalmente, o chamado à oração (adhdan) era cantado; O Alcorão rimou em prosa cuja assonância se presta à modulação. A música profana foi proibida pelos califas ortodoxos, mas posteriormente promovida pelos omíadas, predominando o canto solo com alaúde. Ibn Misjaḥ foi o primeiro teórico da música árabe e é considerado o pai da música clássica árabe. Ele criou um sistema melódico ornamentado (zawa'id), semelhante à fioritura "Floritura (música)" ocidental. A partir do século, a música instrumental ganhou importância - com uma modalidade principal, o nauba, uma espécie de suíte vocal -, e iniciou-se o estudo teórico da música (al-musiqi), com destaque para vários estudiosos como Avicena, al-Kindi e al-Farabi. Dentre os instrumentos árabes, destacam-se o alaúde (‘ud), a lira "Lira (instrumento musical)") (mi'zaf), a harpa (jank), a flauta (gussaba), o oboé (mizmar), o pífano (shahin), o tambor (tabl), o pandeiro (duff) e as baquetas (gadib).[50].
As artes aplicadas tiveram grande relevância nesta época,[nota 5] especialmente a metalurgia em ouro e pedras preciosas (Arca das relíquias dos Três Reis Magos, Catedral de Colônia; Cálice de Doña Urraca, San Isidoro de León); o esmalte, desenvolvido nomeadamente pela oficina de Limoges; e trabalho têxtil (Tapeçaria de Bayeux, Tapeçaria de Criação da Catedral de Gerona).[54].
Nesta época, a literatura continuou preferencialmente em mãos eclesiásticas, preservando a tradição latina, embora aos poucos começassem a surgir obras em língua vernácula e iniciasse a produção literária em âmbito secular, principalmente com o gênero trovadoresco. As principais inovações ocorreram na França, onde os círculos artísticos cortês ganhavam peso e deslocavam o poder eclesiástico: destaca-se a grande epopeia da Canção de Rolando, do final do século. A poesia trovadoresca desenvolveu-se especialmente na língua provençal, exaltando o amor cortês (fin'amors), representado por Guilherme de Poitiers, Jaufré Rudel, Bernart de Ventadorn, Marcabrú "Marcabrú (trovador)"), Arnaut Daniel, Bertran de Born, etc. Ciclo Arturiano. Na Espanha, os primeiros textos escritos em língua românica foram as glosas do mosteiro de San Millán de la Cogolla, às quais se seguiram as jarchas moçárabes; Mais tarde surgiram as “canções de feitos”, como o Cantar de Mío Cid (1140).[55].
O teatro medieval era um teatro de rua, lúdico, festivo, com três tipologias principais: “litúrgica”, temática religiosa dentro da Igreja; «religioso», na forma de mistérios "Mistério (teatro)") e paixões; e tópicos "profanos" e não religiosos. Foi subsidiado pela Igreja e, posteriormente, por guildas e irmandades. Os atores eram inicialmente padres, tornando-se posteriormente atores profissionais. As obras foram primeiro em latim, depois passando para línguas vernáculas. O primeiro texto que se conserva é o Regularis Concordia, de Santo Æthelwold, que explica a representação da peça Quem quaeritis?, um diálogo retirado do Evangelho entre vários clérigos e um anjo.[56].
Durante o período românico, a música surgiu tal como é praticada atualmente, graças à criação da pauta e à nomenclatura das notas musicais desenvolvida por Guido de Arezzo. As principais obras musicais limitam-se ao canto gregoriano, embora a polifonia e a música secular tenham começado a se desenvolver em torno de trovadores e menestréis. Os menestréis eram viajantes globais, meio poetas e meio charlatões, misturando em suas apresentações declamação e malabarismo, música e sátira, poesia e feitos épicos. Os trovadores eram de uma classe social mais elevada (o próprio Rei Ricardo Coração de Leão era um trovador) e compunham e cantavam suas próprias obras. Dentre as formas trovadorescas, destacam-se: o rondeau (alternância de dísticos e refrão), o virelai (em que o refrão não interrompe o desenvolvimento das estrofes) e a balada "Ballade (música)") (alternando o refrão a cada três estrofes). Na Alemanha, os trovadores receberam o nome minnesänger.[57].
A dança medieval teve pouca relevância, devido à marginalização a que foi submetida pela Igreja, que a considerava um rito pagão. A nível eclesiástico, o único vestígio eram as “danças da morte”, que tinham uma finalidade moralizadora. Nas cortes aristocráticas existiam "danças baixas", assim chamadas porque arrastavam os pés, das quais há poucas evidências. Mais importantes foram as danças populares, de tipo folclórico, como o pasacalle e a farandula, sendo famosas as "danças mouriscas", que chegaram à Inglaterra (danças Morris).[58].
• - Gótico Itálico ou Trecentista: surgido no século na Itália, caracteriza-se pela abordagem feita à representação da profundidade - que se cristalizará no Renascimento com perspectiva linear -, pelos estudos de anatomia e pela análise da luz para alcançar nuance tonal. Destacam-se duas escolas: a florentina (Cimabue, Giotto, Andrea Orcagna) e a sienesa (Duccio, Simone Martini, Ambrogio Lorenzetti).
• - Gótico Internacional: corresponde ao final do século e primeira metade do século XV, assumindo uma fusão de estilos anteriores. Caracteriza-se pela estilização da figura e pelo predomínio da linha curva, pelo detalhe técnico e pelo naturalismo simbólico da narrativa. Destacam-se os pintores Paul de Limbourg, Stefan Lochner, Conrad Soest, Bernat Martorell e Lluís Borrassà.
• - Gótico Flamengo: surgiu na Flandres no início do século XIX, predominando ao longo desse século na maior parte da Europa – exceto na Itália, onde o Renascimento já era proeminente. Sua principal contribuição é a técnica de pintura a óleo, que confere cores mais vivas e permite gradações em diversas faixas cromáticas, ao mesmo tempo em que permite maior rigor nos detalhes. Vale destacar Jan e Hubert van Eyck, Robert Campin, Rogier van der Weyden, Hans Memling, Gerard David, Hugo van der Goes e Hieronymus Bosch; no resto da Europa, Jean Fouquet, Conrad Witz, Martin Schongauer, Hans Holbein, o Velho, Nuno Gonçalves, Lluís Dalmau, Jaume Huguet, Bartolomé Bermejo, Fernando Gallego, etc.
As artes aplicadas também tiveram grande relevância durante o período gótico, favorecidas pelas novas classes urbanas de mercadores e artesãos. Destacou a marcenaria, a tapeçaria - sendo famosas as tapeçarias de Arras -, a ourivesaria - especialmente os custódias e os relicários, onde se destaca o nome de Enrique de Arfe -, os trabalhos em esmalte - sobretudo os de Limoges -, a cerâmica - onde se destaca a de Faenza e Manises -, a vidraria - especialmente a veneziana e a catalã -, etc.
A literatura medieval tardia transitou entre obras ainda escritas em latim - geralmente de natureza religiosa - e aquelas escritas em línguas vernáculas, que gradualmente ganharam destaque e popularidade. O centro criativo passou da França para a Itália, onde as cortes dos pequenos estados que dividiam o território da península italiana privilegiaram as artes e as letras, dando origem ao que viria a ser o Renascimento. Praticava-se sobretudo o gênero canzone, escrito em hendecassílabos - de onde surgiu o soneto -, enquanto em Florença surgia o chamado Dolce Stil Novo, gênero poético com um signo mais subjetivo, que exalta o amor, mas um amor mais puro, mais simbólico que o do trovador. Destacam-se especialmente três nomes: Francesco Petrarca, Giovanni Boccaccio e Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia (1304-1320), uma das grandes obras da literatura universal. Na Inglaterra, Geoffrey Chaucer se destacou com seus Contos de Canterbury (1386-1400). Na França, François Villon foi o primeiro grande poeta de língua francesa. Na Espanha, no século, surgiu a poesia do mester de clerecía (Gonzalo de Berceo), assim como a lírica galego-portuguesa (Alfonso X, o Sábio) e a catalã (Ramon Llull); No século destacaram-se o arcipreste de Hita, Dom Juan Manuel e Pedro López de Ayala; enquanto no século vale destacar as figuras de Jorge Manrique e do Marquês de Santillana, bem como do poeta catalão Ausiàs March.[60].
O teatro desenvolveu-se em três tipologias principais: «mistérios "Mistério (teatro)")», sobre a vida de Jesus Cristo, com textos de grande valor literário e elementos menestréis; “milagres”, sobre a vida dos santos, com diálogos e partes dançadas; e «moralidades "Moralidade (teatro)")», sobre personagens simbólicas, alegóricas, com máscaras tipificadas. Nessa época nasceu o teatro secular, com três origens possíveis – segundo os historiadores –: a imitação dos textos latinos de Terêncio e Plauto; a versátil arte dos menestréis; ou as pequenas diversões escritas por autores religiosos para fugir um pouco da rigidez eclesiástica.[61].
Na música, durante o período gótico, desenvolveu-se a polifonia, surgindo pela primeira vez a música secular separada da música religiosa feita até então (Le jeu de Robin et Marion, de Adam de la Halle, 1285). Surgiram o contraponto, vozes paralelas que se fundem ou contrastam e foram desenvolvidas técnicas e notações composicionais. Da primeira fórmula composicional por repetição passamos à imitação "Imitação (música)") no século XVI, e à variação "Variação (música)") no século XVI. O primeiro compositor conhecido é Leoninus, organista de Notre-Dame de Paris de meados do século. No século surge a Ars Nova, com Guillaume de Machaut e Francesco Landino, destacando-se Josquin des Prés, Guillaume Dufay, Gilles Binchois, Johannes Ockeghem, Jacob Obrecht, John Dunstable e Bartolomé Ramos de Pareja. Na dança, as principais modalidades eram: a carol "Carol (carol)"), a estampie, o branle, o saltarello e a tarantella.[62].
Popol Vuh
Ollantay
Brihad deshi
Naradiya-siksa
Samgita-Ratnakara
svaras
srutis
ragas
gamakas
raga
tala
vilambita
madhya
druta
kharaja
• - Dinastia Tang (618-907): este foi um dos períodos mais florescentes da arte chinesa, destacando-se pela sua escultura e pelas suas famosas figuras de cerâmica. A figura mais representada continuou a ser Buda, assim como os bodhisattvas (místicos budistas), destacando-se a estátua de madeira policromada de Guan Yin (ou Bodhisattva da Misericórdia), com 2,41 metros de altura. Na arquitetura a principal tipologia foi o pagode (Hua-yen, Hsiangchi). Surgiu a pintura de paisagem, gênero inicialmente elitista, destinado aos pequenos círculos culturais. Infelizmente, as paisagens Tang não sobreviveram até os dias atuais e só são conhecidas a partir de cópias, como Templo Budista nas Colinas após a Chuva, de Li Cheng "Li Cheng (pintor)") (século XIX).
• - Dinastia Song (960-1279): época de grande florescimento das artes, atingiu-se um nível de cultura elevada que seria lembrado com grande admiração em fases posteriores. A gravura apareceu na madeira, impregnada de tinta sobre seda ou papel. Na arquitetura, continuou a construção de pagodes, como o pagode hexagonal Kuo-Hsiang-Su (960), ou o pagode de madeira Chang-Tiu-Fu. Na cerâmica destacam-se duas tipologias: a cerâmica vidrada branca de Ting-tcheu, e a cerâmica vidrada rosa ou azul de Kin-tcheu. Na pintura deu continuidade à paisagem, com dois estilos: o nortenho, com desenho preciso e cores claras, com figuras de monges ou filósofos, flores e insetos; e a sul, com pinceladas rápidas, cores claras e diluídas, com representação especial de paisagens nubladas.
• - Dinastia Yuan (1280-1368): dinastia de origem mongol (seu primeiro imperador foi Kublai, neto de Genghis Khan), a China abriu-se mais ao Ocidente, como fica evidente na famosa viagem de Marco Polo. Na arquitetura destaca-se o Pagode Branco de Pequim. As artes decorativas desenvolveram-se especialmente: fabricaram-se tapetes, produziram-se cerâmicas com novas formas e cores e criaram-se obras de serralharia de grande riqueza. Os temas religiosos proliferaram na pintura, especialmente os temas taoístas e budistas, destacando-se as pinturas murais do templo Yonglegong (Shanxi), e artistas como Huang Gongwang, Wang Meng e Ni Zan.[70].
A literatura chinesa desta época foi marcada pela continuidade em relação à produção anterior. A era Tang foi a época de ouro da poesia chinesa, com destaque para Li Bai e Du Fu, enquanto a prosa tendia para um estilo mais simplificado, representada por Han Yu e Liu Zongyuan. Surgiu também um novo gênero, pienhuen, uma mistura de verso e prosa, de origem budista. Durante a dinastia Song, surgiu a imprensa de tipos móveis (inventada por Bi Sheng), que favoreceu a divulgação da literatura. A poesia estava intimamente relacionada à música (gênero ts'e), como em Liu Yu-Hui") e Su She"); Na prosa, destacou-se o tratado histórico Tsê-che T'ong-kien, de Ssê Ma-kuang).
Neste período ocorreu a idade de ouro musical chinesa: destacaram-se os rituais confucionistas, onde um coro cantava o hino, com instrumentos de sopro e sinos, um órgão de sopro "Órgão (instrumento)") para contraponto, e vários conjuntos de cítaras (ch'in, com 5 cordas, e sê, com 26 cordas), para definir a duração (tsao-man). Era uma música predominantemente tímbrica, com uma harmonia simples e elementar. Durante o reinado do imperador Hsüan-tsung (713-756) há evidências de que existia na corte uma orquestra de cerca de 1.300 músicos. Os poetas recitavam ao ritmo de um alaúde curto (p'i-p'a "Pipa (instrumento)")), música da qual chegaram até nós composições como A Última Batalha de Hsiang Yü e Nove Canções para Yüeh. Durante a dinastia Song, espetáculos musicais e teatrais tornaram-se populares, como Nan-ch'ü (Canções do Sul) e Pei-ch'ü (Canções do Norte). Na era Yuan surgiram dramas musicais ou óperas, com duas escolas: norte e sul, que sobreviveram até hoje.
• - Período Asuka (552-646): a chegada do Budismo produziu um grande impacto no Japão a nível artístico e estético, com forte influência da arte chinesa. Como edifício mais notável deste período devemos mencionar o templo de Hōryū-ji (607), representativo do estilo Kudara. As primeiras imagens de Buda foram importadas do continente, mas posteriormente um grande número de artistas chineses e coreanos estabeleceram-se no Japão (Kannon de Kudara, século XIX). A pintura denota um grande sentido de desenho, com obras de grande originalidade, como o relicário Tamamushi.
• - Período Nara (646-794): nesta época a arte budista teve seu apogeu, dando continuidade à influência chinesa com grande intensidade. Poucos exemplos de arquitetura sobreviveram: Pagode Leste Yakushi-ji, templo Tōdai-ji, templo Kōfuku-ji, Nara Shōsoin "Nara (Japão)"). A representação de Buda obteve grande desenvolvimento na escultura: Sho Kannon, Buda de Tachibana, Bodhisattva Gakko de Tōdai-ji. A pintura é representada pela decoração mural de Hōryū-ji (finais do século XIX) e pelos kakemonos e makimonos, histórias pintadas num longo rolo de papel ou seda, com textos narrando as diversas cenas ou sutras.
• - Período Heian (794-1185): A iconografia budista teve um novo desenvolvimento com a importação de duas novas seitas do continente: Tendai e Shingon. A arquitetura sofreu uma mudança na planta dos mosteiros, que foram construídos em locais recônditos, destinados à meditação: templos de Enryaku-ji, Kongōbu-ji e santuário-pagode de Muro-ji. Durante o período Fujiwara (897-1185), o templo voltou a ser localizado na cidade, servindo como centro de encontro das classes dominantes. Foram construídos segundo o modelo dos grandes palácios, com decoração altamente desenvolvida (mosteiro Byōdō-in, também chamado de Phoenix). Na pintura, o surgimento da escola Yamato-e marcou a independência da pintura japonesa da influência chinesa; Caracterizou-se pela sua harmonia e luminosidade, com cores vivas.
• - Período Kamakura (1185-1333): nesta época foi introduzida no Japão a seita Zen, que teve poderosa influência na arte figurativa. Na escultura, destacou-se a Escola Nara “Nara (Japão)”), com destaque para a figura de Unkei (estátuas do Monte Muchaku e Seshin). A arquitetura era mais simples, mais funcional, menos luxuosa e ornamentada; A influência Zen deu origem ao chamado estilo Kara-yo. Destaca-se o conjunto de cinco grandes templos de Sanjūsangen-dō (1266). A pintura caracterizou-se por maior realismo e introspecção psicológica, desenvolvendo principalmente retratos e paisagismo.
• - Período Muromachi ou Ashikaga (1333-1573): neste período a pintura floresce notavelmente, enquadrada na estética Zen. Predominou a técnica “Gouache (pintura)” do guache, uma transcrição perfeita da doutrina Zen, que procurava refletir nas paisagens o que elas significam, mais do que o que representam, destacando Sesshū, autor de retratos e paisagens. Vale destacar também a Escola Kanō, que aplicou a técnica do guache a temas tradicionais. A arquitetura distinguiu-se pela elegância, destacando-se os casarões senhoriais: o Pavilhão Dourado e o Pavilhão Prateado, em Quioto; Devemos também mencionar o mosteiro Zuiho-ji. A arte da jardinagem desenvolveu-se significativamente, a cerâmica Seto destacou-se e os objectos de laca e metal ganharam importância.[73].
A literatura japonesa continuou com a influência da literatura chinesa, especialmente na poesia, onde a maior produção foi na língua chinesa, considerada mais culta: assim temos o Kaifuso (Ternuras memórias de poesia, 751), uma antologia de vários poetas. Na era Heian houve um renascimento da literatura japonesa, com destaque para a narrativa: Genji Monogatari (Conto de Genji), de Murasaki Shikibu, é um clássico da literatura japonesa, descrevendo o mundo da nobreza em linguagem simples, com um tom por vezes erótico. A poesia da época foi compilada na antologia imperial Kokinshu, onde a natureza era preferencialmente exaltada, escrita em waka (composição de 31 sílabas). No período Kamakura, a literatura foi afetada pelas constantes guerras feudais, refletidas em uma narrativa de tom pessimista e desolador: Hojoki (Narrativa da minha cabana), de Kamo no Chomei. Do período Muromachi, vale destacar o Tsurezuregusa (Ensaios de Lazer), de Yoshida Kenkō, e o Sannin Hoshi (Os Três Sacerdotes), anônimo.[74].
No teatro surgiu no século a modalidade denominada nō, um drama lírico-musical em prosa ou verso, com temática histórica ou mitológica. Sua origem está na antiga dança kakura e na liturgia xintoísta, embora tenha sido posteriormente assimilada pelo budismo. Caracteriza-se por um enredo esquemático, com três personagens principais: o protagonista (waki), um monge viajante e um intermediário. A narrativa é recitada por um coral, enquanto os atores principais atuam gestualmente, em movimentos rítmicos. Os cenários são austeros, comparados à imponência dos vestidos e máscaras. Seu principal expoente foi Chikamatsu Monzaemon.[75].
Na música, a chegada do Budismo trouxe influência estrangeira, surgindo duas correntes: a música de esquerda, de origem indiana e chinesa; e música certa, de origem manchu e coreana. Essas modalidades utilizavam instrumentos como o biwa (alaúde de pescoço curto), o taiko (tambor japonês), o kakko (tambor chinês), o shôko (gong), o sô-no-koto (cítara), o koma-bue (flauta), o hiciriki (oboé), o ôteki (flauta transversal) e o shô (órgão soprado). Havia também uma grande variedade de tipos de música tradicional: dois dos estilos mais antigos eram shōmyō ("homem gordo que canta") e gagaku ("música engraçada"), ambos dos períodos Nara e Heian. Além disso, gagaku é dividido em sōgaku (música instrumental) e bugaku (música e dança).[76].
No Sudeste Asiático, a arte estava situada entre as tradições hindu e budista, com o Islã sendo introduzido no século XIX, principalmente na Indonésia. Nas culturas nativas da Idade do Bronze e do Ferro - das quais poucos vestígios se conservam - denota-se a influência chinesa, e a partir do século começará progressivamente a influência indiana.
• - Arte Khmer: o reino Khmer estava localizado no Camboja, tendo seu auge entre os séculos e. A sua principal manifestação é o magnífico complexo de Angkor Wat (1113-1150), uma cidadela-templo dedicada a Vishnu, cuja planimetria representa o universo. O templo central é cercado por quatro santuários menores, encimados por torres inspiradas no indiano śikhara, construídos em calcário com pinças de ferro. Destaca-se também a decoração esculpida em relevo.
• - Arte tailandesa: é aquela desenvolvida no Sião (Tailândia), caracterizada por uma arquitetura vertical de formas alongadas e pontiagudas, com torre-relicário (prang), como o templo de Vat Sri Sampet (século XIX). Destacam-se as imagens de Buda, como a de Sukhothai (séc.), em bronze e folha de ouro.
• - Arte Cham: ocorreu no reino de Champa (Vietnã). Ao longo dos séculos - recebeu influência hindu (mosteiro Dông-Dương). No século predominou a influência Khmer, refletida numa arquitetura harmoniosa de decoração sóbria.
• - Arte birmanesa: na Birmânia a influência chinesa é mais palpável, como no uso da abóbada nervurada. Foi utilizado tijolo revestido com estuque, sobre o qual foi realizada a decoração. Seu período clássico foi a era pagã (-séculos), onde se destacam as stupas, que podem ser cilíndricas, cônicas, hemisféricas, bulbosas ou em forma de sino (templo de Ananda, séc.).
• - Arte indonésia: foi recebida uma primeira influência indiana - principalmente Gupta -, evidente nas stupas com cúpulas em forma de sino. O período de maior florescimento ocorreu entre os séculos e, principalmente em Java "Java (ilha)"), onde a dinastia Sailendra adotou o budismo, construindo o templo Borobudur, a maior stupa do mundo, com 120 metros de comprimento de cada lado e 35 metros de altura, com 1.500 baixos-relevos e 400 estátuas de Buda. Entre os séculos e o hinduísmo voltou a predominar, com uma arquitetura mais vertical, com decoração em relevo, destacando-se os monumentos funerários (chandi), como os de Shwentar e Kidal. No século foi introduzido o Islamismo, destacando-se as estelas sepulcrais e novas tipologias arquitetónicas, como a mesquita Sendang Duwur.[77].
A forja de Vulcano
A rendição de Breda
Vênus do espelho
Las Meninas
As fiandeiras
No domínio das artes industriais destaca-se especialmente a marcenaria, que atingiu níveis de altíssima qualidade sobretudo em França, graças ao trabalho de André-Charles Boulle, criador de uma nova técnica de aplicação de metais (cobre, estanho) sobre materiais orgânicos (carapaça de tartaruga, madrepérola, marfim) ou vice-versa. Entre suas obras destacam-se as duas cômodas do Trianon, em Versalhes, e o relógio de pêndulo com a Carruagem de Apolo, em Fontainebleau. A tapeçaria, a ourivesaria – especialmente as “pedras duras” em Florença –, a cerâmica e o vidro – que se tornaram relevantes na Boêmia – também se destacaram.[85]
A literatura barroca caracterizou-se pelo pessimismo, com uma visão da vida apresentada como luta, sonho ou mentira, onde tudo é passageiro e perecível. Seu estilo era suntuoso e ornamentado, com linguagem muito adjetiva e metafórica. No início, ocorreram várias correntes: o Eufismo na Inglaterra (John Lyly, Robert Greene), o Preciosismo na França (Vincent Voiture), o Marinismo na Itália (Giambattista Marino), a primeira (Martin Opitz, Angelus Silesius, Andreas Gryphius) e a segunda escola da Silésia (Daniel Casper von Lohenstein, Hans Jakob Christoph von Grimmelshausen) na Alemanha. Mais tarde, o classicismo surgiu na França, com autores como François de la Rochefoucauld, Jacques-Bénigne Bossuet, Nicolas Boileau-Despréaux, Jean de La Fontaine, François de Malherbe, Cyrano de Bergerac e Madeleine de Scudéry. Na Inglaterra, destacou-se a obra poética de John Milton (Paradise Lost, 1667). Na Espanha, onde o século seria chamado de Idade de Ouro, surgiram duas correntes: o culteranismo, liderado por Luis de Góngora, onde se destacava a beleza formal, com um estilo suntuoso e metafórico, com proliferação de latinismos e jogos gramaticais; e o conceptismo, representado por Francisco de Quevedo e Baltasar Gracián, onde predominavam o engenho e a acuidade, com uma linguagem concisa mas polissémica, com múltiplos significados em poucas palavras.[86].
No teatro barroco, a tragédia desenvolveu-se sobretudo, baseada na inelutabilidade do destino, com tom clássico, seguindo as três unidades de Castelvetro. O cenário era mais ornamentado, seguindo o tom ornamental característico do Barroco. Destacam-se Pierre Corneille, Jean Racine e Molière, representantes do classicismo francês. Em Espanha o teatro era basicamente popular ("curral de comedias"), cómico, com uma tipologia pessoal, distinguindo: bululú, ñaque, gangarilla, cambaleo, garnacha "Garnacha (teatro)"), bojiganga, farándula e company. Destacaram-se Tirso de Molina, Guillén de Castro, Juan Ruiz de Alarcón e, principalmente, Lope de Vega (O Cão na Manjedoura, 1615; Fuenteovejuna, 1618) e Pedro Calderón de la Barca (A Vida é um Sonho, 1636; O Prefeito de Zalamea, 1651).[87].
A música barroca destacou-se pelo contraste, acordes violentos, volumes móveis, ornamentação exagerada e estrutura variada e contrastante. Foi especialmente caracterizado pelo uso do baixo contínuo, uma seção instrumental séria que sustentava ininterruptamente a parte melódica superior. Nesta época, a música atingiu níveis de grande brilho, separando-se completamente da voz e do texto, dando origem a formas instrumentais puras (suíte, sonata, tocata, concerto, sinfonia). Com a sonata nasceram os nomes das velocidades: allegro, adagio, presto "Presto (música)"), vivace, andante, etc. Na música religiosa nasceram o oratório "Oratório (música)") e a cantata, enquanto a música coral triunfou especialmente no mundo protestante. Na Espanha, a zarzuela e a tonadilla nasceram como manifestações da música popular. Entre as grandes figuras da música barroca vale lembrar Antonio Vivaldi, Tommaso Albinoni, Arcangelo Corelli, Marc-Antoine Charpentier, Johann Pachelbel, Heinrich Schütz, Johann Sebastian Bach, Georg Philipp Telemann, Georg Friedrich Handel, etc.
Na ópera, destacou-se a escola veneziana, primeiro local onde a música foi separada da proteção religiosa ou aristocrática para ser apresentada em locais públicos: em 1637 foi fundado o Teatro di San Cassiano, o primeiro centro de ópera do mundo. Começou o gosto pelas vozes solo, principalmente as agudas (tenor, soprano), surgindo o fenômeno dos castrati. A ópera barroca destacou-se pelo cenário complicado, ornamentado, ornamentado, com mudanças bruscas. Destacam-se Pier Francesco Cavalli, Antonio Cesti, Jean-Baptiste Lully, Henry Purcell, Georg Friedrich Handel, etc. No final do século, a escola napolitana introduziu um estilo mais purista, mais classicista, simplificando os enredos e realizando óperas mais cultas e sofisticadas. Alessandro Scarlatti introduziu a ária de três partes (aria da capo).[88].
Na França, a dança barroca (ballet de cour) desenvolveu a música instrumental, com uma melodia única, mas com um ritmo adaptado à dança. Foi patrocinado especialmente por Louis. Como coreógrafo, destacou-se Pierre Beauchamp, criador da danse d'école, o primeiro sistema pedagógico de dança. As principais tipologias foram: minueto, bourrée, polonaise, rigaudon, allemande, zarabande, passepied, gigue "Giga (dança)"), gavotte, etc. Na Espanha também existiam vários tipos de dança: seguidilla "Seguidilla (música)"), zapateado "Zapateado (Espanha)"), chacona, fandango "Fandango (dança)"), jota "Jota (música)"), etc.[89].
A nível literário, o século foi o do Iluminismo, projecto iniciado com L'Encyclopédie de Diderot e D'Alembert e que marcou a consagração do racionalismo a nível filosófico, colocando ênfase na ideia de progresso do ser humano e na sua capacidade ilimitada, conceito que estabeleceu o germe da era moderna. Seus principais representantes foram Montesquieu, Voltaire, Denis Diderot, Jean-Jacques Rousseau, Abbé Prévost, André Chénier, Giambattista Vico, Alexander Pope, Daniel Defoe, Jonathan Swift, etc. Na Espanha, a influência francesa ficou evidente na literatura crítica e especulativa, com o gênero ensaio ganhando grande popularidade; Destacaram-se Benito Jerónimo Feijoo, Diego de Torres Villarroel, Ignacio Luzán e José Francisco de Isla. Vale destacar a fundação nesta época da Biblioteca Nacional e da Real Academia Espanhola.[91].
O teatro do século seguiu modelos anteriores, tendo como principal inovação a reforma da comédia de Carlo Goldoni, que abandonou a vulgaridade e se inspirou em costumes e personagens da vida real. O drama também se desenvolveu, situado entre a tragédia e a comédia. O cenário era mais naturalista, com maior contato entre público e atores. As produções costumavam ser mais populares, atraindo um público maior, deixando o teatro reservado às classes altas. À medida que espetáculos mais complexos foram sendo organizados, a figura do encenador passou a ocupar o centro das atenções. Como dramaturgos destacam-se Pietro Metastasio, Pierre de Marivaux, Pierre-Augustin de Beaumarchais e Voltaire. Na Espanha, Nicolás Fernández de Moratín faz parte da "comédia de salão" do século XVIII, baseada em Molière.[92].
O Rococó na música corresponde à chamada “música galante”, que era mais calma que o barroco, mais leve e simples, amigável, decorativa, destacando o sentimentalismo. O gosto pelo contraste desapareceu e buscou-se a gradação sonora (crescendo, diminuendo). Na chamada Escola de Mannheim desenvolveu-se a música sinfônica, com a primeira grande orquestra moderna (40 instrumentos), iniciativa do eleitor Carlos Teodoro de Wittelsbach. Seu principal representante, Johann Stamitz, é considerado o primeiro maestro. Entre os músicos da época, destacam-se os filhos de Bach: Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian – este último introduzindo o piano na música sinfônica, inventado em 1711 por Bartolomeo Cristofori. Na ópera, junto com a ópera culta, surge a "opera buffa", de ar cômico, destinada a um público mais popular, com influência da Commedia dell'arte (Niccolò Piccinni, Baldassare Galuppi).[93].
A dança continuou a desenvolver-se especialmente em França, onde a Escola de Ballet da Ópera de Paris, a primeira academia de dança, foi criada em 1713. Raoul-Auger Feuillet) criou em 1700 um sistema de notação de dança, para poder transcrever por escrito a diversa variedade de passos de dança. Jean-Philippe Rameau -criador da ópera-ballet-, e nomes do balé começaram a surgir, enquanto na Espanha surgia o flamenco.
A nível literário, no final do século houve um regresso às premissas classicistas, com o objectivo de estabelecer um tipo de literatura prescritiva, ordenadora, com base ética e intelectual. Muitos dos autores desta época situaram-se algures entre o neoclassicismo e o pré-romantismo, destacando-se: Friedrich Gottlieb Klopstock, Christoph Martin Wieland, Henry Fielding, Laurence Sterne, etc. Em Espanha notou-se a influência do classicismo francês e dos preceitos estabelecidos por Boileau, destacando-se José Cadalso, Juan Meléndez Valdés e Gaspar Melchor de Jovellanos, bem como os fabulistas Tomás de Iriarte e Félix María Samaniego.[96] O teatro neoclássico teve poucas variações em relação ao desenvolvido ao longo do século, tendo como principal característica a inspiração nos modelos clássicos greco-romanos, sua marca registrada. atual. Notáveis: Vittorio Alfieri, Richard Brinsley Sheridan e Gotthold Ephraim Lessing e, na Espanha, Leandro Fernández de Moratín e Vicente García de la Huerta.[97].
Entre o último terço do século e o início do século, a música erudita[nota 14] representou o ápice das formas instrumentais, consolidadas com a estruturação definitiva da orquestra moderna. O classicismo se manifestou no equilíbrio e na serenidade da composição, na busca pela beleza formal, pela perfeição, nas formas harmoniosas e inspiradoras de altos valores. Nasceu o desenvolvimento, uma nova forma de composição que consistia em desmontar o tema, pegar o ritmo ou a melodia, mas mudar a tonalidade através da modulação. A música de câmara evoluiu com o desaparecimento do baixo contínuo, em diferentes formatos: duo, trio, quarteto, quinteto, etc. A música clássica é representada principalmente por: Franz Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart, Christoph Willibald Gluck, Luigi Boccherini e Domenico Cimarosa. A ópera clássica era menos ornamentada que a barroca, com música austera, sem ornamentos vocais, árias limitadas, recitativos com acompanhamento orquestral, enredos mais sólidos e personagens mais verdadeiros. Destacam-se: Jean-Philippe Rameau, Christoph Willibald Gluck e, especialmente, Wolfgang Amadeus Mozart, autor de diversas das melhores óperas da história (Le Nozze di Figaro, 1786; Don Giovanni, 1787; A Flauta Mágica, 1791).[98].
O balé clássico também conheceu grande desenvolvimento, especialmente graças à contribuição teórica do coreógrafo Jean-Georges Noverre e seu ballet d'action, que destacou o sentimento sobre a rigidez gestual da dança acadêmica. Buscou-se um maior naturalismo e uma melhor compreensão da música e do drama, fato perceptível nas obras do compositor Gluck, que eliminou muitas convenções da dança barroca. Outro coreógrafo relevante foi Salvatore Viganò, que deu maior vitalidade ao “corpo do balé”, grupo que acompanha os bailarinos protagonistas, que deles conquistou independência.
• - Dinastia Ming (1368-1644): marcou a restauração de uma dinastia indígena após o período mongol, retornando às antigas tradições chinesas. O terceiro imperador da dinastia, Yongle, mudou a capital de Nanquim para Pequim (1417), construindo um Palácio Imperial (a Cidade Proibida), com três grandes pátios cercados por um muro de 24 quilômetros, e um grande complexo de edifícios incluindo o Salão da Harmonia Suprema (com o trono imperial) e o Templo do Céu. A pintura deste período era tradicional, com um signo naturalista e uma certa opulência, como na obra de Lü Ji"), Shen Zhou, Wen Zhengming, etc. Destacou-se também a porcelana, de tons muito claros e brilhantes, geralmente em branco e azul, e iniciou-se a decoração de vasos de bronze em esmalte cloisonné.
• - Dinastia Qing (1644-1911): dinastia de origem Manchu, na arte significou a continuidade das formas tradicionais. A pintura era bastante eclética, dedicada a temas florais (Yun Shouping), temas religiosos (Wu Li")), paisagens (Gai Qi), etc. Na arquitectura, continuou a construção - e, em alguns casos, restauro - do recinto imperial, com o mesmo selo estilístico, enquanto foram construídos novos templos e vilas aristocráticas, destacando-se a riqueza dos materiais (balaustradas de mármore, cerâmica nos telhados, etc.). porcelana, tecidos de seda, lacas, esmalte, jade, etc. Vale ressaltar que as manufaturas chinesas influenciaram a decoração do Rococó europeu (as chamadas chinoiseries).[105].
A literatura continuou tradicional, com destaque para a produção teatral na era Ming, com obras como O Círculo de Giz de Li-Hsing-Tao), A Guitarra de Kao Ming") e O Pavilhão de T'ang-Hien-Tsu"). No período Qing, a poesia destacou-se pelo virtuosismo, detectando pela primeira vez a influência ocidental na obra de Huang-Tuen-Hien"). A narrativa era mais humanística, como se pode perceber em P'u-Song-Ling") e Ts'ao-Sine-K'in"), autor de Hong-leu-mon, o mais famoso romance de amor chinês; The Lettermen, de Wu-Ching-Tzu"), é um romance de tom satírico.[106].
A música seguiu as tradições anteriores, compiladas no Manual de Música de Tsai Yü") (1596). Desse período destacam-se as melodias para cítara, com duas vertentes: melodias curtas (hsiao-ch'ü), com letras com acompanhamento musical; e melodias longas (ta-ch'ü), puramente instrumentais. Na dinastia Ming, destacou-se o compositor Wei Liang-fu"), criador de um novo estilo dramático com óperas de 30 atos (k'un-ch'ü), com partes cantadas e partes recitadas. O instrumento principal era a flauta transversal (ti), juntamente com o violão (san-hsien), o alaúde curto (p'i-p'a) e o tambor (pan-ku). Durante a dinastia Qing, surgiu um novo tipo de ópera (ching-hsi), mais popular, acompanhada por um violino de corda única (hu'chpin). Nesse período começou a influência ocidental, ao mesmo tempo em que a música chinesa chegava ao Ocidente, como se vê na abertura de Turandot, de Carl Maria von Weber (1809).[107].
• - Período Momoyama (1573-1615): a arte desta época afastou-se da estética budista, enfatizando os valores tradicionais japoneses, embora neste período tenham recebido as primeiras influências do Ocidente. Grandes castelos e palácios foram construídos: Palácio Fushimi, Castelos Himeji e Osaka. Na pintura, a escola Tosa deu continuidade à tradição épica japonesa (Mitsuyoshi, Mitsunori). A cerâmica atingiu um momento culminante: Seto continuou a ser um dos primeiros centros de produção, enquanto em Mino nasceram duas escolas muito importantes: Shino e Oribe. Na produção de lacas destaca-se o nome de Honami Kōetsu.
• - Período Edo ou Tokugawa (1615-1868): este período artístico corresponde ao período histórico Tokugawa, em que o Japão estava fechado a todos os contactos externos. Os edifícios mais importantes são o Mausoléu Toshogu em Nikkō e o Palácio Katsura em Kyoto. As casas de chá (chashitsu) também são características desta época. A pintura desenvolveu-se significativamente, adquirindo grande vitalidade, destacando-se Tawaraya Sōtatsu e Ogata Kōrin, bem como a escola Ukiyo-e, que se destacou pela representação de tipos e cenas populares (Kitagawa Utamaro, Katsushika Hokusai, Utagawa Hiroshige). A cerâmica tinha um dos seus maiores centros de produção em Quioto, com influência da arte chinesa e coreana; Seu principal artista é Nonomura Ninsei. Neste período foram produzidas as primeiras porcelanas, com um primeiro centro de produção em Arita; Destacam-se as escolas de Kakiemon, Nabeshima e Ko-Kutami.[108].
A literatura evoluiu para um maior realismo, geralmente de tom tradicional e com sutil veia humorística, como se vê nas obras de Saikaku Ihara, Jippensha Ikku") e Ejima Kiseki"). Na poesia, a principal modalidade é o haiku, composição de 17 sílabas, geralmente de tom bucólico, focada na natureza e na paisagem, com destaque para Matsuo Bashō, Yosa Buson e Kobayashi Issa. O gênero waka continuou, geralmente em chinês, representado principalmente por Rai Sanyo"). No século destacou-se o romancista Takizawa Bakin"), autor de Satomi Kakkenden (Vidas de Oito Cães).
No teatro surgiu a forma do kabuki, que sintetizava antigas tradições musicais e interpretativas, bem como a mímica e a dança, com temas dos mais mundanos aos mais místicos. Assim como nō tinha um tom aristocrático, kabuki seria a expressão do povo e da burguesia. A encenação foi riquíssima, com cenários que destacaram a composição cromática, vestidos luxuosos e maquiagens em tons simbólicos, representando vários personagens ou humores dependendo da cor. A dicção era de tipo ritual, uma mistura de canto e recitativo, em ondulações que expressavam a posição ou caráter do personagem.[110].
A música desta época era maioritariamente música de câmara, de tipo secular, desenvolvida com vários instrumentos entre os quais se destacam o shamisen (alaúde de três cordas), o shakuhachi (flauta de bambu) e o koto (cítara de 13 cordas). O koto, principalmente, teve grande boom a partir do século XIX, sendo popularizado pelo músico cego Yatsushashi. Era tocado sozinho, com diversas variações (dan) de 52 compassos (hyoshi), ou acompanhado por voz (kumi).[111].
Entre as últimas tendências arquitetônicas, ocorreu uma grande diversidade de estilos e movimentos, como nas demais artes plásticas: na década de 1950, o chamado brutalismo surgiu paralelamente ao expressionismo abstrato, caracterizado por formas austeras, baseadas na pureza do material, priorizando a estrutura ao acabamento (Alison e Peter Smithson, Louis Kahn e Anne Tyng); o metabolismo japonês respondeu às necessidades de uma sociedade de massas, com grandes escalas, estruturas flexíveis e formas orgânicas (Kenzō Tange, Kishō Kurokawa); a arquitetura pop destacou o caráter urbano e as tipologias populares, tomando como referência os ambientes noturnos de Las Vegas, com suas luzes neon e cenografia decorativa (Robert Venturi, Denise Scott Brown); o chamado “projeto científico e estrutural” enfatizou as novas possibilidades da técnica, especialmente o uso de formas concretas e orgânicas (Félix Candela, Pier Luigi Nervi, Frei Otto, Jørn Utzon, Eero Saarinen, Richard Buckminster Fuller); Na década de 1960 surgiu a alta tecnologia, baseada nas possibilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, tanto a nível prático como estético (Norman Foster, Richard Rogers, Renzo Piano); Entre os anos de 1960 e 1970 surgiu o antidesign, oposto ao racionalismo e à primazia do design sobre a função social e cultural da arquitetura, representado pelo grupo inglês Archigram e pelos italianos Archizoom e Superstudio; Na década de 1970, o neo-racionalismo significou um retorno às premissas funcionalistas, representadas pelo grupo italiano Tendenza e pelos americanos Five Architects; Desde 1975, desenvolveu-se a arquitetura pós-moderna que, como nas outras artes, se baseia no ecletismo "Ecletismo (arte)") e na reinterpretação de estilos anteriores (James Stirling "James Stirling (arquiteto)"), Aldo Rossi, Ricardo Bofill, Arata Isozaki); Na década de 1980 ocorreu o desconstrutivismo, caracterizado pela fragmentação, pelo processo de projeto não linear e pela manipulação de estruturas (Frank Gehry, Peter Eisenman, Rem Koolhaas). Entre outros arquitetos contemporâneos, vale destacar também Jean Nouvel, Glenn Murcutt, Peter Zumthor, Jacques Herzog, Pierre de Meuron, Sverre Fehn, Ieoh Ming Pei, Zaha Hadid, Santiago Calatrava, Rafael Moneo, Luis Barragán, Álvaro Siza, etc.[134].
Nos primeiros anos do século, foram forjadas as bases da chamada arte de vanguarda: o conceito de realidade foi questionado por novas teorias científicas (a subjetividade do tempo de Bergson, a relatividade de Einstein, a mecânica quântica); A teoria da psicanálise de Freud também o influenciou. Por outro lado, as novas tecnologias fizeram com que a arte mudasse de função, uma vez que a fotografia e o cinema já eram responsáveis pela captação da realidade. Graças às coleções etnográficas fomentadas pelo colonialismo europeu, os artistas tiveram contacto com a arte de outras civilizações (africana, asiática, oceânica), o que proporcionou uma visão mais subjetiva e emocional da arte. Todos estes factores levaram a uma mudança de sensibilidade que se traduziu na procura do artista por novas formas de expressão.
• - Fauvismo (1905-1908): primeiro movimento de vanguarda[nota 18] do século, o Fauvismo envolveu a experimentação no campo da cor, que é concebida de forma subjetiva e pessoal, aplicando valores emocionais e expressivos, independentes da natureza. Destacam-se Henri Matisse, Albert Marquet, Raoul Dufy, André Derain, Maurice de Vlaminck e Kees van Dongen.
• - Expressionismo (1905-1923): surgido como reacção ao impressionismo, os expressionistas defendiam uma arte mais pessoal e intuitiva, onde a visão interior do artista - a "expressão" - predominava sobre a representação da realidade - a "impressão" -, reflectindo nas suas obras uma temática pessoal e íntima com gosto pelo fantástico, deformando a realidade para acentuar o carácter expressivo da obra. Com precedentes nas figuras de Edvard Munch e James Ensor, formou-se principalmente em torno de dois grupos: Die Brücke (Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde) e Der Blaue Reiter (Vasili Kandinski, Franz Marc, August Macke, Paul Klee). Outros expoentes foram o Grupo de Viena (Egon Schiele, Oskar Kokoschka) e a Escola de Paris "Escola de Paris (arte)") (Amedeo Modigliani, Marc Chagall, Georges Rouault, Chaïm Soutine). Figuras individuais seriam: José Gutiérrez Solana, Constant Permeke, Cândido Portinari, Oswaldo Guayasamín, etc. O grupo da Nova Objetividade (George Grosz, Otto Dix, Max Beckmann) também costuma ser considerado uma derivação do expressionismo. No México teve expressão no muralismo de José Clemente Orozco, Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros[135] e Rufino Tamayo, e influenciou a obra de Frida Kahlo. Ernst Barlach, Wilhelm Lehmbruck e Käthe Kollwitz destacaram-se na escultura.
• - Cubismo (1907-1914): este movimento baseou-se na deformação da realidade através da destruição da perspectiva espacial de origem renascentista, organizando o espaço segundo uma trama geométrica, com visão simultânea de objetos, uma gama de cores frias e opacas, e uma nova concepção da obra de arte, com a introdução da colagem. A principal figura deste movimento foi Pablo Picasso, um dos grandes gênios do século, junto com Georges Braque, Jean Metzinger, Albert Gleizes, Juan Gris e Fernand Léger, além de Alexander Archipenko, Jacques Lipchitz, Pablo Gargallo e Julio González na escultura. Uma derivação do Cubismo foi o Orfismo "Orfismo (arte)") de Robert Delaunay, bem como o Raionismo Russo, uma síntese do Cubismo, Futurismo e Orfismo (Mikhail Larionov, Natalia Goncharova). Da mesma forma, o purismo #Purismo_do_século XX "Purismo (arte)") foi um movimento pós-cubista (Amédée Ozenfant, Le Corbusier).
• - Futurismo (1909-1930): movimento italiano que exaltou os valores do progresso técnico e industrial do século, destacando aspectos da realidade como movimento, velocidade e simultaneidade de ação. O futurismo aspirava a transformar o mundo, a mudar a vida, mostrando um conceito idealista e um tanto utópico da arte como força motriz da sociedade. Foi o primeiro movimento a ser proclamado com um manifesto (escrito por Filippo Tommaso Marinetti), marca dos futuros movimentos de vanguarda, que também denotava a inter-relação entre as diversas artes. Giacomo Balla e Gino Severini se destacam na pintura, e Umberto Boccioni na escultura.[136].
• - Arte abstrata (1910-1932): o conceito de realidade foi questionado por novas teorias científicas, e com o surgimento de novas tecnologias como a fotografia e o cinema, que já eram responsáveis pela captação da realidade, ocorreu a gênese da arte abstrata: o artista não tenta mais refletir a realidade, mas sim o seu mundo interior, para expressar seus sentimentos. A arte perde todos os aspectos reais e imitativos da natureza para se concentrar na simples expressividade do artista, em formas e cores que carecem de qualquer componente referencial. Iniciado por Vasili Kandinsky, foi desenvolvido pelo movimento neoplasticista (De Stijl), com figuras como Piet Mondrian e Theo Van Doesburg na pintura, e Georges Vantongerloo na escultura.
• - Construtivismo "Construtivismo (arte)") (1914-1930): surgido na Rússia revolucionária, foi um estilo politicamente comprometido que buscava através da arte realizar uma transformação da sociedade, através de uma reflexão sobre formas artísticas puras concebidas a partir de aspectos como o espaço "Espaço (física)") e o tempo, o que gerou uma série de obras em estilo abstrato, com tendência à geometrização. Destacam-se Vladimir Tatlin, Lissitzky, Anton Pevsner e Naum Gabo. Uma variante foi o suprematismo de Kasimir Malevich.
• - Dadaísmo (1916-1922): movimento de reação aos desastres da guerra, o dadaísmo representou uma abordagem radical do conceito de arte, que perdeu qualquer componente baseado na lógica e na razão, reivindicando a dúvida, o acaso e o absurdo da existência. Isto traduz-se numa linguagem subversiva, onde tanto os temas como as técnicas tradicionais da arte são questionados, experimentando novos materiais e novas formas de composição, como a colagem, a fotomontagem e o ready-made. Destacam-se Hans Arp, Francis Picabia, Kurt Schwitters e Marcel Duchamp.
• - Surrealismo (1924-1955): com claro precedente na pintura metafísica (Giorgio de Chirico, Carlo Carrà), o surrealismo[nota 19] dá especial ênfase à imaginação, à fantasia, ao mundo dos sonhos, com forte influência da psicanálise, percebida em seu conceito de "escrita automática", por meio da qual tentam se expressar libertando a mente de quaisquer amarras racionais, mostrando a pureza do inconsciente. A pintura surrealista transitou entre a figuração (Salvador Dalí, Paul Delvaux, René Magritte, Max Ernst) e a abstração (Joan Miró, André Masson, Yves Tanguy). Na escultura destacam-se Henry Moore, Constantin Brâncuşi, Alberto Giacometti e Alexander Calder.[137].
Desde a Segunda Guerra Mundial, a arte vivenciou uma dinâmica evolutiva vertiginosa, com estilos e movimentos que se sucedem cada vez mais rapidamente ao longo do tempo. O projeto moderno que se originou com a vanguarda histórica atingiu o seu ápice com vários estilos antimateriais que destacaram a origem intelectual da arte em detrimento de sua realização material, como a action art e a arte conceitual. Atingido este nível de prospecção analítica da arte, ocorreu o efeito contrário - como é habitual na história da arte, onde os vários estilos se confrontam e se opõem, o rigor de uns sucede ao excesso de outros, e vice-versa -, regressando às formas clássicas de arte, aceitando a sua componente material e estética, e renunciando ao seu carácter revolucionário e transformador da sociedade. Surgiu assim a arte pós-moderna, onde o artista transita descaradamente entre diversas técnicas e estilos, sem caráter vingativo, retornando ao trabalho artesanal como essência do artista. Por fim, devemos destacar no final do século o aparecimento de novas técnicas e suportes no campo da arte: vídeo, computação, internet, laser, holografia, etc.[138].
• - Informalismo (1945-1960): conjunto de tendências baseadas na expressividade do artista, renunciando a qualquer aspecto racional da arte (estrutura, composição, aplicação preconcebida de cor). É uma arte eminentemente abstracta, onde o suporte material da obra ganha relevância, assumindo lugar de destaque sobre qualquer tema ou composição. Inclui diversas correntes como o tachismo, a arte bruta e a pintura material. Destacam-se Georges Mathieu, Hans Hartung, Jean Fautrier, Jean Dubuffet, Lucio Fontana, etc. Na Espanha surgiram os grupos El Paso "El Paso (grupo)") (Antonio Saura, Manolo Millares) e Dau al set (Antoni Tàpies, Modest Cuixart). Na escultura merecem destaque Jorge Oteiza e Eduardo Chillida. Nos Estados Unidos, desenvolveu-se o expressionismo abstrato - também chamado de action painting -, caracterizado pelo uso da técnica dripping, o gotejamento de tinta sobre a tela, sobre a qual o artista intervia com diversos utensílios ou com o próprio corpo. Seus membros incluem Jackson Pollock, Mark Rothko, Franz Kline e Willem de Kooning.
• - Nova figuração (1945-1960): como reacção à abstracção informalista, surge um movimento que recupera a figuração, com uma certa influência expressionista e com total liberdade de composição. Embora se baseassem na figuração, isso não significa que fosse realista, mas sim que pudesse ser deformada ou esquematizada ao gosto do artista. A filosofia existencialista e a sua visão pessimista do ser humano tiveram uma influência decisiva na génese deste estilo e estiveram ligadas ao movimento beat e aos jovens furiosos. Entre suas figuras podemos citar Francis Bacon "Francis Bacon (pintor)"), Lucian Freud, Bernard Buffet, Nicolas de Staël e os integrantes do grupo CoBrA (Karel Appel, Asger Jorn, Corneille e Pierre Alechinsky), além de Germaine Richier e Fernando Botero na escultura.
• - Arte cinética (desde 1950): também chamada de op-art (arte óptica), é um estilo que dá ênfase ao aspecto visual da arte, especialmente aos efeitos ópticos, que são produzidos quer por ilusões de óptica (figuras ambíguas, imagens persistentes, efeito moiré), quer através de movimentos ou jogos de luz. É uma arte composicional abstrata, mas racional, diferente do informalismo. Destacam-se Victor Vasarely, Jesús Rafael Soto, Yaacov Agam, Julio Le Parc, Eusebio Sempere, etc.
• - Pop art (1955-1970): surgiu nos Estados Unidos como um movimento de rejeição do expressionismo abstrato, abrangendo uma série de autores que regressaram à figuração, com marcada componente de inspiração popular, retirando imagens do mundo da publicidade, da fotografia, da banda desenhada e dos meios de comunicação de massa. Com precedente no chamado Novo Dadá (Robert Rauschenberg, Jasper Johns), Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Tom Wesselmann, James Rosenquist, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton "Richard Hamilton (artista)") e, na escultura, Claes Oldenburg, destacaram-se na pop art.
• - Novo realismo (1958-1970): movimento francês inspirado no mundo da realidade circundante, no consumismo e na sociedade industrial, dos quais extraem – ao contrário da pop art – o seu aspecto mais desagradável, com especial predileção pelos materiais tríticos. Seus representantes foram Arman, César Baldaccini, Yves Klein, Jean Tinguely, Piero Manzoni, Daniel Spoerri, Niki de Saint Phalle, etc. Klein e Manzoni foram antecedentes da arte conceitual: Klein com suas antropometrias e suas cosmogonias (pinturas expostas aos elementos: fogo, chuva) ou com sua exposição Vacío (1958, Galeria Iris Clert), onde vendeu o espaço vazio de um galeria; e Manzoni embalando seus excrementos em uma lata (Merda d'artista, 1961).
• - Action art (desde 1960): são diversas tendências baseadas no ato de criação artística, onde o importante não é a obra em si, mas o processo criativo, no qual, além do artista, intervém frequentemente o público, com uma grande componente de improvisação. Abrange diversas manifestações artísticas como happening, performance, ambiente, instalação, etc. Suas figuras incluem Joseph Beuys, Allan Kaprow, Wolf Vostell, Yoko Ono, Nam June Paik e os grupos Fluxus e Gutai.
• - Minimalismo (1963-1980): com precedente na Nova Abstração ou Abstração Pós-Pictorial (Barnett Newman, Frank Stella, Ellsworth Kelly, Kenneth Noland), o minimalismo foi um movimento que representou um processo de desmaterialização que levaria à arte conceitual. São obras de carácter abstracto, de marcada simplicidade, reduzidas a um motivo mínimo, refinadas à abordagem inicial do autor, base sobre a qual este teria desenvolvido a ideia que, no entanto, é captada na sua fase inicial. Destacaram-se os pintores Robert Mangold e Robert Ryman, e os escultores Carl Andre, Dan Flavin, Donald Judd e Sol LeWitt.
• - Hiperrealismo (desde 1965): como reacção ao minimalismo, surgiu esta nova corrente figurativa, caracterizada pela sua visão superlativa e exagerada da realidade, que é captada com grande precisão em todos os seus detalhes, com um aspecto quase fotográfico. Destacam-se Chuck Close, Richard Estes, Don Eddy, John Salt, Ralph Goings, Antonio López García e, na escultura, George Segal “George Segal (artista)”), famoso pelas suas figuras humanas em gesso.
• - Arte conceitual (1965-1980): após o despojamento material do minimalismo, a arte conceitual renunciou ao substrato material para focar no processo mental da criação artística, afirmando que a arte está na ideia, não no objeto. Inclui diversas tendências: arte conceitual linguística, a mais purista da conceitualidade, focada na relação arte-linguagem (Joseph Kosuth); arte povera, focada em instalações, geralmente feitas de materiais detríticos (Mario Merz, Jannis Kounellis); arte corporal, tendo o corpo humano como suporte (Gilbert e George, Dennis Oppenheim); a land-art, que utiliza a natureza como suporte, com uma marcada componente efémera (Christo, Walter De Maria, Robert Smithson, Richard Serra); a bioarte, que utiliza técnicas biológicas (Joe Davis, Estéfano Viu"), etc. Vários gêneros de demanda social como a arte feminista (Jenny Holzer, Barbara Kruger, Cindy Sherman, Judy Chicago) e a arte homoerótica (Paul Cadmus, Robert Mapplethorpe, Deborah Cherena") também poderiam ser enquadrados nesta corrente.
• - Novas tecnologias (desde 1965): o aparecimento de novas tecnologias desde a década de 1960 (televisão, vídeo, computação) significou uma grande revolução para a arte não só em termos de novos meios e materiais, mas também de novas formas de expressão que expandiram os limites da arte. A videoarte surgiu em 1965 com o aparecimento da primeira câmera de vídeo portátil (a Portapak da Sony). Nesta modalidade destaca-se não só a sua componente física – a emissão de imagens, geralmente no âmbito de instalações ou performances – mas também a mensagem inerente à imagem filmada, fundindo o mundo da comunicação com a cultura popular. Os expoentes desta modalidade são Nam June Paik, Dan Sandin"), Bill Viola, Tony Oursler, etc. Arte sonora (ou Arte áudio) baseia-se no som, seja natural, musical, tecnológico ou acústico, e é integrada na arte através de montagens, instalações, performances, videoarte, etc. (Laurie Anderson, Brian Eno). A informática e a Internet também têm sido um grande impulso para a arte, não apenas como suporte, mas pelas suas novas possibilidades criativas. e, sobretudo, pela sua vertente interactiva, assumindo uma nova forma de colaboração entre o artista e o público (Olia Lialina"), Heath Bunting"), Jake Tilson")).
• - Arte pós-moderna (desde 1975): ao contrário da chamada arte moderna, é a arte da pós-modernidade. Assumem o fracasso dos movimentos de vanguarda como o fracasso do projeto moderno: a vanguarda procurou eliminar a distância entre a arte e a vida, universalizar a arte; Já o artista pós-moderno é autorreferencial, a arte fala de arte, não pretende fazer trabalho social. Destacam-se artistas individuais como Jeff Koons, David Salle, Jean-Michel Basquiat, Keith Haring, Julian Schnabel, Eric Fischl, Miquel Barceló, etc.; ou também vários movimentos como a transvanguarda italiana (Sandro Chia, Francesco Clemente, Enzo Cucchi, Nicola De Maria, Mimmo Paladino), o neo-expressionismo alemão (Anselm Kiefer, Georg Baselitz, Jörg Immendorff, Markus Lüpertz, Sigmar Polke), o neomaneirismo, a figuração livre, etc.
Durante o processo de colonização iniciado pelas potências europeias no século XX, e especialmente com a ascensão dos meios de comunicação (rádio, televisão, internet) e o processo de globalização cultural produzido mundialmente, a arte padronizou-se progressivamente no sentido da universalização dos estilos, preservando em muitos locais as formas nativas e tradicionais, mas adquirindo um selo estilístico comum perceptível em vários pontos do planeta. As antigas formas artísticas baseadas em materiais e tipologias tradicionais abraçaram novas tecnologias e um novo sentido estético dominado por factores como a moda e a velocidade de difusão de vários movimentos artísticos.
Certas formas tradicionais de arte ainda persistem no continente africano, embora a colonização europeia tenha introduzido a arte ocidental, produzindo uma certa mistura de ambos os estilos. Em muitas partes de África a arte é marcada pela religião islâmica, enquanto noutras é mais cristã, mas as antigas formas animistas ainda persistem. O interesse pela arte africana na Europa levou à sua produção para fins de exportação, principalmente máscaras e esculturas ornamentais de ébano ou marfim. Entre os artistas mais notáveis estão Ashira Olatunde" (da Nigéria), Nicholas Mukomberanwa (do Zimbabué), Henry Tayali (da Zâmbia) e Eric Adjetey Anang (do Gana).
Na Índia, a arte abriu-se às formas vanguardistas em meados do século, como pode ser visto na intervenção de arquitectos estrangeiros como Le Corbusier em Chandigarh e Bangalore. Atualmente, a Índia vive um boom no campo da criação emergente e das artes plásticas contemporâneas, sendo o artista indiano mais requisitado o escultor Anish Kapoor, a par de nomes como Ram Kinker Baij, Sankho Chaudhuri, Ajit Chakravarti e Nek Chand.
O fim da era imperial marcou a modernização da China, que se tornou mais aberta à influência ocidental. O triunfo da revolução comunista impôs o realismo socialista como arte oficial, embora recentemente a nova política de abertura tenha favorecido a chegada das últimas tendências artísticas, ligadas às novas tecnologias. Em 1989, a exposição China/Avant-garde, na Galeria Nacional Chinesa em Pequim, teve grande ressonância, mostrando as últimas criações do momento, incluindo trabalhos pictóricos e fotografias, instalações e performances. Infelizmente, os acontecimentos de Tiananmen causaram um novo revés, até uma nova inauguração em 1992. Os artistas chineses contemporâneos mais relevantes são: Qi Baishi, Wu Guanzhong, Pan Yuliang, Zao Wou Ki e Wang Guangyi.
No Japão, o período Meiji (1868-1912) marcou uma profunda renovação cultural, social e tecnológica, abrindo-se mais ao exterior e começando a incorporar os novos avanços alcançados no Ocidente. A pintura apresentou então duas correntes: uma tradicional (Nihonga) e outra ocidentalista (Yōga). Na escultura existe também a dualidade tradição-vanguarda. Mais recentemente destaca-se a presença no campo da action art do grupo Gutai, que assimilou a experiência da Segunda Guerra Mundial através de ações repletas de ironia, com grande sentimento de tensão e agressividade latente. Artistas proeminentes do Japão contemporâneo são: Tsuguharu Foujita, Kuroda Seiki, Tarō Okamoto, Chuta Kimura, Leiko Ikemura, Michiko Noda, Yasumasa Morimura, Yayoi Kusama, Yoshitaka Amano, Shigeo Fukuda, Shigeko Kubota, Yoshitomo Nara, Isamu Noguchi e Etsuro Sotoo.
No século as artes decorativas tiveram uma rápida evolução, marcada pela utilização de novos materiais e tecnologias mais avançadas, e com uma clara aposta no design como base criativa, destacando-se o aspecto intelectual destas criações face à mera realização material tradicionalmente concedida ao artesanato. A grande revitalização desta atividade artística veio do art déco,[nota 20] movimento surgido na França em meados da década de 1920 que representou uma revolução para o design de interiores e para as artes gráficas e industriais. Este estilo caracterizou-se pela predileção pelas linhas curvas e flores simétricas nas artes gráficas, e pelas formas quadradas e geométricas no mobiliário e decoração de interiores. Voltado principalmente para um público burguês, destacou-se pela ostentação e luxo, e desenvolveu-se notadamente na ilustração publicitária (Erté) e no design de cartazes (Cassandre). Art Déco também ocorreu na arquitetura (Edifício Chrysler de William van Alen) e na pintura (Tamara de Lempicka, Santiago Martínez Delgado).
Outro grande avanço no campo do design ocorreu com a Bauhaus, que, frente à ornamentação excessiva do art déco, introduziu um conceito de design mais racional e funcional, mais adaptado às reais necessidades das pessoas. Esta instituição pretendia quebrar as barreiras entre a arte e o artesanato, com uma clara aposta na produção industrial. O seu design baseou-se na simplicidade, na abstracção geométrica e na utilização de cores primárias e novas tecnologias, como ficou evidente nos móveis tubulares de aço criados por Marcel Breuer, ou nos candeeiros desenhados por Marianne Brandt. Nesta escola destacaram-se criadores como László Moholy-Nagy, Oskar Schlemmer, Johannes Itten, Paul Klee, Josef Albers, etc. Da mesma forma, o grupo neoplasticista De Stijl desenvolveu um estilo de interiores baseado na simplicidade, formas geométricas e cores primárias, como a famosa cadeira vermelha e azul de Gerrit Thomas Rietveld (1923). Desde então, o design industrial e de interiores continuou no caminho da criação intelectual e do design funcional, com um aumento progressivo na experimentação de novos materiais (plástico, fibra de vidro), atendendo às necessidades do mercado sem abrir mão do processo de modernização da sociedade, o que gerou uma linha chamada styling (representada principalmente por Raymond Loewy).[141].
Ao longo do século, a literatura teve – como o resto das artes – uma grande diversidade estilística, partindo de premissas anteriores e cânones clássicos em alguns casos, e rompendo com o passado e experimentando novas formas e estilos em outros. A vontade de inovação levou à procura da essência literária, de uma linguagem transcendente e metafísica, como é o caso da chamada “poesia pura” (Paul Valéry, William Butler Yeats, Ezra Pound, T. S. Eliot, Eugenio Montale, Fernando Pessoa, Konstantinos Kavafis). O principal campo de experimentação foi o da vanguarda artística: o futurismo destacou-se pelo desejo modernizador, exaltando os avanços técnicos, a velocidade, a ação, até a violência (teve contactos estreitos com o fascismo italiano), defendendo a destruição da sintaxe e a liberdade das palavras; Foi representado principalmente por Filippo Tommaso Marinetti e Vladimir Mayakovski. O cubismo buscou novas formas sintáticas, fragmentando os poemas e dando-lhes um aspecto gráfico, com fontes diferenciadas e aparecimento de sinais extralinguísticos, suprimindo os sinais de pontuação ("colagem linguística"), com destaque para Guillaume Apollinaire. O dadaísmo introduziu a anarquia na gênese literária, buscando deliberadamente uma linguagem caótica e absurda, que perde seu aspecto lógico e comunicativo, como na obra de Tristan Tzara. O expressionismo criticou a sociedade burguesa de sua época, o militarismo, a alienação do indivíduo na era industrial e a repressão familiar, moral e religiosa. A realidade não é mais imitada, não se analisam causas ou fatos, mas sim o autor busca a essência das coisas, mostrando sua visão particular. Destacaram-se Franz Kafka, Gottfried Benn, Alfred Döblin, Georg Heym, Franz Werfel, Georg Trakl e Rainer Maria Rilke. O surrealismo foi muito influenciado pela psicologia freudiana, evocando em suas obras o mundo do inconsciente, dos sonhos, da subjetividade, num estilo que buscava a associação inusitada de palavras, de metáforas oníricas e delirantes, o que se traduziu na técnica da "escrita automática". André Breton, Paul Éluard e Louis Aragon se destacaram.
No campo da narrativa, a amarga experiência bélica na guerra mundial provocou uma série de trabalhos de crítica à guerra, de reflexão, de introspecção psicológica, de busca de novos valores morais, com uma linguagem simbólica e metafórica; Isto é visto na obra de Marcel Proust, André Gide, François Mauriac, Thomas Mann, Hermann Hesse, etc. Mais tarde, surgiu um maior compromisso social, com obras denunciando os valores burgueses que levaram à guerra; Esta corrente é representada por André Malraux, Antoine de Saint-Exupéry, George Orwell e Aldous Huxley. Em contrapartida, há uma corrente mais inovadora, mais focada na técnica literária, no virtuosismo estilístico e no aprofundamento dos personagens, como podemos ver em James Joyce, Lawrence Durrell e Virginia Woolf. Nos Estados Unidos surgiu a chamada “geração perdida”, caracterizada também pela crítica social e pela busca de novos valores humanos: John Dos Passos, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck, William Faulkner, Gertrude Stein, Henry Miller e Ernest Hemingway.
A segunda metade do século foi marcada pelo ecletismo e pela diversidade de tendências, com uma certa continuidade de estilos anteriores, especialmente na poesia, onde autores como Jacques Prévert, Dylan Thomas e Wystan Hugh Auden criam poesia inconformista e intelectualizada. A narrativa é mais inovadora, caracterizada pela preocupação existencial e pelo compromisso social: Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Simone de Beauvoir, Jean Genet, Cesare Pavese, Italo Calvino, Alberto Moravia, etc. Na década de 1950, o nouveau roman ("novo romance") surgiu na França, focado na análise fria e objetiva da realidade (Alain Robbe-Grillet, Nathalie Sarraute). Naqueles anos houve um renascimento do “romance histórico”, com Marguerite Yourcenar, Robert Graves e Umberto Eco. Na Alemanha, surgiram escritores anticonvencionais como Peter Handke e Günther Grass, enquanto nos Estados Unidos surgiu a geração beat (Allen Ginsberg, William Burroughs, Jack Kerouac), bem como uma nova série de romancistas liderada por Truman Capote, J. D. Salinger e Norman Mailer. Outros grandes autores do século também merecem destaque: H. G. Wells, Rudyard Kipling, J. R. R. Tolkien, Salvatore Quasimodo, Nikos Kazantzakis, Halldór Laxness, Pär Lagerkvist, Mika Waltari, Jaroslav Hašek, Boris Pasternak, Mihail Šolohov, Aleksandr Solzhenitsyn, José Saramago, Sholem Asch, Rabindranath Tagore, Jalil Gibran, Naguib Mahfuz, Wen Yiduo, Yukio Mishima, Kenzaburo Oé, Wole Soyinka, Orhan Pamuk, etc.[142].
Na Espanha, a literatura do século começou com o chamado Noucentisme, representado por José Ortega y Gasset, Ramón Pérez de Ayala, Ramón Gómez de la Serna e Eugeni d'Ors. Mais tarde surgiu a Geração de 27, com um maior desejo vanguardista, que persegue o ideal da "poesia pura", com uma certa influência do surrealismo (Federico García Lorca, Rafael Alberti, Vicente Aleixandre, Pedro Salinas, Jorge Guillén, Dámaso Alonso, Gerardo Diego, Luis Cernuda, Miguel Hernández). Os anos da ditadura produzem uma cisão: por um lado, a literatura afeta o regime que exalta os valores nacionais (Luis Rosales, Leopoldo Panero); por outro, uma literatura desenraizada, de tom angustiado (Camilo José Cela, Ramón J. Sénder, Miguel Delibes, Gonzalo Torrente Ballester, Carmen Laforet, Ana María Matute). Na década de 1950 surgiu o realismo social, uma literatura mais comprometida que denuncia a injustiça e a falta de liberdade (Blas de Otero, Gabriel Celaya, León Felipe). Desde a década de 1970, uma nova vitalidade surgiu na literatura, com um desejo de reforma (os chamados "Novísimos" na poesia), destacando figuras como Manuel Vázquez Montalbán, Juan Marsé, Antonio Gala, José Hierro, Jaime Gil de Biedma, José Agustín Goytisolo, etc. Rodoreda, Josep Maria de Sagarra), galega (Celso Emilio Ferreiro, Ramón Otero Pedrayo, Alfonso Rodríguez Castelao, Álvaro Cunqueiro) e basca (Esteban Urkiaga, Gabriel Aresti, José Luis Álvarez Enparantza) desenvolveram literatura. Na América Latina destacam-se: Alfonsina Storni, Gabriela Mistral, Vicente Huidobro, César Vallejo, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Nicolás Guillén, Rómulo Gallegos, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Octavio Paz, Guillermo Cabrera Infante, Augusto Roa Bastos, Ernesto Sabato, Mario Benedetti, Isabel Allende, etc.[143].
O teatro do século teve uma grande diversificação de estilos, evoluindo paralelamente às correntes artísticas de vanguarda. Maior ênfase é dada à direção artística e à cenografia, ao caráter visual do teatro e não apenas ao literário. Há progresso na técnica interpretativa, com maior profundidade psicológica (método Stanislavski, Actors Studio de Lee Strasberg), e reivindicando gesto, ação e movimento. As três unidades clássicas são abandonadas e inicia-se o teatro experimental, com novas formas de fazer teatro e maior ênfase no espetáculo, regressando ao ritual e às manifestações de culturas antigas ou exóticas. Ganha cada vez mais destaque o encenador, que muitas vezes é o arquitecto de uma determinada visão da encenação (Vsevolod Meyerhold, Max Reinhardt, Erwin Piscator, Tadeusz Kantor).
Dentre os diversos movimentos teatrais vale destacar: o expressionismo (Georg Kaiser, Fritz von Unruh, Hugo von Hofmannsthal); o “teatro épico” (Bertolt Brecht, Peter Weiss, Rainer Werner Fassbinder); o “teatro do absurdo”, ligado ao existencialismo (Antonin Artaud, Eugène Ionesco, Samuel Beckett, Albert Camus); e os jovens raivosos, inconformistas e antiburgueses (John Osborne, Harold Pinter, Arnold Wesker). Outros autores notáveis são: George Bernard Shaw, Luigi Pirandello, Alfred Jarry, Tennessee Williams, Eugene O'Neill, Arthur Miller, John Boynton Priestley, Dario Fo, etc. Na Espanha destacam-se Federico García Lorca, Miguel Mihura, Alejandro Casona, Antonio Buero Vallejo, Alfonso Paso e Fernando Arrabal.
Desde a década de 1960, o teatro tem reagido contra o distanciamento do teatro épico, buscando uma comunicação dramática estabelecida através de ações reais que afetam o espectador (The Living Theatre, teatro-laboratório de Jerzy Grotowski, ações happening). Os novos realizadores acrescentaram a este “teatro da provocação” uma consciência estilística baseada na cerimónia, no entretenimento e no exibicionismo (Peter Brook, Giorgio Strehler, Luca Ronconi). A linguagem oral é assim duplicada pela visual, e a arte dramática recupera de certa forma a sua antiga ambição de “teatro total”. Isto é evidente em vários grupos espanhóis, como Els Joglars, Els Comediants e La Fura dels Baus, ou no grupo canadense Cirque du Soleil.[144].
No campo musical, a transição do século foi marcada pelo pós-romantismo de Richard Strauss, Gustav Mahler e Aleksandr Skriabin, entrando posteriormente no campo das vanguardas artísticas: o cubismo tendia à desumanização, à esquematização e às construções lineares, sem ornamentos (Erik Satie); O expressionismo procurou separar-se dos fenómenos objetivos externos, sendo um instrumento exclusivamente da atividade criativa do compositor e refletindo principalmente o seu estado emocional, fora de todas as regras e convenções (Darius Milhaud, Francis Poulenc, Arthur Honegger); o futurismo experimentou os ruídos e sons da natureza e da vida cotidiana (Luigi Russolo, Edgar Varèse); o neoclassicismo – ligado na Rússia ao realismo socialista, também chamado de “sinfonismo soviético” – recuperou as formas clássicas, mas reinterpretando-as, e sem renunciar aos novos avanços vanguardistas (Carl Orff, Gustav Holst, Igor Stravinsky, Sergei Prokofiev, Dmitri Shostakovich, Sergei Rachmaninov); O dodecafonismo era um sistema baseado nos doze tons da escala cromática, que eram utilizados em qualquer ordem, mas em série, sem repetir uma nota antes de as outras serem tocadas, evitando polarização, atração por centros tonais (Arnold Schönberg, Alban Berg, Anton von Webern); Da mesma forma, o ultracromatismo expandiu a escala musical para graus inferiores a um semitom – quartos ou sextos de tom – (Alois Hába, Ferruccio Busoni); A Nova Objetividade proporcionou uma visão mais realista e social da música, dando origem ao conceito de Gebrauschmusik (“música utilitária”), baseado no conceito de consumo de massa para produzir obras de construção simples e acessíveis a todos (Paul Hindemith, Kurt Weill).
Desde meados do século, a experimentação e a diversidade de conceitos musicais continuaram, produzindo novas técnicas e efeitos sonoros, como a música electrónica de Karlheinz Stockhausen; a música concreta de Pierre Schaeffer e Pierre Henry; o serialismo de Olivier Messiaen, Luigi Dallapiccola, Pierre Boulez e Luis de Pablo; o polystyling de Luciano Berio; os “reinos sonoros” de Luigi Nono; a música aleatória de John Cage, Charles Ives, Witold Lutoslawski e Cristóbal Halffter; o neotonalismo de Arvo Pärt e Henryk Górecki; a “música estatística” de Iannis Xenakis, Krzysztof Penderecki e György Ligeti; o minimalismo de Philip Glass; e a new age "New age (music)") de Michael Nyman e Wim Mertens.[145].
A ópera do século manteve em vigor o repertório anterior, que continua a ser apresentado com sucesso nos melhores teatros e auditórios do mundo, enquanto a nível produtivo, embora tenha havido uma produção copiosa e excelente, as inovações produzidas neste campo não tiveram grande sucesso entre o público maioritário. No início do século, o verismo italiano continuou num chamado "pós-verismo" representado principalmente por Riccardo Zandonai (Francesca da Rimini, 1914; Giulietta e Romeo "Giulietta e Romeo (Zandonai)"), 1922). O pós-romantismo contou com a grande figura de Richard Strauss (Salomé "Salomé (ópera)"), 1905; Ariadne em Naxos, 1912). O neoclassicismo deixou obras como Édipo Rex "Édipo Rex (ópera)") (1925), de Igor Stravinsky; Lady Macbeth de Mtsensk "Lady Macbeth de Mtsensk (ópera)") (1936), de Dmitri Shostakovich; e Guerra e Paz "Guerra e Paz (ópera)") (1946), de Sergei Prokofiev. No nível vanguardista, destacaram-se o expressionismo e o dodecafonismo: Moses and Aaron (1926), de Arnold Schönberg; Wozzeck (1925) e Lulú "Lulú (ópera)") (1935), de Alban Berg; Jonny spielt auf (1927), de Ernst Krenek. Mais recentemente, destaca-se a obra de Benjamin Britten, de grande valor dramático (Peter Grimes, 1945; Sonho de uma noite de verão "Sonho de uma noite de verão (ópera)"), 1961; Morte em Veneza "Morte em Veneza (ópera)"), 1973). Outros expoentes são: Kurt Weill (Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny, 1930), George Gershwin (Porgy e Bess, 1935), Paul Hindemith (Matías o pintor, 1938), Francis Poulenc (Les mamelles de Tirésias, 1947), Gian Carlo Menotti (O médium, 1946; O telefone, 1947; O cônsul, 1950), Alberto Ginastera (Bomarzo "Bomarzo (Ginastera)"), 1967), etc.
A música popular também tem sido muito importante, o que gerou vários estilos musicais como jazz, soul, blues, rock, pop, heavy, punk, reggae, rap, ska, etc. No século, shows musicais também tiveram um grande boom, como cabaret e music hall, enquanto a trilha sonora do filme ganhou cada vez mais destaque (John Williams "John Williams (compositor)", Ennio Morricone, Henry Mancini, Andrew Lloyd Webber, Leonard Bernstein, Maurice Jarre, Vangelis, Nino Rota). A vertente consumista da civilização atual, o aparecimento de novas tipologias (rádio “Rádio (meio de comunicação)”), música ambiente, videoclips) e a introdução de novos suportes de gravação musical (disco de vinil, cassete, compact disc, formatos de áudio de computador, mp3) têm favorecido a popularização da música, que se tornou um aspecto indispensável do lazer moderno, com a proliferação de concertos e recitais, e autênticos fenómenos de massa em torno de vários grupos e intérpretes. (Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Michael Jackson, Madonna, etc.). Nos últimos tempos, a indústria fonográfica tem sofrido um declínio progressivo devido aos downloads ilegais na Internet, facto que tem gerado uma forte polémica que ainda persiste.[146].
A dança contemporânea recomeçou com a liderança do balé russo adquirida no final do século: Mihail Fokin deu mais importância à expressão do que à técnica; Sua obra Chopiniana (1907) inauguraria o "balé atmosférico" - só dança, sem enredo. Sergei Diágilev foi o arquiteto do grande triunfo dos Balés Russos em Paris, introduzindo a dança nas correntes de vanguarda: seu primeiro grande sucesso foi obtido com as Danças Polovtsianas do Príncipe Igor de Borodin (1909), seguidas por O Pássaro de Fogo (1910), Petrushka (1911) e A Sagração da Primavera (Ballet)") (1913), de Stravinsky; por fim, Parade (1917) foi um marco na vanguarda, com música de Erik Satie, coreografia de Léonide Massine, libreto de Jean Cocteau e cenários de Pablo Picasso. Os bailarinos Vaslav Nijinsky, Anna Pavlova e Tamara Karsavina se destacaram no grupo de Diaghilev. Surgiram Nureyev e Mihail Baryshnikov, e foram produzidas obras memoráveis como Romeu e Julieta "Romeu e Julieta (Prokofiev)") (1935) e Cinderela (1945), de Prokofiev, e Spartacus (1957), de Aram Jachaturian. O sistema pedagógico idealizado por Agrippina Vagánova também alcançou notoriedade.
A dança expressionista marcou uma ruptura com o ballet clássico, procurando novas formas de expressão baseadas na liberdade do gesto corporal, libertadas dos constrangimentos da métrica e do ritmo, onde a auto-expressão corporal e a relação com o espaço se tornam mais relevantes. Seu principal teórico foi o coreógrafo Rudolf von Laban, que criou um sistema que buscava integrar corpo e alma, dando ênfase à energia que os corpos emanam, e analisando o movimento e sua relação com o espaço. Este novo conceito seria capturado pela dançarina Mary Wigman. De forma independente, a grande figura do início do século foi Isadora Duncan, que introduziu uma nova forma de dançar, inspirada nos ideais gregos, mais aberta à improvisação e à espontaneidade.
No período entre guerras destacaram-se as escolas francesa e britânica, bem como a ascensão dos Estados Unidos. Em França, o Ballet da Ópera de Paris regressou ao esplendor da era romântica, graças sobretudo ao trabalho de Serge Lifar, Roland Petit e Maurice Béjart. Na Grã-Bretanha destacaram-se figuras como Marie Rambert, Ninette de Valois, Frederick Ashton, Antony Tudor, Kenneth MacMillan, Margot Fonteyn, etc. Nos Estados Unidos, onde havia pouca tradição, um elevado nível de criatividade e profissionalização foi alcançado em pouco tempo, graças, em primeiro lugar, a pioneiras como Ruth Saint Denis, Martha Graham, Doris Humphrey e Agnes De Mille. O russo George Balanchine – oriundo da companhia de Diaghilev – ali se estabeleceu em 1934, onde fundou a School of American Ballet, e produziu espetáculos que o tornaram reconhecido como um dos melhores coreógrafos do século. Nas décadas de 1950 e 1960, destacou-se a atividade inovadora de Merce Cunningham, que, influenciado pelo expressionismo abstrato e pela música aleatória de John Cage, introduziu a dança baseada no acaso, no caos e na aleatoriedade (coreografia do acaso). Outro grande marco da época foi West Side Story (1957) de Jerome Robbins.
Com Paul Taylor, a dança entrou no reino do pós-modernismo, com um manifesto inicial no seu Dueto (1957), onde permaneceu imóvel ao lado de um pianista que não tocava piano. A dança pós-moderna introduziu o comum e o cotidiano, os corpos comuns comparados aos estilizados dos bailarinos clássicos, com uma mistura de estilos e influências, do oriental ao folclórico, incorporando até movimentos de aeróbica e kickboxing. Outros coreógrafos pós-modernos incluíram Glen Tetley, Alvin Ailey e Twyla Tharp. Nas últimas décadas do século destacaram-se coreógrafos como William Forsythe "William Forsythe (coreógrafo)") e Mark Morris, bem como a escola holandesa, representada por Jiří Kylián e Hans van Manen, e onde também treinou o espanhol Nacho Duato. Ao nível das danças populares, ao longo do século houve uma grande diversidade de estilos, entre os quais podemos destacar: foxtrot "Foxtrot (dança)"), Charleston, sapateado, cha-cha, tango, bolero, pasodoble, rumba, samba "Samba (dança de salão)"), conga "Conga (dança)"), merengue "Merengue (dança)"), salsa "Salsa (dança)"), twist "Twist (dance)"), rock and roll "Rock ’n’ roll (dance)"), moonwalk "Moonwalk (dance)"), hustle "Hustle (dance)"), break dance, etc.[147].
Durante o século, o uso da fotografia expandiu-se significativamente, uma vez que as contínuas melhorias técnicas nas câmeras portáteis permitiram o uso generalizado desta técnica a nível amador. A sua presença foi essencial em revistas e jornais, tendo os meios de comunicação social assumido um papel predominante na cultura visual do século. Durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra seguinte, nasceu o jornalismo fotográfico, originalmente na Alemanha, com revistas como Berliner Illustrierte Zeitung e Münchner Illustrierte Presse"), com destaque para o trabalho de Erich Salomon e Stefan Lorant"), criadores da "reportagem fotográfica". Logo essa forma de fotojornalismo se espalhou pelo mundo, motivada pelo surgimento de uma nova câmera – a Leica (1925) – com lentes intercambiáveis e rolos de 36 fotos. Em 1947, apareceu a Polaroid, filme instantâneo. No século, a fotografia também esteve intimamente ligada à moda e à publicidade.
A fotografia foi totalmente integrada nos movimentos de vanguarda: assim, os fotógrafos expressionistas alemães (August Sander, Karl Blossfeldt, Albert Renger-Patzsch) criaram um tipo de fotografia baseado na nitidez da imagem e na utilização da luz como meio expressivo, modelando formas e realçando texturas. Esse tipo de fotografia teve importante ressonância internacional, gerando movimentos paralelos como o francês photographie pure e o americano straight photography. O futurismo italiano esteve ligado à fotografia em movimento (fotodinamismo), representada por Anton Giulio Bragaglia. Na Grã-Bretanha surgiu o Vorticismo, ligado ao Cubismo, destacado por Alvin Langdon Coburn. Com a Revolução Soviética, o realismo socialista prevaleceu na Rússia, com a figura predominante de Aleksandr Rodchenko. Nos Estados Unidos, Alfred Stieglitz fundou a Photo-Secession, que mostrava a vida urbana com emoção artística e estava ligada a movimentos como o dadaísmo. Neste último, Man Ray se destacou, tirando fotografias sem câmera, colocando objetos sobre o filme e expondo-os à luz por alguns segundos, criando imagens ambíguas entre a figuração e a abstração. Outra inovação do dadaísmo foram as fotomontagens, como as criadas por John Heartfield e Hannah Höch. Finalmente, o surrealismo introduziu na fotografia o mundo do inconsciente, dos sonhos, das imagens oníricas (Eugène Atget, Jacques-André Boiffard, Raoul Ubac).
No período entre guerras surgiu uma série de fotógrafos que retrataram a dureza da realidade envolvente, sobretudo após a crise económica de 1929, como Lewis Hine, Margaret Bourke-White e Dorothea Lange. Desde a Segunda Guerra Mundial, a fotografia continuou ligada ao jornalismo – especialmente com o surgimento de agências como a Magnum – bem como à fotografia documental, predominando o realismo fotográfico. Também tem estado fortemente ligado às últimas tendências artísticas, especialmente à pop art, ao hiperrealismo e à arte conceptual. Entre os fotógrafos mais famosos deste século estão: Werner Bischof, Brassaï, René Burri, Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Agustí Centelles, Imogen Cunningham, Robert Doisneau, Robert Frank, Raoul Hausmann, André Kertész, William Klein, Alberto Korda, Jacques-Henri Lartigue, Annie Leibovitz, Dora Maar, Inge Morath, Helmut Newton, Irving Penn, Joe Rosenthal, Sebastião Salgado, Jeanloup Sieff, William Eugene Smith, Emmanuel Sougez, Otto Steinert, Gerda Taro, Spencer Tunick, Edward Weston, etc. Desde 1990, data do aparecimento da fotografia digital, a criação fotográfica tem estado fortemente ligada às novas tecnologias, preferencialmente programas de design informático e de retoque fotográfico, como o Photoshop.[148].
Uma das grandes revoluções artísticas e audiovisuais do século foi o cinema: desde a invenção do cinematógrafo em 1895 pelos irmãos Lumière, o cinema teve uma rápida evolução, tanto artística como tecnológica, que o transformou num verdadeiro fenómeno de massa, sendo rapidamente considerado a "sétima arte". dimensão, o tempo, a sucessão cronológica dos acontecimentos, onde a montagem assume um papel relevante Nos seus primórdios, o cinema era mudo, sem som, facto que não impediu a criação de uma autêntica gramática visual que constituiu a base principal da narração cinematográfica. Com a incorporação de elementos retirados do teatro, como cenários e efeitos especiais – processo iniciado por Georges Méliès – o cinema atingiu um grau de artisticidade autêntica em termos de vertente produtiva, o cinema teve uma primeira e rápida implementação nos Estados Unidos. Estados Unidos, onde foi forjada uma poderosa indústria cinematográfica que se cristalizaria em Hollywood. Alguns dos primeiros gênios do cinema surgiram lá: Edwin S. Porter, o primeiro a filmar cenas de tomada reversa, David Wark Griffith, que introduziu a edição narrativa e os efeitos de iluminação, além de introduzir a psicologia na interpretação;
Os próximos passos do cinema caminham paralelamente à vanguarda artística da época: o cinema expressionista alemão introduziu um estilo subjetivista que oferecia nas imagens uma deformação expressiva da realidade, traduzida em termos dramáticos através da distorção de cenários e maquiagens, bem como de efeitos de luz, e a consequente recriação de atmosferas aterrorizantes ou, pelo menos, perturbadoras. Destacam-se Robert Wiene, Friedrich Wilhelm Murnau, Fritz Lang, Georg Wilhelm Pabst, Josef von Sternberg e Ernst Lubitsch. Na França, tanto o Impressionismo quanto o Surrealismo se refletiram na cinematografia: o primeiro foi traduzido em obras de alto conteúdo intelectual e moral, com temas refinados e grande simplicidade estilística, e um naturalismo oposto à artificialidade expressionista, com recursos como flou e flashback; foi representado por Louis Delluc, Abel Gance e Jean Epstein. O cinema surrealista foi um reflexo fiel da natureza onírica deste movimento, com obras onde predominava uma certa atmosfera de sonho, de delírio, senão de loucura; Salvador Dalí e Luis Buñuel foram os seus melhores representantes. O cubismo também se refletiu na experimentação rítmico-plástica do Mechanical Ballet (1924) de Fernand Léger. Alguns filmes abstratos foram até feitos, obra de diretores como Viking Eggeling") (Sinfonia Diagonal, 1921), Hans Richter "Hans Richter (pintor)") (Rythmus, 1921), Oskar Fischinger (Composição em Azul, 1927) e Germaine Dulac (Arabesco, 1930). Uma das grandes contribuições para o cinema mudo foi a do cinema soviético: consciente do valor informativo da nova arte, os líderes revolucionários russos promoveram a indústria cinematográfica, que atingiria níveis elevados com o trabalho de Sergei Eisenstein, Lev Kuleshov, Dziga Vertov, Vsevolod Pudovkin, Aleksandr Dovzhenko, etc.
Em 1926 foi introduzido o som, com o filme Don Juan "Don Juan (1926)"), ao qual se seguiu no ano seguinte The Jazz Singer, ambos de Alan Crosland"). Esta novidade levou, por um lado, à melhoria dos guiões, que poderiam ser mais ricos em diálogos - o que levou a novos registos interpretativos por parte dos actores - e, por outro lado, à introdução da música, que seria essencial para acompanhar inúmeras cenas. O próximo avanço tecnológico foi a introdução de cor em 1935 com Vanity Fair, de Rouben Mamoulian Esta foi a época de ouro do cinema americano, com diretores como King Vidor, Frank Capra, John Ford, William Wyler, Elia Kazan, George Cukor, Billy Wilder, Cecil B. DeMille, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Michael Curtiz, Raoul Walsh, Orson Welles, etc. naturalismo", caracterizado pela simbiose entre o realismo descritivo e a linguagem poética, representada por Jean Vigo, René Clair e Jean Renoir; e a nouvelle vague, influenciada pelo existencialismo, de natureza anti-intelectual, dando origem ao chamado "cinema de autor" (Claude Chabrol, François Truffaut, Alain Resnais, Jean-Luc Godard). Alimentava a realidade estrita, com trabalhos de denúncia social geralmente realizados na classe trabalhadora. e ambientes rurais; os notáveis foram Luchino Visconti, Roberto Rossellini, Vittorio de Sica, Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini. Na Grã-Bretanha, foi produzido o cinema livre, caracterizado por uma estética realista e temas de compromisso social (Lindsay Anderson, Tony Richardson, Karel Reisz e Victor Sjöström). Saura, etc.
Em meados do século, a cinematografia dos países não ocidentais começou a ganhar importância, proporcionando novas formas de compreender o cinema e maior frescura tanto nas temáticas como nas particularidades estéticas. No Brasil foi produzida uma escola (cinema nôvo) que reuniu o legado folclórico com a denúncia social: Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Vítor Lima Barreto "Lima Barreto (diretor)"). Em Cuba, o impulso revolucionário favoreceu a criação de uma indústria de carácter documental mas de grande qualidade estética (Humberto Solás, Tomás Gutiérrez Alea). A cinematografia mexicana (Juan Bustillo Oro, Emilio Fernández) e argentina (Hugo del Carril, Leopoldo Torre Nilsson, Mario Soffici) também se destacou. No Japão, a tecnologia moderna foi combinada com temas tradicionais, com um sentido estético particular que deu grande importância ao lirismo visual (Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Nagisa Ōshima). Outra cinematografia emergente é a africana e islâmica (especialmente no Irão com Abbas Kiarostami). Na Índia, criou-se uma forte indústria cinematográfica que se chama Bollywood - emulando a meca do cinema americano mas com B, de Bombaim -, com preferência por temas mitológicos e pela presença de música e dança tradicionais, com destaque para Satyajit Ray, Raj Kapoor, Farah Khan e Sanjay Leela Bhansali.
Nas últimas décadas do século, a produção cinematográfica oscilou entre o cinema comercial e o cinema de arte, destacando-se o trabalho de diretores como Woody Allen, Pedro Almodóvar, Adolfo Aristarain, Bernardo Bertolucci, Tim Burton, Mario Camus, Francis Ford Coppola, Constantin Costa-Gavras, Brian De Palma, Clint Eastwood, Miloš Forman, José Luis Garci, John Huston, Stanley Kubrick, Ang Lee, David Lynch, George Lucas, Joseph L. Mankiewicz, Vincente Minnelli, Max Ophüls, Roman Polanski, Sydney Pollack, Otto Preminger, Carol Reed, Arturo Ripstein, Martin Scorsese, Ridley Scott, Steven Spielberg, Oliver Stone, Andréi Tarkovski, Guillermo del Toro, Fernando Trueba, Andrzej Wajda, Wim Wenders, Zhang Yimou, Franco Zeffirelli, Fred Zinnemann, etc. Os movimentos cinematográficos mais recentes foram o Dogma 95 (Lars von Trier, Søren Kragh-Jacobsen), cinema ascético e livre, em locações ao ar livre, sem cenários ou luz que não seja a natural, com som e cor diretos, sem truques, gêneros ou ação superficial.
A história em quadrinhos – ou história em quadrinhos – é uma narrativa ilustrada por meio de vinhetas, que apresenta imagens e – opcionalmente – texto (inserido através dos chamados “Balões (quadrinhos)” para diálogos, e cartuchos “Cartel (quadrinhos)” para texto na parte inferior da imagem), narrando uma história em sentido de enredo e cronológico. Baseado na reprodução seriada, apareceu pela primeira vez em jornais e revistas, para ganhar autonomia própria em edições independentes. Tem, portanto, a sua origem nos meios de comunicação de massa surgidos no final do século e início do século XIX. A primeira história em quadrinhos costuma ser considerada The Yellow Kid, de Richard Felton Outcault, publicada em 1896 no jornal New York World (a camisa amarela do personagem deu nome à chamada "imprensa amarela"). Em 1905 surgiu Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay, que elevou os quadrinhos a grandes patamares artísticos, destacando-se pela fantasia e criatividade. Mais tarde, Rudolph Dirks, George Herriman, George McManus, etc.
Após a Primeira Guerra Mundial, surgiram as primeiras histórias em quadrinhos ou revistas em quadrinhos, e começou a relação entre cinema e quadrinhos, influenciando-se mutuamente, com destaque para a obra de Walt Disney, cujos filmes de animação se tornariam verdadeiros clássicos. Na década de 1930, surgiram alguns dos personagens e autores mais reconhecidos do mundo dos quadrinhos: Buck Rogers de Dick Calkins (1929), Hergé e seu Tintin (1930), Chester Gould e Dick Tracy (1931), Alex Raymond com Flash Gordon (1933), Terry and the Pirates de Milton Caniff (1934), Burne Hogarth e Tarzan (1936), Harold Foster com Prince Valiant (1937), etc. Uma grande veia dos quadrinhos foram os super-heróis, com figuras míticas como Superman (1938), Batman "Batman (super-herói)") (1939) ou Capitão América (1941).
A era de ouro dos quadrinhos ocorreu nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial (1945-1960): a chamada tira diária prevaleceu na imprensa, com personagens como Nancy (1938) de Ernie Bushmiller, Pogo (1948) de Walt Kelly, e Peanuts (1950) de Charles Schulz, com seu mundialmente famoso Snoopy; Na história em quadrinhos, conseguiu-se uma grande variedade temática, com triunfos de ficção científica, aventura, terror, romance e western. Nessa época, apareceram personagens como Lucky Luke de Morris "Morris (comicist)") (1946), The Smurfs de Peyo (1958), Asterix the Gaul de Goscinny e Uderzo (1960), etc. O sucesso dos super-heróis continuou, com Quarteto Fantástico (1961) e Homem-Aranha (1962), com destaque para o trabalho de Stan Lee, Jack Kirby e da gravadora Marvel. Na Espanha destaca-se a obra de Francisco Ibáñez, com personagens como Mortadelo e Filemón (1958).
Entre os anos de 1960 e 1980 houve uma grande diversificação do meio, com uma nova sensibilidade onde predominava a estética e um selo de qualidade, e começaram a abundar títulos dirigidos a um público mais adulto. Destacam-se personagens como Barbarella (1962), Blueberry (1963), Mafalda de Quino (1964), Valentina "Valentina (comic)") (1965), Corto Maltese de Hugo Pratt (1967), Conan de Roy Thomas e John Buscema (1970), etc. Surgiram a história em quadrinhos erótica (Guido Crepax, Milo Manara), a história em quadrinhos do autor (Jacques Tardi, Carlos Giménez "Carlos Giménez (cartunista)"), Enki Bilal, Vittorio Giardino) e rótulos mais vanguardistas, como Métal Hurlant de Moebius. Desde a década de 1980, os mangás japoneses têm tido grande sucesso, caracterizados por longos épicos de grande dinamismo, com abundantes efeitos sonoros. Embora seu início esteja ligado à revista Manga Shōnen (1947), de Osamu Tezuka, seria no final da década de 1980 que atingiria seu maior impacto, com Akira "Akira (manga)") de Katsuhiro Otomo (1982-93) e Dragon Ball de Akira Toriyama (1984-95). Finalmente, as novas tecnologias trouxeram grandes inovações para os quadrinhos, como o webcomic na Internet.[152].
No século, ganhou grande destaque a arte efêmera, que por seu caráter perecível e transitório não deixa uma obra duradoura, ou se deixa - como seria o caso da moda - não é mais representativa do momento em que foi criada. Nestas expressões é decisivo o critério do gosto social, que é o que dita tendências, para as quais o trabalho dos meios de comunicação é essencial.
• - Moda: é a arte de vestir, de confeccionar peças de acordo com parâmetros funcionais e estilísticos, tanto em roupas quanto em acessórios (chapéus, luvas, bolsas, sapatos, óculos). A tendência desde o início do século tem sido para uma maior funcionalidade e conforto (eliminação do espartilho), surgindo a minissaia na década de 1920, enquanto a partir de 1950 predomina o vestuário informal e jovem, marcado pelo uso de jeans. Entre os costureiros mais famosos estão: Coco Chanel, Cristóbal Balenciaga, Christian Dior, Manuel Pertegaz, Yves Saint Laurent, Giorgio Armani, Paco Rabanne, Gianni Versace, Karl Lagerfeld, Calvin Klein, Jean Paul Gaultier, etc.
• - Cabeleireiro: é a arte do penteado, realizado segundo parâmetros estilísticos que evoluem de acordo com a moda. Está fortemente relacionado à maquiagem, assim como à arte corporal (tatuagem, piercing). No início do século ela usava cabelos curtos com franja, que recebiam vários nomes: bob cut, shingle bob ou eton crop, característico de um tipo de mulher chamada melindrosa; Em meados do século voltaram os cabelos longos, enquanto na década de 1960 foram usados os cabelos curtos com cortes geométricos; Desde então foram múltiplas as tendências, com uma maior proliferação de cabelos tingidos. Cabeleireiros como: Lluís Llongueras, Frank Bongiovi, Jamal Hammadi), Teddy Charles, George Westmore, etc.
• - Perfumaria: é a arte de fazer perfumes, líquidos aromáticos que servem para produzir um bom odor corporal. Desde a Idade Média, a França tem sido o centro europeu de design e comércio de perfumaria. Baseados principalmente no cheiro das flores, muitos perfumes são produzidos atualmente com produtos químicos. A perfumaria atual está intimamente ligada à moda, sendo comum costureiros famosos comercializarem seus próprios perfumes. Como perfumistas, vale destacar Pierre-François-Pascal Guerlain"), François Coty, Ernest Beaux") (criador do Chanel No. 5), Eugène Schueller (fundador da L'Oréal), Yves Rocher, Estée Lauder, etc.
• - Gastronomia: é a arte de cozinhar, com uma clara componente prática na medida em que a comida é essencial ao ser humano, mas com uma grande faceta de criatividade derivada da combinação de alimentos e de inovação ao nível da criação de novas receitas. As diversas tendências gastronómicas devem-se sobretudo às variantes regionais, já que cada país tem o seu selo distintivo. Recentemente surgiu a chamada nouvelle cuisine, que dá ênfase tanto à comida quanto à sua apresentação. Como chefs relevantes poderíamos citar: Auguste Escoffier, Joël Robuchon, Paul Bocuse, Heston Blumenthal, Donato de Santis, Karlos Arguiñano, Juan María Arzak, Ferran Adrià, Santi Santamaria, etc.[153].